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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

BIBLIA E CATEQUESE

Estamos no mês da Bíblia e refletindo, de maneira especial, sobre a travessia do povo de Deus no deserto e o consequente encontro com Ele. Falamos hoje da animação bíblica de toda pastoral e do retorno da “lectio divina”, ou leitura orante da Bíblia, em nossas reuniões de grupo e círculos bíblicos. Nesta semana a nossa Arquidiocese esteve reunida por Vicariatos nas Assembleias dos Círculos Bíblicos. Também na catequese tivemos um bom trabalho para que o aprofundamento da fé tivesse como grande fonte a Palavra de Deus. A Iniciação Cristã nos trouxe a figura dos “introdutores” para a primeira acolhida dos que chegam às nossas comunidades e que devem ser pessoas que transmitam a “palavra de Deus” pelo seu testemunho. Vivemos em tempos muito ricos e que supõem de cada um a abertura para escutar o Senhor que nos fala.


Costuma-se dizer que a Bíblia é o principal livro da catequese, a mais importante fonte do processo de evangelização. Isso é fácil de entender, pois sabemos que a Bíblia é, para nós, Palavra de Deus. Se, na catequese, o que se pretende é ajudar o catequizando a realizar o seu encontro com Deus, fica clara a importância da Palavra de Deus por meio da qual se realiza esse encontro. A catequese é, sem dúvida, centrada na Palavra de Deus. O catequizando deve aprender a escutar a Bíblia e deve ser incentivado a vivenciá-la. Por meio da Palavra, Deus se comunica conosco e nós nos comunicamos com Ele.


É impossível compreender exatamente o que seja a catequese sem compreender profundamente a Palavra de Deus. O Diretório Nacional de Catequese nos fala que é preciso que a catequese seja alimentada e dirigida pela Sagrada Escritura. É tão grande a força e virtude da Palavra de Deus que fornece à Igreja a solidez da fé, o alimento da alma, fonte pura e perene da vida espiritual. A própria Escritura testemunha: A "Palavra de Deus é viva e eficaz" (Hb 4,11).


A Bíblia é, pois, o primeiro livro de catequese. Antes de a Bíblia ser escrita, Israel encontrou-se com seu Deus e alimentou sua vida de fé numa longa experiência comunitária de luta pela sua sobrevivência e dignidade. Nessa experiência vai despontando o jeito catequético de Deus, através do qual Israel foi aprendendo a ver Deus no centro de sua história e da vida de cada um.


Por meio dessa longa experiência, podemos comparar a Bíblia com uma antiga “máquina de costura”, que vai costurando a aliança de Deus com o povo e do povo com Deus. O “carretel de linha” é o mistério do amor de Deus que vai penetrando os orifícios de nossa vida. A “canelinha” somos nós, que devemos corresponder à penetração da agulha de Deus em nossa vida. O importante é “firmar o ponto” e não afrouxar a costura, senão vamos “franzir” a nossa vida cristã. Através de nossa liberdade podemos cortar a linha e quebrar a aliança com Deus. A catequese é, portanto, a constante “costura” que fazemos com Deus. Não se faz roupa apenas em alguns momentos da vida. Daí a importância da catequese e de sua formação permanentes.


Depois de muito tempo, por inspiração de Deus, Israel vai pondo por escrito aspectos marcantes dessa experiência vivida à luz da fé. A vivência suscita os escritos. Na catequese de Deus os fatos precedem as escritas. É a grande pedagogia da Bíblia. Os escritos que vão surgindo mantêm viva e aprofundam a fé através de releituras posteriores provocadas pelos fatos novos.


Assim, o Diretório Nacional de Catequese afirma: "O texto sagrado nasceu em experiência comunitária: foi o processo que o próprio Deus escolheu para se comunicar. É função do texto bíblico alicerçar e vivificar a comunidade dos que creem, fazendo crescer a unidade da Igreja, que não é uniformidade, mas deriva de um espírito básico de comunhão... A Bíblia nasceu na e para a comunidade de fé. Ela será vista em suas perspectivas mais importantes só quando relacionada com a comunidade" (DNC 177-185).


Uma das características da Catequese renovada e ratificada no Diretório Nacional de Catequese é a "Interação fé-vida”: O conteúdo da catequese compreende dois elementos que se interagem: a experiência da vida e a formulação da fé. A interação entre fé e vida é a tarefa principal, a arte do catequista e seu constante desafio diante das situações concretas (DNC 26). Esta interação não pode ser de palavra, igual óleo no copo de água: só se mistura quando é remexido. Deve ser a interação do óleo e da água na panela quente para cozinhar o arroz. Uma vez misturados, não se separam mais. Toda a Palavra de Deus é esta grande interação entre fé e vida.


A Bíblia nos traz valiosos testemunhos de mulheres e homens que declararam o quanto tiveram consciência de que Deus é parceiro e está no centro da caminhada. De tudo isto, a Bíblia é fruto e história. A Sagrada Escritura é, ao mesmo tempo, testemunho oficial e orientação autorizada do período fundador da nossa comunidade de fé. Por isso mesmo, a Bíblia é livro catequético por excelência.


Na Bíblia não existem textos sem valor, banais, mesmo que às vezes se tenha esta impressão. Eles têm seus valores, ainda que ocultos. Daí a necessidade de boa formação bíblica para perceber qual catequese está por trás de tais textos. Para isto é importante dar bastante atenção ao texto. Evitar a ânsia de nos servirmos do mesmo texto para expor nossas ideias, não prestando atenção ao que ele tem a nos dizer.


A pedagogia de Deus é a revelação progressiva através de palavras e acontecimentos na caminhada do povo. Nada pronto de cima para baixo. Na medida em que o povo caminhava, ia reavaliando suas reflexões e ações numa linha progressiva. A pedagogia bíblica é a reflexão na caminhada. Nada de receitas prontas. Na medida em que a comunidade caminha, reavalia reflexões e soluções do passado, às vezes corrigindo-as. É o caso, por exemplo, da responsabilidade pessoal.


A pedagogia bíblica nos ajuda a ver problemas e nos mostra que suas soluções estão na comunidade de fé, onde aprendemos a traduzir em oração e em catequese tudo o que acontece: alegria, dores, esperanças. Neste sentido, é importante o uso de uma linguagem simbólico-cultural, que situa catequista e catequizando em sua cultura.


Contudo, é preciso valorizar ainda mais a importância da Bíblia a nível pessoal e comunitário, e promover uma catequese que seja fundada na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, vivificando os programas catequéticos e os próprios catecismos, a pregação e a piedade popular. Em todas as catequeses integrais devem estar sempre presentes, inseparavelmente unidos, o conhecimento da Palavra de Deus, a celebração da fé nos sacramentos e a profissão da fé na vida quotidiana. Deste modo, estaremos fazendo e vivendo uma catequese pautada na Palavra de Deus e tendo a certeza de que estamos no caminho certo, e que nossa catequese hoje possa responder aos anseios de nossos catequizandos.


Que em nossas comunidades, neste mês da Bíblia, seja valorizada a leitura orante da Bíblia, e que todas as nossas paróquias, iluminadas pela Palavra de Deus, se coloquem na escola da Palavra, que é alimento diário para a nossa caminhada de fé neste mundo tão conturbado em que vivemos, onde somente a Palavra de Deus nos ilumina a viver a santidade.


                                                        Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Última Alteração: 09:35:00
Fonte: † Orani João Tempesta, O. Cist.
Local:Rio de Janeiro (RJ)

FAZER O BEM POR OBRIGAÇÃO TEM VALOR

Fazer o bem 'por obrigação' tem valor? - 12/09/2011 - 08:47
O arrependimento do pecado não acontece só porque alguém leu algum texto com instruções sobre como proceder (fazer orações, trabalhos voluntários para compensar as consequências que permanecem mesmo depois de perdoada a culpa...). Tem que vir do coração, a pessoa tem que ser tocada pelo Espírito Santo. Eu faço jejum e trabalhos voluntários, mas faço porque tenho certeza de que o divino Espírito Santo me tocou. Não li, nem ninguém falou comigo para fazer isso. Qual a opinião da senhora?                                        (Nelson – por e-mail)
O leitor toca numa questão importante, que preocupa muita gente. O contexto que motivou seu comentário é o da confissão sacramental, que faz chegar a nós o perdão de Deus, desde que estejamos arrependidos de nossos pecados, mas não apaga as suas consequências, permanecendo a necessidade da reparação; quando esta não pode ser feita de forma direta (desfazendo o mal cometido), resta-nos expressar o arrependimento e a conversão pela prática do bem de modo geral. “O amor cobre uma multidão de pecados”, diz São Pedro (1Pd 4,8).
Segundo me parece, o que o leitor quer dizer é que o arrependimento dos pecados não acontece “por encomenda”, nem pode ser substituído pela prática de boas obras, só por si, de forma apenas exterior.
Certamente Deus não quer “sepulcros caiados”, as boas obras têm de vir, sim, do coração. Mas a questão é um pouco mais complexa do que pode parecer à primeira vista. Esforçar-se honestamente para cumprir um dever ou para fazer o bem, ainda que custe, é algo bem diferente de fingimento ou falsidade. Não é raro ouvir alguém dizer, por exemplo, que “só vai à missa quando tem vontade, porque, caso contrário, não teria valor”. Será que podemos concordar com esse modo de pensar? Creio que não. Considero mais meritório ir à missa por saber que é importante, mesmo sem vontade, do que acomodar-se e ceder à preguiça, como se ela bastasse como desculpa. Esta segunda atitude só fará com que a “vontade” seja cada vez menos frequente, enquanto que, na primeira, o esforço de disciplina tende a criar o bom hábito a que chamamos “virtude”.
É preciso discernimento para entender o que significa “vir do coração” e “ser tocado pelo Espírito Santo”. “Ser tocado” não significa, necessariamente, gostar de fazer algo ou ter vontade de fazê-lo, mas sim, reconhecer em algo a vontade de Deus, ainda que seja algo que não nos agrada, e dizer “sim” com o coração, ou seja, submeter livre e conscientemente (ainda que não alegremente) a nossa vontade à de Deus.
Segundo uma obra clássica de espiritualidade que estou traduzindo1, a vontade de Deus se revela principalmente de duas formas, que podemos chamar de “vontade revelada” e “vontade de beneplácito”. A vontade revelada é aquela que Deus revelou e continua revelando “formalmente”, através dos mandamentos e conselhos bíblicos, e, além disso, das regras e obrigações em geral, que variam conforme o estado de cada um: para o religioso, sua regra e constituições; para o padre, as leis litúrgicas e do direito canônico; para o leigo, os deveres profissionais, sociais e familiares. Ou seja, cumprir o dever, expresso nos mandamentos e nas regras, é a forma ordinária de praticar a vontade de Deus. É Deus mesmo quem nos fala por meio deles e nos chama à obediência, mesmo que escutemos essa voz e a ela respondamos apenas com a inteligência e com a fidelidade da fé, sem que as emoções sejam envolvidas.
A outra forma pela qual Deus manifesta sua vontade – e à qual chamamos vontade de beneplácito – é aquela que atua de forma “livre” e independente de esquemas. Aqui, nossa resposta se dá não tanto por ações, mas principalmente pela aceitação: são as diversas circunstâncias da vida que escapam ao nosso controle, os imprevistos, os sofrimentos, as consolações e provações... Incluem-se aqui, também, as moções ou inspirações particulares de Deus a determinadas pessoas, em determinados momentos, segundo sua livre escolha; mas o autor da obra deixa bem claro que as duas formas de manifestação da vontade de Deus nunca se opõem uma à outra, mas se reforçam e se complementam. Por isso, não parece muito sensato alguém dizer que só faz determinada coisa exatamente porque nunca ninguém lhe aconselhou fazê-la...
Ninguém deve confiar unicamente nas próprias intuições e inspirações. Isso pode ser perigoso, pois podemos tomar como inspiração divina aquilo que, no fundo, não vem de Deus. Tudo o que fazemos, em matéria de fé, deve ser sempre submetido ao discernimento da Igreja. O próprio Deus escolheu falar-nos e conduzir-nos enquanto povo, enquanto comunidade organizada sob um governo visível, e não cada pessoa isoladamente. Aquilo que nos vem por meio da Igreja vem realmente de Deus, de forma ainda mais segura do que alguma eventual moção que não tenha passado pelo crivo da Igreja.
Outro ponto importante – e sempre revelador – é o motivo pelo qual realizamos nossas boas obras. Os fariseus rezavam, jejuavam e davam esmolas apenas para aparecer e ser valorizados. Trabalhavam para si mesmos, e não para Deus. Se o que nos move é o amor a Deus e aos irmãos, e não o nosso próprio interesse, então é grande a probabilidade de estarmos realizando, efetivamente, a vontade de Deus. A melhor forma de verificar a autenticidade de nossas boas intenções é ver se elas sobrevivem às intrigas, perseguições, ingratidões... ou mesmo aos nossos próprios fracassos. É por isso que Deus permite que tais provações sobrevenham, com tanta frequência, àqueles que se dispõem a trabalhar na vinha do Senhor (Eclo 2, 1-5).
De fato, o arrependimento dos pecados e a conversão não são coisas automáticas; a graça e a salvação são oferecidas a todos, mas a resposta é pessoal e livre. Entretanto, é preciso oferecer a oportunidade, fazer o convite, jogar a semente e criar condições para que ela germine, apresentar a pessoa e a mensagem de Jesus. “A fé vem pela pregação”, diz São Paulo. “E como crerão se não houver quem anuncie?” (Rm 10, 14.17). Foi Jesus quem mandou anunciar o Evangelho... (Mc 16,15) e deixou bem clara a importância do testemunho dos discípulos: “Rogo-vos pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim” (Jo 17,20). Definitivamente, não é só de forma pessoal, íntima e independente de nossas atitudes, que Deus nos fala. As pregações, leituras e orações, assim como a busca do conhecimento e o cumprimento do dever, são coisas muito importantes, pois predispõem nosso coração para que o Espírito Santo nos toque.                                                                                            

Última Alteração: 08:47:00
Fonte: Margarida Hulshof
Local:Holambra

AS ASA DA GALINHA

 
As asas das galinhas - 12/09/2011 - 09:47
A superproteção maternal é hoje um problema. De instinto que era, tornou-se caso de polícia. Diante de uma sociedade aglutinadora de talentos e excludente por excelência, principalmente para aqueles que não preenchem requisitos básicos que atendam a engrenagem da competição, da produção, do mercado, a educação para o trabalho deixou de ser um problema vocacional, mas de vida ou morte. Chora menos quem pode mais.
O velho terreiro familiar há muito ultrapassou os limites do quintal da casa. Ladrões de galinhas se sofisticaram: poupam as donas dos ovos à espera de suas ninhadas, hoje genética e qualitativamente melhores. Perdoem-me se baixo tão drasticamente o nível, para lhes falar em parábola de um problema social, portanto humano. Uma questão de sobrevivência!
Diante da voraz competitividade por um lugar ao sol – parece-nos! - a vida humana se assemelha mesmo a um galinheiro sem limites, onde cada qual tenta assegurar seu milhozinho, sua ração diária. O mundo tornou-se assustadoramente classista, elitista. A individualidade está acima do interesse coletivo, do bem comum. A educação, voltada para o mercado de trabalho, prioriza talentos pessoais, sobrepondo-se à visão comunitária, aos projetos sociais, ao bem estar outrora planejado sob o ponto de vista coletivo, não individual. Cresce o conceito do “cada um pra si”, do “salve-se quem puder”.
Uma perigosa encruzilhada! Estamos diante de um fenômeno que muda drasticamente as regras da convivência humana. Suas conseqüências serão nefastas ao futuro da coletividade, como igualmente destruirão por completo muitos dos valores tipicamente humanos. A religião será posta nos sótãos de muitos lares, pois a doutrina do bem comum já não terá sentido. O coletivo, o que era de interesse social, perderá espaço para manutenção do interesse pessoal. Uma ameaça ao equilíbrio desse galinheiro que ocupamos. Um caos pleno, apocalíptico! Com isso, muda-se a “postura” das galinhas. Entendam bem essa ironia: qualidade acima de quantidade. Positivo? Nem tanto, se considerarmos que a qualidade educacional e familiar sempre se pautou e sempre deveria ser pautada pelas regras da convivência. Pela sua intensidade, se mede sua qualidade.
Um mundo que se quer mais justo e humano, não pode ser edificado sob as vistas do individualismo. Já conhecemos as conseqüências desse comportamento. O próprio Cristo o denunciou em sua época, quando escribas e fariseus colocavam o indivíduo, a classe política, os interesses de grupo acima de tudo que fosse de interesse coletivo. “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas”, bradou Jesus.
A educação só será libertadora e minimamente humana, quando longe da visão individualista, dos interesses pessoais. Paulo Freire, grande educador, já dizia: “Os valores cristãos (como a pessoa humana e seus direitos fundamentais, seu encontro com o outro, o “bem comum”) afastam definitivamente os males do egoísmo e do individualismo... é antes um ideal projetado no tempo, é revolução do homem novo, é exigência de justiça em todos os planos, é condenação das estruturas iníquas”.
Estruturas como aquelas que Jesus detectou em Jerusalém. E exclamou: “Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas... e tu não quiseste! Pois bem, a vossa casa vos é deixada deserta” (Mt 23,37-38). No aconchego dos lares modernos cresce a desertificação do egoísmo, do individualismo. Afastam-lhes as asas da proteção divina.
 
Última Alteração: 09:47:00
Fonte: Wagner Pedro Menezes
Local:Assis (SP)

CULTIVAR A AMIZADE

Não preciso falar aqui da importânica de se cultivar as boas amizades para ser feliz. Milan Kundera diz que “toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Os amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contraído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão.”
A verdadeira amizade nos socorre quando menos esperamos! Podemos esquecer aquele com quem rimos muito, mas nunca nos esquecemos daqueles com quem choramos. Os corações que as tristezas unem permanecem unidos para sempre.
Na prosperidade os verdadeiros amigos esperam ser chamados; na adversidade, apresentam-se espontaneamente. A fortuna faz amigos. A desgraça prova se eles existem de fato. É preciso saber fazer e cultivar amizades. Isso depende de cada um de nós; antes de tudo, do nosso desprendimento e fidelidade ao outro.
Para conquistar um amigo é preciso criar um “deserto” dentro de si, aceitando que o outro venha ocupá-lo.
Acolher o amigo é, em primeiro lugar, ouvir. Alguns morrem sem nunca ter encontrado alguém que lhes tenha prestado a homenagem de calar-se totalmente para ouvi-los. São poucos os que sabem ouvir, porque poucos estão vazios de si mesmos, e o seu ''eu'' faz muito barulho. Se você souber ouvir, muitos virão lhe fazer confidências.
Muitos se queixam da falta de amigos, mas poucos se preocupam em realizar em si as qualidades próprias para conquistar amigos e conservá-los.
Se você quiser ser agradável às pessoas, fale a elas daquilo que lhes interessa e não daquilo que interessa a você. A amizade é alimentada pelo diálogo; que é uma troca de ideias em busca da verdade. Muito diferente da discussão, que é uma luta entre dois, na qual cada um defende a sua opinião.

A verdadeira amizade não pode ser alimentada pela discussão, somente pelo diálogo.
Em vez de demonstrar exaustivamente que o amigo está errado, ajude-o a descobrir a verdade por si mesmo; isso é muito mais nobre e pedagógico.

Se você quiser agir sobre seu amigo, de verdade, para que ele mude, comece por amá-lo sincera e desinteressadamente.
A amizade também exige que se corrija o amigo que erra; mas devemos censurar os amigos na intimidade; e elogiá-los em público. Nada é tão nocivo a uma amizade como a crítica ao amigo na frente de outras pessoas; isso humilha e destrói a confiança. Nunca desista de ajudar o amigo a vencer uma batalha; não há nem haverá alguém que tenha caído tão baixo que esteja fora do alcance do amor infinito de Deus e do nosso socorro.

Uma amizade só é verdadeira e duradoura se é baseada na fidelidade. Cuidado, pois, para magoar alguém são necessários um inimigo e um amigo: o inimigo para caluniar e um “amigo” para transmitir a calúnia.

(Trecho extraído do livro "Para ser feliz")


Foto Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br