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ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

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AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sábado, 12 de fevereiro de 2011

VIDA BEM MAIOR



Por Padre Evaristo Debiasi


Sim, vida é o bem maior que possuímos. Deus a origem primeira e o fim último de toda vida. Deus, em seu eterno amor pela humanidade, quer nos dar vida plena. Aliás, o amor de Deus pela humanidade não tem limites. É imensurável. A vida que Deus Pai quer partilhar conosco no agora do tempo é antes de tudo Ele próprio, o amor de Jesus e a vida no Espírito Santo.

Cristo nos revelou que a vida humana é o santuário maior de Deus no tempo. "Vocês não sabem que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá pois o tempo de Deus é santo e esse templo são vocês" (1Cor 3,16-17).

Da concepção no útero materno até a hora da morte natural a vida é o grande bem a ser preservado, defendido, assumido e amado. Por isto mesmo, todo tipo de exclusão ou manipulação da vida humana, seja quais forem os motivos, é irreversivelmente exclusão de Deus. Claro existe a legítima defesa. Mas Deus não exclui ninguém. Ele nos ama além de nossos méritos ou não méritos.

O amor a Deus e o amor ao próximo fazem parte do projeto de Deus para a vida. São partes constitutivas do primeiro mandamento de Deus e da Boa Nova de Jesus. A vida está no coração do projeto de Deus, de Jesus e da Igreja. Ela não tem preço. É um valor inegociável. Disto a Igreja não abre mão. Deus é o dono absoluto da vida.

Com a encarnação de Cristo, que é verdadeiro Deus e homem, a vida humana foi elevada em sua dignidade suprema. Nada justifica sua manipulação. Por isto mesmo, jamais haverá verdadeiro amor a Deus sem a defesa de toda vida humana. Não há outra escolha.
Todo progresso, todas as conquistas, todo poder e riquezas devem estar a serviço da vida de todos, não somente de alguns. Os documentos da Igreja ensinam que o direito da posse dos bens materiais tem seus limites e mesmo vira hipoteca social quando a vida está em risco.

Esta posição da Igreja gera tensões e mesmo levou e leva muitos que a defendem à perseguição e à própria morte diante da mentalidade consumista e capitalista de todos os tempos, particularmente de nossos dias. É por isto que a Igreja, os Evangelhos e particularmente Cristo incomodam tanto os interesses do mundo.

Colocarmo-nos do lado de Deus, na comunhão com a Igreja, tem o preço de renúncias, de incompreensões, de perseguições e mesmo da morte. O bem de cada pessoa, o bem comum, se situam acima do bem e dos interesses pessoais. Só há uma razão que justifique o possuir e o produzir: saber partilhar. O lucro se justiça quando também se torna um bem social. As tensões da humanidade nascem em sua maioria da não partilha.

Colocar-se do lado de Cristo exige um pouco mais do que viver preceitos, como apenas ir a missa, rezar, pagar o dízimo, exige o compromisso com o destino e a sorte de todos, particularmente dos mais pequeninos e feridos de nosso tempo. E não se trata apenas de dividir um pouco dos bens materiais que possuímos. Trata-se também de dividir um pouco de nosso tempo, de nossa formação e conhecimentos, de nossa fé e de nossa própria vida no serviço a todos.

O cristão cumpre sua missão não apenas pela fidelidade ao cumprimento dos preceitos em si, mas particularmente através do seu esforço diário na graça de Deus para identificar sua vida com a vida de Jesus. É no amor a Deus e no amor ao próximo que se cumpre toda a lei, todos os profetas e a própria Boa Nova de Jesus.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

EVANGÉLIO

Sempre que ouvimos a palavra evangelho pensamos em Bíblia. Para nós hoje é muito comum associar a palavra Evangelho aos quatro evangelhos, que narram os ensinamentos de Jesus: Mateus, Marcos, Lucas e João. Porém, o significado etimológico dessa palavra vai muito além desses quatro livros.


Segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de Antônio Geraldo da Cunha (Lexikon, 2007) a palavra evangelho vem do latim evangelium, que é derivado do grego euaggélion. Significa literalmente “bom (eu) anúncio (aggelô) ou boa notícia”.

Já no Antigo Testamento a palavra evangelho foi utilizada. Na tradução grega da LXX (Setenta ou Septuaginta é o nome da versão da Bíblia que foi traduzida do hebraico para o grego, no século II a.C., em Alexandria) o verbo evangelizar foi empregado: Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro que anuncia (euaggelitsomenos) a felicidade, que traz as boas novas (euaggelitsomenos) e anuncia a libertação, que diz a Sião: Teu Deus reina! (Isaías 50,7).

No sentido empregado por Isaías, evangelho é uma notícia boa, plena de alegria e esperança. É uma boa notícia que traz a salvação por um caminho inesperado, por meio da ação do rei pagão Ciro, que foi um importante instrumento do plano de Deus. A boa notícia anunciada por Isaías é também libertadora, pois tem poder de mudar a situação histórica do povo sofredor.

A palavra evangelho também foi utilizada no mundo pagão. A ascensão do imperador ao trono ou a vitória numa batalha também era chamada de evangelho, de boa notícia. Por exemplo, num monumento do ano 9 a.C., o nascimento do imperador Augusto foi anunciado como “o começo da boa notícia (euaggelion) que foi trazido ao mundo”.

No Novo Testamento a palavra evangelho foi muito utilizada: cerca de 76 vezes. Destas, 60 vezes apenas nas cartas de Paulo. Nos evangelhos de Marcos e Mateus também podemos encontrar o verbo evangelizar: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres... (Mt 11,5; Cf. Mc 8,35; 10,19; 13,10).

Foi no século II d.C. que evangelho passou a ser sinônimo de livro. São Justino (100-165 d.C.) foi o primeiro autor que chamou os quatro primeiros livros do Novo Testamento de evangelhos. Com o passar do tempo começou a ser utilizada a expressão “evangelho segundo...” para diferenciar cada um dos quatro livros.

Para nós hoje é importante saber que o evangelho não é uma biografia que conta fatos importantes da vida de Jesus. No sentido cristão da palavra, evangelho pode ser definido como a exposição da narrativa histórica da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, prefaciada por um grande relato de seu ministério. A pessoa de Jesus é o próprio evangelho, pois ele é o centro da história da salvação. O evangelho é, portanto, a boa notícia da salvação.

Para saber mais:

• Aguirre Monasterio, Rafael. Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos - Ave-Maria, 1994.

• Rivas, Luis Heriberto. O que é um evangelho? Introdução geral aos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João - Ave-Maria, 2009.

Pe. Maciel M. Claro é sacerdote,

missionário claretiano

KYRIE, ELÉISON....

Kyrie, eléison, é uma expressão utilizada pelos fiéis durante o ato penitencial e no início das ladainhas. De origem grega, a expressão é formada por Kyrie, um vocativo de kyrios, que significa “senhor, mestre”, e eléison, que vem de eleéo, cujo significado é “pena, compaixão, misericórdia”.


O uso dessa expressão é muito antigo. No Antigo Testamento, escrito em hebraico, a palavra hesed foi utilizada para pedir perdão. Hesed significa misericórdia, piedade. Seu emprego pode ser encontrado em: Sl 4,2: Tende piedade de mim e ouvi minha oração; Sl 6,3: Tende piedade de mim, Senhor, porque desfaleço; Sl 25,11: Livrai-me e sede-me propício; Sl 50,3: Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade; Is 33,2: Senhor, tende piedade de nós, pois esperamos em vós; Tb 8,10: Tende piedade de nós, Senhor; tende piedade de nós.

No Novo Testamento, a expressão também aparece várias vezes. Em Mt 9,27 lemos: Filho de Davi, tem piedade de nós!; em Mt 20,30: Dois cegos, sentados à beira do caminho, ouvindo dizer que Jesus passava, começaram a gritar: Senhor, filho de Davi, tem piedade de nós!; em Mc 10,47: Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!; em Lc 16,24: Pai Abraão, compadece-te de mim; em Lc 17,13: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!.

O Dicionário Litúrgico, do Frei Basilio Röwer, nos diz que o Kyrie, eléison foi incorporado à liturgia da missa no século V. Um século depois, foi acrescentada também a expressão Christe, eléison, forma que é utilizada até hoje. Atualmente são feitas três invocações durante o ato penitencial: Kyrie, eléison; Christe, eléison; Kyrie, eléison.

Vale a pena falar um pouco da origem grega dessa expressão, que é bastante significativa. Eleos tem a mesma raiz final que forma a palavra petróleo. Eleos era uma espécie de óleo que era muito utilizado como um remédio para aliviar contusões e curar feridas. O óleo era colocado sobre a ferida ou sobre a pele, que era massageada suavemente, trazendo alívio à parte lesionada. Algo parecido com o “doutorzinho” que algumas pessoas utilizam para aliviar a dor.

Esse simbolismo do óleo que cura e alivia a dor foi incorporado na tradução da Bíblia do hebraico ao grego. (A tradução dos Setenta, feita por setenta sábios, em Alexandria, por volta do século II a.C.).

Rezar o Kyrie-eléison, é, portanto, muito mais que simplesmente pedir que a justiça de Deus seja feita em cada um de nós ou absolva nossos pecados, livrando-nos da culpa. Ou então, simplesmente ficarmos nos acusando dos pecados que cometemos. Seu significado é muito mais profundo. É uma oração muito importante que elevamos a Deus, dizendo: Senhor, acalme-me, conforte-me, alivie-me das minhas feridas e dores.

Pe. Maciel M. Claro é sacerdote, missionário claretiano.

MÁRTIR

Um mártir é uma pessoa que, abraçando sua fé e vivendo a radicalidade do seguimento de Cristo, morre por causa desse ideal. A palavra mártir tem sua origem no grego mártyr, que significa “testemunha”. Provavelmente, sua origem primitiva está em duas palavras do sânscrito: smarâmi, que significa “minha lembrança”, e smrtu, que significa “memória”. O mártir é, portanto, uma testemunha do amor de Cristo.


A Igreja, desde os primeiros séculos, celebra de forma especial o martírio ou testemunho que esses cristãos deram, ao morrer por sua fé na Igreja, em Cristo e em Deus. As comunidades primitivas costumavam venerar o lugar do martírio dessas testemunhas da fé. Posteriormente, surgiu o culto às relíquias desses mártires, espalhadas por diversos lugares, possibilitando que o culto aos mártires se estendesse pelo mundo inteiro.

A data em que a Igreja faz memória de um mártir é a de sua morte. Isso porque através da morte se realizou a plenitude da vida. A morte para os cristãos é a celebração do verdadeiro nascimento. A comunidade celebra o martírio como um ato supremo de fé, e o mártir é apresentado aos fiéis como um modelo de imitação de Cristo.

O Catecismo da Igreja Católica (n° 2473) nos diz que o martírio é “o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé; designa um testemunho que vai até a morte”. No sentido cristão, o mártir é a pessoa que dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade. Para dar testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã, o mártir suporta a morte como um ato de fortaleza: “Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus” (Santo Inácio de Antioquia).

Esse tema é bastante comum tanto na teologia quanto na liturgia. No Missal Romano, encontramos os formulários comuns para as missas dos Mártires, que a liturgia coloca depois do Comum de Santa Maria Virgem e antes do Comum dos Pastores, Doutores e demais categorias de santos. Dessa forma, a liturgia revela a importância do martírio. Os mártires são os mais santos dentre os santos.

Um seminário mártir:

Mártires Claretianos de Barbastro

Na perseguição religiosa de 1936, na Espanha, Padre Felipe de Jesús Munárriz e seus 50 companheiros pertenciam à comunidade claretiana de Barbastro. Eles foram presos e condenados à morte. Divididos em cinco grupos, foram fuzilados entre os dias 2 e 18 de agosto. Antes da execução, Faustino Pérez escreveu o famoso e comovente Testamento dos Mártires de Barbastro. Entre outras coisas, dizia: “(...) Todos com alegria vamos morrer, sem que ninguém desanime nem se entristeça...” E concluía que o sangue derramado haveria de fazer a congregação crescer e se espalhar pelo mundo inteiro. E foi assim que aconteceu. Até hoje, o testemunho desses jovens inspira muitos vocacionados no mundo inteiro.
Pe. Maciel M. Claro é sacerdote,

missionário claretiano.

PRESÉPIO

Segundo o evangelista Lucas, “Maria deu à luz seu filho pri¬mogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria”. (Lucas 2,7)


A palavra “presépio” tem sua origem no latim praesepire, que literalmente significa “cercado na frente”. É formada por dois elementos: pelo prefixo prae, que significa “na frente, antes”; e pela palavra sepire, que significa “cercar, envolver”. Ou seja, era um lugar cercado para dar comida e descanso aos animais, hoje conhecido por estábulo ou curral. Isso mesmo: Jesus nasceu num lugar destinado aos animais!

O termo “presépio” apareceu pela primeira vez no século V. O papa Sisto III (432-440) pediu que fosse construído na Basílica de Santa Maria Maior um relicário para conservação de algumas partes da Gruta de Belém. Desde o século VI, a Basílica também ficou conhecida como “Santa Maria do Presépio”. (Discurso do Cardeal Tarcisio Bertone, 12 de dezembro de 2006)

A cena que representa o nascimento do Menino Jesus foi sendo criada no decorrer da história. No século V, o presépio era representado apenas com a manjedoura e o Menino, uma vaca e um burro. Certamente era uma referência ao profeta Isaías “O boi conhece o seu possuidor, e o asno, o estábulo do seu dono” (Isaías 3,2). Ao final do século V foi acrescentada a estrela de Belém. Na mesma época, também a Virgem Maria foi representada no presépio.
Foi na Idade Média que o presépio se tornou bastante popular. São Francisco de Assis foi o responsável pela popularização do presépio. Em 1223, ao retornar de uma viagem a Roma, informou ao papa Honório III (1216-1227) sobre seus planos de fazer uma representação artística do Natal. Tendo o projeto aprovado, Francisco foi para Greccio e, nas vésperas do Natal, com a ajuda de amigos, construiu uma gruta, agrupando ao redor da imagem do menino, as imagens de Maria, de José, dos pastores, em adoração ao Salvador recém-nascido, e ainda do asno e do boi. A partir desse momento, a tradição natalina foi se estendendo por toda a Europa e de lá para o resto do mundo.

Pe. Maciel M. Claro é sacerdote,

missionário claretiano.

O BATISMO DE CRISTO




“Oh! Se rasgásseis os céus, se descêsseis...” (Is 64,1a) . O tão esperado desejo de Isaías é manifestado no Batismo de Cristo. Nesse evento, à beira do Jordão, destacamos quatro aspectos de revelação: o batismo como sacramento; como sinal da páscoa; como início do “céu na terra” e como fundamento do cristianismo.

O Batismo de Cristo é Sacramento, ao menos no sentido etimológico, pois é um sinal. Sinal sensível da união de Cristo com o Pai e o Espírito Santo. Sinal daquilo que o Verbo sempre foi: Filho. O Batismo de Cristo não é um fato que acrescente algo novo no seio da Trindade, mas o é para o homem. Não é novo enquanto pensamos na trindade imanente, na relação das três pessoas divinas. Mas é sim quanto à trindade econômica, isto é, a trindade enquanto evento, enquanto autocomunicação com a humanidade. Nesse sentido, vemos um homem, Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ouvindo do Pai que ele é filho. Não é uma voz nova para o Verbo Eterno. Para nós, contudo, é inaudito. Nele ouvimos que podemos ser filhos. Abrão não tinha ouvido nada igual nem mesmo Moisés. Só em Cristo essa verdade se concretiza.

O batismo de Cristo é sinal da páscoa. Ao dizer “este é meu filho”, prepara-nos para o mistério pascal. Lá, Cristo nos dirá que sobe para o seu pai e acrescenta “vosso Deus”. No batismo de Cristo no Jordão a humanidade escuta o prenúncio da páscoa quando definitivamente fomos batizados. Podemos, portanto, confiantes, beber do cálice do Senhor.

Viver o Batismo é já vivenciar o céu. Sim, o céu não é um lugar, mas um estado de espírito. No céu veremos face a face, mas no batismo já fomos imergidos naquela Santíssima Trindade com a qual nos uniremos para sempre. O céu começa no Batismo. Ah, se os céus se abrissem... ei-lo aberto, ei-nos imergidos nele. Isso é Batismo. Isso é cristianismo.

É no Batismo que recebemos a missão profética, real e sacerdotal. Ao se falar desse primeiro sacramento, é inevitável recordar a nossa missão no mundo, os “nossos deveres” como cristãos. O Batismo, contudo, transcende à recordação de tarefas a serem executadas. O Batismo é mais do que o que devemos fazer e sim o como fazer. Em nós habita a Trindade e é por isso que podemos ser coerentes com nossa missão. Não se trata apenas de recordar os nossos deveres, mas o nosso direito maior: filhos de Deus. Direito que torna os mandamentos morais em um julgo suave. Talvez não conseguiremos cumprir todas expectativas que as pessoas depositam em nós, mas poderemos realizar tudo o que o Senhor quer, pois é Ele mesmo que age em nós.

Que o batismo do Senhor nos recorde que o cerne do cristianismo não é um conjunto de regras morais. A igreja não é um aglomerado de preceitos. A mensagem é muito maior: fomos batizados com Cristo. O sacramento que recebemos no rito da iniciação cristã nos preenche com o Espírito que clama “Aba, Pai”. No Batismo de Cristo duas verdades se entrelaçam, aquela de um céu aberto almejado por Isaías e a constatação da Beata Elizabete da Trindade: “o céu é Deus e na minha alma Ele está”.

por Moisés Alves

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

VIÁTICO



A palavra viático vem do latim viati¬cum. Significa “provisão para a viagem”. A origem está relacionada com via, caminho. Lembra um longo caminho que está sendo iniciado.


Entre os gregos antigos existia um costume de oferecer um jantar para aqueles que iriam iniciar uma viagem. Após o jantar era oferecida toda a provisão necessária para a viagem: alimentos, dinheiro, roupas e objetos pessoais. Em latim essa prática recebeu o nome de viaticum. Já no início da Igreja a palavra viático ganhou um sentido metafórico, que significa a provisão para a viagem desse mundo ao próximo. É nesse sentido que a palavra é utilizada na liturgia.

Desde o Concílio de Niceia, no ano 325, a Igreja falou da importância do viático como preparação para a passagem para a vida eterna: “Acerca dos que estão para sair deste mundo, se guardará também agora a antiga lei canônica, a saber: que se alguém vai sair deste mundo, não seja privado do último e mais necessário viático” (Cânon 13).

De acordo com o Dicionário de Liturgia (Paulinas, 1992), o viático é “o sacramento da eucaristia dado aos moribundos, aos que estão próximos de passar desta para a outra vida, cumprindo a palavra do Senhor: Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54).

O Catecismo da Igreja Católica no apresenta o viático, como o “último sacramento do cristão”. Afirma: “Aos que estão para deixar esta vida, a Igreja oferece, além da Unção dos Enfermos, a Eucaristia como viático. Recebida neste momento de passagem para o Pai, a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo tem significado e importância particulares. Sacramento de Cristo morto e ressuscitado, a Eucaristia é aqui sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o Pai”. (CIC 1524).

O Ritual da Unção dos Enfermos, no número 26, nos diz que o viático deve ser recebido, quando possível, durante a missa, sob as espécies do pão e do vinho, Corpo e Sangue de Cristo. Isso porque o viático é verdadeiramente um sinal especial da participação no mistério celebrado no sacrifício da missa.

O ritual recomenda que a celebração seja iniciada com a aspersão de água, como recordação do batismo. Em seguida é feita a leitura da Palavra de Deus. Quando o doente estiver em condições, renova sua profissão de fé. Depois, o ministro lhe dá a Comunhão e diz: “Ele mesmo te guarde e te conduza à vida eterna”. A celebração termina com a bênção.

Ao terminar esse artigo, quero recordar o exemplo de Santo Ambrósio. O diácono Paulino, companheiro de Ambrósio, escreveu: “Nós o víamos mover os seus lábios. Mas não ouvíamos a sua voz. Demos a ele o Corpo do Senhor. Apenas recebeu o Corpo do Senhor, expirou, levando consigo um bom viático. Assim a sua alma, saciada da virtude daquele alimento, desfruta agora na companhia dos anjos”. (Catequese de Bento XVI, 24 de outubro de 2007).
Pe. Maciel M. Claro é sacerdote,

missionário claretiano. maciel@avemaria.com.br

SOLENIDADES



As principais celebrações da Igreja recebem o nome de solenidade. Como o próprio nome indica, a solenidade é “a festa das festas”, isto é, uma festa muito importante.


A palavra solenidade tem sua origem no latim sollem¬nitas. Sua formação é incerta. Porém, é provável que seja formada pela junção de duas palavras: sollus, que significa inteira, e annus, que é ano. Indica, portanto, a celebração que ocorre em intervalos anuais.

A solenidade é a forma mais nobre de culto litúrgico que podemos elevar a Deus. A Igreja classifica as solenidades em quatro graus por ordem de precedência:
1. O lugar mais importante entre as solenidades é ocupado pelo Tríduo Pascal da Paixão e pela Ressurreição do Senhor.

2. Logo em seguida, temos o Natal do Senhor, a Epifania, a Ascensão e Pentecostes. Os domingos do Advento, da Quaresma e da Páscoa. Quarta-feira de Cinzas. Os dias da Semana Santa, de Segunda à Quinta-feira inclusive. Em seguida os dias dentro da oitava da Páscoa.

3. No terceiro nível das solenidades temos: Solenidades do Senhor, da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos inscritos no Calendário geral e a comemoração de todos os fiéis defuntos.

4. Por fim, o quarto grau de solenidade é ocupado pelas solenidades próprias, a saber: a) Solenidade do Padroeiro principal do lugar ou da cidade; b) Solenidade da Dedicação e do aniversário de Dedicação da igreja própria; c) Solenidade do Titular da igreja própria; d) Solenidade do Titular, do Fundador, ou do Padroeiro principal da Ordem ou Congregação.

A Instrução Geral ao Missal Romano indica que nas solenidades devem ser lidas três leituras bíblicas: a primeira de um profeta, a segunda de um apóstolo e o evangelho, fazendo memória da continuidade da obra salvífica segundo a “pedagogia divina” (IGMR, 357).

Nas solenidades o Glória é cantado ou rezado. Renova-se a profissão de fé. Geralmente as solenidades possuem prefácio próprio.

No quadro abaixo, alguns exemplos de solenidades com data fixa.

EXEMPLOS DE SOLENIDADES COM DATA FIXA

01/01 - Santa Maria, Mãe de Deus

06/01 - Epifania (comemorada no domingo mais próximo)

19/03 - São José, Esposo de Nossa Senhora

25/03 - Anunciação do Senhor

24/06 - Nascimento de São João Batista

29/06 - São Pedro e São Paulo, Apóstolos (comemorado no domingo)

15/08 - Assunção de Nossa Senhora

01/11 - Todos os Santos

02/11 - Comemoração dos Fiéis Defuntos (Finados)

(Último Domingo do Tempo Comum) - Cristo, Rei do Universo

08/12 - Imaculada Conceição de Nossa Senhora

25/12 - Natal do Senhor
Pe. Maciel M. Claro é sacerdote,

missionário claretiano. maciel@avemaria.com.br

por Pe. Maciel Claro, cmf

FÉSTA



A festa, como o próprio nome diz, é uma celebração especial, onde as pessoas se reúnem por algum motitivo especial. Liturgicamente chamamos de festa as celebrações que são maiores que as memórias e menores que as solenidades.


O teólogo Parra Sánchez, no Dicionário de Catequese, apresenta alguns aspectos bastante interessantes sobre a festa:

• a festa não é somente uma suspensão da atividade cotidiana, mas, sobretudo, a consagração desse tempo a Deus;

• a festa é a celebração de um momento importante para a fé;

• uma festa é ocasião importante de união e alegria;

• a celebração de uma festa é a antecipação do paraíso, pois apresenta o seguinte simbolismo: reunião comunitária, alegria transbordante, ambiente de graça e bênção;

• o lugar da festa é um ambiente onde se anuncia a liberdade total e a Vida Verdadeira.

A Igreja chama alguns dias festivos de “festas de guarda”, que são solenidades e festas maiores, prescritas pelo calendário litúrgico da Igreja para cada país. Para os dias de “festa de guarda” a Igreja pede aos fiéis que participem da Missa, se abstenham de atividades que impeçam a participação na celebração e guardem o descanso da mente e do corpo. (Código de Direito Canônico, nº 1247).

FESTAS DO CALENDÁRIO LITÚRGICO NO BRASIL

Entre 09/01 e 13/01 - Batismo do Senhor (comemorado no domingo)

25/01 - Conversão de São Paulo, Apóstolo

02/02 - Apresentação do Senhor

22/02 - Cátedra de São Pedro, Apóstolo

25/04 - São Marcos, Evangelista

03/05 - São Filipe e São Tiago, Apóstolos

14/05 - São Matias, Apóstolo

31/05 - Nossa Senhora Rainha (Visitação de Nossa Senhora)

03/07 - São Tomé, Apóstolo

25/07 - São Tiago, Apóstolo

06/08 - Transfiguração do Senhor

10/08 - São Lourenço, Diácono e Mártir

23/08 - Santa Rosa de Lima, Virgem

24/08 - São Bartolomeu, Apóstolo

08/09 - Natividade de Nossa Senhora

14/09 - Exaltação da Santa Cruz

21/09 - São Mateus, Apóstolo e Evangelista

29/09 - São Miguel, São Gabriel e São Rafael, Arcanjos

18/10 - São Lucas, Evangelista

28/10 - São Simão e São Judas, Apóstolos

09/11 - Dedicação da Basílica do Latrão

30/11 - Santo André, Apóstolo

12/12 - Nossa Senhora de Guadalupe

26/12 - Santo Estevão, primeiro Mártir

27/12 - São João, Apóstolo e Evangelista

28/12 - Santos Inocentes Mártires

Sagrada Família – domingo dentro da Oitava do Natal, ou na sua falta, dia 30/12.

Pe. Maciel M. Claro é sacerdote,

missionário claretiano. maciel@avemaria.com.br





por Pe. Maciel Claro, cmf

MEMÓRIA




Apesar da palavra “memória” ser conhecida de todos nós e seu significado fazer parte de nosso cotidiano, resolvi escrever este artigo para completar a trilogia formada com os outros dois artigos anteriores sobre Solenidade e Festa.


As celebrações litúrgicas se distinguem entre solenidade, festa e memória, de acordo com a importância que cada celebração tem. Uma memória pode tornar-se “festa” ou “solenidade” de acordo com a relação que o santo celebrado tem com a comunidade que o celebra, podendo ser memória para uma comunidade e festa ou solenidade para outra.

No contexto litúrgico, uma “memória” é muito mais do que uma simples lembrança ou recordação. Liturgicamente, a memória é a atualização de um acontecimento salvífico. O sentido da celebração da memória de um santo foi expresso pelo Concílio Vaticano II no documento: Sacrossantum Concilium: “A Igreja, segundo a tradição, venera os santos e as suas relíquias autênticas, bem como as suas imagens. É que as festas dos santos proclamam as grandes obras de Cristo nos seus servos e oferecem aos fiéis os bons exemplos a imitar”. (SC 111)

O Concílio Vaticano II afirma: “Ao celebrar o ‘dies natalis’ (dia da morte) dos santos, proclama o mistério pascal realizado na paixão e glorificação deles com Cristo, propõe aos fiéis os seus exemplos, que conduzem os homens ao Pai por Cristo, e implora pelos seus méritos as bênçãos de Deus”. (SC, 104).
A decisão de celebrar a memória dos santos dentro da Missa tem sua raiz histórica nas primeiras comunidades. Desde o princípio a Igreja celebrou a memória dos mártires durante a eucaristia. A “memoria martyrum” (“a recordação dos mártires”) não podia ser celebrada sem referência à “memória do Senhor” dentro da eucaristia.

Ao celebrar o mistério de Cristo durante o ano litúrgico, a Igreja venera e dá um destaque especial à Virgem Maria, aos mártires e a todos os santos do Calendário Romano, pois eles viveram uma vida de comunhão intensa com Deus e hoje no céu cantam os louvores eternos e intercedem por nós.

Mas nem todas as memórias recebem o mesmo tratamento. Os santos que têm importância universal são celebrados nas igrejas do mundo inteiro. Essas memórias são chamadas de “memórias obrigatórias”. Os demais santos, que são conhecidos apenas localmente, dentro de um país ou famílias religiosas, estão inscritos no Calendário Romano como “memórias facultativas”. Em alguns dias do ano existem vários santos inscritos no calendário. Nesse caso, é permitido escolher apenas um, omitindo-se as demais memórias.

Para saber mais:

Missa: mistério, celebração, organização. Pe. Mauro Odorisio. Editora Ave-Maria.

Catequese Litúrgica: A missa explicada. Pe. Guilhermo Micheletti. Editora Ave-Maria.

Pe. Maciel M. Claro é sacerdote missionário claretiano. maciel@avemaria.com.br


por Pe. Maciel Claro, cmf

DOXOLOGIA



Doxologia

Doxologia significa literalmente “palavra de glória”. É formada por dois termos gregos: doxa, que significa glória, e logos, que significa palavra. A doxologia é, portanto, uma fórmula de louvor e glorificação para honrar a Deus. Além do louvor, atribui glória e honra a Deus.

Na Bíblia existem muitas doxologias, tanto no Antigo Testamento como no Novo: Sede bendito no templo de vossa glória santa, digno do mais alto louvor e de eterna glória! (Daniel 3,53); Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém (Romanos 11,36); Tu és digno Senhor, nosso Deus, de receber a honra, a glória e a majestade, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade é que existem e foram criadas (Apocalipse 4,11).

Na missa também existem algumas doxologias. Na conclusão da oração eucarística existe o que os liturgistas chamam de “doxologia final”: Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre. Amém. Essa oração exprime a glorificação de Deus e é ratificada e concluída pela aclamação do povo com o Amém. (Instrução Geral ao Missal Romano, no 80).

Na missa existe ainda outra doxologia: depois da oração do Pai-Nosso o presidente da celebração acrescenta: Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!

Certamente a doxologia mais conhecida e repetida pelos cristãos é o Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém! Essa simples oração é um profundo louvor desinteressado a Deus Trino. Essa oração é chamada de “doxologia menor”.

Um exemplo de “doxologia maior” são as primeiras palavras do canto e mensagem que um dos anjos dirige aos pastores de Belém por ocasião do nascimento de Jesus: Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência divina (Lucas 2,14).

Portanto, uma doxologia é uma forma entusiasmada de se proclamar o louvor e a honra a Deus. Por meio de breves orações, expressamos nossa gratidão e louvor a Deus pelas imensas maravilhas que ele realiza a cada dia em nossa vida.

por Pe. Maciel M. Claro

UTOPÍA



Utopia


Algumas vezes, quando nos deparamos com algo impossível de ser realizado, falamos que estamos diante de uma utopia. Aliás, esse é um dos significados apresentados pelo Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio. Muitas pessoas utilizam a palavra utopia para referir-se a algo ou a um lugar que nunca existirá. Porém, quando falamos em utopia cristã, o sentido é muito diferente e bastante profundo.

Originariamente utopia é formada por duas palavras gregas: o prefixo “ou”, que significa “não” e topos que significa “lugar”. Pode ser traduzida literalmente por “lugar inexistente” ou “lugar nenhum”. Essa palavra foi utilizada a primeira vez por volta de 1516, por São Thomas Morus (1478-1535) na obra que se chamava “Utopia”. Nessa obra, Thomas Morus descreve uma sociedade perfeita, onde reinaria a paz e a felicidade. Essa sociedade seria governada por um governo totalmente diferente dos que já existiram.

De maneira poética, o cantor brasileiro Zé Vicente descreve ao longo dos versos de sua canção “Utopia” o sentido cristão dessa realidade tão sonhada: Quando o dia da paz renascer (...). Quando as cercas caírem no chão. Quando as mesas se encherem de pão (...). Quando a voz da verdade se ouvir e a mentira não mais existir será, enfim, tempo novo de eterna justiça sem mais ódio sem sangue ou cobiça vai ser assim (...).

Essa terra sonhada por nós, cristãos, é o que os Evangelhos chamam de “Reino” ou “Reinado de Deus”. A visão de nova terra é descrita no Apocalipse: Vi, então, um novo céu e uma nova terra (...) Deus estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor. (Ap 21, 1-4).

O escritor uruguaio Eduardo Galeano à utopia um sentido de movimento, que nos faz perseguir nossos objetivos. Ele fala da utopia como motor da nossa vida. É o que nos faz desejar uma nova situação e caminhar ao encontro dela: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.

Jesus Cristo nos colocou diante da “utopia cristã”. A utopia da Ressurreição é o que orienta nossa fé e nos coloca em movimento. Renascidos com Cristo, sonhamos com a Cidade Celeste, a Pátria Eterna.

por Pe. Maciel M. Claro, CMF

CARDEAL



A palavra “cardeal” tem sua origem no latim cardinalis e cardo. Em português possui vários significados: extremidade, ponto principal, eixo ou e até mesmo dobradiça como as que temos nas portas de casas ou móveis. Servem para unir e possibilitar o movimento das partes. E é exatamente esse o sentido simbólico que possuem os cardeais da Igreja.


Nomeados pelo Papa e unidos a ele, os cardeais têm como função auxiliar no governo da Igreja, nas principais sedes episcopais ou trabalhar junto a ele, na Cúria Romana. É bastante provável que o título de cardeal tenha sido utilizado a primeira vez durante o pontificado do Papa Silvestre I (314-335).
Desde 1962, o Papa João XXIII, através do Motu Próprio Cum gravissima, estabeleceu que todos os cardeais fossem ordenados bispos caso ainda não fossem.

O Papa Paulo VI, no Motu Proprio Ingravescentem aetatem, de 1970 estabeleceu que os cardeais ao completar 80 anos de idade deixam de ser membros dos Dicastérios da Cúria Romana e perdem o direito de participar do conclave e consequentemente, o direito de eleger o Papa.

Curiosidades:

• Cardeal Camerlengo: é o encarregado de presidir a Sé vacante após a morte do Papa e convocar o conclave para a eleição do próximo.

• Cardeal Legado: é nomeado pessoalmente pelo Papa para representá-lo com sua autoridade no desempenho de algum ministério particular.

• Atualmente existem na Igreja 182 cardeais. Destes, 71 já têm mais de 80 anos. No Brasil, atualmente há 8 cardeais. Quatro com mais de 80 anos: D. Eugênio, D. Paulo, D. Falcão e D. Serafi m. D. Eusébio governou a arquidiocese do Rio de Janeiro até 2009. D. Cláudio é Prefeito da Congregação do Clero; D. Geraldo é arcebispo de São Salvador, BA; D. Odilo é arcebispo de São Paulo, SP.

Para saber mais:
Constituição Apostólica Pastor Bonus: sobre a Cúria Romana. Papa João Paulo II.

Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis: sobre a vagância da Sé Apostólica e da eleição do Romano Pontífice. Papa João Paulo II

por Pe. Maciel M. Claro

OS DOGMAS DA IGREJA




Entrevista com Fr. Clodovis Maria Boff, OSM, sobre os dogmas marianos, verdades e mistérios que nunca mudam, mas que podem ser interpretados à luz da modernidade. Como é vista hoje pela Igreja a Questão dos dogmas?


Os dogmas não são verdades obscuras, mas verdades imensamente luminosas. Tais verdades, mais que serem explicadas, explicam questões profundas de nossa existência. Por exemplo, o dogma da Assunção mostra o destino último de nosso corpo, que é a glória. E já que se trata do corpo de uma mulher, corpo aviltado de tantos modos, mostra como Deus se "vinga" disso, exaltando o corpo da Virgem numa apoteose suprema.

Ademais, os dogmas são mistérios que se celebram na liturgia. É aí que se vê melhor seu conteúdo. Mostram o que Deus faz em seu amor por nós. Que os dogmas sejam algo que supera a inteligência humana não significa que sejam de per si incompreensíveis, mas que possuem tanta luz que ofuscam nossa pobre vista, só feita para as coisas deste mundo. Porém, graças à fé, podemos refletir sobre eles e obter deles uma luz imensa para nossa vida.

É possível sustentar nos dias de hoje como verdade dogmas tão antigos?

Os dogmas não são verdades ou mistérios submetidos ao tempo, ainda que estejam no tempo. São como faróis que, situados na terra fi rme da eternidade, iluminam os barcos que vagam nos mares flutuantes deste mundo. Assim, que Maria seja Mãe de Deus é uma verdade eterna, que ilumina eternamente o mistério da maternidade humana e, mais ainda, da encarnação de Deus em nossa humanidade.

Os dogmas nunca mudam. O que pode mudar é a compreensão que podemos ter deles. Por exemplo, o dogma da Virgindade de Maria pode hoje ser ligado à ecologia, como fez João Paulo II, mostrando que ele nos desperta para a necessidade de respeitar a natureza, sem violá-la com nossas sujeiras e destruições. Eis aí como um dogma que parece tão pouco ?moderno? mostra uma relevância para a problemática atual. Acrescentemos que a virgindade de Maria não é a condenação do sexo, mas apenas a condenação à sua relativização. Ele mostra que o sexo não dá salvação e sim o poder do Alto.

Quais os principais dogmas marianos?
Maternidade divina de Maria. É uma maravilha inaudita que uma mulher deste mundo tenha sido verdadeira mãe de Deus. Isso pela fato da encarnação. Sendo que Jesus é Deus, a mãe de Jesus só pode ser mãe de Deus.

Virgindade perpétua de Maria. É outra maravilha de Deus que a mãe de seu Filho tenha permanecido Virgem, seja quando o concebeu, seja quando lhe deu a luz, seja depois do parto. Isso naturalmente só é possível a Deus, como explicou o Anjo a Maria. A virgindade de Maria depõe em favor de Cristo: de sua origem e natureza. Afirma que esse homem nasceu não da potência do homem, mas do Espírito Santo e que, portanto, é um dom do Céu. Mostra também que nós nascemos para a graça não de ossos pais terrenos, mas da Igreja, que no batismo nos gera para Deus "por obra do Espírito Santo".

Imaculada Conceição. É uma terceira maravilha operada por Deus em Maria o fato de Ela ter sido concebida sem pecado original. Isso graças à redenção de seu Filho, que haveria de se realizar em breve. Isso mostra que a graça é uma raiz mais profunda que o pecado. Maria é a Nova Eva que não deu ouvidos à voz da Serpente.

Assunção de Maria na glória. É outra das ?grandes coisas? que Deus fez em Maria, como Ela cantou no Magnifi cat. Esse dogma testemunha a potência da ressurreição de Cristo que já age no corpo de sua Mâe, elevando-a ao céu antes do fim dos tempos. É uma garantia segura do destino de nosso ser inteiro, alma e corpo: a exaltação na glória e no amor eternos.

Os dois primeiros dogmas estão claramente atestados nos evangelhos, enquanto que os dois últimos só estão lá implicitamente, precisando- se da Tradição para explicitá-los.

Há alguma reflexão ou debate a respeito da definição de mais algum dogma?

Existe hoje em nível mundial um movimento para a declaração de um quinto dogma, o de Maria medianeira de todas as graças. Há mais de um século que existem votos nesse sentido. Que Maria seja Medianeira de todas as graças é uma verdade já vivida pela piedade dos fi éis e aprovada pelo Magistério da Igreja. O Vaticano II afirma isso. Porém, alguns querem que essa verdade seja declarada explicitamente, solenemente e formalmente, embora isso não seja o principal. O Magistério verá se e quando os tempos estão maduros para tal declaração.
Em seu próximo livro Os dogmas marianos, quais assuntos relevantes quer comunicar?

O livreto de minha autoria que sairá sobre os dogmas entende mostrar de forma clara e bem popular o que são os dogmas marianos. Traz suas bases bíblicas e também as belíssimas declarações dos grandes Doutores da Igreja a respeito. Mostra também que os dogmas são verdades, mistérios e maravilhas que iluminam nossa existência e nos ajudam a viver de modo mais cristão e, por isso, de modo mais belo e encantado.

Uma mensagem final ao nosso leitor

"Não se pode ser cristão sem ser mariano", disse Paulo VI. Maria foi o último presente que Jesus deixou ao mundo antes de morrer, quando disse a João: "Eis aí tua mãe!". Assim, quem "leva Maria para sua casa", como fez João, terá em sua companhia a mulher mais maravilhosa do mundo. Aprenderá com Ela quem é Jesus e seus segredos mais profundos e terá tudo o que a mãe mais extremosa faz por seu filho mais querido. E, com tal encantadora presença, não poderá não ser feliz! Amém. Aleluia!

FONTE: ED AVE MARIA

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

KAIRÓS


Kairós


Kairós (καιρός) é uma palavra de origem grega que significa “o momento certo” ou “oportuno”. No mundo cristão foi traduzida como o “momento de graça”, o momento no qual Deus manifesta sua salvação.

No grego antigo existiam duas palavras para referir-se ao tempo: chronos e kairós. Chronos é o tempo cronológico ou sequencial. O chronos é de natureza quantitativa, o “tempo dos homens”, o tempo do relógio, medido em anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos. Há o tempo presente, passado e o futuro. Enquanto o tempo passa, envelhecemos.

Já o kairós é um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece. A teologia usa a palavra kairós para referir-se ao tempo de forma qualitativa, o “tempo de Deus”. Não existe passado, presente ou futuro. O tempo de Deus é como podemos ler na segunda carta de Pedro: Um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como, um dia (2Pedro 3,8).

A palavra kairós expressa o momento da atividade divina na história humana. O kairós designa as intervenções especiais do Deus misericordioso em momentos cruciais da história da salvação. Mais que um instante preciso ou histórico, o termo faz referência ao ambiente, à atmosfera e ao modo de agir divino.

Mas, agora, sem o concurso da lei, manifestou-se a justiça de Deus, atestada pela lei e pelos profetas (Romanos 3,21). Naquele tempo, Jerusalém será chamada trono do Senhor e todas as nações lá se reunirão em nome do Senhor (Jeremias 3,17). O kairós pode ser tanto agora como naquele tempo. No Novo Testamento, o termo kairós é usado para referir-se à chegada da Salvação com Jesus, que é um momento de graça que convida a viver a fé de forma comprometida e que culminará com a chegada de um tempo novo: Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo (Marcos 1,15).

Em síntese, pode-se dizer que o tempo humano (chronos) é medido no relógio. Nossa preocupação é administrá-lo, torná-lo produtivo. Muitas vezes ouvimos dizer que time is money, tempo é dinheiro. Já o kairós, o tempo de Deus, não pode ser medido. Por isso deve ser aguardado por nós sem ansiedade, mas com prontidão, pois desconhecemos o tempo do Senhor. Ele nos permite fugir na escravidão do tempo cotidiano e aguardar esperançosos a Salvação que vem de Deus.

por Pe. Maciel M. Claro, cmf

ABADE


Abade é o título dado ao superior de uma comunidade monástica. A palavra abade tem sua origem no grego e no latim abbas. Porém, sua origem primitiva vem da Caldeia e da Síria, onde âbâ significa “pai”. Na Síria e no Egito, o termo abade era utilizado como expressão de honra e respeito, geralmente em reconhecimento à sabedoria e à santidade de alguém, não importando a idade.


Na antiguidade, abade era também um dos títulos dados aos Padres do Deserto. Esses homens, que a partir do século III d.C. resolveram habitar os desertos do Egito, Palestina, Arábia e Pérsia, foram os primeiros eremitas cristãos, indivíduos que abandonaram as cidades do mundo pagão para encontrar a salvação, sozinhos no deserto.

Um abade não era, como hoje, um superior eleito canonicamente pela comunidade, mas qualquer monge ou eremita que tivesse passado anos no deserto e provado ser um servo de Deus. Com eles, ou próximo a eles, viviam “irmãos” ou “noviços” — aqueles que ainda estavam no processo de aprendizado da vida. Os noviços ainda precisavam da supervisão contínua de um abade e viviam junto a um deles para serem instruídos por sua palavra e exemplo. Os irmãos viviam por conta própria, mas às vezes recorriam ao conselho de um abade das redondezas.
O capítulo 64 da Regra de São Bento fala da importância do abade no mosteiro. Segundo São Bento, cabe ao abade conduzir, em nome de Cristo, o rebanho que lhe foi confiado no mosteiro. São Bento, dirigindo-se ao abade, pede-lhe que “saiba convir-lhe mais servir que presidir”; “odeie os vícios, ame os irmãos”; "faça prevalecer sempre a misericórdia sobre o julgamento”; “não permita que os vícios sejam nutridos, mas que os ampute prudentemente e com caridade”; e, enfim, “assumindo esse e outros testemunhos da discrição, mãe das virtudes, equilibre tudo de tal modo que haja o que os fortes desejam e que os fracos não fujam; precipuamente, conserve em tudo a presente Regra”.
Relacionados à palavra abade estão abadia e abadessa. Sobre a abadia, o cânon 370 do Código de Direito Canônico afirma que é uma determinada porção do povo de Deus que está sob os cuidados de um abade. A abadessa é o feminino de abade, cumprindo a função de “pai” ou mãe para as monjas.

por Pe. Maciel M. Claro, cmf

CLERO



A palavra clero tem sua origem no grego klerus. Poderíamos traduzir literalmente por “distribuição” ou “porção”. Diz a tradição que essa expressão era originalmente utilizada para designar um lote de terra dividido em áreas menores por ocasião da partilha de uma herança. Ou seja, é possível que o “clero” fosse uma porção delimitada de terra.


A tradução bíblica dos Setenta, tradução da bíblia hebraica para o grego, a palavra klerus foi utilizada várias vezes para designar uma porção. No Novo Testamento, a palavra também foi utilizada com signifi cado de “porção”. Por exemplo, na primeira carta de Pedro (5,3) foi utilizada para referir-se ao grupo dos fiéis que foi confi ado ao ministro.

O uso da palavra clero no sentido que conhecemos hoje para designar os ministros sagrados, tem sua orígem no século III, com os padres da Igreja. Tertuliano, Origenes e Clemente de Alexandria utilizam a palavra para referir-se às pessoas que faziam parte da hierarquia eclesiástica. Dessa forma, os clérigos eram uma porção do povo de Deus que estava a serviço da comunidade.

Na Idade Média, por circunstâncias históricas, o clero tinha um importante papel social. Tinha grande importância na formação social, moral e ideológica da sociedade medieval. O clero medieval estava dividido em alto e baixo clero. O alto clero era constituído pelo papa, cardeais e bispos. Essas pessoas eram muito influentes na cultura e na política da sociedade. O baixo clero era formado pelos padres e diáconos, que tinham contato direto com seus fiéis.
Atualmente, o Código de Direito Canônico, no cânon 207, nos diz que “por instituição divina, entre os fiéis, há na Igreja os ministros sagrados, que no direito são também chamados clérigos; e os outros fiéis são também denominados leigos”. Isto é, através do sacramento da ordem, alguns fiéis são consagrados e recebem uma missão especial no seio da Igreja para ensinar, santificar e governar.

Derivadas da palavra clero temos: clérigo e clergyman. Clérigo é o indivíduo que faz parte de um clero: bispos, presbíteros e diáconos. O clergyman (palavra inglesa que significa “homem do clero”) é utilizada para referir-se à camisa utilizada pelos clérigos e que possui um colarinho branco.

por Pe. Maciel M. Claro

LEIGO



Diante de um determinado assunto específico sobre o qual não temos domínio é muito comum dizermos que somos “leigos no assunto”. Nesse mesmo sentido o Dicionário Aurélio nos diz que um dos significados de leigo é “aquele que desconhece ou conhece pouco determinado assunto”.


Em alguns contextos, como por exemplo, o político, leigo foi utilizado como sinônimo de quem não tem religião. Dessa maneira, logo após a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, um decreto dizia que o Brasil seria um estado leigo. Essa declaração foi reafirmada pela Constituição de 1988.

No entanto, o uso de leigo como sinônimo de quem não tem religião ou não entende determinado assunto é impreciso e, de certa forma, incorreto. Leigo é uma palavra derivada do grego laikós – “alguém do povo”, da raiz laos – “povo”. Portanto, quando utilizado pela Igreja, leigo é sinônimo de Povo de Deus.
O Concílio Vaticano II (1962-1965), na Lumen Gentium, nos diz que “pelo nome de leigos estão compreendidos todos os cristãos, exceto os membros de ordem sacra e do estado religioso aprovado pela Igreja. Esses fiéis pelo Batismo foram incorporados a Cristo, constituídos no Povo de Deus e a seu modo feitos participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo” (LG 31).

Os leigos são os principais protagonistas da evangelização. Eles cumprem no mundo o papel do “fermento na massa” (Mateus 13, 33). Os leigos exercem no mundo do trabalhoe na sociedade um papel fundamental. Sua presença e perseverança é fundamental para a difusão do evangelho na vida cotidiana.

Uma importante contribuição sobre o papel do leigo na evangelização foi dada pela Conferência de Puebla (1979): “o leigo é homem de Igreja no coração do mundo e homem do mundo no coração da Igreja” (Puebla, 786). É dessa forma, agindo no coração do mundo, que os leigos como membros povo de Deus e protagonistas da Evangelização e da promoção humana exercem seu poder transformador por meio da Boa-Nova.

por Pe. Maciel M. Claro

MILAGRE

A GRAÇA COMEÇA A ACONTECER EM SEU ATO DE SUGEIÇÃO A DEUS.

Pouco antes de escrever este artigo, li na internet a notícia de que uma comissão de médicos acaba de reconhecer um milagre realizado por intercessão do Papa João Paulo II. A religiosa francesa Marie Simon-Pierre foi curada do mal de Parkinson depois de ter rezado e pedido ajuda a João Paulo II nos meses após a morte do santo padre, em 2 de abril de 2005.


Certamente, diante da cura os médicos reconheceram algo extraordinário. Geralmente o milagre é algo maravilhoso. Muitas vezes, diante de algum fato espantoso ou que parece contrário às leis da natureza, costumamos dizer que estamos diante de um milagre.

Segundo a enciclopédia católica New Advent, a origem da palavra milagre remonta à mirus, que significa “espantoso, estranho, maravilhoso”. De mirus veio mirari (espantar-se, olhar com espanto, mirar, olhar) e admirari (olhar com espanto respeitoso, com veneração). Portanto, milagre (miraculum) significa o olhar espantoso diante de algo maravilhoso. Ou seja, o milagre é algo que causa admiração.

Na língua latina existe apenas uma palavra para expressar essa realidade: miraculum. É por isso que a Bíblia Vulgata (é a tradução para o latim da Bíblia, escrita entre fins do século IV e início do século V, por São Jerônimo) chamou a todas as manifestações prodigiosas de Jesus de milagres. Em grego existe uma definição mais clara para distinguir as diferentes intervenções sobrenaturais. Para isso são usadas quatro palavras: semeion, terata, dynameis e erga.

Nos evangelhos existem cerca de 20 milagres de Jesus. Esses milagres são na verdade “sinais” que expressam uma mensagem, acompanham a palavra de Jesus e a confirmam. Segundo muitos dos teólogos, trata-se de uma linguagem concreta, uma forma visível de anunciar a Boa-Nova e o cumprimento da esperança messiânica.

Diante de tantos fatos maravilhosos que podemos ler nas linhas da História e também nos dias atuais, o que realmente importa é o significado de cada milagre e não o milagre em si. Por exemplo, nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas encontramos o relato do milagre da tempestade acalmada por Jesus. Diante desse fato, os discípulos perguntam: Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem? (Mateus 8,27).

Assim entendemos que o milagre não é apenas “algo inexplicável pelas leis naturais”, mas sim um “sinal” de Deus, através do qual é enviada uma mensagem à humanidade. Embora possa haver intervenções humanas, o milagre sempre é uma manifestação de Deus. E não acontece a toda hora como vários canais de televisão fazem parecer.

por Pe. Maciel M. Claro, cmf