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AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Gritos de socorro


“Vivo o tempo todo no limiar da derrota.” Eugene Peterson Eugene Peterson, 80 anos, professor emérito de teologia da espiritualidade no Regente College, em Vancouver, Canadá, é autor de vários livros e de uma paráfrase contemporânea da Bíblia, intitulada “A Mensagem”, publicada no Brasil pela Editora Vida. Além de confessar que vive “o tempo todo no limiar da derrota”, Peterson é suficientemente honesto para acrescentar: “Coloco todos os dias o amor em risco. Não há nada em que eu seja pior do que em amar. Saio-me muito melhor na competição que no amor. Sou muito melhor em responder a meus instintos e ambições de ir na frente e deixar minha marca do que em entender como amar meu semelhante. Estou treinado e preparado em habilidades egoístas, em fazer coisas à minha maneira” (“Um Ano com Eugene Peterson”, p. 35). Por causa desse risco e de muitos outros, que variam de pessoa para pessoa, não há quem não precise fazer orações diferentes daquelas que fazemos normalmente. Elas seriam como gritos de socorro, orações humildes, precisas e até mesmo radicais. Elas são necessárias em vista da natureza humana que nunca muda. Estamos sempre sujeitos a impulsos pecaminosos, que vêm, vão e voltam. Não se pode negar nem subestimar as “forças espirituais do mal que vivem nas alturas” (Ef 6.12). Vez por outra nos encontramos em uma circunstância sufocante. A soma dos acontecimentos nos leva ao chamado “dia mau” (Ef 6.13), quando a batalha entre a carne e o Espírito toma grandes proporções. Todos temos capacidade positiva (quando ela nos conduz para o bem) e capacidade negativa (quando ela nos conduz para o mal). Somos capazes de realizar coisas incríveis de um lado ou de outro. Temos coragem tanto para entregar nosso corpo para ser queimado em benefício do nome de Jesus quanto para negar o nome dele em sua presença e no momento em que ele mais precisa de nós. Uma pessoa pode assassinar o próprio irmão por causa de uma explosão de inveja, a exemplo de Caim (Gn 3.10). Pode matar toda a população masculina de uma cidade por causa de uma explosão de vingança, a exemplo de Simeão e Levi (Gn 34.25). Pode roubar uma bela capa babilônica, 200 barras de prata e uma barra de ouro por causa de uma explosão de ganância, a exemplo de Acã (Is 7.21). A falta de domínio próprio na área da sexualidade levou os homens de Sodoma, “tanto os moços como os velhos”, a cercar a casa de Ló para ter relações sexuais com os anjos que ele hospedava (Gn 19.4-5). Levou Rubem a deitar-se com a mãe de Dã e Naftali, seus irmãos por parte de pai (Gn 35.22). Levou a mulher de Potifar a caluniar José, porque ele se negou a ir para a cama com ela (Gn 39.7-20). Levou Davi, o cantor de Israel, a deitar-se com Bate-Seba, esposa de Urias, um dos seus trinta valentes (2Sm 11.2-4). Levou Amnom a forçar e violentar Tamar, sua irmã por parte de pai (2Sm 13.10-14). Levou o cristão de Corinto a possuir a própria madrasta, o mesmo crime de Rubem (1Co 5.1). O apóstolo Pedro declara que os falsos mestres com os quais ele lidava agiam por instinto, como animais selvagens, e não podiam “ver uma mulher sem a desejarem” (2Pe 2.14). De sã consciência, ninguém tem condições de dizer que pode dispensar as orações radicais de livramento. Principalmente aqueles que conseguiram, a duras penas, deixar o álcool, as drogas, a pornografia e a prostituição, quando tremendamente tentados a voltar à antiga dependência. Em meio a essa dura batalha, precisamos olhar para os montes e clamar: “De onde virá o meu socorro?” (Sl 121.1). As orações radicais nunca serão feitas por pessoas presunçosas e autossuficientes, incapazes de admitir a sua fragilidade. Porém, quando reconhecem que não conseguem negar-se a si mesmas no “dia mau”, elas dobram os joelhos e fazem as tais orações: Ó Deus, derrota-me! Destrona-me! Dobra-me! Esmaga-me! Submete-me! Vence-me! Amém e amém!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Perguntas e respostas sobre meio ambiente.


O ultimato da terra A Igreja e o que (+) a Rio+20 deveria tratar Na tarde do dia 20 de junho começará no Rio de Janeiro a Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), exatos 20 anos depois da Rio 92, a principal conferência sobre meio ambiente já realizada. Diferentemente da Rio 92, que foi uma conferência sobre o meio ambiente, a Rio+20 tem como objetivo principal debater o desenvolvimento sustentável. Cerca de 50 mil pessoas são esperadas, entre elas mais de cem presidentes e primeiros-ministros, parlamentares, prefeitos, jornalistas, funcionários da ONU, executivos, líderes de ONGs, acadêmicos e sociedade civil. O eixo das discussões se dará em torno de sete áreas prioritárias: energia, alimentação e agricultura, emprego e sociedade inclusiva, cidades sustentáveis, água, oceanos e desastres naturais. Vários grupos têm criticado a conferência por estar deixando de fora da agenda a crise ambiental. O Rascunho Zero (“O futuro que queremos”), documento de 170 páginas com contribuições de participantes da conferência, disponível no site da ONU, servirá de base para os debates da Rio+20. Em 1992, a edição 216 de Ultimato publicou como matéria de capa “O planeta na UTI cósmica”. O título não envelheceu. Neste momento especialmente rico para a mobilização e o envolvimento das igrejas brasileiras com as questões socioambientais, Ultimato oferece aos leitores este painel. Cristãos envolvidos com a temática falam sobre os aspectos mais cruciais e de como a Igreja pode e deve dar sua contribuição como “embaixadora da reconciliação socioambiental”. N. T. Wright, autor de “Surpreendido pela Esperança”, dá uma importante contribuição: “Tudo o que fazemos no Senhor ‘não é vão’ e esse é o mandato que precisamos para todo ato de justiça e misericórdia, toda atividade ecológica, todo esforço para refletir a sábia imagem de Deus a serviço da sua criação. [...] A criação deve ser redimida, ou seja, o espaço deve ser redimido, o tempo deve ser redimido e a matéria deve ser redimida. Depois de ter criado espaço, tempo e matéria, Deus viu que tudo era muito bom” (p. 224-225). O que é biodiversidade e de que forma a sua perda pode afetar a vida na terra? Márcio Oliveira -- O biólogo Edward O. Wilson usou certa vez o termo “diversidade biológica” para se referir à enorme variedade de seres vivos que existem no nosso planeta. Depois as pessoas passaram a usar o termo “biodiversidade” em lugar daquele e assim segue até hoje. Estima-se que 1,75 milhão de seres vivos sejam conhecidos pelo homem, mas que existam ainda mais, principalmente nas florestas tropicais do mundo -- infelizmente as mais ameaçadas pelo desmatamento. O desaparecimento ou diminuição da população de uma espécie podem afetar a vida de modo imprevisível. Como exemplo, há fortes indícios de que pesticidas agrícolas estão causando o desaparecimento de abelhas melíferas, principalmente nos Estados Unidos, o que deve afetar consideravelmente a produção de alimentos, uma vez que cerca de 60% das plantas cultivadas pela humanidade são polinizadas por essas abelhas. Por que os cristãos devem se preocupar com a extinção das espécies? Márcio Oliveira -- Porque um dos primeiros mandamentos que recebemos foi “cultivar e guardar” o que o Senhor havia criado. E isso lhe é agradável, pois ele mesmo afirmou após cada ato da criação que o que fazia “era bom”. Noé é um bom exemplo de obediência a esse mandamento. Não ficou discutindo, racionalizando, mas foi e resgatou pares de seres vivos, o que evitou a extinção em massa naquela época. Hoje sabemos que tudo que foi criado está interligado; assim, o desaparecimento de espécies ou a diminuição de suas populações podem afetar as demais espécies, incluindo o ser humano, de maneira ainda imprevisível. Existe relação entre pobreza, desigualdade e meio ambiente? Alexandre Brasil -- Os mais pobres são os que mais sofrem diante dos agravos causados ao meio ambiente. Entre eles estão os maiores índices de morte em razão dos desastres naturais. A desigualdade no acesso também se espraia nas desigualdades no que se refere à fragilidade e às condições precárias de moradia e à falta de acesso à educação, saúde e segurança. Sem esses itens somos mais vulneráveis. No momento em que o planeta “geme com dores de parto” -- fruto da vaidade daqueles que concentram riquezas --, todos são afetados, porém os que já sofrem com a privação econômica sentem mais estes impactos. De que forma desenvolvimento sustentável, consumo de alimentos orgânicos, tratamento adequado de lixo e outras bandeiras do movimento ambiental são pertinentes à realidade dos mais pobres? Alexandre Brasil -- A chave do raciocínio precisa passar pela questão econômica. No modelo atual de desenvolvimento essas alternativas podem até ser viáveis, mas são de difícil execução. Um ponto que tem se discutido é a defesa de uma nova lógica de ocupação da terra e o estímulo a um retorno ao campo. Governos já têm implementado políticas de incentivo financeiro para o retorno à atividade agrícola. Hoje, ainda, é a agricultura familiar a responsável pela maioria dos alimentos que temos na mesa. O fortalecimento do pequeno agricultor e da agroecologia são agendas pelas quais, como sociedade, precisamos lutar. Antes do tratamento do lixo precisamos discutir a produção desse lixo. Não me interessa a produção de melhores latas e invólucros, o que quero são menos latas e invólucros! A reciclagem significa consumo de energia. Temos de rever nossos conceitos de consumo e o padrão de vida que levamos. Todas essas bandeiras são pertinentes, porém precisamos considerá-las em um escopo maior, que inclua o conjunto da sociedade e efetivamente contribua para a transformação de realidades, as quais de alguma forma poderão também colaborar para a diminuição da pobreza e o combate às desigualdades. É possível melhorar a qualidade de vida nas periferias das grandes cidades? João Martinez -- Sim. Há muitos exemplos de sucesso ao redor do Brasil e do mundo. Isto pode parecer utopia para muitos, especialmente para aqueles que vivem em comunidades extremamente pobres e que sofrem em decorrência dos danos ambientais. No Brasil, crescemos acostumados com a percepção de que poucos se importam com os pobres, que os problemas socioambientais são causados em grande parte por eles e que cabe às autoridades resolvê-los. Felizmente essa corrente de pensamento está mudando e temos visto uma participação cada vez maior da sociedade civil -- incluindo a igreja cristã e as organizações evangélicas não governamentais -- nos processos de planejamento e tomada de decisões. Parece haver uma melhor compreensão de que os problemas socioambientais são complexos para serem atribuídos a apenas uma porção da sociedade e que as melhores respostas são encontradas quando há ampla colaboração e parceria. Como envolver os mais pobres nas discussões socioambientais? João Martinez -- Muitas pessoas se equivocam ao pensar que os mais pobres não têm interesse pelas questões socioambientais ou não têm o preparo necessário para contribuir em discussões e processos sobre o tema. Na verdade, eles costumam ser os mais vulneráveis e diretamente afetados pelas questões socioambientais e, com um pouco de ajuda e orientação, podem se tornar “defensores de direitos” muito eficazes em diferentes âmbitos e contextos. As mudanças climáticas são uma realidade? Como a Igreja e o cristão podem se envolver nesta temática? Marcelo Morandi -- Sim. As mudanças globais são um fato observado. As evidências de que a aceleração desse processo é decorrente de atividades humanas são cada vez mais consistentes e aceitas pela comunidade científica mundial. A questão é saber qual será o cenário futuro. Há cenários mais pessimistas e outros menos pessimistas. Aonde vamos chegar depende de posturas e mudanças de atitude na direção do que chamamos de desenvolvimento “sustentável”. Os cristãos e a Igreja, com base nos princípios e práticas de Jesus e com sua capacidade de mobilização e ensino, têm o papel fundamental de promover “uma mudança de sentimentos, uma renovação da mente e uma saudável dose de arrependimento”, nas palavras de Herman E. Daly. Assim, a “redescoberta” e a prática de princípios morais e éticos em relação à natureza e ao próximo -- já expressos na Bíblia, mas que vêm caindo no esquecimento da sociedade -- serão a grande contribuição da Igreja para a redenção do planeta, que aguarda em “ardente expectativa” que façamos mais pela vida. As mudanças climáticas podem afetar a rotina diária das pessoas? Leonardo Freitas -- As transformações que estão acontecendo no clima global, fruto de fatores antropogênicos e forçamentos naturais, têm impactos ambientais intensos na vida das pessoas. Cada região do Brasil, caracterizada por sua sociobiodiversidade, apresenta resultados diferentes desse impacto. Em território brasileiro existem seis biomas continentais: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e Pantanal, cada um com suas especificidades que precisam ser conhecidas para que se entendam as mudanças que estão ocorrendo. Em dois desses biomas, os impactos ambientais têm exigido da população mudanças comportamentais e de assentamento humano para convivência com os efeitos. Os fenômenos “El Niño” e “La Niña” influenciam basicamente na variação das chuvas e no aumento da temperatura. No semiárido brasileiro, tem ocorrido, com maior frequência, aumento do tempo de estiagem e precipitação de chuvas acima das médias regulares, impactando a vida das famílias com perdas na produção agrícola. No Pantanal, os longos períodos sem chuvas e o baixo nível das águas forçam a população a se deslocar para outras partes da região levando os rebanhos. Também as enchentes, provocadas pelo grande volume de chuvas repentinas, alagam plantações e áreas, causando prejuízos. Uma das bases do modelo atual de desenvolvimento de nossa sociedade é o consumo, estimulado e muitas vezes desenfreado. Como fugir desta lógica? E qual o papel da Igreja nessa mudança de perspectiva? Cláudio Oliver -- Para escapar dessa lógica é necessário descrer. Descrer do desenvolvimento substantivo e do crescimento como objetivo medido pelo que se consome. Consumo no passado era sinônimo de tuberculose e consumidor era a bactéria que a causava. Para escapar dessa lógica, a igreja precisa deixar de admirar a capacidade de consumir, que nos reduz à imagem de uma bactéria. Antes, deve nos encorajar a sermos a imagem de um Deus criativo e plantador de jardins, que estabelece limites para o viver, renúncias a abraçar e a sacralidade de tudo que há na criação, à qual somos chamados a observar e preservar (Gn 2.15). Os jovens evangélicos estão hoje mais sensibilizados e mobilizados para atuar nesta temática? Larissa Nakano -- Sim. Cada vez mais um número crescente de jovens e igrejas estão se preocupando com a questão socioambiental. Porém acredito que isso deva ser algo natural, já que permeia a essência cristã. Ao entender e corresponder ao amor de Cristo, tornamo-nos agentes da reconciliação, isto é, passamos a viver de forma integral a missão dada por Deus de restabelecer os relacionamentos, inclusive com a natureza, e exercer a função de cuidadores da criação. Passamos a viver uma transformação que se traduz naturalmente em atitudes cotidianas. Sendo a oração uma das marcas da Igreja, como podemos incluir a temática socioambiental em nossa prática de oração? O que orar? Timóteo Carriker -- A oração do Pai-Nosso coloca a preocupação socioambiental definitivamente na pauta da espiritualidade cristã autêntica. “Seja feita a tua vontade aqui na terra como no céu” remove todas as dúvidas sobre a atuação dos propósitos de Deus no tempo (a história mundial) e no espaço (a criação toda). A nossa missão como povo de Deus é sermos agentes de redenção de gente e ambiente (Rm 8) neste mundo. A frase “aqui na terra” não é mero pano de fundo secundário à ação de Deus, mas define o alvo da missão de Deus: novo céu e nova terra. Nosso alvo e nossa missão não podem ser outros nem inferiores a estes. Esta perspectiva “alarga” a nossa missão para além de uma tarefa essencialmente mística. Significa orar e batalhar em favor do mundo que sempre foi e será a “menina dos olhos” de Deus. Por que a Igreja deve se envolver na Rio+20? Qual o papel do cristão nessa conferência? Werner Fuchs -- Jesus, depois de vencida a tentação, vivencia simultaneamente a harmonia com o Pai e com a natureza: “Vivia com as feras e os anjos o serviam” (Mc 1.13). Isso não é dever, obrigação, mas possibilidade, graça, liberdade. Igrejas e cristãos que não se engajam de forma consistente na preservação do planeta e na justiça socioambiental revelam uma compreensão deturpada do projeto do reino de Deus por meio de Jesus. No fundo não se deixaram libertar de uma atitude consumista, inclusive em termos religiosos. Desfrutam da paisagem-mensagem aprazível, ignorando o que a degrada. Porém, Deus zela por sua criação e ao mesmo tempo gera novas criaturas em Cristo (2Co 5.17), que não se conformam com os esquemas e rumos do mundo (Rm 12.2). Por isso a participação cristã livre e confiante nas brechas da Rio+20 será tanto crítica quanto propositiva. Para que não aconteça uma “Rio+40”, porque “essa o planeta não aguenta...” Ainda há esperança para o nosso planeta ou a esperança é apenas para o novo céu e a nova terra prometidos por Jesus? Ariovaldo Ramos -- A Trindade nos colocou no jardim, dando-nos o modelo de sustentabilidade para administrarmos o planeta. Novo céu e nova terra é atribuição de Deus. A sustentabilidade desta terra é tarefa nossa. Independentemente de quanto tempo temos, há uma missão a perseguir. Entrevistados: Alexandre Brasil, doutor em sociologia pela USP e professor do Laboratório de Estudos da Ciência do NUTES, da UFRJ, é membro da coordenação geral da Rede FALE. Ariovaldo Ramos é pastor na Comunidade Cristã Reformada, em São Paulo, e embaixador da Aliança Evangélica Brasileira e da ONG Visão Mundial. Cláudio Oliver serve à Igreja do Caminho e pratica pecuária e agricultura urbana, em Curitiba, PR. É professor do curso de gestão ambiental da FEPAR e pesquisador na área de manejo de resíduos orgânicos urbanos. João Martinez, brasileiro, é gerente de comunicações da Tearfund, na Inglaterra. Larissa Nakano, graduada em gestão ambiental pela USP, é membro da Igreja Metodista Livre da Saúde, em São Paulo, e integrante do projeto socioambiental Reação, da mesma igreja. Leonardo Freitas é gestor ambiental da ONG Diaconia, em Recife, PE.

É fácil pecar ?


Ainda me surpreendo, com o meu pecado e o alheio. Não deixo de notar que meu coração segue entranhado no mal, minha língua continua rápida para ferir e minhas mãos ainda são rápidas para fazer o que não devo e ágeis para se omitir onde e quando deveriam atuar. Talvez por isso minha surpresa ao deparar-me outra vez com essa pequena frase da primeira carta João ao preparar as exposições bíblicas para o recente congresso nacional da ABU (Aliança Bíblica Universitária): “seus mandamentos não são pesados” ou, em outra tradução, “seus mandamentos não são difíceis de obedecer”*. Como assim? Eu, e aqueles estudantes universitários com quem eu me reunia para estudar a Palavra sabemos que facilmente nos enredamos no mal. E que muitas vezes só com dificuldade alcançamos seguir o bem e a justiça. Como resolver essa equação? Devo confessar e reconhecer que minha cabeça de engenheiro segue uma lógica linear, bem diferente da lógica circular do texto da carta. João tem essa mania de dar voltas, de repetir-se, de dificultar a nossa tarefa de tentar preparar uma exposição e esboço mais lineares, concatenados e objetivos. Minha esposa adorou saber que a lógica de 1 João é mais circular. Parece que isso tem a ver com os momentos da vida privada do casal quando já cheguei a lhe dizer algo como “não tem lógica esse seu argumento”. “É só uma lógica diferente”, dizia ela. Agora, inclusive, ela anda contente com essa aparente “base bíblica”, sugerindo de forma marota que seus argumentos seguem “uma lógica como a de João”. Voltemos ao tema do pecado, de onde saímos. Como resolvo o dilema, esse sobre se seria fácil pecar, como minha experiência e a de muitos sugere ou se seria fácil obedecer, como sugere o apóstolo amado? O caminho das equações, das razões e proporções me oferece uma luz. Me parece que quanto mais perto do Senhor, em íntima e cultivada relação, mais fácil é para mim obedecer. E quanto mais longe do Senhor, quanto mais distante de seu coração e de seus propósitos para mim, mais pesados serão os seus mandamentos e, por conseguinte, mais fácil será pecar. Abro parênteses para sugerir que paremos de ver o pecado como algo que esteja fora de nós, para o qual olhamos e analisamos a partir de um ponto de vista frio, objetivo e imparcial. Nossa natureza é pecaminosa. Assim o comum e o natural são a maldade, a injustiça e a omissão que brotam de nosso coração. O ponto de partida sempre deve ser o reconhecimento de nosso estado e nossa confissão. Assim se pavimenta a rota para a santidade e a retidão. Seja na ecologia, na economia, na sexualidade ou na devoção, peco mais fácil quando me afasto da luz e me perco nas trevas. Na escuridão eu não consigo ver a realidade ao meu redor, não sei para onde estou indo e ainda faço com que outros tropecem**. Mas quando me aproximo de Deus e de sua Palavra, seus mandamentos não pesam e a obediência me leva à paz e à justiça nas micro-relações pessoais, na relação com Deus e na vida ética do povo de Deus no mundo onde o Senhor nos colocou. Fácil pecar ou fácil obedecer? Depende de você, do que você se alimenta e por onde você anda. Por: Ricardo Wesley Morais Borges É casado com Ruth e pai de Ana Júlia e Carolina. Eles são missionários brasileiros entre estudantes universitários no Uruguai.

Como transformar a comunidade.


Começar um texto com uma pergunta como esta é como cair numa armadilha. Aqui a armadilha é a do pragmatismo em relação às soluções que apresentamos aos dilemas de comunidades pobres ou não. Na minha tentativa de escapar deste ardil, gostaria de apresentar ao leitor alguns aspec-tos que considero importante para a nossa reflexão. De que comunidade estamos falando? Na retórica dos dias de hoje, observo a tendência de posicionar as “comunidades” em um nível diferente do “nosso”. O nível pode ser superior – quando a gente idealiza os pobres e os classifica como “coitadinhos bonzi-nhos” – ou em um nível inferior – quando a gente acredita que “eles não sabem nada, e nem são tão espertos assim, e logo dependem da nossa solução incrível que irá tirá-los desta situação deplorável em que se encontram, e muitos destes estão assim porque qui-seram”. Ambas as abordagens sobre as “comunidades” são equivocadas na perspectiva cristã. Não há uma diferença de “nível” que posiciona as “comunidades” em uma escala moral. Nós já fizemos isto no passado e nos demos mal, mas parece que esta armadilha sempre nos pega desprevenidos. Parece que nos esforçamos em nos distanciar destas “comunidades”: nosso discurso faz questão de apresentar demarcações – nem que sejam de ordem linguística – a respeito do “eles” e “nós”. Entre estes dois pronomes, há um abismo. Todo cristão deveria se posicionar longe da armadilha desta distinção entre “eles” e “nós”. Na hermenêutica do Reino de Deus, não caímos nesta armadilha. Todos fazem parte da comunidade. A violação dos direitos de alguns afeta todos. A violação dos diretos “deles”, é contra “nós”. Um grupo de pessoas que se reúne de maneira que chamamos de igreja local, e não se sente afetado pelo que acontece aos demais membros da comunidade, tem sérios problemas. Quem se propõe a transformar as comunidades, antes de tudo, tem que se ver como gente, ser humano, membro da comunidade humana criada pelo próprio Deus. As agências cristãs deveriam ser orientadas humildemente no seu relacionamento com as comunidades, já que também são parte dela. As igrejas deveriam estar atentas aos acontecimentos ao seu entorno, já que são parte dele. Quem não entende isto, deve pensar que é extraterrestre e está com problemas de ordem médica, ou já foi pego pela armadilha. O mito que sugere ao termo “comunidade” o sentido de ambientes de pobreza extrema material nos impede de empreendermos ações relevantes em qualquer outro contexto que Deus nos insere. Novamente nos vemos na tentação de reduzir ao alcance do nosso potencial transformador. A antiga análise de Herman Dooyeweerd, e de seu antecessor Abraham Kuyper, cabe bem aqui: as diversas esferas da criação constituem o rico e plu-ral cenário de atuação redentora de Deus. Toda a criação é alvo da ação redentora de Deus. Há um mandato de responsabilidade, dirigido aos cristãos, que diz respeito ao nosso serviço na criação. Uma igreja local deve ser relevante seja na favela ou no palácio, seja no morro ou num condomínio fechado. A pergunta do título deste texto sugere a noção de uma “teleologia”. As ações que serão demandadas para que se alcance a transformação são orientadas por agendas institucio-nais, teológicas, políticas etc. A adesão a estas agendas pressupõe que as pessoas e co-munidades assumam os valores que sustentam as propostas apresentadas. Há uma vasta literatura que orienta organizações e agentes do governo em relação a ações de combate a pobreza, sendo que o pressuposto sugerido é que nós estaríamos alcançando o alvo da transformação, na medida em que os pobres “evoluíssem” para a condição de consumi-dores. A transformação aqui é prover as condições necessárias para libertar as pessoas pobres – privadas da liberdade do consumo – para esta nova situação: a de poderem livremente consumir os bens que a indústria tem a oferecer. É nestes termos que cele-bramos a emergência da dita nova classe média no Brasil, e a libertação da demanda de consumo reprimida por anos de pobreza. O ápice da transformação se dá quando perce-bemos que a multidão de pobres ascende para o status de uma multidão de novos con-sumidores, livres. Na perspectiva de uma cosmovisão cristã, isto tudo é reducionista e no mínimo, mancha a imagem de Deus no ser humano. A agenda transformadora cristã é muito mais do que liberar a demanda reprimida de mercado. Trata-se da mobilização de comunidades para o exercício da cidadania, do reencontro com as intenções originais de Deus para as mulheres, homens, jovens, crianças, famílias e etc. A teleologia da transformação, na perspectiva cristã, não é orientada pelas forças do mercado; antes, está submetida à vontade original de Deus para a criação, se esforça em compreendê-la e principalmente, obedecê-la. Quem transforma? Por fim, eu me pergunto: quem transforma? Há muito tempo caímos recorrentemente na tentação de acreditar que nós – agências, ONG´s, igrejas, governos – possuímos os sa-beres necessários para engendrar a transformação de comunidades. No discurso, estamos dispostos a ouvir e dialogar com as comunidades, pessoas e famílias de nosso entorno, mas nossas práticas ainda reproduzem um padrão de relacionamento assimétrico. Desconsideramos os saber local das comunidades, ignoramos as competências que Deus já tem aportado nas comunidades espalhadas pelo mundo. Há uma miríade de dons e talentos que vieram da parte do próprio Deus, que estão neste exato momento em opera-ção nos morros do Rio de Janeiro, nas favelas de Fazenda Rio Grande (PR), talentos que revelam a criatividade entregue por Deus a estas pessoas. As soluções relevantes, sus-tentáveis e inovadoras serão articuladas a partir daquilo que Deus já está fazendo nas comunidades. Falta-nos mais humildade, capacidade de escuta, tolerância com a pers-pectiva do outro, entendimento de que Deus não está ausente da história. Ainda somos incompetentes. A iniciativa como o Seminário de Desenvolvimento Comunitário, promovido pela orga-nização que faço parte, está alinhada com as tentativas de equipar pessoas para empre-ender ações transformadoras em seus contextos. O CADI propõe compartilhar conheci-mentos que ofereçam condições para descobrirmos com as comunidades alternativas para facilitar processos transformadores. Que o leitor seja encorajado a fazer parte disto tudo. As comunidades pobres precisam de seus dons, e você precisa aprender com eles. ______________________ Marcel Lins Camargo é diretor-presidente do Centro de Assistência e Desenvolvimen-to Integral (CADI), localizada em Fazenda Rio Grande (PR), organização cristã que executa projetos sócio-educativos com crianças e adolescentes tendo em vista o desen-volvimento da comunidade. Em julho o CADI vai realizar o curso de capacitação para pessoas que desejam realizar ações de desenvolvimento comunitário.