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FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

SANTOS E MARTIRES

SANTA  CATARINA                                                                                                                                 Ao longo dos séculos, foram proclamadas santas mais mulheres do que homens. Embora com muita dificuldade, a Igreja teve a humildade de reconhecer que algumas mulheres prestavam valiosos serviços à Igreja, mais que os homens. Ao conferir o título de “Doutora da Igreja” a três mulheres, e outras que ainda virão.

A Igreja expressa o reconhecimento público da universalidade, da influência doutrinal que elas exerceram na Teologia e na vida da Igreja.
Catarina de Sena, Teresa de Ávila e Teresinha de Lisieux são três faróis que, do seu lugar humano e eclesial, ensinam uma doutrina sublime e cheia da sabedoria que vem do alto. Nenhuma delas freqüentou universidade Teológica ou teve como mestres teólogos famosos e ilustres. Não só passaram suas vidas mergulhadas no estudo entre os livros. Não ensinaram em nenhuma faculdade e nem tampouco exerceram o mistério da pregação. Mulheres simples, apaixonadas por Deus e pela Igreja, que se deixaram conduzir pelo Espírito Santo.
VIDA
Catarina pertenceu a uma família numerosa de 25 irmãos, ela era a vigésima quarta. Nasceu, provavelmente, aos 25 de março de 1347, na maravilhosa cidade de Sena, na Toscana, bairro chamado Fontebranda. Pertencente a uma família de classe média – alta. O pai, Tiago Benincasa, é bem-sucedido comerciante de peles, e a mãe, Lapa, é a filha do poeta Nuccio Piagenti. Catarina é a caçula, em lugar de sua irmã Joana, que morreu nos primeiros anos de vida.
Na família Benincasa não faltava o necessário. Tendo uma profunda consciência religiosa e um forte sentido político de defesa à cidade.
Embora os filhos fossem numerosos, o casal recebeu em sua casa um primo órfão, Tomás della Fonte que, mais tarde, tornando-se Dominicano, teve grande influência na vida de Catarina e sendo o seu primeiro confessor e diretor espiritual.
Catarina era uma pérola de menina. Caráter dócil, sempre pronta e disponível ao ponto de ser apelidada de “Eufrosina”, que quer dizer “amável”.
Desde cedo revelou sinais de vocação para a vida consagrada. Os primeiros biógrafos, na chamada “Legenda Maior”, relatam – nos sua infância totalmente marcada pela forte presença de Deus.
Catarina, com apenas seis anos, quando voltava para casa, no bairro Vale Piatta, em companhia de seu irmão Estevão, aparece-lhe Jesus Cristo no alto da Igreja de São Domingos, vestido com roupas sacerdotais, rodeado por vários personagens, entre os quais é possível reconhecer São Pedro, São Paulo, e São João.
Aos doze anos iniciam-se os conflitos familiares. A mãe, dona Lapa, preocupada com o futuro de Catarina, pensa em arruma-lhe um bom matrimônio. Não compreende as atitudes espirituais da filha. Catarina , num gesto corajoso, revelando autonomia, corta de cabelos, sempre a Deus numa ordem religiosa. Desde então, Catarina inicia uma vida austera, passando horas e horas, num pequeno quarto, transformado em sela conventual, no seio da própria família.
Os familiares olham este gesto com suspeita. Tentam arranca-la de sua solidão cofiando-lhe o trabalho mais pesado e duro. Perturbam a sua oração e silencio. E, especialmente, proíbem-lhe de fazer penitências que sejam prejudiciais à saúde.
Catarina não se revolta. Aceita tudo com plena docilidade, criando uma cela “interior”, onde ninguém a pode perturbar nos seus íntimos colóquios com Deus.
“Fazei uma cela na mente, de onde nunca podereis sair”, escreverá mais tarde aos meus discípulos.
Será neste período, depois de visão em São Domingos, que Catarina decide ser Dominicana.
A docilidade de Catarina vence a dureza dos pais e dos irmãos. Especialmente, por decisão do pai, a situação se acalma e Catarina poderá dedicar-se livremente à oração.
Em 1363, Catarina faz o pedido para entrar na confraria das “Manteladas”, assim chamadas por causa de um longo manto preto que colocavam por cima do habito branco, Dominicano. Embora tenha apenas dezesseis anos, após varias tentativas e resistências, é admitida na comunidade das “Manteladas”.
No ambiente religioso, favorável aos seus desejos de santidade, Catarina caminha com passos de gigante para o caminho da perfeição. Pode dedicar-se inteiramente à oração e a penitência. A oração não a impede de visitar doentes leprosos. Encontramo-la visitando os doentes do leprosário São Lásaro e totalmente dedicada aos trabalhos que lhes são confiados.
Com seu caráter corajoso e decidido, consegue dominar os desejos mundanos, e Deus a recompensa com o dom da contemplação: visões, êxtases, unidos a uma vida de penitência e dedicação ao serviço dos mais pobres e necessitados.
Lentamente, o nome de Catarina corre de boca em boca pela cidade de Sena e nos povoados circunvizinhos. O povo começa a procurá-la para perdi-lhe conselho e orações.
Apesar de ser admirada por muitos, surge, de outro lado, a inveja e o ciúme que vão provocar calúnias e dificuldades à mística “Senense”.
O clero os religiosos olham o fenômeno “Catarina” com um certo desprezo. Não é raro encontrar isso entre os próprios dominicanos que colocam à força para fora da Igreja, deixando-a no chão, meio morta, ainda sob efeito dos êxtases.
As “Manteladas” sentem-se perturbadas, quase agredidas pela santidade de Catarina. Quase se arrependem de tê-la recebido entre elas.
Os biógrafos dedicam bastante espaço as calúnias e incompreensões que chovem sobre a vida de “Catarina” como uma verdadeira tempestade. Catarina mergulhada no seu doce Cristo, não se abala e nem apavora. Tudo suporta por amor ao Senhor. É na oração e no exercício da caridade que ela encontra a sua força. Jesus lhe aparece junto com a Virgem Maria e outros santos numa noite, no fim do carnaval de 1937, entregando-lhe o anel do matrimônio espiritual.
Sofrimentos familiares, como a morte do pai e uma grave doença da mãe, aumentam a cruz de Catarina que tudo oferece ao Senhor pela salvação dos pecadores.
A Igreja passa por um período difícil, Os cismas dividem-na e repartem o corpo místico de Cristo com os anti-papas, que atraem multidões de fieis enganados por motivos políticos e religiosos. Rubano V, 1362-1370, transfere a sede do papado de Roma para Avinhão. Catarina recebe de Jesus uma missão quase impossível: lutar para que a sede do Papado volte para Roma.
Sente-se chamada ao apostolado. Ela, que escolhera permanecer escondida na oração e no silencio, será de agora em diante a peregrina e nômade de Deus pelas cidades da Itália, convidando todos a renovarem sua fé em Deus e sua adesão à Igreja e ao Papa, “doce Cristo na terra”.
A sua pequena casa de Fontebranda transforma-se num cenáculo, onde amigos e simpatizantes se reúnem para rezar e refletir. São pessoas de famílias nobres e importantes de Sena, Florença, Pisa, Arezzo...
Catarina, jovem, analfabeta, mesmo assim é conselheira e orientadora de professores e teólogos famosos. Deus lhe serve dos pequenos para tocar os corações dos sábios e doutos segundo mundo.
As cartas que ela dita aos seus secretários deixam o “silencio” e percorrem as várias cidades da Itália e da Europa. As críticas aumentam. A inveja e o ciúme se encarregam de atacar Catarina de Sena e seus discípulos. A Ordem Dominicana sente-se ameaçada pela presença indiscreta e cada vez mais projetada de Catarina. O capítulo Geral dos Dominicanos, reunindo em Florença, chama-a para que explique sua teologia e doutrina diante dos teólogos. No dia 21 de maio de 1374, Catarina é sabatinada pelos capitulares. Suas respostas os satisfazem. Não há nada de herético.
O Capítulo encarrega Frei Raimundo de Cápua pára acompanhar o desenvolvimento teológico e espiritual de Catarina e ser seu diretor espiritual.
Em 1374, a peste causa mortes e desespero em Sena. Catarina, voltando de Florença, dedica-se aos doentes. Neste mesmo ano, Catarina entra em contato com o novo Papa, Gregório XI, empenhando em preparar uma cruzada contra os turcos. Catarina oferece sua ajuda, estimulando cristãos aderirem a essa iniciativa. Para que seu trabalho surta mais efeito, transfere-se para Pisa, onde o porto reúne mais pessoas interessadas no comércio e nas viagens.
Em pisa no ano de 1375, estando em oração, na Igreja de Santa Catarina, à beira do Rio Arno, recebe o sinal mais intimo do seu amor para com Cristo e do amor de Cristo para com ela: os estigmas. A sua configuração com Cristo de agora em diante será total.
Hoje é importante conhecermos o desfecho político do tempo de Santa Catarina a fim de entendermos sua vida e situação da Igreja.
Florença esta descontente com o Papa, por isso faz uma aliança com todos seus inimigos. Catarina tenta, com todos os esforços, que a rebelião seja circunscrita, mas os florentinos, chamados “o grupo dos oito santos” promovem a guerra. O Papa lança a excomunhão contra todos. Diante desta situação, os florentinos recorrem à Catarina de Sena, que é enviada como embaixatriz para Avinhão, onde se encontra o Papa Gregório XI.
Catarina é recebida pelo Papa e permanece sua hóspede por três meses. Consegue que seja retirada a excomunhão, mas, mudanças no governo de Florença, não levam a sério os resultados de Catarina.
Catarina aproveita sua estada em Avinhão para tentar convencer o Papa a voltar para Roma. Depois muita indecisão, o Papa retorna o caminho de volta à Roma. Catarina o acompanha e o encoraja para que não volte atrás nesta decisão. Estamos no ano de 1376. Chegando a Sena, Catarina é recebida com muitas horas, mas permanece na mais profunda humildade. Continua sua luta a fim de ver Florença em paz definitiva com o Papa. Consegue realizar este seu desejo em 1378, quando Urbano VI é eleito Papa.
Voltando para Sena, Catarina dedica-se totalmente ao seu íntimo diálogo com Deus. Mergulhada no mistério do Senhor ditará aos seus secretários o famoso “Diálogo da Divina Providência”.
O Papa Urbano VI tinha um caráter bem difícil e dominador. O mal-estar crescia sempre mais na Igreja e na Cúria Romana. Por outro lado, os cardeais franceses estavam descontentes porque, com eleição de um Papa italiano, tinham perdido o controle do papado, isto, após uma sucessão de sete Papa franceses.
Isso teve um desfecho duro e difícil. Os cardeais franceses se rebelaram abertamente contra o Papa Urbano VI e elegeram um novo Papa na pessoa de Roberto de Genebra, o qual assumiu com o nome de Clemente VII. Isso foi um duro golpe para Catarina volta-se com seus discípulos para o Papa Urbano VI e à Igreja, dedicando-lhe toda sua vida e seu serviço.
Acontecimento inédito para aquele tempo foi o convite que o Papa Urbano VI fez a Catarina. Chamou-a no consistório para falar aos cardeais que haviam permanecido fieis a Igreja. As suas palavras foram de uma força extraordinária.
É ela que, com autorização do Papa, convida para virem a Roma os príncipes, chefes de Estado e os cristãos para que formem um “muro de proteção” ao redor do vigário de Jesus Cristo.
Catarina enviou cartas aos reis convidando-os a combaterem os franceses e os expulsar de Roma. Com sua palavra e presença, consegue acalmar os ânimos dos romanos, revoltados contra o Papa. Ao mesmo tempo, Catarina convida o Papa a modificar seu caráter e mitigar as sua iras.
Ctarina declara seus últimos meses de vida à sua família religiosa e aos seus discípulos, aos quais exorta a serem fiéis à Igreja e voltarem a viver uma vida de maior austeridade e oração.
Ela prediz que Frei Raimundo de Cápua será o novo geral da Ordem Dominicana, o que aconteceu poucos meses depois de sua morte.
O número de discípulos e discípulas de Catarina foi aumentando e sua doutrina difundiu-se por toda parte.
Cansada de tanto trabalho, doente, rodeada pelos seus amigos e discípulos, morre aos 29 de abril de 1380, exortando todos a viverem com fidelidade o amor para com a Igreja, para com Deus e entre si: “Nunca que vos esqueçais, meus filhos dulcíssimos, deixando o corpo, na verdade, eu dei toda a minha vida para a Igreja e pela Igreja, o que me dá grande alegria”.
A vida de Catarina de Sena nos maravilha por sua intensa atividade apostólica, pela aceitação que teve nos ambientes eclesiásticos do seu tempo. A sua palavra era ouvida e procurada. Ela tinha a capacidade de reavivar amizades e restabelecer a paz. Uma jovem mulher, sem escolaridade, que se impõe pela força do seu carisma. Analfabeta nas letras humanas e rica da sabedoria de Deus.
Quando a noticia da morte de Catarina se espalhou, o povo exclamou unido: “morreu a santa!” Houve um corre-corre no convento dos Dominicanos. Por precaução, fecharam os portões da Igreja de São Domingos, em Minerva], onde o corpo estava exposto. O Papa Urbano VI, como sinal de gratidão para com a mulher santa, que havia lutado em favor do pontificado, quis que fosse celebrado um funeral solene.
Depois do enterro, iniciou-se uma constante peregrinação ao tumulo de Catarina.
O Papa Pio IX proclamou padroeira das mulheres da Ação Católica.
Em 1939, na véspera da Itália entrar em guerra, foi pedido ao Papa Pio XII que proclamasse Catarina Co-padroeira da Itália, junto com São Francisco de Assis. Em 1970, o Papa Paulo VI conferiu-lhe o titulo de Doutora da Igreja.
Embora os seus escritos não sejam muito conhecidos pelo povo, Catarina de Sena é, sem duvida, uma das mulheres mais importantes da Igreja. Assumiu com coragem a defesa dos verdadeiros valores evangélicos e humanos.
Sua presença e suas palavras foram decisivas na resolução de situações dramáticas para a Igreja, ameaçada de divisão. A sua palavra, doce e persuasiva; o seu exemplo de integridade e de amor a Cristo; a sua atuação livre de qualquer interesse fizeram-na mensageira estimada, seguida e amada por todos.
Catarina foi uma presença de unidade para Igreja.
VISÃO SOBRE O PAPA
“Na terra, quem possui a chave do sangue é o Cristo-na-terra. Certa vez, eu te manifestei essa verdade numa visão, para indicar o grande respeito que os leigos devem ter pelos ministros, bons ou maus que eles sejam, e quanto me desagrada que alguém os ofenda. Pus diante de ti a jerarquia da Igreja sob a figura de uma despensa contendo o sangue de meu filho. No sangue estava a virtude de todos os sacramentos e a vida dos fieis.
Á porta daquela despensa, via o Cristo-na-terra, encarregado de distribuir o sangue e fazer-se ajudar por outros no serviço de toda a santa Igreja.
Quem lhe escolhia e ungia, logo se tornava ministro. Dele procedia toda a ordem clerical; ele dava a cada um sua função no ministério do glorioso sangue. E como dispunha dos seus auxiliares, possuía a força de corrigi-los nos seus defeitos.

ESCRITOS

Parece quase um absurdo falar de escritos de uma mulher que mal sabia escrever o nome. No entanto, a riqueza da sua sabedoria não se perdeu. Tudo foi conservado pelos seus secretários que, fielmente, colocavam no papel tudo o que saia de sua boca.
A tradição confirmada pela critica fez chegar até nós os seguintes escritos de Catarina de Sena: As Cartas, o Diálogo da Divina Providência e as Orações.
Vamos examiná-los um pouco melhor a fim de podermos compreender a sua doutrina.
AS CARTAS

Catarina escreveu durante sua vida 382 cartas. A critica as considera autênticas, embora se conserve somente oito cartas originais. As outras foram recolhidas e transcritas pelos seus discípulos e secretários.
Dissemos que Catarina era quase analfabeta, portanto não escrevia pessoalmente as cartas, mas ditava.
A grafologia nos apresenta sete secretários diferentes, embora os secretários fixos fossem três. Há noticias de que outros lhe prestavam este serviço.
Catarina tinha uma memória prodigiosa. Era capaz de ditar ao mesmo tempo varias cartas e todas resultavam perfeitas em sua lógica e conteúdo. Muitas vezes ditava cartas durante os êxtases, sem pausa e sem pontuação. As palavras fluíam do seu coração com um de um manancial de água viva. Catarina somente escrevia de seu próprio punho as saudações e algum recado muito particular reservado.
A conservação do seu epistolário devemo-lo à dedicação dos seus discípulos que se preocupavam em fazer varias copias da mesma carta.
A primeira edição das cartas de Santa Catarina data do ano de 1492, logo após a descoberta de imprensa. Essa primeira edição consta apenas 31 cartas.
São muitos os elementos que ajudam a reconhecer as cartas de Sana Catarina de Sena: a abertura da carta, que é sempre feita em nome de Jesus e de Maria; a expressão “eu Catarina, serva escrava dos servos de Jesus Cristo, escrevo a vocês no seu precioso sangue”.
As cartas possuem um caráter familiar e são cheias de conselhos práticos e úteis a todos aqueles que buscam, verdadeiramente, a perfeição. Somos convidados, por Catarina, a seguir Jesus Crucificado e a beber do seu precioso sangue.
As cartas de Catarina são consideradas uma obra teológica de espiritualidade e uma obra literária.
O DIÁLOGO
O Diálogo” é um livro muito querido ao coração da Catarina. Recomenda-o, vivamente, aos seus discípulos.
Podemos considerá-lo o seu testamento e a sua mais bela síntese teológica do amor de Deus com a humanidade.
Santa Catarina chama-o simplesmente: “O livro”.
Segundo a “Legenda Maior”, “O Diálogo” foi composto entre o mês de julho de 1377 e maio de 1378, portanto em menos de um ano. Alguns autores dizem que Catarina teria escrito este livro em cinco dias, mas isso não é comprovado. Boa parte de “Diálogo” foi ditado durante os êxtases de Catarina. Ela mesma havia dito a seus secretários que, logo que entrasse em êxtase, se preparassem para escrever o que ela o que ela iria dizendo.
Chama-se o “Diálogo” porque não é senão um longo e apaixonado diálogo entre Catarina e Deus. Ela própria relata o que ia acontecendo no seu íntimo durante os êxtases. “O Diálogo” foi traduzido para o latim, que era naquele tempo, a língua dos doutos. Foi o livro de maior sucesso. Já em 1472, encontramo-lo impresso e traduzido em varias línguas.
Dialogo”, é o caminho que a alma deve percorrer para chegar à intimidade com Deus-Trindade. Catarina fala com o profundo amor da encarnação, do sangue redentor do Cristo, da conversão da humanidade e do clero. E o livro mais importante para o conhecimento da mística e da espiritualidade de Santa Catarina. É o fruto da sua intimidade com Deus, na oração. Ela nos oferece, de maneira pedagógica, a sua experiência espiritual e sobrenatural da intimidade com Deus.
“O Diálogo” é considerado um clássico da espiritualidade.

DOUTRINA
Os escritos de Catarina de Sena são fontes necessária para conhecer o seu pensamento teológico, espiritual e político. Há nela uma mística política que coloca em realce o seu extraordinário amor pela Igreja, cujos fieis devem permanecer unidos ao Papa e todos os reis e príncipes da terra devem defender e estar ao lado do Vigário de Jesus Cristo.
A obediência e fidelidade ao Papa são características do verdadeiro seguidor de Jesus.
O   Papa Pio II, na bula de canonização de Catarina, reconhece que a ciência e sabedoria que ela possuía era dom de Deus, era ciência infusa. Isso, porem, não elimina as influencias do seu tempo. Catarina pertencia à Ordem Dominicana, famosa pelo cultivo da Teologia, isto foi, sem duvida, um fato determinante para a doutrina de Catarina. O contato com vários teólogos da Ordem lhe permitiu receber orientações importantes, e ela soube transmitir nos seus escritos e na sua atuação política com os grandes de seu tempo.
Catarina é a perfeita síntese entre a ação e contemplação, toda dedicada a Deus na oração e toda dedicada ao serviço da Igreja e ao apostolado. Essa dimensão faz de Catarina um modelo de vida para os nossos dias, tão cheios de atividades, que parecem sufocar o espírito contemplativo. Catarina não freqüentou somente ambientes dominicanos, mas teve contato com outras correntes como o franciscanismo, e relacionou-se com outros místicos do seu tempo, como João Colombini.
interessante colocar em evidencia como Catarina, embora, provavelmente, sem ter lido a Bíblia, possuía um razoável conhecimento bíblico, fruto da atenção que ela prestava nas celebrações litúrgicas ou nas pregações dos sacerdotes. No “O Diálogo” e nas cartas, soma-se 680 citações do Novo Testamento e 97 do Antigo, e ainda a presença discreta e indireta de grandes santos como Agostinho, Bernardo, Tomás.
A origem da vida social, moral e política têm sua origem no mistério Trinitário. Somos criados à imagem da Santíssima Trindade e a ela voltamos. O pecado nos afasta de Deus e nos lança um turbilhão da vida, mas Deus, na sua providencia, nunca nos abandona e vem nos buscar no seu Filho Jesus que, através da Encarnação, faz sua morada entre nos e assume a nossa natureza humana. O seio de Maria, mediante o mistério da Encarnação, torna-se um templo da Santíssima Trindade, o campo onde é semeado o Verbo. Para Catarina tudo parte da Trindade e tudo volta para a Trindade.
Jesus encarnando-se se faz “poente” entre nós e o Pai; como cordeiro manso é imolado e com o sangue nos dá uma vida nova. A de Catarina ao sangue precioso de Jesus Cristo está presente em muitas paginas dos seus escritos. A força do sangue de Jesus chega até nós através dos sacramentos, no jardim que é a Igreja, sempre fecundado por este sangue divino.
Uma imagem belíssima que Catarina uma para dizer o que a Igreja é a da “adega”, onde é conservado o sangue precioso de Cristo e o Papa é o responsável por esta adega. Os sacerdotes, embora indignos e pecadores, são os dispensadores deste sangue aos peregrinos e viandantes. Desta visão nasce o grande respeito e amor que Catarina tem para com todos os sacerdotes. A sua pregação, para que os ministros do Senhor voltem a ter uma vida digna e santa, encontra sua razão em Cristo Jesus, que é o único pontífice entre o céu e a terra.
Percorrendo o caminho da humanidade, o homem, através da oração, pode vencer o seu pecado. Através do amor, o cristão transforma-se em outro Cristo e torna-se necessariamente apostólico, porque não podendo ser útil a Deus torna-se útil aos irmãos. Ninguém é auto-suficiente. Precisamos dos outros para nós realizar e sermos “pessoas” livres e autônomas. Para Catarina de Sena, o respeito pela pessoa é fundamental e nunca pode ser esquecido ou destruído por interesses particulares. O político deve preocupar-se com os seu país, mas não pode perder de vista os valores universais e o bem da humanidade, como um todo. Catarina vê toda ação na visão evangelizadora e no encontro com Cristo, centro da historia da humanidade.

ORAÇÕES
Como sugere o nome, este livro consta de autenticas orações ditadas aos seus secretários durante os êxtases e em outra varias circunstancias.
Frei Bartolomeu Domini diz: “Muitas vezes, Catarina, estando em êxtase, falando com Deus, pronunciava orações profundas e devotas. Muitas delas, eu mesmo transcrevi, palavra por palavra”.
Conservam-se vinte e seis orações consideradas autenticas. Nestas orações, é o coração de Catarina que vibra de amor pela Igreja, e pelo Papa.
São suas estas palavras: “Se for tua vontade, que eu derrame todo meu sangue, ate os miolos, neste jardim que é a Santa Igreja. Se for tua vontade, que os meus ossos e miolos sejam triturados pelo teu vigário na Terra”.
As orações de Santa Catarina constituem um exemplo de espontaneidade, simplicidade e diálogo orante. Pena que não se encontram publicadas tais orações.


Balduíno IV, de Jerusalém, O Rei Leproso

Esse jovem monarca, quase desconhecido na História, foi entretanto dos mais heróicos cruzados e protótipo de soberano virtuoso, comparável a São Luís IX.

Duzentos cavaleiros cristãos, liderados pelo Rei Balduíno, vencem 20 mil sarracenos
Balduíno, filho de Amaury I de Jerusalém e de Inês de Courtenay, nasceu no ano de 1160 na Cidade Santa, Jerusalém. Apesar de o casamento de Amaury ter sido anulado por questão de parentesco, os filhos dele nascidos, isto é, Amauri e Sibila, foram considerados legítimos herdeiros da Coroa.
Um dia em que Balduíno brincava de guerra com outros meninos de sua idade, seu preceptor notou que, enquanto os demais gritavam quando eram atingidos, ele parecia nada sentir. Perguntando-lhe a razão disso, o menino respondeu que os outros não o feriam, e por isso não manifestava dor e não gritava. Mas, reparando o preceptor em suas mãos e braços, percebeu que estavam adormecidos. O rei foi informado e mandou vir os melhores médicos, que ministraram emplastros, ungüentos e outras medicinas à criança, sem alcançar entretanto resultado algum. Era o começo de uma doença que iria progredir à medida que Balduíno fosse crescendo.
Em suma, esse menino tão belo, tão ajuizado e já tão sábio fora atingido por um mal terrível, que se revelou logo: a lepra, que lhe valerá o trágico cognome de o Leproso.
Dificuldades: doença, divisão interna e Islã
Com a morte prematura de Amaury, Balduíno foi aclamado rei aos 13 anos. Nessa época ele era um adolescente encantador, o mais cultivado dos príncipes de sua família, “dotado de uma grande vivacidade de espírito, se bem que gaguejando ligeiramente como seu pai, e de uma excelente memória”, escreve seu historiador e preceptor, Guilherme de Tiro(1).
“O reino desse infeliz jovem, de 1174 a 1185, não foi senão uma longa agonia. Mas uma agonia a cavalo, face ao inimigo, toda enrijecida no sentimento da dignidade real, do dever cristão e das responsabilidades da coroa nessas horas trágicas em que o drama do rei correspondia ao drama do reino”(2). Com efeito, o clima deste era de insubordinação, muitos procurando seguir apenas seus interesses pessoais. Foi essa funesta divisão entre os cristãos que levou, pouco depois, à perda de todos os reinos que haviam sido conquistados pelos cruzados na Palestina.
Já aos 15 anos e leproso, derrota islamitas
Saladino, sultão do egito, enfrentou Balduíno IV várias vezes sendo sempre derrotado
De 26 de junho a 29 de julho do ano de 1176, o sultão Saladino assediou a cidade de Alepo. Balduíno IV, que na ocasião contava apenas 15 anos e a lepra não havia ainda minado suas energias, partiu em socorro daquele bastião cristão, coadjuvado pelo Conde de Trípoli, Raimundo III. Juntos, conquistaram grande vitória sobre os muçulmanos. “Assim, mesmo sob o reino do pobre adolescente leproso, mesmo em presença da unidade muçulmana quase inteiramente reconstituída, a dinastia franca da Síria manteve os inimigos em cheque. Apesar de sua enfermidade — logo ele não viajará mais senão em liteira —, Balduíno IV, precocemente amadurecido pela dor, demonstrou uma força de alma diante da qual a História deve se inclinar com respeito”(3).
Progredindo a lepra, Balduíno viu a necessidade de assegurar sua sucessão. Para isso só havia suas duas irmãs, Sibila e Isabel. Esta última era filha do segundo casamento de seu pai. Sobre Sibila, a mais velha, repousava em particular o futuro da dinastia, pois, segundo o costume do país, seu esposo seria rei de Jerusalém. A escolha do esposo recaiu sobre o príncipe piemontês Guilherme Longa-Espada, um dos mais nobres da Cristandade, primo do Imperador Frederico Barbarroxa e do Rei da França, Luís VII. Tal casamento, que se realizou em 1177, foi efêmero, pois Guilherme faleceu três meses depois, deixando sua jovem esposa à espera de um herdeiro, o futuro Balduíno V. Esse nascimento póstumo, trazendo como conseqüência para o reino uma nova regência, só poderia enfraquecê-lo ainda mais.
Enquanto isso, Balduíno IV apressou-se em renovar a aliança com o Imperador bizantino Manuel Comeno para, juntos, invadirem o Egito. As circunstâncias pareciam favoráveis, em virtude das hostilidades que Saladino estava sofrendo na Síria naquela ocasião. Entretanto, como a lepra impedia Balduíno de comandar a expedição, ele ofereceu o comando ao Conde Felipe de Alsácia, que se encontrava em Jerusalém com seus homens. Mas este, para surpresa geral, não aceitou o convite. Julga-se que Felipe queria suceder ao rei leproso, sendo seu primo. Sua recusa fez fracassar a aliança e comprometer ainda mais os interesses cristãos na Terra Santa.
Fé e heroísmo: causas de vitória inimaginável
Em 1177 Balduíno, cedendo às instâncias do Conde de Flandres, emprestou-lhe grande parte de suas tropas para que este tentasse uma expedição contra Hamas. Sabendo que Jerusalém estava assim desguarnecida, Saladino reuniu todas suas tropas para invadir o reino cristão. A situação neste era trágica. Balduíno não dispunha senão de 500 cavaleiros. Por outro lado, o Condestável Onfroi de Toron, que o podia ajudar na direção da defesa, caiu gravemente doente.
Nessas circunstâncias quase desesperadas, o jovem rei leproso foi heróico. À aproximação do inimigo, reunindo tudo que podia encontrar de combatentes, saiu com a relíquia da Santa Cruz e chegou a Ascalon. Mandou uma ordem a Jerusalém e a todo o reino, convocando todos os homens capazes de portar armas a reunirem-se a ele. Mas, quando o reforço se aproximava da Cidade Santa, foi capturado por Saladino.
Julgando-se já dono da situação, o sultão ismaelita permitiu que suas tropas se dispersassem, pilhando, matando, fazendo prisioneiros por toda parte. Ébrio pelo sucesso, Saladino mostrou-se de uma crueldade inaudita. Mandou reunir os prisioneiros e lhes esmagou a cabeça. Certo de que os francos estavam reduzidos à impotência, o sultão protegeu-se atrás das muralhas de Ascalon, quando viu aparecer subitamente o rei leproso e seu pequeno exército. Tinham eles anteriormente perseguido os muçulmanos esparsos, derrotando-os.
Após a batalha, ação de graças no Santo Sepulcro
Morte de Balduíno IV, Rei de Jerusalém
Os cruzados caíram como um raio sobre o exército de Saladino. “Ágeis como lobos, ladrando como cães, atacaram em massa, ardentes como a chama”(4), com a relíquia da Santa Cruz à frente, portada pelo bispo de Belém. Os cristãos tiveram a impressão de que a Cruz crescia até tocar o céu. O cronista siríaco Miguel, Patriarca da Igreja jacobita, contemporâneo dos acontecimentos, assim descreveu a milagrosa batalha de Montgisard: “O Senhor teve piedade dos cristãos. Todo mundo tinha perdido a esperança, porque o mal da lepra começava a aparecer no jovem rei Balduíno, que enfraquecia, e desde então cada um tremia. Mas o Deus que fazia aparecer sua força nos fracos inspirou o rei doente. O resto de suas tropas reuniu-se em torno dele. Ele desceu de sua montaria, prosternou-se com a face contra a terra diante da Cruz e rezou com lágrimas. À vista disto, o coração de todos os soldados se enterneceu. Eles estenderam todos a mão sobre a verdadeira Cruz e juraram jamais fugir; e, em caso de derrota, olhar como traidor e apóstata quem fugisse em vez de morrer. Montaram de novo nos cavalos e avançaram contra os turcos, que se regozijavam, pensando já os ter derrotado. Vendo os turcos, de quem a força parecia um mar, os francos deram-se mutuamente a paz e pediram uns aos outros um mútuo perdão. Em seguida engajaram a batalha. No mesmo instante o Senhor fez cair violenta tempestade, que levantava a poeira do lado dos francos e a lançava no rosto dos turcos. Então os francos, compreendendo que o Senhor havia aceito seu arrependimento, tomaram coragem, enquanto os turcos deram meia-volta e fugiram. Os francos os perseguiram, matando e massacrando durante o dia todo”(5).
Somente a fidelidade dos mamelucos salvou Saladino de morte certa.
Balduíno IV retornou a Jerusalém como triunfador e foi render graças ao Deus dos Exércitos na igreja do Santo Sepulcro. “Jamais vitória cristã mais bela tinha sido infligida ao Levante, e todo o mérito voltava-se ao heroísmo do rei, cuja juventude [tinha então 17 anos], triunfando por um instante do mal que corroía o corpo, igualou-se em maturidade a um Godofredo de Bouillon ou a um Tancredo”(6).
Coragem e resignação ante a devastação da lepra
Balduíno continuou a infligir derrotas aos islamitas, embora não pudesse vencer a luta que se travava em seu próprio corpo entre a lepra e as partes sãs. Aquela o deformava de tal maneira, que assim é descrito por um historiador, em 1183: “Do belo menino louro, que nove anos antes havia recebido com fausto a coroa, não restava senão um inválido, um ser decaído, repugnante. O belo rosto não era senão placas de carne marrom, fechando três quartas partes das órbitas, das quais todo olhar fugira para sempre, cortando-o do mundo, mergulhando-o numa noite eterna. Suas mãos elegantes estavam reduzidas ao estado de cotos. Seus dedos amortecidos haviam caído uns após outros, putrefatos. Seus pés haviam tido a mesma sorte e estavam como encolhidos pelo mais cruel dos torcionários chineses. Coberto de placas e bolhas, o resto do corpo não estava diferente para se ver. [...] Ao preço de esforços por vezes espantosos, ele continuava a assumir seu papel de rei. Jamais havia faltado a um combate, jamais fugido a uma responsabilidade”(7).
Balduíno IV, o rei heróico e virtuoso, semelhante ao admirável monarca francês São Luís IX, e cuja vida não foi senão uma lenta agonia, entregou a Deus sua alma pura no mês de março de 1185, aos 24 anos de idade. “Tendo mantido até seu último suspiro a autoridade monárquica e a integridade do reino, soube também morrer como rei”.(8)


Santa Teresinha do Menino Jesus


1 de Outubro

"Não quero ser santa pela metade, escolho tudo".

A santa de hoje nasceu em Alençon (França) em 1873 e morreu no ano de 1897. Santa Teresinha não só descobriu que no coração da Igreja sua vocação era o amor, como também sabia que o seu coração - e o de todos nós - foi feito para amar. Nascida de família modesta e temente a Deus, seus pais (Luís e Zélia) tiveram oito filhos antes da caçula Teresa: quatro morreram com pouca idade, restando em vida as quatro irmãs da santa (Maria, Paulina, Leônia e Celina). Teresinha entrou com 15 anos no Mosteiro das Carmelitas em Lisieux, com a autorização do Papa Leão XIII. Sua vida se passou na humildade, simplicidade e confiança plena em Deus.

Todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior, oferecia a Deus pela salvação das almas e na intenção da Igreja. Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face esteve como criança para o Pai, livre, igual a um brinquedo aos cuidados do Menino Jesus e, tomada pelo Espírito de amor, que a ensinou um lindo e possível caminho de santidade: infância espiritual.

O mais profundo desejo do coração de Teresinha era ter sido missionária "desde a criação do mundo até a consumação dos séculos". Sua vida nos deixou como proposta, selada na autobiografia "História de uma alma" e, como intercessora dos missionários sacerdotes e pecadores que não conheciam a Jesus, continua ainda hoje, vivendo o Céu, fazendo o bem aos da terra.
Morreu de tuberculose, com apenas 24 anos, no dia 30 de outubro de 1897 dizendo suas últimas palavras: "Oh!...amo-O. Deus meu,...amo-Vos!"

Após sua morte, aconteceu a publicação de seus escritos. A chuva de rosas, de milagres e de graças de todo o gênero. A beatificação em 1923, a canonização em 1925 e declarada "Patrona Universal das Missões Católicas" em 1927, atos do Papa Pio XI. E a 19 de outubro de 1997, o Papa João Paulo II proclamou Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face doutora da Igreja.

Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

Santos Anjos da Guarda


2 de Outubro

Neste dia em que fazemos memória do nosso protetor, a Igreja termina assim o hino e oração da manhã: "Salvai por vosso filho a nós, no amor; ungidos sejamos pelos anjos; por Deus trino, protegidos!"
A palavra anjo significa, "enviado, mensageiro divino", muitas vezes encontramos as manifestações dos anjos como missionários de Deus, e por isso, com clareza lemos no salmo 91: "Pois Ele encarregará seus anjos de guardar-te em todos os teus caminhos".
Quando nos deparamos com a Anunciação e outros Mistérios da vida de Jesus, conseguimos perceber que este salmo profetiza a presença dos anjos na vida do Senhor. Ora, Cristo é o primogênito de todas as criaturas, nosso irmão e modelo. Se portanto sua humanidade, apesar de unida com a Divindade, era continuamente protegida por anjos, logo quanto mais devemos ser nós, seus membros tão frágeis. Tanto o Pai quer isto que revelou a Jesus: "Guardai-vos de desprezar algum desses pequeninos, pois eu vos digo, nos céus os seus anjos se mantêm sem cessar na presença do meu Pai que está nos céus." (Mt 18,10)
Nos Atos dos Apóstolos e nos escritos de São Bernardo, Santo Tomás de Aquino e outros Doutores da Igreja, encontramos testemunhos que nos motivam a confiarmos nos Santos Anjos protetores de cada um, pois atesta a Sagrada Escritura: "Não são todos (os anjos) eles espíritos cumpridores de funções e enviados a serviço, em proveito daqueles que devem receber a salvação como herança?" (Hb 1,14)
Na Inglaterra desde o ano 800 acontecia uma festa dedicada aos Anjos da Guarda e a partir do ano 1111 surgiu uma linda oração (apresentada a seguir). Da Inglaterra esta festa se estendeu de maneira universal depois do ano 1608 por iniciativa do Sumo Pontífice da época. Aprendamos e rezemos esta quase milenar prece: "Anjo do Senhor - que por ordem da piedosa providência Divina, sois meu guardião - guardai-me neste dia (tarde ou noite); iluminai meu entendimento; dirigi meus afetos; governai meus sentimentos para que eu jamais ofenda ao Deus e Senhor. Amém."

Santos Anjos da Guarda, rogai por nós!


Protomártires do Brasil


3 de Outubro

Dentro da conturbada invasão dos holandeses no nordeste do Brasil, encontram-se os dois martírios coletivos: o de Cunhaú e o de Uruaçu. Estes martírios aconteceram no ano de 1645, sendo que o Pe. André de Soveral e Domingos de Carvalho foram mártires em Cunhaú e o Pe. Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira em Uruaçu; dentre outros.
No Engenho de Cunhaú, principal pólo econômico da Capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte), existia uma pequena e fervorosa comunidade composta por 70 pessoas sob os cuidados do Pe. André de Soveral. No dia 15 de julho chegou em Cunhaú Jacó Rabe, trazendo consigo seus liderados, os ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe Jerera e soldados holandeses. Jacó Rabe era conhecido por seus saques e desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava.
Dizendo-se em missão oficial pelo Supremo Conselho Holandês do Recife, convoca a população para ouvir as ordens do Conselho após a missa dominical no dia seguinte. Durante a Santa Missa, após a elevação da hóstia e do cálice, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares.
A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o Rio Grande e capitanias vizinhas, mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos. Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário Pe. Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o Moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto. Os outros moradores, a grande maioria, não podendo ficar no Forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 km de Fortaleza.
Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes. Após passar por várias localidades do Rio Grande e da Paraíba, Rabe foi então à Potengi, e encontrou heróica resistência armada dos fortificados. Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por 16 dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da Fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las. Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos de Deus.
Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estêvão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia. Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois grupos: 12 na Fortaleza e o restante sob custódia em Potengi.
Dia 2 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, 3 de outubro. Os holandeses decidiram eliminar primeiro os 12 da Fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário.
Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o chefe indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados. Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia.
Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".
A 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa João Paulo II beatificou os 30 protomártires brasileiros, sendo 2 sacerdotes e 28 leigos beatificados.
Protomártires do Brasil, rogai por nós!

São Francisco de Assis


4 de Outubro

Francisco nasceu em Assis, na Úmbria (Itália) em 1182. Jovem orgulhoso, vaidoso e rico, que se tornou o mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos.
Com 24 anos, renunciou a toda riqueza para desposar a "Senhora Pobreza". Aconteceu que Francisco foi para a guerra como cavaleiro, mas doente ouviu e obedeceu a voz do Patrão que lhe dizia: "Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?". Ele respondeu que ao amo. "Porque, então, transformas o amo em criado?", replicou a voz. No início de sua conversão, foi como peregrino a Roma, vivendo como eremita e na solidão, quando recebeu a ordem do Santo Cristo na igrejinha de São Damião: "Vai restaurar minha igreja, que está em ruínas".
Partindo em missão de paz e bem, seguiu com perfeita alegria o Cristo pobre, casto e obediente. No campo de Assis havia uma ermida de Nossa Senhora chamada Porciúncula. Este foi o lugar predileto de Francisco e dos seus companheiros, pois na Primavera do ano de 1200 já não estava só; tinham-se unido a ele alguns valentes que pediam também esmola, trabalhavam no campo, pregavam, visitavam e consolavam os doentes.
A partir daí, Francisco dedica-se a viagens missionárias: Roma, Chipre, Egito, Síria... Peregrinando até aos Lugares Santos. Quando voltou à Itália, em 1220, encontrou a Fraternidade dividida. Parte dos Frades não compreendia a simplicidade do Evangelho. Em 1223, foi a Roma e obteve a aprovação mais solene da Regra, como ato culminante da sua vida.
Na última etapa de sua vida, recebeu no Monte Alverne os estigmas de Cristo, em 1224. Já enfraquecido por tanta penitência e cego por chorar pelo amor que não é amado, São Francisco de Assis, na igreja de São Damião, encontra-se rodeado pelos seus filhos espirituais e assim, recita ao mundo o cântico das criaturas.
O seráfico pai, São Francisco de Assis, retira-se então para a Porciúncula, onde morre deitado nas humildes cinzas a 3 de outubro de 1226. Passados dois anos incompletos, a 16 de julho de 1228, o Pobrezinho de Assis era canonizado por Gregório IX.

São Francisco de Assis, rogai por nós!


Santa Maria Faustina Kowalska


5 de Outubro

A misericórdia divina revelou-se manifestamente na vida desta bem-aventurada, que nasceu no dia 25 de agosto de 1905, em Glogowiec, na Polônia Central. Faustina foi a terceira de dez filhos de um casal pobre. Por isso, após dois anos de estudos, teve de aplicar-se ao trabalho para ajudar a família.

Com dezoito anos, a jovem Faustina disse à sua mãe que desejava ser religiosa, mas os pais disseram-lhe que nem pensasse nisso. A partir disso, deixou-se arrastar para diversões mundanas até que, numa tarde de 1924, teve uma visão de Jesus Cristo flagelado que lhe dizia: "Até quando te aguentarei? Até quando me serás infiel?"

Faustina partiu então para Varsóvia e ingressou no Convento das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia no dia 1 de agosto de 1925. No convento tomou o nome de Maria Faustina, ao qual ela acrescentou "do Santíssimo Sacramento", tendo em vista seu grande amor a Jesus presente no Sacrário. Trabalhou em diversas casas da congregação. Amante do sacrifício, sempre obediente às suas superioras, trabalhou na cozinha, no quintal, na portaria. Sempre alegre, serena, humilde, submissa à vontade de Deus.

Santa Faustina teve muitas experiências místicas onde Jesus, através de suas aparições, foi recordando à humilde religiosa o grande mistério da Misericórdia Divina. Um dos seus confessores, Padre Sopocko, exigiu de Santa Faustina que ela escrevesse as suas vivências em um diário espiritual. Desta forma, não por vontade própria, mas por exigência de seu confessor, ela deixou a descrição das suas vivências místicas, que ocupa algumas centenas de páginas.
Santa Faustina sofreu muito por causa da tuberculose que a atacou. Os dez últimos anos de sua vida foram particularmente atrozes. No dia 5 de outubro de 1938 sussurrou à irmã enfermeira: "Hoje o Senhor me receberá". E assim aconteceu.

Beatificada a 18 de abril de 1993 pelo Papa João Paulo II, Santa Faustina, a "Apóstola da Divina Misericórdia", foi canonizada pelo mesmo Sumo Pontífice no dia 30 de abril de 2000.

Santa Faustina, rogai por nós!


                       São Bruno


6 de Outubro

Hoje lembramos o santo que se tornou o fundador da Ordem dos Cartuxos, considerada a mais rígida de todas as Ordens da Igreja, e que atravessou a história sem reformas.

Filho de família nobre de Colônia (Alemanha), nasceu em 1032. Quando alcançou idade foi chamado pelo Senhor ao sacerdócio, e se deixou seduzir. Amigo e admirado pelo Arcebispo de Reims, Bruno, inteligente e piedoso, começou a dar aulas na escola da Catedral desse local, até que já, cinquentenário e cônego, amadureceu na inspiração de servir a uma Ordem religiosa.
Após curto estágio num mosteiro beneditino, retirou-se a uma região chamada Cartuxa com a aprovação e bênção de São Hugo, Bispo de Grenoble, o qual lhe ofereceu um lugar. Isto se deu graças a um sonho que São Hugo teve. Neste sonho, apareciam-lhe sete estrelas que caíam aos seus pés para, logo em seguida, levantarem-se e desaparecerem no deserto montanhoso. Após este sonho, o Bispo recebeu a visita de Bruno que estava acompanhado por seis companheiros monges. Ao ver os sete varões, o Bispo Hugo reconheceu imediatamente neles as sete estrelas do sonho e concedeu-lhes as terras onde São Bruno iniciou a Ordem gloriosa da Cartuxa com o coração abrasado de amor por Jesus e pelo Reino de Deus. Com os monges companheiros, observava-se absoluto silêncio, a fim do aprofundamento na oração e à meditação das coisas divinas, ofícios litúrgicos comunitários, obediência aos superiores, trabalhos agrícolas, transcrição de manuscritos e livros piedosos.
Quando um dos discípulos de São Bruno tornou-se Papa (Urbano II), teve ele que obedecer ao Vigário de Cristo, já que o queria como assessor, porém, recusou ser Bispo e após pedir com insistência ao Sumo Pontífice, conseguiu voltar à vida religiosa, quando juntamente com amigos de Roma, fundou no sul da Itália o Mosteiro de Santa Maria da Torre, onde veio a falecer no dia 6 de outubro de 1101.
As últimas palavras foram: "Eu creio nos Santos Sacramentos da Igreja Católica, em particular, creio que o pão e o vinho consagrados, na Santa Missa, são o Corpo e Sangue, verdadeiros, de Jesus Cristo".

São Bruno, rogai por nós!