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FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

NÃO MORRE


Por: Saad Zogheib
 Ao longo dos tempos ? e hoje ?, o ser humano sempre aspirou a ser eterno, de um modo ou de outro. E todos querem manter a própria originalidade, sem copiar ninguém. É muito difícil pensar que devamos morrer, mas a morte é uma realidade inexorável. 
  Quanto silêncio sobre muitas pessoas que morreram e foram logo esquecidas. Quantas ideologias morreram com quem as defendeu, quantas teorias sucumbiram ao mesmo tempo em que, sob a terra, se escondiam os seus fautores. 
  No entanto, nascemos para ser eternos. Mas, afinal, o que nos assegura a permanência da vida?
  Algumas pessoas permaneceram vivas na memória dos povos, como se vivessem até hoje. Foram pessoas que se eternizaram porque viveram por algo que não passa: fizeram a vontade de Deus; identificaram-se com as palavras de Jesus; tornaram-se pequenos verbos no Verbo. "Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão". 
  Mas ocorre descobrir e experimentar que Deus é Amor e, portanto, a sua vontade não pode não ser só Amor.
  É muito constrangedor e triste ouvir o tom resignado e passivo de muitas pessoas, atribuindo tudo à vontade de Deus, como um determinismo cinzento e implacável, monótono e imutável, quase uma condenação. Devemos, ainda, nos desvincular dos resíduos ancestrais da ideia de deuses capazes de vingança e de terror. 
  O Deus anunciado por Jesus é Amor, e essa realidade pode determinar uma reviravolta radical em nossas vidas. Quando fazemos a profunda experiência de que Deus nos ama, encontramos a verdadeira liberdade em fazer a sua Vontade, que é diferente para cada um de nós. Como diferentes raios do mesmo Sol.
  Persistindo na decisão de caminhar no nosso raio em direção ao Sol, sabendo recomeçar sempre, a aventura da vida humana se torna extraordinária; a normalidade assume tons de extraordinariedade, porque permanecendo "no raio" encontramos sempre a novidade que Deus preparou para nós em cada momento presente. 
  E quanto mais caminhamos no nosso raio, mais nos encontramos próximo dos outros, lado a lado. Cada um com uma singularidade irrepetível, mas unido aos outros. À medida que nos aproximamos do Sol, aproximamo-nos entre nós, até nos encontrarmos todos em Deus. Desse modo, a inconfundível beleza do desígnio de Deus para cada um torna-se dom para os demais, num jogo de reciprocidade. Uma divina harmonia já se inicia nesta terra para continuar eternamente no Céu.
Fazer a Vontade Deus, que é o seu amor por nós, é o único modo de nos tornarmos eternos.

UM SÓ CORAÇÃO, UMA SÓ ALMA


"A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum". (At 4,32)
    Essa Palavra apresenta um daqueles "sumários" (veja também 2,42 e 5,12-16) com os quais o autor dos Atos dos Apóstolos retrata, em grandes linhas, a primeira comunidade cristã de Jerusalém. Nesse trecho, a comunidade distinguia-se por um extraordinário vigor e dinamismo espirituais, pela oração e pelo testemunho e, principalmente, por uma grande unidade, pois essa era a característica que Jesus tinha desejado como sinal inconfundível e fonte de fecundidade da sua Igreja.
  O Espírito Santo - recebido no Batismo por todos os que acolhem a palavra de Jesus - é espírito de amor e de unidade. Portanto, era Ele que fazia de todos os fiéis uma só coisa com o Ressuscitado e entre si, superando todas as diferenças de raça, de cultura e de classe social.
 
  "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum".
 
  Mas vejamos detalhadamente os aspectos dessa unidade.
  Primeiro: o Espírito Santo realizava a unidade dos corações e das mentes entre os fiéis, ajudando-os a superar aqueles sentimentos que, na dinâmica da comunhão fraterna, tornavam difícil a sua atuação.
  Realmente, o maior obstáculo à unidade é o nosso individualismo. Trata-se do apego às nossas ideias, aos nossos pontos de vista e às preferências pessoais. É por causa do nosso egoísmo que se erguem as barreiras pelas quais nos isolamos e excluímos quem é diferente de nós.
 
  "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum".
 
  A unidade realizada pelo Espírito Santo refletia-se necessariamente, também, na vida concreta dos fiéis. A unidade de pensamento e de coração encarnava-se e manifestava-se numa solidariedade concreta, por meio da partilha dos próprios bens com os irmãos e as irmãs que passavam necessidade. Justamente por ser uma unidade autêntica, ela não tolerava que, na comunidade cristã, alguns vivessem na abundância, enquanto outros não tivessem nem mesmo o necessário.
 
  "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum".
 
  Como poderemos viver, então, a Palavra de Vida deste mês? Ela ressalta a comunhão e a unidade que Jesus tanto recomendou, a ponto de doar-nos o seu Espírito para vê-la realizada.
  Logo, atentos à voz do Espírito Santo, procuremos crescer nessa comunhão em todos os níveis. Primeiramente em nível espiritual, superando os germes de divisão que trazemos dentro de nós. Seria, por exemplo, absurdo querermos estar unidos a Jesus e, ao mesmo tempo, estarmos divididos entre nós, comportando-nos de modo individualista, cada um por conta própria, julgando-nos uns aos outros e, quem sabe, rejeitando-nos mutuamente. Portanto, é preciso realizar uma renovada conversão a Deus que nos quer ver unidos.
  Além disso, essa Palavra nos ajudará a entender cada vez mais a contradição que existe entre a fé cristã e o uso egoísta dos bens materiais. Ela nos auxiliará a realizar uma autêntica solidariedade com aqueles que estão passando necessidade, embora nos limites do que nos é possível.
  Essa Palavra nos levará, ainda, a rezar pela unidade dos cristãos e a reforçar os vínculos de unidade e o amor de comunhão com os nossos irmãos e irmãs de outras Igrejas, com os quais temos em comum a única fé e o único espírito de Cristo, recebido no Batismo.
 
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em janeiro de 1994.

Chiara Lubich

UM LABORATORIO DE INTEGRAÇÃO SOCIAL


Por: Fernanda Pompermayer
    Terça-feira, 23 de novembro. Quando, no Rio de Janeiro, o clima de guerra civil entre a Polícia e as facções que controlam o tráfico de drogas, nos morros cariocas, estava no auge, eu me encontrava em Florianópolis, no Maciço do Morro da Cruz. Coincidentemente, o meu objetivo era fazer uma reportagem, justamente sobre um trabalho social de prevenção à violência, no Morro de Mont Serrat. 
   Esse projeto surgiu para oferecer uma opção de vida digna a crianças, adolescentes e jovens cuja única perspectiva era o mundo do crime e da droga. Analogamente à situação do Rio de Janeiro ? e respeitando as devidas proporções ?, o Morro de Mont Serrat era sinônimo de uma realidade de miséria e violência numa região urbana central da Ilha de Santa Catarina.
   Embora conhecendo o trabalho, ao chegar ao local deparei-me não com um projeto, mas com uma vasta gama de iniciativas: sete ONGs que atualmente articulam 15 projetos em 30 áreas diferentes. Os trabalhos giram ao redor do Centro Cultural Escrava Anastácia (CCEA), fundado em junho de 1994, por Vilson Groh (56), sacerdote que já atua no local desde 1983. Catarinense de Brusque, ele é também mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
  
   Tudo começou...
   O ponto de partida desse leque de projetos está ligado a um contexto histórico: a primeira metade dos anos 1980, na passagem da ditadura para a abertura política, em meio à efervescência dos movimentos sociais que começaram a surgir no Brasil. Vilson Groh, sensível, desde a adolescência, à realidade social, participou de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), teve contato com a Teologia da Libertação e, em 1976, conheceu o Movimento dos Focolares. Portanto, "o caldo cultural da construção do meu pensar social baseado na radicalidade do Evangelho" ? afirma o sacerdote ? "parte desse contexto, que me levou a fazer uma escolha de vida ligada ao documento de Puebla (1979), no qual a Igreja da América Latina fez uma opção preferencial pelos pobres". 
   No decorrer dos anos, Vilson foi descobrindo o enorme capital social e humano da população empobrecida em meio à qual vivia. Foi a partir da interação entre o sacerdote e a comunidade que surgiram os diversos projetos de promoção humana e social, a partir do princípio de que os moradores do Morro deveriam ser os protagonistas da própria história. Na convivência com eles, foram surgindo os modos de enfrentamento das graves situações sociais locais. 
   Segundo Ivone Perassa, coordenadora geral dos projetos do CCEA, a inserção das pessoas nas várias etapas dos projetos tem sido a garantia do sucesso deles. Um sucesso que pode ser comprovado pelos números. Segundo a coordenadora, nas comunidades em que a instituição tem uma atuação direta com a juventude ligada ao tráfico de drogas e ao universo da criminalidade, o resultado tem sido a queda do índice de criminalidade, o retorno à escola e a inserção no mundo do trabalho, num percentual que beira os 80%."
  
   Projetos complementares
   É impossível descrever, numa única matéria, a abrangência dos projetos do Morro de Mont Serrat. Eles abarcam desde abrigos para crianças em situação de vulnerabilidade social e familiar, a estruturas para o reforço escolar; desde o encaminhamento de adolescentes já envolvidos com o tráfico para outras atividades até cursos profissionalizantes para jovens, além da arrecadação de bolsas de estudo em várias universidades catarinenses.
   O projeto "Procurando Caminho", por exemplo, serve-se do esporte de aventura como um meio de resgate da dignidade dos adolescentes e jovens e de reintegração social. Surgiu depois do assassinato de dois jovens da comunidade por gangues do narcotráfico. O projeto nasceu para oferecer aos jovens alternativas aos apelos de uma vida à margem da lei, criando uma escola de surfe e uma atividade produtiva de conserto e fabricação de pranchas de surfe. 
   Mateus Alexandre Hoerlle, professor de Educação Física, deixou a escola em que lecionava para se dedicar ao projeto "Procurando Caminho". Ele vê essa sua atividade como uma verdadeira vocação, um legado da sua vida para esses jovens. Os resultados concretos na reintegração de jovens "condenados à morte" pelo narcotráfico, na vida da comunidade, e as perspectivas profissionais, que o projeto está abrindo, confirmam que Mateus tem razão.
   Segundo Jorge Ribeiro Portela, que também atua no mesmo projeto, dos 25 adolescentes de 13 a 15 anos com os quais ele trabalha, "20 já estariam mortos ou presos se não estivessem inseridos nesse projeto".
   A fábrica de pranchas bem como outras atividades profissionalizantes que envolvem os jovens têm sua sede no antigo prédio do Instituto Médico Legal de Florianópolis, que foi cedido pelo governo municipal. Um fato emblemático do processo de transformação que os projetos sociais estão realizando no Morro de Mont Serrat: o local onde eram colocados os cadáveres ? muitos deles vítimas da violência ? hoje é um laboratório de trabalho e de formação humana de jovens.
   Educados para educar
   Alan Ribeiro Rodrigues é gestor de negócios e trabalha atualmente no projeto "Apoio ao Desenvolvimento Escolar", com a obtenção de bolsas de estudo ? cerca de 30 por semestre ? junto às universidades privadas da Grande Florianópolis, para os jovens do Morro. 
   O trabalho de Alan "é uma forma de agradecimento aos projetos do CCEA". De fato, ele conseguiu estudar e chegar à conclusão da universidade, graças às diversas iniciativas de promoção social no Mont Serrat. "Hoje eu estou dando continuidade ao trabalho social pelo qual fui ajudado. Comecei como voluntário para retribuir a ajuda que me foi concedida, e agora sou funcionário do CCEA." 
   Na linha de investimento em educação e acesso à universidade, o CCEA proporciona cerca de 120 vagas anuais num dos melhores cursos pré-vestibulares da capital catarinense. O índice de aprovação nas universidades públicas e privadas dos jovens, com os quais o Centro trabalha, tem sido de 80%.
   Outro exemplo de alguém que chegou à universidade devido aos projetos sociais do Mont Serrat, e que hoje se dedica a eles, é o advogado Mário Davi Barbosa. Ao formar-se em Direito, ele se colocou à disposição do CCEA e, atualmente, é o advogado do Centro de Atendimento a Vítimas de Crimes (CEAV), que oferece acompanhamento psicológico e jurídico a mulheres que sofrem violência doméstica e a outras vítimas de agressões.
  
   Processo em rede
   A gama de projetos do CCEA é muito ampla, mas há um denominador comum que motivou o surgimento de cada um deles. "Nós temos uma missão, que é o cuidado com a vida. Para isso, temos que realizar uma série de projetos diferentes e complementares, mas todos eles buscam a preservação da vida e a sua qualidade", é o que explica Willian Carlos Narzetti, economista, com pós-graduação em Gerenciamento de Projetos, e coordenador do "Projeto Aroeira", voltado para a capacitação profissional de jovens. 
   Um aspecto importante do trabalho do CCEA é a sua articulação com outras entidades que oferecem apoio logístico ou financeiro aos projetos e também com outras instâncias da vida cultural, social e política de toda a cidade, gerando uma rede extensa e compacta. 
   Segundo pe. Vilson, só é possível mudar o quadro social da periferia se houver uma intervenção nas estruturas da cidade, as quais criam desigualdade e injustiças. Não basta, segundo ele, intervir nas consequências dessas estruturas. Com efeito, afirma, "a pobreza é decorrente de um sistema cuja raiz são as estruturas injustas, e é nelas que o CCEA procura agir". Daí a importância de trabalhar num processo em rede. 
   "O processo em rede traz também a questão das interfaces da cidade" ? diz o pe. Vilson. "Ou seja: centro e periferia, ou vice-versa, se relacionam. Precisamos pensar nas interfaces com os mundos da política, da cultura, da economia, da intelectualidade, da arte". Muitos projetos são realizados em parceria com o empresariado catarinense e com pessoas e entidades representativas das classes média e alta de Florianópolis.
   Com o seu método de trabalho em rede, o CCEA está ajudando todas as esferas da sociedade a se envolverem na busca de soluções para os problemas da cidade. "Não para substituir o Estado" ? conforme explicou Pe. Vilson ? "mas para construir uma esfera pública que ajude a estabelecer uma relação entre Estado e sociedade civil capaz de gerar espaços de consolidação de práticas e projetos que, com o tempo, tornem-se políticas do Estado."
  
   CCEA em números
   7 ONGs que atuam no resgate social e educacional
   15 projetos em 30 áreas
   450 jovens  que frequentam universidades
   80% dos envolvidos nos projetos reinseridos nas escolas e fora do giro do narcotráfico
   40 mil pessoas envolvidas direta ou indiretamente nos projetos.
  
   Os resultados desse vasto leque de iniciativas podem ser observados em diversos âmbitos, mas principalmente na educação. Nessa área, há uma rede de projetos que abrange pessoas de 6 a 24 anos. Dos 6 aos 15, elas participam do período estendido, ou seja, quando não estão na escola, têm aulas de reforço e outras atividades pedagógicas; dos 15 aos 18 anos, vão para o programa "Aprendiz", que oferece cursos técnicos profissionalizantes que correspondem à demanda do mercado; dos 18 aos 24, frequentam as escolas de Ensino Médio, o curso pré-vestibular e ingressam na universidade. Nessa última etapa, participam também de projetos nas áreas de cooperativismo, geração de trabalho e renda, profissionalização, e de inserção no mercado de trabalho.
  
   O grito de Jesus na cidade
   Três perguntas a Vilson Groh, sacerdote que iniciou o trabalho no Morro de Mont Serrat
   Sabemos que o trabalho social do senhor tem uma forte motivação espiritual. Poderia dizer algo a esse respeito?
   Na minha juventude, eu participei das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da Teologia da Libertação, com a "sua opção preferencial pelos pobres", que sempre me acompanhou no empenho social. Mas um fato importante foi o meu encontro com a espiritualidade do Movimento dos Focolares em 1976. 
   O ponto chave ? o elemento fundante ? para mim, nessa espiritualidade, foi Jesus crucificado e abandonado, cujo grito "Meus Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" eu identifiquei no sofrimento dos mais pobres e desamparados. Ele, Jesus abandonado, tem o rosto da população negra, da criança abandonada, do jovem desempregado. Ele é real, concreto.
  
   O que o motiva e o sustenta para continuar seguindo em frente?
   O que me dá força, energia, como padre, é a ascese ? que eu encontro no grito de Jesus crucificado e abandonado ? e a mística, que é o Ressuscitado, que gera a cultura da vida.
   A beleza do nosso trabalho está em olhar esta realidade dramática como algo possível de transformação, e não como algo negativo. É uma realidade grávida de esperança, de perspectivas, de sonhos... O olhar teologal nos leva a recuperar a expressão de um Deus que gera a vida.
   Para mim, a dimensão do sacerdócio é recuperar a fé em Jesus com ações e gestos, com o radicalismo do Evangelho, que é uma resposta à América Latina. Acho que nós ainda não descobrimos a força que o Evangelho tem para o processo de transformação social.
   Quando o nosso agir vira pura ideologia, nós perdemos a força que move misticamente esse continente e que gera as oportunidades e as saídas. Mas quando temos essa força, o ministério sacerdotal torna-se "avental", torna-se serviço, e construímos uma Igreja mariana: da sensibilidade, da compaixão, da esperança, da missionariedade, da acolhida e do cuidado com a vida. 
   O cuidado com a vida deve ser um gesto amoroso, o gesto de Jesus. A Eucaristia que eu celebro todos os dias, às 6h30, é um modo de comungar com a realidade que o mundo vive, a fim de que os meus gestos tornem-se, durante o dia, gestos eucarísticos. O que nós fazemos não é obra nossa, é obra de Jesus: nós somos apenas instrumentos.
   Isso requer um tempo de mística, pois se não fosse assim, eu viraria um assistente social, um sociólogo, um antropólogo, um político. Para mim, a diferenciação do meu trabalho é teologal: eu olho essa realidade com o olhar de Deus, com o coração de Deus.
  
   O seu trabalho foi reconhecido pela sociedade com muitos prêmios...
   Sim, em 2008 recebi o "Prêmio Betinho ? Atitude Cidadã". Mais recentemente o "Amigo da Comunidade", concedido pela Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS), entre outros.
Mas quando eu fui ordenado padre, escolhi como lema um trecho do evangelho de Mateus (Mt 25,31-40), no qual Jesus diz: "Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber...". E conclui assim: "Cada vez que fizestes isso a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes". O meu maior prêmio é fazer isso para Jesus.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O VERDADEIRO EVANGELHO ( A CRUZ )



"Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Nasceram-lhe sete filhos e três filhas.Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente". Jó 1.1-3

Há dois evangelhos populares que concorrem nas igrejas com o evangelho de Cristo: o evangelho da lei e o evangelho da prosperidade.

Paulo era um autêntico herdeiro da mensagem de Jesus e por isso combatia os dois veementemente. Combateu o primeiro especialmente na sua Carta aos Gálatas e na sua Carta aos Romanos, como Jesus o combateu especialmente diante dos fariseus. Combateu o segundo especialmente nas suas cartas aos coríntios, como Jesus o combateu quando desafiou os ricos e a classe sacerdotal. O combate era interno, isto é, dentro do povo de Deus, cada um citando as suas fontes bíblicas, o que faz o combate complicado. A solução também não era simples. Por isto temos as cartas densas que Paulo escreveu detalhadamente. Mas o resumo da solução, a alternativa que Paulo apresentou, pode ser dita em apenas quatro palavras: o evangelho da cruz. Para Paulo, anunciar Cristo significava a adoção do evangelho da cruz. Os outros evangelhos podem ser trabalhados a partir do Antigo Testamento. É fácil fazê-lo e é frequente. Os escritores do Novo Testamento, graças à liderança de Paulo que atribuia isto à revelação de Deus e à inspiração pelo Espírito Santo, entenderam que a leitura do Antigo Testamento que resulta ou no evangelho da lei ou no evangelho da prosperidade, era equivocada. Isto é essecialmente o assunto da Epístola aos Hebreus. Sua mensagem é que à luz de Cristo o evangelho da lei e o evangelho da prosperidade não são propriamente “cristãos” e por isso não podemos voltar para trás.

O Livro de Jó é talvez a maior correção ao evangelho da prosperidade no Antigo Testamento, pois no fim, os advogados deste evangelho, os “amigos” de Jó, são revelados como errados. O evangelho da prosperidade funciona assim: se você for íntegro na sua caminhada com Deus, prosperará. Terá a vitória. O inverso também é verdade: se não prosperar é porque há algum pecado ainda na sua vida. Deve ter deixado uma brecha para o diabo e está sofrendo as consequências. Este é exatamente o “conselho” dos amigos de Jó e eles estavam tragicamente errados.

Os primeiros versos do Livro de Jó preparam este cenário. Os múltiplos de 10 (7 filhos mais 3 filhas = 10; 7.000 ovelhas mais 3.000 camelos = 10.000; 500 pares de bois mais 200 jumentas = 1.000) no mundo antigo indicavam compleição e o superlativo no final apenas confirma este indício: “era o maior de todos os do Oriente”. E mais importante ainda, era homem “’íntegro e reto”. Logo será vitorioso?

Temos que admitir: todos nós (há realmente alguma exceção?) desejamos sucesso. Todos queremos ter vitória. Todos nós desejamos prosperar. O Livro de Jó redefine o conceito de bênção e prosperidade e esclarece qual é o árduo caminho para a “vitória”. Assim aponta na direção do evangelho de Cristo que é o evangelho da cruz. Neste ano queremos ouvir a voz de Deus a respeito disto para seremos verdadeiros discípulos de Cristo e não meramente versões “cristãs” do sucesso e do modelo que a nossa cultura consumista promove.

“Perguntou ainda o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Então, respondeu Satanás ao SENHOR: Porventura, Jó debalde teme a Deus? Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra. Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face”. Jó 1.8-11

A dificuldade maior de tratar tanto da teologia da prosperidade quanto da teologia da lei (que mencionamos na primeira devocional) é que ambas nasceram de Deus! E assim possuem certa razão. Digo “certa” porque uma das características da revelação de Deus nas Escrituras que praticamente todos os teólogos afirmam é a sua natureza progressiva. Ou seja, uma leitura até superficial da Bíblia ilustra que Deus raramente revela tudo duma só vez. Isto seria mecânico demais e dispensaria o bom relacionamento que Deus quer que desenvolvamos com ele. O princípio mais básico da revelação progressiva é que o Novo Testamento interpreta o Velho. Por exemplo, as “bênçãos” que Deus promete para o seu povo no Antigo Testamento para o cristão têm que ser entendidas à luz da cruz e por consequente à luz de passagens como Efésios 1.3-10 e Gálatas 3.28-29.

Na passagem acima, quando Satanás se apresenta diante de Deus, vemos a razão porque a prosperidade absoluta, mesmo oriunda de Deus, poderá não servir os propósitos de Deus e porque é necessário o empobrecimento e o sofrimento na vida dos fiéis: para demonstrar que os retos e íntegros temem a Deus pelo que Deus é e não pelo que têm recebido em abundância de Deus.

O outro lado da moeda, e lição igualmente importante, é que o empobrecimento e o sofrimento não constituem a vontade “perfeita” de Deus para as nossas vidas, e sim, a sua vontade “permissiva”. Deus deseja, sim, nos abençoar mas permite dificuldades para criar em nós caráter e amor genuínos e irrestritos, algo que dificilmente se cria na abundância.

Mas, não nos esqueçamos do alvo de bênção maior que Deus nos dá e que Paulo nos apresenta em Efésios 1.3-10.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

FICA COMIGO SENHOR




Fica comigo, Senhor, pois preciso da tua presença para não te esquecer. Sabes quão facilmente posso te abandonar.
Fica comigo, Senhor, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair.
Fica comigo, Senhor, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor.
Fica comigo, Senhor, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão.
Fica comigo, Senhor, para me mostrar tua vontade.
Fica comigo, Senhor, para que ouça tua voz e te siga.
Fica comigo, Senhor, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia.
Fica comigo, Senhor, se queres que te seja fiel.
Fica comigo, Senhor, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor.
Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho.
Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio.
Fica comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti.
Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão, a força a me sustentar, a única alegria do meu coração.
Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.
Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico!
Fica comigo, Senhor, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais.
Como este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.
Padre Pio

A CURA DA AFETIVIDADE



Por: Emmir Nogueira (Co-fundadora da Comunidade Católica Shalom)

Começaremos hoje falando sobre afetividade. Ontem nós vimos que o homem é um ser necessitado e por isso se abre para a graça de Deus, o homem que não se conhece, que não se reconhece como ser necessitado, vive na mentira. Nossa humanidade tem limites, nós não viveremos para sempre, nós não somos deuses e por isso é crucial que reconheçamos que somos limitados e precisamos de Deus.
Ser homem ou mulher é um presente de Deus. É presente de Deus termos uma sexualidade, e por isso trazemos em si uma vontade de Deus e fazer vontade de Deus, precisamos ser plenos na realização da vontade de Deus. A afetividade traz este nome porque ela afeta tudo. Afetividade é a maneira de nos relacionarmos com o que esta dentro de nós e com o que esta fora de nós.
Os nossos relacionamentos com a família, com os amigos, com as roupas, com aquilo que esta ao nosso redor, tudo isso afeta a nossa afetividade. As vezes não entendemos bem e pensamos que a sexualidade esta na afetividade, não! A afetividade afeta a sexualidade, pois problemas na afetividade afetam nossa identidade.
Quais são as gavetas da nossa afetividade? A gaveta mais baixa da nossa afetividade é o humor, humor como estado de espírito. O humor é considerado o estado de base da afetividade. Muitos de nós mudamos de estado de humor muitas vezes durante um dia, infelizmente isso acontece, e acontece porque temos problemas em nossa afetividade.
Há pessoas que sempre estão de bom humor, sempre sorriem, sempre promovem a unidade, onde elas chegam alegram o ambiente, mas também tem gente que está sempre de mau humor e estas pessoas são aquelas negativas, insuportáveis, onde elas chegam o ambiente fica pesado, esta pessoa precisa crescer em sua afetividade.
Há pessoas que andam de cara feia , estas são as pessoas que desejam dizer: “me olhem, me vejam, eu não estou bem”, cara feia é um grito de socorro. A segunda gaveta é a da emoção, a emoção é um fenômeno passageiro, algo acontece que afeta a pessoa naquele momento, seja ouvindo uma música, seja vendo um fato acontecer. A emoção vem e vai e as vezes nem nos lembramos dela e isso significa que nenhuma decisão da minha vida deve ser tomada de acordo com meu humor ou com minhas emoções.
Nunca peça para ninguém fazer um trabalho muito difícil quando a pessoa estiver cansada, pois o humor de base desta pessoa não esta preparado. Tudo isso nos ajuda a nos relacionarmos com as pessoas, por isso é preciso que percebamos o humor e as emoções das pessoas. Se você esta com uma enxaqueca e uma pessoa te pede para resolver um problema você poderá responder a esse pedido de forma negativa.
Eu não posso dizer que meu humor e minhas emoções são bons ou ruins, pois são uma característica da minha identidade, mas eu posso controlá-los, o que faço com meu humor e com minhas emoções depende do meu amor a Deus, do meu amor a mim e ao meu irmão. É preciso em um momento de humor e emoções abaladas responder às pessoas de maneira evangélica e Deus nos dá a graça de fazer isso. Você não foi feito para reagir segundo seu humor e suas emoções, mas segundo a caridade.
A terceira gaveta é a dos sentimentos e eles estão sempre ligados aos valores. Por exemplo, o valor da justiça, da verdade, da pureza, os sentimentos estão ligados a estes valores, o contra valor da desonestidade os sentimentos estão ligados também aos contra valores. Nós reagimos segundo os sentimentos que estão ligados a determinados valores.
“O humor é considerado o estado de base da afetividade”, diz Emmir Nogueira
Algumas pessoas foram educadas a fugir e quando estiverem de cabeça cheia irão fugir, pois o sentimento delas está ligado ao valor da fuga, por isso é importante a educação dos valores, em uma comunidade é importante que os valores estejam claros, pois os sentimentos estarão ligados a estes valores. A quarta gaveta é a do afeto, assim como os sentimentos se ligam aos valores, os afetos se ligam a idéias. Se você fechar os olhos e eu dizer palavras como beber, pai, terrorismo, Jesus, cada uma destas palavras lhe despertarão afetos diferentes, os afetos estão ligados a um conceito, a uma idéia.
Entre duas pessoas as mesmas palavras terão relações afetivas diferentes, por isso nossas famílias, a sociedade, a comunidade, precisam ter valores e conceitos claros, valores e conceitos evangélicos. Em julho de 2010 teremos a copa e como estará as emoções, o humor, os afetos do brasileiro? Tudo isso estará aberto para receber qualquer idéia, mesmo sendo má, que se apresente, e por isso muita gente que sabe disso se aproveita desta situação, usam os meios de comunicação para nos passarem idéias que até vão contra nossos valores e nós aceitamos facilmente se não estivermos atentos.
A última gaveta é a das paixões, ela também não é boa e nem má, o que é bom ou mau é o que fazemos com elas. Einstein passava tantas horas estudando que a sua esposa brigava com ele, mas essa sua paixão nos trouxe boas descobertas. As paixões são como uma bigorna, a gaveta das paixões é a mais alta do armário, a gaveta da identidade é a que segura toda a estrutura deste armário de gavetas e a gaveta das paixões com essa bigorna se torna pesada e pode fazer desmoronar todo o armário, pois esta sobre todas as outras gavetas.
As paixões devem nos levar as virtudes, devo ser apaixonado pelo Evangelho e viver bem esta paixão. As paixões influenciam nosso humor, nossas emoções, nossa afetividade, influenciam tudo. Os estudiosos dizem que as paixões tem o poder de nos levar para o bem e para o mal. Deus me criou e me deu a graça do batismo e me criou homem ou mulher e nisto Ele demonstra sua vontade sobre minha sexualidade. Deus me criou para um carisma, para um estado de vida específico e isso para mim, porque é vontade de Deus deve se tornar um valor. Eu ser batizado como filho de Deus, por exemplo, deve ser um valor.
Os meus sentimentos estão ligados a estes valores que são vontade de Deus para mim e quando vivo isso começo a querer conhecer melhor a vontade de Deus para minha vida e começo a buscar a vontade de Deus e meus afetos se ligam aos conceitos expressos pela vontade de Deus.
Como meus afetos estão ligados da filiação divina e tudo que ela representa para mim, o meu ser inteiro se envolve e se deixa envolver e se apaixona pela vontade de Deus, o que acontece então é uma reestruturação dos conceitos para mim, não ajo mais como a carne pede e me impulsiona, mas como aquilo que é vontade de Deus.

“A cura interior não é para me ajudar a me centralizar sobre mim”, diz Emmir

O cristão que é cristão de verdade percebe que é um apaixonado pelo martírio, ele nasceu para morrer de amor, então não vive reclamando do que lhe acontece de ruim. Quando eu me deixo mover por uma destas áreas da minha identidade, quando uma se sobrepõe sobre as outras eu começo a me curvar sobre mim mesmo, o que interessa é o meu umbigo, busco somente aquilo que eu quero ser ou ter e deixo as vontade de Deus de lado.
Se eu viver sobre meus afetos, meus sentimentos, minhas emoções, meu humor, eu viverei só para mim. Se minha identidade é uma confusão, e minha afetividade esta de cabeça para baixo, eu serei uma pessoa débil em minha auto-identidade. A cura interior não é para me ajudar a me centralizar sobre mim, é para me ajudar a ficar de pé, enxergando a verdade, Deus nos cura para que sejamos santos. Cura interior é Jesus dizendo: “Levanta-te e anda, eu quero ajeitar tua afetividade que está de cabeça para baixo, eu quero te libertar de ti mesmo, eu te criei para que você tenha controle de suas emoções, seus afetos e suas emoções, eu não te criei para sua identidade ser amarrada e escravizada, não te criei para ser levado por teus sentimentos, mas para ter o domínio sobre eles e sobre suas paixões.”
Uma vez perguntei a um Bispo, porque é que Jesus curou aquele paralítico que os amigos trouxeram em uma padiola e mesmo o homem curado, andando, Jesus pede para que ele leve a sua padiola para casa e o Bispo me respondeu: “Eu também já pensei sobre isso e cheguei a conclusão que Jesus mandou que ele levasse a maca para casa porque Jesus fez a sua parte, mas é preciso que a pessoa faça um caminho de santificação a partir da sua fraqueza, dos seus limites para alcançar a sua santificação.”Quando baixamos a guarda da afetividade, nos tornamos escravos e paralíticos dela!
Vou falar um pouco também sobre co-dependência afetiva, e o que é isso? É uma armadilha que nos faz depender de forma errada de uma outra pessoa. Há pessoas que vivem assim, e quando determinada pessoa não esta na festa, na igreja, enfim no mesmo lugar que ela, acaba ficando triste, ou não tem opinião própria, gosta das coisas que a outra pessoa gosta, a pessoa se torna o centro da vida da outra. É o famoso grude! E o que isso provoca? O fim da minha vida acaba não sendo Deus, as energias da minha vida, dos meus afetos, dos meus sentimentos, não vão para Deus mas vão para aquela pessoa, isso acontece entre amigos, mas também acontece entre casais.
A co-dependência afetiva dentro de uma comunidade é a maior traição a Deus que o demônio consegue fazer, porque você doou sua vida a Jesus, mas agora está dependendo de uma outra pessoa para ser feliz. Ninguém depende de outra pessoa para ser feliz! Para ser feliz eu preciso ser dependente de Deus, para ser feliz eu preciso dar-me a todos os meus irmãos, mas não me deixar escravizar afetivamente por eles.
A amizade é um dom de Deus, quando autentica é libertadora e não faz uma pessoa depender da outra, pelo contrário leva as duas pessoas a dependerem de Deus e quanto mais elas dependem de Deus mais elas são livres, mais elas são curadas. Algumas das características da co-dependência, uma delas é quando os outros precisam tomar decisões importantes que caberiam a mim tomar. Há pessoas que saem de uma comunidade, que acabam com a família por conta desta co-dependência afetiva.
Outra característica da co-dependência afetiva é que a pessoa precisa de constante reafirmação de outras pessoas. A pessoa precisa de elogios, é uma pobre coitada dependente da opinião dos outros, como esta pessoa viverá o Evangelho se ela é dependente do outro? Mais uma característica é se alguém não se mostra alegre comigo eu já acho que aquela pessoa não gosta de mim. As vezes acontece de você ficar esperando que as pessoas te notem, mesmo quando aquelas pessoas estão atarefadas e não podem te dar a atenção que você deseja. Você não pode ser dependente ao ponto de ser feliz somente se aquela pessoa te der um sorriso ou falar com você.
Jesus foi cuspido, maltratado, injuriado, crucificado e em nenhum momento ficou buscando a consolação das pessoas. Outra característica terrível e quando a pessoa nunca diz não, pois tem medo de que as pessoas não gostem dela, uma co-dependência afetiva nos desvia de Deus e nos faz usar o outro para nos sentirmos amados.
Certa vez atendi um casal que tinha perdido um filho e pediram que eu rezasse por eles, conversando com eles descobri que o rapaz era co-dependente da mãe, em tudo a mãe tinha que dizer a ele o que fazer, como fazer, e ele era um rapaz altamente qualificado, mas não conseguia ir bem, já tinha perdido vários empregos. Acompanhando este casal, o rapaz mesmo se deu conta de que ele devia mudar de cidade, ir para longe de sua mãe, pois em tudo ele ainda, mesmo casado, dependia da mãe. Mudaram-se e hoje este casal vive bem e estão grávidos de um terceiro filho.
Eu dizia para Jesus um dia destes:“Jesus tu morreu por nós, tu destes a nós o batismo e porque o Senhor deixa em nós o desejo do poder, do prazer, porque o Senhor nos deixa ter estas concupiscências, porque?”, e quando saiu o Catecismo eu entendi, foi para que nós provássemos o nosso amor que ainda trazemos em nós as concupiscências. Quando provamos o amor pelo irmão? Quando ele precisa! O amor se prova em ações! Quando concretamente luto contra minhas tendências e limites para fazer a vontade de Deus é que provo que de fato eu O amo.
Existem pessoas que vêem uma liquidação e logo correm para comprar algo, elas tem muitos sapatos, mas sempre estão comprando mais, este desejo exacerbado de possuir as coisas as destrói. Como esta pessoa vai vencer esta mania de ter? Ela vai transformar esta mania de ter em uma escada para o céu. Devemos matar a vontade desenfreada de comprar e provar que amo a Jesus, a gente prova o amor a Jesus no que é fácil e no que é difícil, quanto mais difícil for subir os degraus da escada que nos leva ao céu, mais provaremos o amor a Jesus.
Há aquelas que se cuidam por uma beleza exterior exagerada e trazem raiva de pessoas dentro de si, porque acha que deve ser melhor que as outras. Não é fácil conviver com pessoas assim! Se esta pessoa se esvazia de si e resolve amar aqueles a quem ela trazia um sentimento de raiva, ela precisa se determinar em amar as pessoas, ela precisa usar o horror das pessoas, a inveja, o ciume que ela tem dos outros e transformá-lo em virtude.
Mas se esta pessoa tentar transformar todas os seus limites em virtudes sozinha, ela não conseguirá, pois a escada de santidade não se sobe com as próprias forças, é impossível transformar vícios em virtude sem a graça de Deus. Esta pessoa se deparando com o desejo de amar, de perdoar, mas querendo fazer com suas próprias forças, precisa reconhecer que não conseguirá e deve clamar a Deus por sua graça. Ninguém é capaz de fazer mal algum a nós, a não ser nós mesmos.
“Ninguém é capaz de fazer mal algum a nós, a não ser nós mesmos”, diz Emmir

É preciso de uma vida de santidade e a santidade vem pela decisão da minha vontade, Deus me dá toda a graça atual que eu necessite para ser santo. São João da Cruz diz: “A porta estreita é Jesus, entrar pela porta estreita muitos entram quando se decidem por Jesus, mas depois da porta estreita existe o caminho estreito”. O caminho estreito pode significar provação, noite escura, noite do espírito, mas amar Jesus significa estar disposto a passar pela porta estreita que é o próprio Jesus e ir até a cruz e ressuscitar. O segredo da santidade, a verdadeira cura interior acontece quando por amor a Jesus eu me decido superar tudo, os traumas me atrapalharão, nossa identidade confusa vai nos atrapalhar, mas porque eu me decido por Jesus, eu alcanço a santidade.
São João da Cruz fala das faculdades, em especial duas, o entendimento e a memória, e ele diz que somos livres e preciso contar sempre com a luz do Espírito e a luz da minha inteligência para ter domínio sobre minhas vontades, eu preciso recorrer a graça de Jesus para orientar o meu ser inteiro para a vontade de Deus. A afetividade é um dom e todo santo é curado no seu interior, mas o pecado é que deixa nossa afetividade biruta.
É muito fácil e muito pagão eu jogar a culpa do meu sofrimento sobre o outro, ninguém tem o poder de te fazer sofrer, só você pode fazer isso acontecer. Quando você vai se conhecendo melhor, suas fraquezas, seus limites, quando você vai dizendo não para suas vontades e sim para a vontade de Deus, principalmente quando isso te faz sofrer e dói muito, sua afetividade vai sendo ordenada para amor. A conseqüência é que a vontade de Deus, a sua verdadeira identidade, aquilo que Deus pensa sobre você vai se tornando real e você não mais terá conflitos.
A medida que sua afetividade se volta para Deus também sua identidade se volta para Deus. Quando eu começo a ficar livre do que me dá prazer, me torno um filho de Deus equilibrado, sem conflitos, forte, me torno santo porque a minha vontade se une a vontade de Deus. Através da escada que subo por amor a Deus o meu amor se une ao amor de Deus. E diz São João da Cruz: “Deus e eu somos um!”, Deus cumpre o seu desígnio de me santificar, de submeter-me à sua vontade, de fazer-me um homem santo como Ele me criou.
Fonte: www.cancaonova.com.br

PÃO VIVO



«Eis o pão que os anjos comem transformado em pão do homem; só os filhos o consomem» (Sequência da festa)
Deus todo-poderoso e eterno, eis que me aproximo do sacramento do Teu Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo. Doente, venho ao médico de Quem a minha vida depende; manchado, à origem da misericórdia; cego, ao fogo da luz eterna; pobre e desprovido de tudo, ao Senhor do céu e da terra.
Imploro, pois, a Tua generosidade imensa e inesgotável a fim de que Te dignes curar as minhas enfermidades, lavar as minhas manchas, iluminar a minha cegueira, compensar a minha indigência, cobrir a minha nudez; e que assim possa receber o pão dos anjos (Sl 77, 25), o Reis dos reis, o Senhor dos senhores (1Tim 6, 15), com todo o respeito e humildade, toda a contrição e devoção, toda a pureza e fé, toda a determinação de propósitos e a rectidão de intenção que a salvação da minha alma exige.
Permite, peço-Te, que não receba simplesmente o sacramento do Corpo e Sangue do Senhor, mas toda a força e eficácia do sacramento. Deus cheio de doçura, permite-me receber de tal maneira o Corpo do Teu Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo, este corpo material que Ele recebeu da Virgem Maria, que mereça ser incorporado no Seu Corpo místico e fazer parte dos seus membros.
Pai cheio de amor, permite que eu possa um dia contemplar de rosto descoberto e por toda a eternidade este Filho bem amado que me preparo para receber agora sob o véu que convém à minha condição de viajante. Ele que, sendo Deus, vive e reina Contigo na unidade do Espírito Santo pelos séculos e séculos. Amen.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PAZ É VIDA EM PLENITUDE



Há uma constatação quase generalizada a respeito da avaliação da pessoa humana em nossos dias. Houve uma decadência muito acentuada entre o homem pensado por Deus e o homem moderno. Apesar de toda evolução conquistada em todas as áreas, assim mesmo o homem não se sente realizado e feliz.

Vive sequioso, na busca de um manancial onde possa beber a felicidade da vida. Depois de um percurso longo de existência, parece ter a sociedade chegado a um termo de esgotamento que o homem se apresenta anêmico, chagado, infeliz. Desviou-se certamente da trilha destinada a encontrar o verdadeiro sentido da sua existência.

Quantas vidas mal vividas, vazias, lacônicas, depressivas! Quantas vidas sem sentido, carregadas de neuroses e insatisfações! Não é este o homem que Deus quer, nem esta mulher que Deus projetou.

Urge, pois, fazer a pessoa humana voltar a acertar o caminho que possa levá-la a reconstruir-se e ser conforme Deus a arquitetou: íntegra, verdadeira, nobre, feliz. Jesus Cristo expressou esse desejo de Deus: "Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância".

E uma das palavras que a Bíblia utiliza para expressar a vida sonhada por Deus é a paz. Por isso, a Campanha da Fraternidade prega solidariedade e paz, pedindo um basta à violência, às afrontas contra a dignidade humana, a tudo que desrespeita o homem e a mulher, criados à imagem de Deus. Paz não é só ausência de guerra, mas vida em plenitude, em que a dignidade de filhos de Deus é colocada em primeiro lugar, em todas suas dimensões.

Podemos consultar a história e ela nos mostrará modelos que inteligentemente conseguiram alcançar a plenitude do seu próprio ser, isto é, a realização da própria identidade querida e projetada por Deus.

Entre esses modelos, recordamos Francisco de Assis, o santo cuja mensagem continua atual, conclamando-nos à vida plena, à paz, ao bem. A saudação franciscana "paz e bem" soa vibrante fazendo coro ao apelo da Campanha da Fraternidade.

São Francisco de Assis é um protótipo perene que podemos apresentar de um homem realizado, feliz, por isso santo. Seu modo de vida serve para todos os tempos, especialmente para o nosso. Importante na vida do pobrezinho de Assis foi a sua conversão, isto é, mudança de direção, transformação interior que também levou a uma revolução exterior.

Foi corajoso e radical, sentiu que a vida é uma só e cada momento que se perde faz a vida se esvair. Disse não ao caminho da riqueza e optou fortemente pelo caminho da pobreza, do despojamento.

No mundo das idéias, Francisco quis direcionar toda sua vida na busca de um ideal único, ideal do seguimento de Jesus Cristo. Não menos importante na vida de Francisco foi sua paixão. Foi um homem apaixonado, o que vale dizer que quando decide se lança com tudo e tem a certeza de alcançar. A sua paixão teve uma única direção: identificar-se com Jesus Cristo.

No mundo das emoções quis ser um elo em toda a criação, em toda a humanidade, optou pela fraternidade cósmica. No meio de um grupo de irmãos pobres, apregoou no meio do mundo a fraternidade, pois acreditou firmemente na paternidade universal de Deus. Esse Francisco tornou-se no mundo o arquétipo de um humanismo novo, que busca resgatar o modelo de pessoa criada por Deus.

A mensagem de Francisco de Assis se projeta nos ideais da Campanha da Fraternidade que pede "solidariedade e paz" e proclama "felizes os que promovem a paz". A campanha quer unir igrejas cristãs e pessoas de boa vontade na superação da violência, promovendo a solidariedade e a construção de uma cultura de paz. Com Francisco somos chamados a ser construtores da paz, a paz que Jesus veio nos trazer e que tem o sentido de vida plena.

Bom seria se conseguíssemos ressuscitar em nós o Francisco que mora em nossos desejos, pois nossos anseios condizem com os do pobrezinho de Assis. A diferença está em que ele conseguiu realizá-los e nós ainda estamos a caminho. Para ser franciscano é preciso ser apaixonado, simples, pobre, mas acima de tudo fraterno. E só é possível construir a solidariedade e a paz quando vivemos a fraternidade.

REINO DOS POBRES E SIMPLES



Por: Frei Augusto Giroto
 
Francisco de Assis quem intuiu no mundo a desproporção do projeto de Deus e a resposta do homem. O projeto de Deus foi criar o mundo em plenitude, pois foi por amor criado. Queria que a pedagogia do amor fosse implantada em todos os seres e que em tudo transparecesse a força do amor. Assim foi o projeto de Deus em Jesus Cristo, que assumiu nossa natureza humana.

O reino de Deus seria a obra de Jesus, que só seria realizada mediante uma nova forma de vida da qual o ser humano seria o principal agente e mediador. Tudo inspirado num amor que brotara do coração de Deus, manifestado em Jesus Cristo.

Jesus assumiu um humanismo novo e pleno, carregado de amor, pronto como um largo manancial a ser derramado no meio do mundo. Começou bem cedo sua obra restauradora. Já no seio materno envolve seu corpo na ternura de uma Mãe simples e pobre, assume o jeito dos homens.

No seu nascimento se manifesta aos pastores simples e pobres, como os primeiros privilegiados do seu carinho e de sua atenção. Começa uma vida pública buscando sempre e de maneira persistente a periferia da sociedade, onde se acham os marginalizados, os pobres, os pecadores e os considerados malditos pêlos grandes. São eles leprosos, prostitutas, pecadores públicos. Desencadeia uma nova dinâmica de um amor ainda não experimentado no meio dos homens. Um amor gratuito e sempre cheio de misericórdia.

Seu discurso é forte e contundente, sempre carregado pela transparência da verdade e as atitudes livres de qualquer preconceito. Há sempre uma profunda empatia entre o amor de Jesus e o vazio dos homens, por isso veio salvar o que estava perdido. Tudo ficou bem firmado nas parábolas do Filho Pródigo e do Bom Samaritano. Há em Jesus uma paixão dominante que só aconteceu porque um homem assim só podia ser Deus.

Em meio a tudo isso, acontece o estranho, o inominável, o trágico da sua vida que é a sua morte, e morte de cruz. Só é possível entender porque ele mesmo dissera: "Não existe maior amor do que dar a vida pêlos seus amigos" (Jo.15,13).

Diante de tão misterioso projeto, ficamos a pensar qual é a importância de cada um de nós. Todos passamos no pensamento de Deus e Ele nos amou, e por amor deu a sua vida. A nossa resposta de vida, por mais generosa que seja, será sempre desproporcional em relação ao amor de Deus.

O grito de Francisco de Assis retraía bem a angústia de quem queria com gratidão responder, ainda que de forma limitada, ao amor de Jesus Cristo: "O Amor não é amado". Celebrar o amor de Deus será a resposta nossa. Resposta que será proporcional ao nosso entendimento, nossa generosidade, nossa capacidade de nos doar.

Respondemos ao amor divino quando assumimos o projeto de Jesus Cristo, que veio para que todos tenham vida, e a tenham em plenitude. Projeto que contempla como prioridade os pobres, os injustiçados, os excluídos da sociedade. Assumimos esse projeto na medida em que nos comprometemos com a construção de uma nova sociedade, mais justa, fraterna e igualitária.

Deste modo estaremos impregnando o mundo dos valores evangélicos, colaborando de maneira decisiva para que se implante o reino de Deus, reino de verdade e santidade, de paz e de justiça, de amor e de perdão. Reino dos pobres, dos simples, dos humildes, como foi Jesus. E assim poderemos rezar com mais convicção: Pai nosso, venha a nós o vosso reino.

SÃO FRANCISCO HOMEM LIVRE, SERVO DE DEUS


Por: Dom Eduardo Koaik
Bispo Emérito de Piracicaba
Pela graça de Deus tornei-me um homem livre e um servo do Deus Altíssimo". Quem assim falou foi o filho de Pedro Bernardone na hora em que tomava a mais corajosa decisão de sua vida: seguir "o Cristo pobre e crucificado". Passados mais de oito séculos do seu nascimento, a presença de Francisco de Assis continua viva na História, sempre lembrando esse "Cristo pobre e crucificado" e atraindo para si novos e numerosos seguidores. A comemoração de sua festa, na próxima segunda-feira, dia 4, nos convida a refletir sobre a vida desse grande santo e a atualidade de seus ensinamentos.

Homem livre e servo de Deus, tudo o que ele foi. Livre e servo são as virtudes dominantes de seu perfil de santidade. Tudo o que ele testemunhou resume-se em que não há ninguém mais livre do que aquele que faz a opção de servir a Deus. Segundo o Evangelho, ser livre não consiste em não depender de ninguém. Ser livre é aceitar depender de quem se ama.

Amar a Deus sobre todas as coisas é depender senão dele. Por toda parte Francisco repetia: "O amor não é amado". Entregava-se radicalmente a esse Amor e por isso experimentou a verdadeira "liberdade dos filhos de Deus".

No mundo de hoje, é cada vez maior a fome de liberdade, mas em nome dela armam-se os homens, oprime-se o fraco, pratica-se a injustiça, gozam-se os prazeres da vida. Francisco amava uma liberdade que lhe permitiu construir a comunhão consigo mesmo, pela aceitação das próprias limitações que o levaram a tratar até mesmo a morte com o carinhoso nome de irmã.

Amava a liberdade que lhe permitiu construir a comunhão com as criaturas do universo: o irmão sol, a irmã lua, as irmãs estrelas, o irmão vento, a irmã nuvem, a irmã água, o irmão fogo, a irmã terra. Amava a liberdade que lhe permitiu construir a comunhão com o outro. Só Deus merece maior amor que o próximo, seja pecador, inimigo, ladrão; o leproso é imagem de Cristo; todo frade é um irmão, um filho e também mãe; há uma simpatia em cada pessoa. Finalmente amava uma liberdade que lhe permitiu construir a comunhão com Deus, aquele que simplesmente é pai, criador, altíssimo, o grande outro, o único desejável do coração humano. E foi quando se tornou livre que ele conseguiu amar e, assim, construir a comunhão consigo mesmo, com as criaturas, com o outro e com Deus.

A verdadeira conversão produz uma sensação de rompimento de algemas e cadeias e o sabor de libertação. Isto aconteceu com Francisco. Andava a cavalo num de seus passeios e de repente deparou-se com um leproso que, naquele tempo, costumava viver banido da convivência da sociedade.

No primeiro momento, reagiu movido pela repugnância, mas logo seu coração sentiu algo mais. Viu no leproso o próprio Cristo. Desmontou do cavalo, foi ao encontro do homem e beijou-lhe a mão. convencido de que beijava a mão do próprio Cristo.

No leproso viu alguém maior do que ele. Não lhe deu apenas uma esmola; deu a sua própria pessoa. Aí está o que é ser santo: é ser mais do que um herói. Herói é aquele que faz o que está no poder do homem. O santo, aquele que faz o que está no poder de Deus. O herói não tem a força do santo para beijar um leproso.

O poder de Deus, e somente ele, nos permite também fazer a opção pêlos pobres e é para esta opção que nos arrasta o exemplo do Poverello de Assis, que procurou viver, até as últimas conseqüências, "o Cristo pobre e crucificado". Para ele a pobreza, antes de significar a não-posse de bens, indica uma vida de partilha com os outros e, particularmente, com os últimos da sociedade. Nele admiramos o discípulo que não se envergonhou do Mestre e foi quem melhor o imitou na vivência da pobreza.

Um dia Francisco foi interpelado por irmão Masseo: "Por que tu? Por que todo mundo corre atrás de ti? Parece que todo mundo quer ver-te, quer obedecer-te. Não tens beleza, não és sábio, nem nobre! Como se explica isso?" Francisco respondeu com simplicidade: "Sabes, irmão Masseo, sabes por que todo mundo corre atrás de mim? É porque o Senhor não encontrou uma criatura mais miserável que eu para a obra admirável que Ele quer realizar. Foi por isso que Ele me escolheu. É para confundir a grandeza, a força, a beleza e a sabedoria".

Hoje podemos levantar a mesma pergunta: "Por que tu, Francisco?" E ouviremos a mesma resposta: "É para confundir os sábios e os poderosos deste mundo". A exemplo de Francisco, somos convidados a ter a missão de confundir, apoiando nossa fé não na sabedoria dos homens, mas sim no poder de Deus e testemunhando com nossa vida as palavras do Senhor Jesus: "Aquele que perder a vida por amor de mim, há de salvá-la".

A MISSA PARTE POR PARTE

SUGESTÃO: Sugerimos aos nossos amigos catequistas que realizem uma Missa comentada parte por parte com seus jovens. Como se dá essa Missa? Convida-se um Sacerdote para ministra-la. O celebrante então explica aos jovens cada parte da missa, como no texto abaixo, o que significa cada parte da Santa Missa. Para a Missa não se tornar muito extensa omite-se uma Leitura e o Salmo, o celebrante apenas explica essas partes. Enfim o próprio Sacerdote sabe quais são as partes que podem ser apenas explicadas e assim o faz. Quando realizamos essa Missa com os jovens, a comunhão é feita nas DUAS ESPÉCIES (pão e vinho). O resultado é surpreendente, vale a pena realizar essa Missa.

RITOS INICIAIS

Entrada do Celebrante

Vai começar a Celebração. É o nosso encontro com Deus, marcado pelo próprio Cristo. Jesus é o orante máximo que assume a Liturgia oficial da Igreja e consigo a oferece ao Pai. Ele é a cabeça e nós os membros desse corpo. Por isso nos incorporamos a Ele pra que nossa vida tenha sentido e nossa oração seja eficaz. Durante o canto de entrada, o padre acompanhado dos ministros, dirige-se ao altar. O celebrante faz uma inclinação e depois beija o altar. O beijo tem um endereço: não é propriamente para o mármore ou a madeira do altar, mas para o Cristo, que é o centro de nossa piedade.

Saudação

O padre dirige-se aos fiéis fazendo o sinal da cruz. Essa expressão "EM NOME DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO", tem um sentido bíblico. Nome em sentido bÍblico quer dizer a própria pessoa. Isto é iniciamos a Missa colocando a nossa vida e toda a nossa ação nas mãos da Santíssima Trindade.

O sinal da cruz, significa que estamos na presença do Senhor e que compartilhamos de Sua autoridade e de Seu poder.

Ato penitencial

O Ato Penitencial é um convite para cada um olhar dentro de si mesmo diante do olhar de Deus, reconhecer e confessar os seus pecados, o arrependimento deve ser sincero. É um pedido de perdão que parte do coração com um sentido de mudança de vida e reconciliação com Deus e os irmãos.

E quando recitamos o Rito Penitencial, ficamos inteiramente receptivos à sua graça curativa: o Senhor nos perdoa, nos abrimos em perdão e estendemos a mão para perdoar a nós mesmos e aos outros.

Ao perdoar e receber o perdão divino, ficamos impregnados de misericórdia: somos como uma esponja seca que no mar da misericórdia começa a se embeber da graça e do amor que estão à nossa espera. É quando os fiéis em uníssono dizem: “Senhor, tende piedade de nós!”

Hino de louvor

O Glória é um hino de louvor à Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. No Glória (um dos primeiros cânticos de louvor da Igreja), entramos no louvor de Jesus diante do Pai, e a oração dEle torna-se nossa. Quando louvamos, reconhecemos o Senhor como criador e Seu contínuo envolvimento ativo em nossas vidas. Ele é o oleiro, nós somos a argila (Jer 18-6). Louvemos!

Nós temos a tendência a nos voltar para a súplica, ou seja, permanecemos no centro da oração. No louvor, ao contrário, Jesus é o centro de nossa oração. Louvemos o Senhor com todo o nosso ser, pois alguma coisa acontece quando nos esquecemos de nós mesmos. No louvor, servimos e adoramos o Senhor.

OREMOS

A oração é seguida de uma pausa este é o momento que o celebrante nos convida a nos colocarmos em oração. Durante esse tempo de silêncio cada um faça Mentalmente o seu pedido a Deus. Em seguida o padre eleva as mãos e profere a oração, oficialmente, em nome de toda a Igreja. Nesse ato de levantar as mãos o celebrante está assumindo e elevando a Deus todas as intenções dos fiéis. Após a oração todos respondem AMÉM, para dizer que aquela oração também é sua.

LITURGIA DA PALAVRA

Após o AMÉM da Oração, a comunidade senta-se mas deve esperar o celebrante dirigir-se à cadeira. A Liturgia da Palavra tem um conteúdo de maior importância, pois é nesta hora que Deus nos fala solenemente. Fala a uma comunidade reunida como "Povo de Deus". A Palavra explicada, nosso compromisso com Deus, nossas súplicas e ofertas.

Primeira leitura

E quando se inicia a Liturgia da Palavra, peçamos ao Espírito Santo que nos fale por intermédio dos versículos bíblicos: que as leituras sejam para nós palavras de sabedoria, discernimento, compreensão e cura.

A Primeira Leitura geralmente é tirada do Antigo Testamento, onde se encontra o passado da História da Salvação. O próprio Jesus nos fala que nele se cumpriu o que foi predito pelos Profetas a respeito do Messias.

Salmo responsorial

Salmo Responsorial antecede a segunda leitura, é a nossa resposta a Deus pelo que foi dito na primeira leitura. Ajuda-nos a rezar e a meditar na Palavra acabada de proclamar. Pode ser cantado ou recitado.

Segunda leitura

A Segunda Leitura é tirada das Cartas, Atos ou Apocalipse. As cartas são dirigidas a uma comunidade a todos nós.

Canto de aclamação ao Evangelho

Terminada a Segunda Leitura, vem a Monição ao Evangelho, que é um breve comentário convidando e motivando a Assembléia a ouvir o Evangelho. O canto de Aclamação é uma espécie de aplauso para o Senhor que via nos falar.

Evangelho

Toda a Assembléia está de pé, numa atitude de expectativa para ouvir a Mensagem. A Palavra de Deus solenemente anunciada, não pode estar "dividida" com nada: com nenhum barulho, com nenhuma distração, com nenhuma preocupação. É como se Jesus, em Pessoa, se colocasse diante de nós para nos falar.

A Palavra do Senhor é luz para nossa inteligência, paz para nosso Espírito e alegria para nosso coração.

Homilia

É a interpretação de uma profecia ou a explicação de um texto bíblico. A Bíblia não é um livro de sabedoria humana, mas de inspiração divina. Jesus tinha encerrado sua missão na terra. Havia ensinado o povo e particularmente os discípulos.

Tinha morrido e ressuscitado dos mortos. Missão cumprida! Mas sua obra da Salvação não podia parar, devia continuar até o fim do mundo. Por isso Jesus passou aos Apóstolos o seu poder recebido do pai e lhes deu ordem para que pregassem o Evangelho a todos os povos. O sacerdote é esse "homem de Deus". Na homilia ele "atualiza o que foi dito há dois mil anos e nos diz o que Deus está querendo nos dizer hoje".

Então o sacerdote explica as leituras. É o próprio Jesus quem nos fala e nos convida a abrir nossos corações ao seu amor. Reflitamos sobre Suas palavras e respondamos colocando-as em prática em nossa vida.

Profissão de fé

Em seguida, os fiéis se levantam e recitam o Credo. Nessa oração professamos a fé do nosso Batismo.

A fé é à base da religião, o fundamento do amor e da esperança cristã. Crer em Deus é também confiar Nele. Creio em Deus Pai, com essa atitude queremos dizer que cremos na Palavra de Deus que foi proclamada e estamos prontos para pô-la em prática.

Oração da comunidade (Oração dos fiéis)

Depois de ouvirmos a Palavra de Deus e de professarmos nossa fé e confiança em Deus que nos falou, nós colocamos em Suas mãos as nossas preces de maneira oficial e coletiva. Mesmo que o meu pedido não seja pronunciado em voz alta, eu posso colocá-lo na grande oração da comunidade. Assim se torna oração de toda a Igreja.

E ainda de pé rogamos a Deus pelas necessidades da Igreja, da comunidade e de cada fiel em particular. Nesse momento fazemos também nossas ofertas a Deus.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Na Missa ou Ceia do Senhor, o Povo de Deus é convidado e reunido, sob a presidência do sacerdote, que representa a pessoa de Cristo para celebrar a memória do Senhor.

Vem a seguir o momento mais sublime da missa: é a renovação do Sacrifício da Cruz, agora de maneira incruenta, isto é, sem dor e sem violência. Pela ação do Espírito Santo, realiza-se um milagre contínuo: a transformação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo. É o milagre da Transubstanciação, pelo qual Deus mantém as aparências do pão e do vinho (matéria) mesmo que tenha desaparecido a substância subjacente (do pão e do vinho). Ou seja, a substância agora é inteiramente a do Corpo, Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, embora as aparências sejam a do pão e do vinho.

Procissão das oferendas

As principais ofertas são o pão e vinho. Essa caminhada, levando para o altar as ofertas, significa que o pão e o vinho estão saindo das mãos do homem que trabalha. As demais ofertas representam igualmente a vida do povo, a coleta do dinheiro é o fruto da generosidade e do trabalho dos fiéis. Deus não precisa de esmola porque Ele não é mendigo e sim o Senhor da vida. A nossa oferta é um sinal de gratidão e contribui na conservação e manutenção da casa de Deus. Na Missa nós oferecemos a Deus o pão e o vinho que, pelo poder do mesmo Deus, mudam-se no Corpo e Sangue do Senhor. Um povo de fé traz apenas pão e vinho, mas no pão e no vinho, oferece a sua vida. O sacerdote oferece o pão a Deus, depois coloca a hóstia sobre o corporal e prepara o vinho para oferecê-lo do mesmo modo. Ele põe algumas gotas de água no vinho simboliza a união da natureza humana com a natureza divina. Na sua encarnação, Jesus assumiu a nossa humanidade e reuniu, em si, Deus e o Homem. E assim como a água colocada no cálice torna-se uma só coisa com o vinho, também nós, na Missa, nos unimos a Cristo para formar um só corpo com Ele. O celebrante lava as mãos, essa purificação das mãos significa uma purificação espiritual do ministro de Deus.

Santo

Prefácio é um hino "abertura" que nos introduz no Mistério Eucarístico. Por isso o celebrante convida a Assembléia para elevar os corações a Deus, dizendo Corações ao alto"! É um hino que proclama a Santidade de Deus e dá graças ao Senhor.

O final do Prefácio termina com a aclamação Santo, Santo, Santo... é tirado do livro do profeta Isaías (6,3) e a repetição é um reforço de expressão para significar o máximo de santidade, embora sendo pecadores, de lábios impuros, estamos nos preparando para receber o Corpo do Senhor.

Consagração do pão e vinho


O celebrante estende as mãos sobre o pão e vinho e pede ao Pai que os santifique enviando sobre eles o Espírito Santo. Por ordem de Cristo e recordando o que o próprio Jesus fez na Ceia e pronuncia estas palavras "TOMAI...

O celebrante faz uma genuflexão para adorar Jesus presente sobre o altar. Em seguida recorda que Jesus tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente, e o deu a seus discípulos dizendo: "TOMAI...... "FAZEI ISTO" aqui cumpre-se a vontade expressa de Jesus, que mandou celebrar a Ceia.

"EIS O MISTÉRIO DA FÉ" Estamos diante do Mistério de Deus. E o Mistério só é aceito por quem crê.

Orações pela igreja

A Igreja está espalhada por toda a terra e além dos limites geográficos: está na terra, como Igreja peregrina e militante; está no purgatório, como Igreja padecente; e está no céu como Igreja gloriosa e triunfante.

Entre todos os membros dessa Igreja, que está no céu e na terra, existe a intercomunicação da graça ou comunhão dos Santos. Uns oram pelos outros, pois somos todos irmãos, membros da grande Família de Deus.

A primeira oração é pelo Papa e pelo bispo Diocesano, são os pastores do rebanho, sua missão é ensinar, santificar e governar o Povo de deus. Por isso a comunidade precisa orar muito por eles. Rezar pelos mortos é um ato de caridade, a Igreja é mais para interceder do que para julgar, por isso na Missa rezamos pelos falecidos. Finalmente, pedimos por nós mesmos como "povo santo e pecador".

Por Cristo, com Cristo e em Cristo

Neste ato de louvor o celebrante levanta a Hóstia e o cálice e a assembléia responde amém.

RITO DA COMUNHÃO

Pai nosso

Jesus nos ensinou a chamar a Deus de Pai e assim somos convidados a rezar o Pai-Nosso. É uma oração de relacionamento e de entrega. Ao nos abrirmos ao Pai, uma profunda sensação de integridade e descanso toma conta de nós. Como cristãos, fazer a vontade do Pai é tão importante para nosso espírito quanto o alimento é para nosso corpo.

O Pai Nosso, não é apenas uma simples fórmula de oração, nem um ensinamento teórico de doutrina. Antes de ser ensinado por Jesus, o Pai-Nosso foi vivido plenamente pelo mesmo Cristo. Portanto, deve ser vivido também pelos seus discípulos.

Com o Pai Nosso começa a preparação para a Comunhão Eucarística. Essa belíssima oração é a síntese do Evangelho. Para rezarmos bem o Pai Nosso, precisamos entrar no pensamento de Jesus e na vontade do Pai. Portanto, para eu comungar o Corpo do senhor na Eucaristia, preciso estar em "comunhão" com meus irmãos, que são membros do Corpo Místico de Cristo.

Pai Nosso é recitado de pé, com as mãos erguidas, na posição de orante.

Pode também ser cantado, mas sem alterar a sua fórmula. após o Pai Nosso na Missa não se diz amém pois a oração seguinte é continuação.

A paz

Após o Pai-Nosso, o sacerdote repete as palavras de Jesus: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”.

A paz é um dom de Deus. É o maior bem que há sobre a terra. Vale mais que todas as receitas, todos os remédios e todo o dinheiro do mundo. A paz foi o que Jesus deu aos seus Apóstolos como presente de sua Ressurreição.

Que paz é essa da qual fala Jesus? É o amor para com o próximo. Às vezes vamos à Igreja rezar pela paz no mundo, mas não estamos em paz conosco ou com nossas famílias. Não nos esqueçamos: a paz deve começar dentro de nós e dentro de nossas casas.

Assim como só Deus pode dar a verdadeira paz, também só quem está em comunhão com Deus é que pode comunicar a seus irmãos a paz.

Fração do pão

O celebrante parte da hóstia grande e coloca um pedacinho da mesma dentro do cálice, que representa a união do Corpo e do Sangue do Senhor num mesmo Sacrifício e mesma comunhão.

Cordeiro de Deus

Tanto no Antigo como no Novo Testamento, Jesus é apresentado como o "cordeiro de Deus". Os fIéis sentem-se indignos de receber o Corpo do Senhor e pedem perdão mais uma vez.

Comunhão

A Eucaristia é um tesouro que Jesus, o Rei imortal e eterno, deixou como MIstério da Salvação para todos os que nele crêem. Comungar é receber Jesus Cristo, Reis dos Reis, para alimento de vida eterna.

À mesa do Senhor recebemos o alimento espiritual

A hora da Comunhão merece nosso mais profundo respeito, pois nos tornamos uma só coisa em Cristo. E sabemos que essa união com Cristo é o laço de caridade que nos une ao próximo. O fruto de nossa Comunhão não será verdadeiro se não vemos melhorar a nossa compaixão, paciência e compreensão para com os outros.

Modo de comungar

Quem comunga recebendo a hóstia na mão deve elevar a mão esquerda aberta, para o padre colocar a comunhão na palma da mão. O comungaste imediatamente, pega a Hóstia com a direita e comunga ali mesmo na frente do padre ou ministro. Ou direto na boca.

Quando a comunhão é nas duas espécies, ou seja, pão e vinho é diretamente na boca.

Pós comunhão

Depois de comungar temos alguns preciosos minutos em que Nosso Senhor Jesus Cristo nos tem, poderíamos dizer, abraçados. Perguntemos corajosamente: Senhor, que queres que eu faça? E estejamos abertos para ouvirmos a resposta. Quantos milagres e quantas curas acontecem nesse momento em que Deus está vivo e presente em nós!

Rito final

Seguem-se a Ação de Graças e os Ritos Finais. Despedimo-nos, e é nessa hora que começa nossa missão: a de levar Deus àqueles que nos foram confiados, a testemunhar Seu amor em nossos gestos, palavras a ações.

Como receber a benção

É preciso valorizar mais e receber com fé a benção solene dada no final da Missa. E a Missa termina com a benção.

Qual a parte mais importante da Missa?

É justamente agora a parte mais importante da Missa, quando Ela se acaba, pois colocamos em prática tudo aquilo que ouvimos e aprendemos durante a celebração, enfim quando vivenciamos os ensinamentos de Deus Pai.