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FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Só para meditar nesta QUARESMA.

Na busca do relacionamento com DEUS, ainda que ELAS durante a sua existência terrena (mesmo que essa seja longa) venham a fazer todos os anos "a pé" o percurso Goiânia - Trindade, por ocasião da romaria do 'Divino Pai Eterno', ou que venham a subir "de joelhos" cada degrau das escadarias da igreja do Senhor do Bonfim em Salvador e de N.S. da Penha no Rio de Janeiro, sem "viverem e vivenciarem a OBRA DA CRUZ” serão apenas, pessoas com os pés inchados e os joelhos doloridos.

Ainda que ELAS sejam assíduas frequentadoras semanais de todas as "campanhas de portas abertas", das "tardes das bençãos" e outras afins, ou mesmo que cumpram fielmente todos os rituais das Sessões de Descarrego; ou mesmo que recebam diariamente orações fortes, bebam água benzida ou ungida e aprendam a expulsar o mal, sem “viverem e vivenciarem a OBRA DA CRUZ" serão apenas, pessoas semelhantes àquelas que buscam a salvação da alma nos terreiros de umbanda ou no culto a deuses orientais.

Ainda, que ELAS sejam fiéis nos dízimos, bons ofertantes, constantes doadores de cestas básicas, zelosos patrocinadores de programas evangelísticos televisivos, abdicados participantes das pastorais de assistência ao necessitado, sem "viverem e vivenciarem a OBRA DA CRUZ" serão apenas, pessoas que gozam de uma boa situação financeira, e que recebem a honra de serem consideradas exemplos de bondade e piedade.

Ainda, que essas pessoas sejam aplicadas praticantes do jejum; fervoroso nas orações da madrugada; sejam perseverantes frequentadores dos montes; ainda que assistam todas as missas, rezem terços todos os dias e, mesmo que estejam presentes em todos os "cultos da vitória" e "outros semelhantes", sem "viverem e vivenciarem a OBRA DA CRUZ" serão apenas, mais algumas pessoas a fazer parte da população dos místicos - religiosos.

Ainda, que ELAS cumpram todas as formalidades éticas e morais da lei, tais como: não beber, não fumar, não prostituir, não adulterar etc.; mesmo que não amaldiçoem, não roubem e não matem; ainda que sejam bons servos, bons senhores, bons professores, bons filhos, bons pais, bons governantes, sem "viverem e vivenciarem a OBRA DA CRUZ” serão apenas, pessoas íntegras e honestas, porém, mortas nos delitos e pecados; pessoas moralmente corretas, porém, condenadas ao fogo eterno.

Talvez muitas pessoas ainda não saibam que na busca do relacionamento com DEUS, a única ação que se faz necessária é a de responder afirmativamente à proposta de reconciliação que nos é feita através do sangue que JESUS derramou na CRUZ. Uma proposta que se alicerça única e exclusivamente na "GRAÇA E SOBERANIA DE DEUS". Uma proposta que não requer sacrifícios físicos, rituais ou cumprimento de regras especiais, normas e estatutos. É a proposta que apenas nos pede a renúncia do próprio "EU", para que este possa ser sepultado com CRISTO pelo batismo na semelhança de sua morte, e possa assim ressurgir um novo "EU", formado no caráter de CRISTO na semelhança de sua ressurreição, tal como a BÍBLIA nos ensina em Romanos capítulo ¨6¨. 

Portanto, por mais que queiramos ou tentemos, não há e nem haverá relacionamento com DEUS sem que "vivamos e vivenciemos a OBRA DA CRUZ". 
É por ela que se pode conhecer a morte do velho EU e o nascimento do novo EU; é ela que transforma o terreno em celestial (nossa natureza); é ela que nos liberta do poder exercido pela vaidade (a essência do pecado). É pela OBRA DA CRUZ que recebemos o dom da FÉ; a FÉ que não pode ser exercitada, mentalizada, e muito menos materializada; mas a FÉ transportadora da GRAÇA que nos dá a certeza e convicção de sermos nesta terra peregrinos e forasteiros nos permitindo conviver com as "benesses e prazeres" oferecidas pela vida terrena, sem que elas venham se tornar o alvo de nossas conquistas. É vivenciando e vivendo a OBRA DA CRUZ mediante o dom da FÉ, que saberemos ser possuidores da GRAÇA; a Graça que nos dá a condição de estar no MUNDO, de participar dele, mas, sem cair em suas tentações e armadilhas; a Graça que nos faz ansiar e regozijar pela chegada do momento, em que como eleitos possamos receber o PRÊMIO MAIOR, ou seja, a ÚNICA promessa feita por JESUS CRISTO, o autor e consumador da OBRA DA CRUZ:
"A VIDA ETERNA"! Paz e bem

Aquilo que ninguem quer ver, todos lavam as mãos



Escrevo sobre nossa omissão diante de tanta coisa. Para aquilo que fazemos e é palpável, visto, sentido, sempre há espaço para ver seus resultados positivos ou para apontar erros e falhas, mas dificilmente pode se dizer algo sobre aquilo que deixamos de fazer. Adentramos no mar de possibilidades mas nada muito concreto, apenas especulações sobre aquilo que ninguém vê.

Do que estou falando mesmo? Falo da nossa omissão quando nos calamos diante das injustiças políticas cometidas em nosso País e das leis injustas que são aprovadas, sem que façamos “nada” para tentar barrar tais desmandos. Somos omissos quando vemos a prostituição infantil e a violência juvenil tomando conta de nossas cidades e ficamos de braços cruzados. O tratamento injusto e explorador do pobre pelo rico, dos governantes que oprimem seus cidadãos; o suborno, a extorsão dos opressores dominando as cidades. Essa lista é longa, mas fica minha pergunta: Onde está a o
povo cristão diante disso?

Grande parte dela omissa. Se fala tanto em irmandade mas continua dispersa e desunida, fragmenta-se em infidáveis pedaços. Não tem maturidade para encarar seus próprios defeitos e por isso desvia a atenção em apontar os "erros" dos outros. Pobre e frágil igreja  tem outras prioridades, aumentar seu público, apenas repetem, imitam e mantem aqueles que controlam o poder econômico.

O resultado de nossa instagnação se transforma naquilo que ficamos mais inconformados, a injustiça. O pecado social da omissão que gera injustiça. O amor de Deus pelos pobres e pela justiça aparecem diversas vezes ao longo da Bíblia. O desejo de Deus é defender a causa dos oprimidos e vulneráveis perante o povo e os governantes (Dt 10:18).

Os profetas do antigo testamento já denunciavam práticas, padrões de comportamento e sistemas cujo caráter fosse explorador e desumano. O profeta Amós (5:11-12) descreveu como sendo o tipo de culto que Deus deseja. Isaías (58:6-8) disse que é o tipo de jejum que Deus aprecia. Jeremias (22:16) afirma que defender a causa dos pobres e dos oprimidos é CONHECER o próprio Deus. Podemos perceber que o trabalho pela justiça é também uma atividade espiritual.

Jesus (Lucas 4:18-19) diz ser ungido para proclamar o ano jubileu. Quem estivesse ouvindo Jesus naquela época entenderia o conceito do Jubileu, o qual estimulava a busca por uma sociedade mais justa, perdoando dívidas, evitando o aumento excessivo da distância entre ricos e pobres; libertando escravos judeus, assim como libertar espiritualmente.

Voltemos às mensagens proféticas de denúncia daquilo que está em nossa sociedade. Além de denunciar situações que conspiram contra a vida, existem várias práticas que podem contribuir para a promoção da justiça e defesa de direitos. Podemos usar a influência nas políticas públicas através de mecanismos dada a sociedade e procurar outros; usar nosso tempo e experiência para falar com os pobres e conhecer suas causas fundamentais da pobreza, pensando em benefícios a longo prazo e sustentáveis; nossas programações devem pautar as causas sociais e fazer parte de nosso dia-a-dia.

Nossa missão também é de trazer boas novas aos pobres. Vemos uma sociedade sem sonhos e perspectivas de vida, introjetada no conformismo de sua situação. A mídia por sua vez faz seu papel de manipuladora e diz o que você precisa fazer, vestir, pensar, comprar, que você sempre está inadequado e atrasado aos "padrões". É nosso papel proclamar e dar as boas notícias que Ser é o Bastante. É nosso papel proclamar as boas novas desse tempo de bonança, paz, sonhos, pois são os sonhos que nos leva à inconformidade com o mundo do jeito que está, nos impulsa a dar o próximo passo da vida, ou seja, para os sonhadores o que existe pode ser mudado de acordo com outra maquete. Nossão missão é proclamar esperança de uma vida e mundo melhor. 

E agora, vamos mudar o mundo? Para essa pergunta, penso que Jesus nos deixou uma pista no milagre da multiplicação dos pães e peixes. Apenas um menino declarou estar com comida, acho até que na sua inocência ele acreditava mesmo que sua comida podia dar conta de toda a multidão. A beleza vem na atitude desse menino, pequena, mas singela e carregada de esperança. Não é possível que diante de toda uma mutidão apenas uma criança tivesse comida. Através da atitude do menino, Jesus realizou um milagre mais difícil que multiplicar pães e peixe, multiplicou atitudes de partilha, compaixão e esperança. Talvez Jesus espere apenas uma pequena atitude como a do menino para ecoar e transbordar nos corações de uma multidão.

Mudar o mundo nos escapa mas utilizando o talento de cada um, podemos fazer com excelência o que está ao nosso alcance. Jesus precisou apenas da atitude de um pobre menino e às vezes não acreditamos nas potencialidades que temos. Diante de tudo o que somos com temperamentos, desejos, deficiências, qualidades, sombras e luzes, ainda assim, Deus nos fez e quer assim, para servi-lO e continuar trabalhando para superar-nos.
  

Conversão e poder



Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote chamado Zacarias.... Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. (Lc 1.5a; 2.1-2 NTLH)
 
Numa sexta-feira à noite, fins de agosto de 1969 abri o meu coração diante de Deus, choroso, angustiado, muito sincero e “entreguei os pontos” à beira de um lago tranquilo nas montanhas de Carolina do Norte (EUA). Eu, jovem rapaz de 17 anos, não quis mais seguir os meus próprios caminhos. Experimentei transformação. Nunca mais fui o mesmo, mesmo que tenha cometido (e ainda cometo) muitas burradas ao longo dos 42 anos seguintes.
 
Agora, sinceramente, tive que consultar o Google, para lembrar quem era o presidente dos Estados Unidos naquela época (era Richard Nixon) e não faço a mínima ideia de quem era o governador do meu estado (nem vou procurar no Google). São dados que nada ou pouco tinham a ver, na minha memória, com aquela noite marcante. Quando dou o meu testemunho, nunca começo dizendo: “no primeiro ano do Presidente Nixon, abri o meu coração para Jesus”. E você? Se você identifica algum momento marcante na sua vida de fé, ao falar disto você menciona quem era o então o presidente, ou governador, ou prefeito? Isto não passa pela cabeça da maioria, mas este não é o caso do relato por Lucas.
 
Ao contar o nascimento de João Batista, que precedeu o nascimento de Jesus, Lucas especifica uma demarcação política: Herodes, o rei da Judeia. No caso de Jesus, são precisas duas demarcações políticas: César Augusto, imperador romano, e Quirino, o governador da Síria, a província romana que abrangia a Palestina naquela época. Tudo isto nos prepara para a trama política em torno da morte de Jesus, elaborado detalhadamente em Lucas 23. Não havia dúvidas, o prometido rei sobre todas as nações (Sl 72) havia chegado e isto só poderia relativizar a autoridade de todos os outros governantes, desde o imperador romano que se considerava “salvador do mundo” e “filho de Deus”, até o governador de toda a província e este reizinho local do povo judeu chamado Herodes. Aquele que “vem governar a terra... com justiça e de acordo com o que é direito” (Sl 98.9 NTLH) havia, de fato, chegado!
 
Ou seja, Jesus veio para fazer uma diferença no mundo concreto no qual vivia desafiando os valores e propostas dos seus governantes. Claro, isto não era nada explícito, e por isso talvez a maioria dos expositores bíblicos jamais falam deste jeito e rejeitam a os expositores que relacionam a vinda de Jesus com qualquer propósito político. E têm a sua certa razão em termos de afirmações explícitas, pelo menos no que nós entendemos como explícitos.

Sempre, as palavras de Jesus e daqueles que falam de Jesus (os evangelistas, Paulo...) são o tanto quanto veladas. Mas dentro daquele contexto de domínio político, somente poderiam ser. As rebeliões explícitas eram reprimidas na hora. Por exemplo, pouquíssimos anos depois do nascimento de Jesus, o império romano crucificou cerca de 2 mil judeus rebeldes que lutavam pela independência. Aliás, a crucificação era a pena predileta dos romanos para traidores do estado. Quando Jesus falou, “se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre nós” (Mt 12.28 RA), os seus ouvintes não tinham a mesma dúvida que nós temos hoje sobre o significado de “reino de Deus”, se era um reino do interior dos nossos corações ou se referia à transformação deste mundo de relacionamentos que vivemos aqui na terra. Não tinham a menor dúvida. Nós temos porque em retrospectiva sabemos que Jesus não estabeleceu um movimento que substituía os então governantes. E assim concluímos que seu reino era “espiritual”. E, de fato, o reino que estabeleceu não implicava em troca de governantes. Mas nem por isso era menos impactante nas estruturas sociais. Rodney Stark, no seu livro, O crescimento do cristianismo (Paulus, 2006), mostra como a fé cristã resultou em exatamente isso, uma transformação das estruturas sociais do império durante os primeiros três séculos da era cristã, e em outros livros (por enquanto, em português: A vitória da razão, Tribuna da História, 2007), ele conta a continuação desta história até os dias de hoje.
 
O mesmo ocorre quando lemos Paulo. Quando ele diz, “não me envergonho do evangelho, pois ele é o poder de Deus para salvar todos os que creem, primeiro os judeus e também os não judeus” (Rm 1.16 NTLH) damos logo graças a Deus pela nossa salvação como devemos fazê-lo. Afinal, está falando de salvação. Mas, de novo, seus ouvintes, os romanos, ouviram algo um pouco diferente. Pois as palavras que Paulo usava (soter = salvação; euangelion = evangelho; e epaischunomai = se envergonhar) eram todas palavras com significado “secular”, especificamente imperial. César Augusto reivindicava para si os títulos de “Salvador” e “Filho de Deus”. O “evangelho” para os romanos era o “anúncio” do aniversário do César, ou das suas últimas vitórias. E “envergonhar-se” é linguagem de traição em contraposição à lealdade ao império. De tal modo que quando Paulo falava estas palavras simplesmente era impossível não entender as suas implicações anti-imperiais.
 
A chegada de Jesus era, de fato, a chegada do rei de todos os povos, sobre a terra toda (Sl 98.9), mesmo de uma forma diferente da esperada. Mas “forma diferente” nunca significava “forma alheia” dos modos corretos que vivemos em relacionamento neste mundo.
Bem, obviamente isto dá “pano para manga”, muito mais que posso expor aqui. Por enquanto, o meu ponto é mais específico e pessoal: Ou seja, qual a demarcação política do seu nascimento ou renascimento? Que diferença fez e ainda faz no mundo em que vivo? Dá para ver?

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Timóteo Carriker é teólogo, missionário da Igreja Presbiteriana Independente, capelão d’A Rocha Brasil e surfista nas horas vagas. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ser Paz

Um dos atos mais ultrajantes que uma pessoa pode enfrentar é receber um tapa no rosto. Diante de tamanha audácia, torna-se quase impossível à vítima de tal insolência reagir a essa atrevida agressão de maneira pacífica e serena.

A face do indivíduo pode ser considerada como símbolo de sua honra. Ousar desferir um golpe contra ela representa um atentado inadmissível à sua auto imagem, respeito e dignidade. Como dizia um colega de "baba" (desses tempera mentais): "No rosto que mamãe beijou, quem bater morre." Infelizmente, ele que foi embora cedo.

Não faz parte da nossa natureza aceitar a ofensa com passividade. Palavras como Amor, Perdão e Mansidão são tidas como sinônimos de fraqueza ou tolice e, é assim que tendemos a interpretá-las. Além disso, vivemos numa época em que predomina a cultura do "bateu-levou".

Não obstante, Jesus ensinou aos seus discípulos que, ao sermos feridos na face direita, deveríamos voltar a outra também. Mt 5: 38, 39. Seriam tais palavras literais, ou apenas uma metáfora como um princípio de lição moral?

Anos atrás, li uma história de uma cristã chamada Garnesechi, moradora de Gênova, na Itália, que demonstrou em sua vida o dito do Mestre. Como "missionária", embora tivesse seus setenta anos, ela ia tocando campainha de casa em casa. Ao chegar numa residência uma mulher recusou-se abrir-lhe a porta. Garnesechi insistiu educadamente, mas foi surpreendida com um forte tapa no rosto. Esta senhora, genuinamente cristã, então, ofereceu à agressora a outra face. A mal humorada ficou embaraçada. Suas explosões de mau humor não costumavam provocar uma reação tão cristã. Em seguida desculpou-se, Garnesechi a perdoou e uma amizade duradoura foi travada.

Esse ensinamento de Jesus, embora traga uma mensagem clara e direta não deve ser entendido como um princípio literal a ser aplicado em todas circunstâncias. Uma prova disso é que o mesmo Jesus que mandou "dar a outra face", quando estava diante do sumo sacerdote Anás e foi esbofeteado por um guarda `bajulador´, não ofereceu a outra face nem guardou silêncio, mas protestou contra o abuso oponente. Jo 18:23.

Por outro lado percebemos que, embora Jesus protestasse contra a tirania covarde e injusta, ele não foi violento, nem rancoroso ou hostil. Jesus é nosso Modelo em tudo e nos mostrou de maneira prática como reagir em várias situações da vida.

Diante das tiranias covardes, insultos e agressões verbais ou físicas, geralmente surge duas alternativas a escolhermos: a indignação ou resignação. Ambas devem ser adotadas em seu devido contexto e serem empregadas no momento certo e na medida correta. Jesus ensinou tanto a protestar pacificamente os abusos, quanto a silenciar a voz e suportar as opressões e afrontas alheias.

Nas relações pessoais e inter pessoais, pessoas irão nos ofender, machucar, humilhar, mas isso não significa que devemos sorrir, agradecer e dizer: "Faz de novo que eu adorei!". Indignação e zanga equilibrada se farão necessárias muitas vezes para expressarmos a nossa dor e questionar a legitimidade da injustiça sofrida. Foi o que Jesus fez.

Algumas vezes teremos que "levar desaforo pra casa", caso contrário, poderemos nem voltar para casa - brigas de trânsito por exemplo . Em outros momentos, porém, resignar-se ante algozes envenenados.

Um exemplo de protesto saudável foi retratado na vida de Martin Luther King em sua luta pelos direitos civis dos negros americanos. Luther King dosava perfeitamente indignação com mansidão. Talvez por isso, Mano Brown (Racionais Mcs), revoltado, disse certa vez que ele (Luther King)era "bonzinho demais" ao contrário de Rosa Parks que, supostamente, seria mais "ousada" contra os "brancos".

Como cristãos precisamos aprender a oferecer a outra face como Jesus ensinou e, ao mesmo tempo, saber o momento de se indignar justamente da maneira correta, mas não necessariamente voltando o rosto de forma literal. 

Em Mateus 5:38,39, Jesus ensina que não devemos pagar o mal com mal; que não devemos retribuir a ofensa na "mesma moeda"; que não devemos recorrer à vingança como resposta, nem jamais fazer "justiça com as próprias mãos".

Em contra partida, aprendemos em João 18:19-24 que, quando alguém nos maltrata, embora não devamos retribuir-lhe o mal, somos seres humanos que sentimos os golpes ferinos oriundos do provocante que nos causam dor e, será natural, manifestarmos nossos sentimentos questionando a legitimidade de sua ação.

Como disse Aristóteles: "Qualquer um pode zangar-se - isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa - não é fácil. Sendo assim, lancemos fora o ódio, pois este, só traz danos emocionais, físicos e espirituais . Liberar ou pedir perdão (com sinceridade) traz contentamento e paz. Pode parecer muita fraqueza, tolice ou idílio tolerar arrogâncias e afrontas. Mas esse é o único caminho para vencer o mal ao invés de sermos por ele vencidos.

Ser violentamente pacífico: um bom caminho para as relações sociais. Paz e bem

Aprendendo a desaprender




Como estou escrevendo um livro sobre cultura brasileira, volto ao assunto cultura. Difícil abandoná-lo neste momento em que o evangelho no Brasil requer mudanças radicais para continuar crescendo. Sinto uma espécie de estagnação no ar. Precisamos andar para frente.
 
Muitos dizem que necessitamos de mais teologia. Concordo. Mais “teo” sempre faz bem: teodiálogos, teoteorias, teosoluções. O que não precisamos é de teopessoas posando de Deus e dizendo que este ou aquele movimento pertence ou não a Deus. Precisamos aprender a nos consertar sem nos jogar fora. “Cobeligerância” é o que falta a muitos grupos cristãos: lutarmos juntos pelas mesmas causas, ainda que sendo diferentes, e tornar o Brasil melhor a partir da unidade. Infelizmente muitos querem que uma espécie de peneira divina retire do meio dos “puros” os que se deixaram corromper, para que o evangelho continue salgando. 
 
A pressuposição de que salgamos pela pureza doutrinária é falsa. Salgamos porque fomos perdoados, porque ele salga. Não estou tentando justificar pecados ou teorias anticristo com isto. Porém, creio que ele é. Ele se encarrega de nos encher de graça e trabalha apesar de nós. É nisto que encontro minha paz e minha paixão pela unidade funcional dos cristãos na tarefa de transformação do país. 
 
Dos teóricos que li, o que mais me ajuda neste momento é Lingenfelter. A pressuposição missiológica anterior a ele era de que a cultura humana é um veículo neutro. Em seu livro Transforming Culture — a challenge for christian mission, Lingenfelter propõe que as culturas são intrinsecamente ímpias. Ninguém pode servir ao reino se não se tornar um emigrante, sem caminhar para fora de sua identidade e em direção à cultura do reino. 
 
Trabalhei a partir da pressuposição de Kraft da neutralidade de culturas indígenas extremamente cruéis. A realidade ao meu redor me feria, mas minha missiologia me instruía a me conformar. Fomos despertados no ano 2000 pelos próprios índios, quando eles mesmos gritaram: “Não queremos mais ser assim, queremos mudar”. A partir de então os males da cultura, bem como as pessoas que eram presas por eles, ficaram evidentes pra nós. O ser humano é sempre o mesmo em qualquer cultura que seja: pecador, humano e divino ao mesmo tempo. É bonito, pois carrega em si a semente do divino, e feio, porque a corrompeu. As culturas são lindas e horríveis — nunca neutras. Não podemos engaiolar a imago Dei na “prisão da desobediência”, como Ligenfelter chama a cultura.
 
No que diz respeito ao Brasil de hoje, há um caminho claro para a igreja. Um caminho difícil, de debates e busca, mas um caminho possível. É o caminho proposto por Lingenfelter, no qual aprendemos a desaprender. Desaprendemos o brasileirismo escravizante, o “malazartismo”, o “macunaimismo”, o pessimismo de Drummond, a promiscuidade de Vinícius (o amor não é eterno enquanto dura, é eterno porque escolhemos que ele seja), desaprendemos a ser família à moda de Nelson Rodrigues, ou a ser corruptos. 
 
Aprendemos a ser brasileiros sem ser brasileiros. Como uma lagarta que sai do casulo, saímos da casca velha e bolorenta para nos tornarmos quem devemos ser: brasileiros do reino, para os quais a brasilidade não é a principal identidade e referência, mas a Palavra de Deus. A brasilidade é um dom que levaremos ao trono, devidamente domesticado pelos valores daquele que nos amou primeiro. A igreja morta fala a mesma língua do mundo a seu redor. Temos que falar a língua do reino. Estou feliz enquanto me “desbrasileiro”. Feliz “desbrasileiramento” para você também. 

Artigo publicado na edição atual da revista Ultimato (nº 334).
 

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Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona, no Havaí, com sua família e está envolvida em projetos internacionais de desenvolvimento na Ásia. É autora deChamado Radical.