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FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sábado, 7 de agosto de 2010

SER PAI

VIVER NA DEFENSIVA

O comportamento defensivo se externa quando a pessoa, através de suas desconfianças, percebe perigo no grupo, desgastando assim suas energias numa autodefesa - que pode ser inútil, se o perigo não for real e não passar de uma "encucação" da pessoa. Nesta óptica, dividimos as pessoas em dois tipos. De um lado, temos as pessoas naturais, seguras, que enfrentam os desafios e são mais sinceras. Sabem moldar-se às necessidades, porque acreditam em si próprias. Não que deixem de sentir as injustiças, mas vão caminhando em meio a elas, vão caindo e se levantando, aprendendo, amadurecendo e trocando idéias. E dessa forma que se realiza a troca afetiva.
De outro lado, há pessoas inseguras ou medrosas, que nunca estão no seu natural. Colocam-se sempre na defensiva, preocupadas consigo mesmas, num esforço desmedido em saber como estão sendo vistas pêlos outros, como devem fazer para serem identificadas de forma mais favorável: como vencer, impressionar, manter-se impune ou, então, como reduzir ou evitar um ataque por antecipação.
As pessoas soltas, menos preocupadas com o seu mundinho, mostram sempre o que são. Se agradam, ótimo. Se não agradam, não se desesperam. O que não as impede de se questionarem sobre possíveis falhas em seu comportamento. Elas têm capacidade de reconhecer o próprio erro e voltar atrás, pela consciência profunda de seus limites humanos.
Mas há o reverso da medalha. Determinadas pessoas são sempre "as tais". Como donas da verdade, não admitem nada que contrarie seu modo de pensar e ser. Querem que os outros ajam pela cabeça delas, ao mesmo tempo que usam a defesa para não serem atacadas. Só que a melhor atitude perante a vida é a sinceridade. Se alguém errou, por que não admitir o próprio erro? Se ninguém é perfeito, por que justificar-se o tempo todo ou abusar das justificativas para mostrar-se diferente do que na verdade é? Quem se justifica continuamente não tem fibra, responsabilidade, respeito pêlos outros. Desgasta de tal forma as desculpas, que ninguém mais acredita nelas.
O defensivo sempre pensa que os outros são bobos. Não quer dar o braço a torcer em determinadas circunstâncias, para não mostrar suas fraquezas. E, ao tentar enganar os outros, engana-se a si mesmo. Mas em pior situação está aquele que, além de colocar-se na defensiva, é agressivo. Externa, com esse procedimento, as frustrações, angústias e mágoas que carrega dentro de si. Esquece-se de que ninguém deve pagar pelo seu mau-humor. Essas pessoas costumam gritar primeiro para impressionar, tentando encobrir a falta de
regam em seu íntimo.
O esforço para ser verdadeiro sempre foi e é válido. Se todos parassem para refletir sobre a própria vida, descobririam as razões pelas quais andam tão agressivos, mau-humorados, chatos, fofoqueiros, "cutuquentos", tão do lado errado. É só parar para pensar, e essas pessoas descobrirão as falhas dentro de si. Um bom parâmetro é este: se dez pessoas estão contra mim, impossível que só eu esteja certo. No momento em que ocorre essa constatação, é hora de fazer auto-análise e ver as razões disso.
Inúmeras pessoas queixam-se de que tudo lhes sai errado na vida. Deve haver uma causa para esse azar todo. Há coisas que não dão certo mesmo. Mas algumas saem erradas por culpa da própria pessoa. De quem quer que seja a culpa pelo fracasso, é importante que a pessoa malsucedida naquele momento não desconte seus infortúnios em cima de quem convive com ela, usando parentes e amigos como bodes expiatórios. O que ela deve fazer é manter a serenidade, ter paciência e ir consertando os desvios de rota que aconteceram.
No mundo dos defensivos, existem dois tipos de pessoas: a melosa e a agressiva. As duas assumem atitudes errôneas. A melosa apela para a chantagem emocional, fazendo-se de vítima quando deseja esconder-se atrás de uma desculpa. Agindo assim, pensa que impressiona ou comove seu interlocutor. Ledo engano. Ninguém é tão bobo a ponto de acreditar todos os dias em desculpas esfarrapadas. Enganar algumas vezes é até possível. Mas sempre, não.
Os que se colocam na defensiva através da agressividade não querem se sentir expostos (e por isso criam uma barreira de medo que afasta as pessoas) ou desejam impressionar de alguma forma aqueles que deles se aproximam. Esses ficarão sozinhos na vida. No começo, acharão bom, mas depois concluirão que convivência não é isolamento.
Há outra forma de agredir: a daqueles que ficam sempre "em cima do muro", tentando levar vantagem e tirar partido dos dois lados. Esses são uns coitados. Têm um trabalho insano para se equilibrar entre duas posições e, no final, desagradam a todos e a si mesmos. Agradar a gregos e troianos é algo que ninguém nunca conseguiu.
Na vida há coisas boas e más, das quais gostamos ou não. Há sonhos frustrados, empenhos não gratificados. Essa é a condição do ser humano. Em meio a tantas vicissitudes e divergências, o que vale é a vontade, o querer. O modo de viver em sociedade deveria brotar dessa vontade de querer ser sempre sincero, legal, sem artifícios nem "armações". Seria bem mais fácil viver.

CRISE DE VALORES

Parece que o mundo está de pernas para o ar. A gente olha para os lados e vê que os bons não chegam a lugar nenhum. E enquanto isso, os espertos, os desonestos e os indolentes quase sempre arranjam um "jeitinho" de passar a perna nos outros e levar a melhor. O "jeitinho" brasileiro já virou até folclore, e as notícias de corrupção envolvendo políticos nem chegam a causar espanto.

É claro que nem todo mundo é desonesto, mas, diante do relaxamento dos padrões de honestidade, hoje em dia todos nós acabamos nos vendendo um pouco. As pessoas se defendem, dizendo que são honestas porque não matam nem roubam, mas fazem vista grossa para os pequenos deslizes. Se estão com pressa, estacionam o carro num local proibido ou formam fila dupla no meio da rua, atrapalhando o trânsito. A mesma coisa acontece com os atrasos -"vou chegar atrasado porque todo mundo chega" -, e assim por diante: "vou cobrar acima da inflação porque todo mundo cobra", "vou fazer um favor para ele, mas em troca quero uma vantagem para mim".
E assim, quase sem perceber, cada um de nós é um pouco culpado pelo fato de o mundo estar de pernas para o ar. Isso é o resultado dos pequenos (e dos grandes) exemplos que cada um vai dando. Pois o comportamento humano resulta do meio ambiente, que, ao transmitir exemplos e valores, confere uma visão de mundo para a pessoa. Além desse fator, existe uma predisposição genética, que constitui a índole da pessoa, mas é o meio ambiente que molda essa índole para o lado positivo ou negativo. Como exigir que nossas crianças introjetem os verdadeiros valores, se nós mesmos não damos o exemplo?
É certo que isso não depende só de nós. A inversão de valores toma conta de toda a sociedade e de suas instituições - começando na família e nas empresas e terminando no governo da cidade, do estado e do País. Trata-se de uma crise de valores. Até os mais velhos, formados sob uma moral rígida, estão se acomodando.
A falta de respeito é generalizada. Muitos jovens não respeitam os adultos. E muitos adultos abusam nos cargos de comando - na família, nas empresas, nas repartições. A mesma coisa acontece com as escolas, que hoje limitam-se a informar - e não mais a formar os jovens. A crise de valores decorrente das rápidas transformações do mundo moderno é um fenômeno mundial.
E os meios de comunicação que visam ao lucro e à satisfação imediata acabam se aproveitando. As novelas fazem apologia do sexo sem responsabilidade, que transforma as pessoas em objetos, numa espécie de liquidação de mercadorias baratas. Glorificando o egoísmo, elas também valorizam a vingança, a mentira e a truculência, justificando os fins pêlos meios.
Isso acontece na televisão, na publicidade, nas músicas, no rádio, no cinema, nos jornais, livros e revistas. Alguns técnicos da publicidade afirmam que o sexo, principalmente o permissivo, aumenta a impulsividade das pessoas, ampliando seus impulsos para
comprar supérfluos e tornando-os mais manipuláveis. Eis a razão de tanto barulho.
Mas é fácil verificar que esse mundo sem moral, em que os maus sempre triunfam, também não corresponde à realidade total da vida. Os bons sentimentos existem, assim como as boas ações. A maldade também sempre existiu, e é tão velha quanto o mundo. Hoje se fala na falência da família, por exemplo. Mas os próprios meios de comunicação que apregoam isso também noticiam os menores abandonados, apresentando-os como sofredores, que de fato são. Depreende-se daí que a família continua sendo imprescindível - embora só se fale de sua necessidade nos casos em que ela falta.
A mesma coisa acontece com o sexo. Todos sabem que ele só tem sentido verdadeiro como um encontro de duas pessoas na plenitude do amor. E amor é comunicação, é compromisso, é lealdade.
Num mundo dominado pela Ciência e pela tecnologia, o homem mergulhou muito no concreto e perdeu um pouco de sua vida espiritual, de sua fé. Mas ela continua existindo. E pode lhe dar forças para enfrentar essas transformações e torná-las positiva. É preciso que cada um procure os verdadeiros valores dentro de si. Todos sabemos o que é certo e o que é errado.
Mais do que nunca, é necessário fortalecer as sementes boas. Elas germinarão. Nós reclamamos dos erros dos outros, mas não consertamos os nossos. E é por aí que devemos começar. Vencendo o egoísmo, poderemos fazer coisas boas em benefício da coletividade. Elas acabarão recaindo sobre nós. Basta que respeitemos os nossos princípios, tenhamos firmeza em nossas crenças e demonstremos isso em nossos atos concretos. Essa deve ser a contribuição de cada um para um mundo melhor

PAI, PAIZÃO


Este homem que eu admiro tanto,

com todas as suas virtudes e também com seus limites.
Este homem com olhar de menino, sempre pronto e atento,
mostrando-me o caminho da vida, que está pela frente.
Este mestre contador de histórias
traz em seu coração tantas memórias,
espalha no meu caminhar muitas esperanças,
certezas e confiança.
Este homem alegre e brincalhão,
mas também, às vezes, silencioso e pensativo,
homem de fé e grande luta,
sensível e generoso.
O abraço aconchegante a me acolher, este homem,
meu pai, com quem aprendo a viver.
Pai, paizinho, paizão...
meu velho, meu grande amigão, conselheiro e leal amigo:
infinito é teu coração.
Obrigado, pai, por orientar o meu caminho,
feito de lutas e incertezas,
mas também de muitas esperanças e sonhos!
Que seu dia seja muito feliz!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

COMPLEXO DE CULPA

Quando se fala em complexo de culpa, todos se sentem mais ou menos atingidos. Mas há complexos e complexos. Uma pessoa pode se sentir culpada por haver prejudicado alguém ou se omitido em coisas sérias voluntariamente no passado, e esse sentimento lhe está pesando na consciência até hoje. Há dois aspectos a serem considerados: o do arrependimento, por ter procedido dessa forma, e o do não-arrependimento, mesmo depois de constatar que praticou o mal.

No primeiro caso, existe uma grande mágoa que impede a pessoa de viver feliz, pois a culpa machuca-lhe a alma. No segundo, ela não se arrependeu do que fez ou deixou de fazer, mas inconscientemente carrega a culpa que a fere, incomodando-a, mesmo que demonstre não se importar com isso. As vítimas do primeiro caso têm uma tristeza de fundo; já as do segundo, sentem medo de não evoluírem e de serem castigadas.
O complexo de culpa mais comum e que preocupa mais é aquele que a pessoa nutre em relação a si. Traduz-se numa mágoa profunda, depressão e sentido de vazio. Alguns impulsos, neuroses e complexos são ocasionados por situações não resolvidas quando aconteceram. Por exemplo: uma frustração não digerida pode acarretar mil problemas para uma pessoa. Por essa razão, tudo o que a está prejudicando psicologicamente precisa ser levado em conta, admitido. Deve buscar a causa do problema para ser tratada, a fim de posicionar-se de forma diferente perante a vida. Também não adianta só _ saber os motivos de um complexo. É preciso pôr mãos à obra, lutando contra ele e aceitando uma nova verdade; vendo que aquilo que a prejudicou não foi bom, mas aconteceu num determinado período da vida e nem por isso se repetirá indefinidamente.
As vezes, alguém carrega um complexo de culpa pela vida afora porque lá atrás, na infância, deixou de fazer uma lição, passou uma -vergonha em público, sentiu-se incapaz, não soube lutar e não engoliu aquela frustração. O que acontece no passado tem reflexos no presente: são neuroses não digeridas. Uma vez aceitas e trabalhadas, a pessoa deslancha.
O melhor caminho para alguém vencer a si próprio é procurar um bom profissional , com condições de fazê-lo chegar às causas dos obstáculos, até em nível de inconsciente. Há, porém, os que não têm possibilidades de apelar para um psicólogo, mas dispõem de uma boa dose de força de vontade. Para esses, o importante é analisar-se e dizer: "Sinto-me prejudicado por atitudes ou omissões do passado. Mas a partir de hoje não quero mais deixar-me influenciar por isso. Vou lutar contra esse sentimento, caminhar devagarinho em todas as direções, acreditando que vou realizar essa mudança em mim, pois tenho o direito de ser feliz e de usufruir da vida. Não é por causa de um erro cometido no passado que devo culpar-me para o resto da vida".
Quem vive se lamuriando refugia-se atrás de uma desculpa esfarrapada. Omitiu-se, mas pode realizar agora. Errou, mas pode consertar o erro. Demonstra covardia e fraqueza quem
vive fugindo de si mesmo. E hora de levantar a cabeça, dar a volta por cima e não errar mais. Mas é preciso muita coragem para tomar essa decisão, porque se desacomodar é muito mais difícil. Há outro detalhe.
A pessoa que nutre um sentimento de culpa é um tanto masoquista. Gosta de ser vista como vítima - para chamar a atenção. Mas é bom lembrar: aquele que se acomoda, continua cada vez mais no complexo, na neurose, no medo. Não adianta tapar o sol com a peneira. É necessário admitir a verdade e encontrar o caminho para a saída. Só os esforçados e fortes o conseguirão.
Está provado cientificamente que o ser humano é produto das cargas genética, espiritual e do meio ambiente. Seu modo de agir varia de acordo com sua essência e a do meio em que vive. Sente-se mais protegido, por exemplo, a pessoa que provém de uma família sadia, que se norteia por princípios sólidos. Mesmo atingido pêlos reflexos de uma sociedade doente, reúne condições de julgar entre o certo e o errado e optar pelo bem. Sabe se proteger e tem autocrítica. Não é porque o mundo está selvagem e os homens cada vez mais ambiciosos, sem escrúpulos e corruptos que a pessoa se deixará contaminar.Está faltando no mundo de hoje justamente o amor que vem de dentro, que brota da fé.
O cristão acredita que é filho de Deus e deve assemelhar-se a Jesus Cristo, seu irmão maior. Mas para atingir esse objetivo, precisa superar muitos obstáculos. Até Jesus os enfrentou. É claro que não conseguirá ser exatamente igual a ele, mas dentro de suas capacidades e limitações chegará a um grau que reproduza o melhor de si. Por isso, não adianta ficar olhando para o outro e invejando-o. É fundamental cada um olhar para dentro de si a fim de encontrar a melhor forma de realizar seu ideal e vencer as frustrações

MEDOS E FOBIAS

As pessoas normais costumam ter todas as emoções - angústia, raiva, alegria, tristeza - em escala maior ou menor, dependendo da idade, das circunstâncias, da educação, da carga espiritual. Esse fenômeno acontece também com o medo. Ele varia desde um medo pequeno ao medo desmedido, incontrolável, recebendo, quando atinge esse estágio de descontrole, o nome de fobia ou síndrome do pânico.

A sensação de medo diante de algo novo e desconhecido é normal e faz parte da vida. Há quem tenha medo de baratas, de viajar de avião, de andar de elevador e de metro, de ficar no escuro ou trancado em algum lugar, de multidão - e a ladainha continuaria interminável se fossem enumerados os tipos de medo existentes e a forma pela qual se manifestam.
O medo é uma reação normal, possível de ser enfrentada com menor ou maior facilidade. Há dias em que estamos cheios de coragem e até desafiadores. Em outros, com o emocional abalado por um problema qualquer, somos a fragilidade personificada diante do mínimo contratempo. Geralmente, é nesses momentos que o medo toma vulto, as angústias, frustrações, incertezas se apossam de nós - e todo o negativo interior existente vem à tona.
Vale aqui uma comparação. Há pessoas que têm medo de contrair doenças incuráveis. Num momento de maior fraqueza física ou emocional, esse medo se avoluma de tal forma que elas passam a sentir os sintomas da doença simplesmente porque estão com dor de cabeça. Mas, quando o físico e o psíquico estão bem, nada atrapalha a vida. Tudo é superado com a maior facilidade. O mesmo ocorre com o medo.
Ao se falar em fobia, é preciso distinguir os medos domináveis dos incontroláveis. Mas são tantos os ingredientes que compõem essa distinção, que só através do diálogo com os atingidos por tais males é possível conhecer sua história e a razão pela qual chegaram ao extremo de não se controlarem quando os maus sentimentos os assaltam. Assim é mais fácil traçar uma diretriz ou alternativa para desbloquear e desneurotizar suas atitudes, para ajudá-los a levar uma vida normal.
A fobia nada mais é que um medo exacerbado. Quando ele é concreto e sua causa conhecida, é possível vencê-lo através da conscientização. Mas se é um medo abstrato, descomunal, incontrolável, acarretando crises seguidas, é hora de se tomar providências. Quem se encaixa nessa definição deve procurar um especialista para se conhecer melhor, saber suas verdades e descobrir as causas desse pavor irracional, para não comprometer sua vida por causa dessas emoções. Chegar aos limites do medo é perigoso. Aliás, tudo é perigoso quando não sabemos as causas do que acontece conosco e não tentamos, de alguma forma, resolver o problema.
Seres humanos que somos, jamais conseguiremos superar todas as nossas limitações. E importante, no entanto, não se acomodar, mas procurar saber as razões que levam a adotar determinados comportamentos prejudiciais, para não se deixar dominar por eles. Só assim os mais medrosos perceberão que os medos manifestados das mais variadas formas não passam de justificativas para se eximirem de enfrentar sentimentos mais profundos ali misturados.
Há também os que se escondem atrás do medo, justificando com isso sua inércia e comodismo por faltar-lhes garra e coragem para enfrentar os desafios da vida. Alguns casos têm atenuantes: problemas físicos, psíquicos e emocionais. Mas grande número de pessoas não trabalha seu medo para não se desinstalar da posição conquistada. Sair do comodismo requer luta, e é bem mais fácil esconder-se atrás de uma justificativa do que desacomodar-se. Nesse caso, o perigo de um comportamento negativo fossilizar-se reside na falta de consciência, que permite a instalação co-modista de atitudes negativas diante da vida, tornando a pessoa escrava de suas próprias emoções.
Os que se interessam em melhorar usam a inteligência para informar-se através de leituras, conversas, programas de rádio e televisão, a fim de conhecer-se mais. Através desse expediente, conseguem vencer as limitações de forma bastante positiva. Para tomar qualquer iniciativa basta querer. Também no campo psíquico essa máxima tem valor.
Se o problema do medo que acomete uma pessoa for sério e profundo e se tornou uma neurose, é preciso a ajuda de um profissional competente para ela sair dessa situação. Mas a pessoa de boa vontade consegue vencer sozinha 70% dos seus problemas, quando pára, analisa e tenta encontrar soluções. Esconder-se atrás deles é uma forma de fechar as portas da superação

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

SOLIDÃO

Ao longo de sua existência, cada ser humano precisa, às vezes, ficar só. Essa solidão é necessária para que a pessoa possa olhar-se, perceber-se, entender-se e estruturar-se, mesmo que estes sejam momentos difíceis e dolorosos.

No entanto este estar só não significa, de forma alguma, o verdadeiro sentimento de solidão, que se manifesta como uma situação muito mais sofrida e penosa, indicando que algum aspecto importante da vida não está sendo suprido satisfatoriamente, podendo trazer conseqüências drásticas para a saúde física e mental do indivíduo.
Esse estado de solidão traduz-se por um sentir-se estrangeiro no mundo, sem nenhuma identificação com ele e nenhum elo com as outras pessoas. Às vezes, isso causa uma depressão tão grande, que pode levar à loucura ou à morte, è deve-se entendê-lo não como uma situação física, mas como uma sensação psicológica.
Para exemplificar o que é essa sensação, pode-se imaginar a vida de uma pessoa qualquer. Suponha-se uma adolescente que é alegre, comunicativa e que nunca se sentiu sozinha, mesmo quando está a sós em seu quarto. Um dia, por exemplo, ela descobre que está grávida; não sabe o que fazer e não tem coragem de repartir seu problema com mais ninguém.
Mesmo cercada por seus pais, amigas e professores, ela se sente, pela primeira vez em sua vida, terrivelmente só. Seu segredo a separa das outras pessoas, e até o fato de contá-lo ou não para alguém depende de uma decisão unicamente sua. Ninguém poderá ajudá-la.
Certamente, esse tempo a sós é importante para que ela possa situar-se diante da nova situação. Se ela tiver confiança em si mesma e nas pessoas que a cercam, conseguirá abrir-se, repartindo seu problema e aliviando-se do peso que carrega sozinha. Se não encontrar essa confiança nem a compreensão dos outros, poderá se isolar mais, construindo uma barreira à sua volta, consolidando sua solidão.
Dentro dela poderá se formar um muro que a separará definitivamente das outras pessoas, modificando sua convivência com elas.
Por isso, o psicólogo clínico Olegário de Godói define a solidão como uma torre que a pessoa constrói em volta de si mesma. Só que, quando a torre fica pronta, a pessoa percebe que se esqueceu de fazer portas e janelas, vendo-se completamente isolada, incomunicável dentro dela.
UMA CONDIÇÃO DE TODO SER HUMANO
Toda pessoa é limitada por seu próprio corpo. Fisicamente, ela termina onde acaba sua pele e, durante toda sua vida, carrega a si mesma, mas não pode carregar ou conter nenhum outro. "Ontologicamente, por sua própria natureza física, o ser humano é solitário. Entra no mundo, faz sua trajetória por ele e também o deixa completamente sozinho.
Há certas situações que são vivenciadas apenas dentro de cada um, e, por maior que seja a união entre duas pessoas, há o limite do próprio corpo, que impede a interação total entre elas" — explica dr. Olegário.
Ao mesmo tempo, o ser humano é também essencialmente gregário, como qualquer outro animal. À natureza fez dele um ser social, presenteando-o, dessa forma, com o recurso que lhe permite superar a solidão. Cada indivíduo, portanto, tem necessidade de se relacionar com os outros, de fazer parte de um grupo, de sentir-se unido ao todo, repartindo-se com seus semelhantes, para não cair num isolamento nocivo e destrutivo.
O meio que possibilita satisfazer essa necessidade humana é a comunicação, que só ocorrerá de maneira plena e verdadeira quando estiver fundamentada no amor.
Quanto maior a capacidade, a liberdade e as oportunidades de comunicação — de repartir sentimentos, emoções e impressões pessoais —, menos solitária a pessoa se sentirá. "O homem supera sua solidão ontológica quando vive num ambiente favorável às relações, que o deixa à vontade para trocas e diálogos. Mas, quando vive num meio adverso, que tolhe sua capacidade de comunicação, sente clara e aterradoramente sua condição existencial solitária" — diz o psicólogo.
Eis, portanto, o segredo capaz de abrir as portas da torre habitada pêlos solitários. Porém a comunicação não constitui uma tarefa tão fácil e simples. Existem inúmeros fatores que impedem ou dificultam sua concretização, sustentando um exército de pessoas que vivem sozinhas e solitárias no mundo.
MEDO: A MAIOR BARREIRA
Muitos indivíduos fracassam na difícil e complicada missão, dada a todo ser humano, de sair de si mesmo em busca do outro. Inúmeros e diferentes motivos contribuem para que isso ocorra com freqüência.
De um lado, busca-se a interação com alguém, que sempre se apresenta como um outro mundo, estranho, indecifrável e misterioso, do qual teme-se a aproximação. De outro, grande parte das pessoas não aprendeu a expressar seus próprios sentimentos, seu "eu" verdadeiro, escondendo-se o tempo todo de si mesmas e dos outros.
Às vezes, é o receptor que interpreta erroneamente a mensagem recebida e, baseando-se em seus próprios códigos, cria barreiras à comunicação. Em outras ocasiões, o emissor é quem não consegue enviar mensagens límpidas e claras, revelar suas reais intenções e fazer-se entender.
As crianças e os jovens, por exemplo, são naturalmente muito espontâneos em seus contatos pessoais, não colocando obstáculos à comunicação. Mas essa espontaneidade vai sendo podada com o tempo; padrões de comportamento vão sendo impostos e barreiras vão sendo construídas. O medo de se expor demais, de não ser bem aceito e compreendido, e tantos outros medos cortam a autenticidade da comunicação e atrapalham os relacionamentos, isolando as pessoas umas das outras. Pode-se até dizer que são esses medos as principais causas da solidão.
"Quando alguém se comunica, comunica a si mesmo" — argumenta dr. Olegário.
"Comunicar-se, portanto, significa dar-se, revelar-se, o que constitui sempre um risco. Existe, então, muito medo de dar-se, ficando a comunicação num nível superficial, ilusório, que não tira ninguém da solidão."
Por isso, um indivíduo pode sentir-se solitário, mesmo que viva no meio de muitas pessoas. Quando não há profundidade nos relacionamentos e acolhimento entre as pessoas, a comunicação não as satisfaz. A proximidade física, por si só, não significa nada. É necessário construir pontes de diálogo, no qual cada um sente-se valorizado, compreendido, aceito e recebido sem interpretações distorcidas, falsas ou preconceituosas.
RETIRANDO UMA PEDRA...
A sensação de solidão não surge de uma hora para outra. Esta é uma torre construída com uma pedrinha colocada hoje, um tijolo amanhã, até que o indivíduo se percebe preso lá dentro.
Muitas vezes a torre foi construída pêlos outros ou por uma circunstância, e a pessoa foi jogada lá dentro sem querer. Por isso é necessário ficar atento, destruindo a primeira pedrinha que aparecer, pois a solidão, com certeza, trará danos profundos para a vida e a saúde.A socialização, fator importante para que cada um aprenda a conviver e a confiar nos outros, nem sempre ocorre de maneira adequada, contribuindo para que se formem pessoas arredias e solitárias.
Muitas proibições, falta de amor e compreensão dos pais favorecem a tendência ao isolamento. Uma doença prolongada, responsabilidades assumidas muito cedo ou superproteção também podem impedir o desenvolvimento normal da socialização.
Existem, também, alguns indivíduos que são naturalmente mais introvertidos, e qualquer condição adversa leva-os a retraírem-se ainda mais. Esses costumam criar um mundo à parte: vivem fantasias intensas, que acreditam ser reais; apegam-se a bichinhos de estimação; comunicam-se com livros, objetos ou visões, para se defenderem de sua dolorosa solidão.
No entanto, deve-se evitar tal isolamento, não permitindo que os medos ganhem espaço, buscando ajuda de alguém e abrindo portas para o encontro com outros. Todos os seres humanos precisam de companhia, e não se pode ficar a vida inteira escondendo-se. Por isso, é necessário um pouco de coragem para sair do esconderijo, mostrando-se aos outros.
"Se não encontramos receptividade em um determinado meio, sempre haverá uma outra platéia onde seremos bem aceitos" — propõe dr. Olegário —, "sempre haverá alguém disposto a nos ouvir, a compartilhar conosco alguns momentos e emoções verdadeiras, mas é preciso sair em sua busca."
"NÃO É BOM QUE O HOMEM ESTEJA SÓ"
Na verdade, sair sozinho de uma situação de solidão constitui uma tarefa quase impossível.
Mesmo depois de dar o primeiro passo, a pessoa solitária precisa da ajuda de uma outra, que se interesse por ela, que a trate com carinho e lhe inspire confiança. Sentindo essa mão amiga, consegue-se abandonar definitivamente a torre do isolamento. Por isso, os especialistas concordam que o amor é um fator essencial, pois só ele propicia a verdadeira comunicação, libertando as pessoas.
"Não é, de forma alguma, saudável viver solitário" — garante dr. Olegário, e recomenda: "Deve-se evitar a solidão como um câncer da alma, pois o homem não foi criado para estar só. Sua condição ontológica, que o confina dentro da própria pele, faz dele uma unidade isolada, como um grão de areia. Mas o grão de areia só se realiza plenamente quando é praia".
Finalmente, o psicólogo aconselha algumas atitudes, que podem ser tomadas por todos, como medidas preventivas contra a solidão. A primeira delas consiste em desenvolver os talentos, a inteligência e as habilidades, alargando o próprio mundo e adquirindo elementos que permitirão entrar em contato com outros mundos. Outra é participar de grupos — políticos, religiosos, esportivos ou culturais — que tenham a ver com a própria personalidade, criando oportunidades para encontros e convivências. Além disso, buscar dentro de si mesmo alegria e espontaneidade, que, com certeza, atrairão a amizade e companhia das outras pessoas.
Sem dúvida, esses comportamentos constituem antídotos eficazes e uma porta sempre aberta, impedindo o isolamento. Não se pode esquecer que todo ser humano foi criado para relacionar-se com seus semelhantes, com o mundo que o rodeia e com seu Deus.
A solidão indica que essa importante função humana não está sendo cumprida e que uma necessidade natural não está sendo satisfeita. Por isso ela é contrária à vida, que brota, se desenvolve, floresce e se renova com a comunicação, a partilha e o amor.

O MOMENTO CERTO PARA A CRITICA

A grande verdade é que ninguém gosta de receber críticas, mas, quando a hora é de ver e comentar os defeitos dos outros, dificilmente alguém perde a oportunidade de criticar. De qualquer forma, a convivência com as críticas exige uma grande dose de maturidade e equilíbrio. Elas significam um julgamento de valor ou um sentimento subjetivo de acordo com o ponto de vista de quem as faz.

Do lado de quem recebe críticas, as reações também são sempre subjetivas. Há momentos em que são até bem-vindas - a pessoa está mais aberta e as aproveita para se reformular. Em outros, a crítica provoca vergonha, raiva, irritação e depressão.
Há pessoas que reagem a ela com o sentimento de "deixa pra lá"; outras, porém, se arrasam. Se o criticado é forte, consciente de seu próprio valor, saberá receber a crítica naturalmente, sem grandes sofrimentos. Pode até se contrariar e rebater, mas não se sentirá derrubado nem agredido. Porém, se a pessoa estiver atravessando uma fase difícil de sua vida ou for alguém inseguro e complexado, a crítica é péssima e vai de fato machucar.
Qualquer ser humano tem o direito de emitir suas opiniões diante de um comportamento, de uma atitude ou de uma realização do outro. Entretanto, ninguém pode arrasar algo só porque não gostou ou destruir outro ser humano só pelo prazer de ver a sua ruína. Nesse sentido, é necessário separar bem as duas formas de crítica: a construtiva, feita por amor, com carinho e interesse pelo outro; e a destrutiva, feita com ódio ou rancor, para agredir, derrubar e humilhar.
Há críticas maravilhosas, belíssimas. Elas nem seriam críticas, mas verdades ditas em momentos de encontro, de orientação, de ajuda, de troca. Quem critica bem, critica a sós. Chama o outro e diz: "Olha, assim não tá legal. Você tem capacidade de fazer diferente, de fazer melhor. Que tal tentar de novo; fazer outra vez?" Quem critica positivamente, critica mansamente, pensando em acertar, em elevar o outro.
O problema é que existem sempre os críticos que opinam com o dedo em riste, que só sabem ver o lado ruim do outro e têm sempre uma palavra azeda, venenosa, na ponta da língua. Esses críticos ferrenhos e constantes são, em geral, pessoas negativas, agressivas, complexadas. Elas não criticam por amor, mas com arrogância, maldade, vingança e inveja. E, provavelmente, se ocupam muito da vida alheia, porque a delas é um eterno vazio.
Um exame de consciência sobre o assunto não faz mal a ninguém. Por que não procurar as coisas boas que existem? Por que não ver o lado positivo das pessoas? Não seria mais fácil e gratificante viver dessa forma? Se existem várias formas de criticar, por que não escolher as melhores?
Uma mãe, por exemplo, pode chegar para o filho e dizer: "Você é um inútil, um incompetente, um irresponsável. Não presta para nada". Provavelmente tais palavras não contribuirão para sua mudança de comportamento. Por que diante da mesma situação, a mãe não opta pelo lado da compreensão e do diálogo? Elogiar o filho, exaltar sua inteligência e bondade, e só depois apontar o erro, convidando-o a refletir: "Por que você fez isso? Será que não existe outra forma de agir?" Quem faz uma crítica assim, construtiva, não está pensando em si mesmo, mas no outro, no bem comum e, certamente, essa é a grande diferença.
A aceitação de uma crítica depende de como ela é feita, da pessoa que a faz, do momento e do motivo pelo qual é colocada. Mesmo assim, sempre se pode aprender alguma coisa com ela. A observação do outro, mesmo que maldoso, pode servir de alerta sobre nossos defeitos ou, no mínimo, como um ensinamento sobre a inveja e a maldade humanas.
Quem tem segurança e maturidade sempre analisará a crítica recebida e considerará se há nela algum dado importante para o seu autoconhecimento ou para o conhecimento das pessoas que o cercam. O duro é que, na maioria das vezes, as críticas são feitas com a intenção de arrasar e, quando elas nos pegam num mau momento, fica difícil superar.
O jeito, então, é esfriar a cabeça e deixar para pensar nelas depois que toda exaltação foi superada. Vale lembrar que saber aceitar ou fazer crítica é uma arte que precisa ser cultivada por todos nós

QUANTAS OVELHAS PERDEMOS POR FALTA DE CARIDADE........

DECRETO


UNITATIS REDINTEGRATIO

SOBRE O ECUMENISMO
PROÉMIO
Natureza do movimento ecuménico
1. Promover a restauração da unidade entre todos os cristãos é um dos principais propósitos do sagrado Concílio Ecuménico Vaticano II. Pois Cristo Senhor fundou uma só e única Igreja. Todavia, são numerosas as Comunhões cristãs que se apresentam aos homens como a verdadeira herança de Jesus Cristo. Todos, na verdade, se professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres diversos e caminham por rumos diferentes, como se o próprio Cristo estivesse dividido(1). Esta divisão, porém, contradiz abertamente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda a criatura.
O Senhor dos séculos, porém, prossegue sábia e pacientemente o plano de sua graça a favor de nós pecadores. Começou ultimamente a infundir de modo mais abundante nos cristãos separados entre si a compunção de coração e o desejo de união. Por toda a parte, muitos homens sentiram o impulso desta graça. Também surgiu entre os nossos irmãos separados, por moção da graça do Espirito Santo, um movimento cada vez mais intenso em ordem à restauração da unidade de todos os cristãos. Este movimento de unidade é chamado ecuménico. Participam dele os que invocam Deus Trino e confessam a Cristo como Senhor e Salvador, não só individualmente mas também reunidos em assembleias. Cada qual afirma que o grupo onde ouviu o Evangelho é Igreja sua e de Deus. Quase todos, se bem que de modo diverso, aspiram a uma Igreja de Deus una e visível, que seja verdadeiramente universal e enviada ao mundo inteiro, a fim de que o mundo se converta ao Evangelho e assim seja salvo, para glória de Deus.
Este sagrado Concílio considera todas essas coisas com muita alegria. Tendo já declarado a doutrina sobre a Igreja, movido pelo desejo de restaurar a unidade de todos os cristãos, quer propor a todos os católicos os meios, os caminhos e as formas com que eles possam corresponder a esta vocação e graça divina.
CAPÍTULO I
PRINCÍPIOS CATÓLICOS DO ECUMENISMO
Unidade da Igreja
2. Nisto se manifestou a caridade de Deus para connosco, em que o Filho unigénito de Deus foi enviado ao mundo pelo Pai a fim de que, feito homem, desse nova vida pela Redenção a todo o género humano e o unificasse(2). Antes de se imolar no altar da cruz como hóstia imaculada, rogou ao Pai pelos que crêem, dizendo: «Para que todos sejam um, como tu, Pai, em mim e eu em ti; para que sejam um em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste» (Jo. 17,21). Na Sua Igreja instituiu o admirável sacramento da Eucaristia, pelo qual é tanto significada como realizada a unidade da Igreja A Seus discípulos deu o novo mandamento do mútuo amor (3) e prometeu o Espírito Paráclito (4), que, como Senhor e fonte de vida, com eles permanecesse para sempre.
Suspenso na cruz e glorificado, o Senhor Jesus derramou o Espírito prometido. Por Ele chamou e congregou na unidade da fé, esperança e caridade o Povo da nova Aliança, que é a Igreja, como atesta o Apóstolo: «Só há um corpo e um espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação. Só há um Senhor, uma fé, um Baptismo» (Ef. 4, 45). Com efeito, «todos quantos fostes baptizados em Cristo, vos revestistes de Cristo... Pois todos sois um em Cristo Jesus» (Gál. 3, 27-28). O Espírito Santo habita nos crentes, enche e rege toda a Igreja, realiza aquela maravilhosa comunhão dos fiéis e une a todos tão intimamente em Cristo, que é princípio da unidade da Igreja. Ele faz a distribuição das graças e dos ofícios (5), enriquecendo a Igreja de Jesus Cristo com múltiplos dons, «a fim de aperfeiçoar os santos para a obra do ministério, na edificação do corpo de Cristo» (Ef. 4,12).
Para estabelecer esta Sua Igreja santa em todo mundo até à consumação dos séculos, Cristo outorgou ao colégio dos doze o ofício de ensinar, governar e santificar (6). Dentre eles, escolheu Pedro, sobre quem, após a profissão de fé, decidiu edificar a Sua Igreja. A ele prometeu as chaves do reino dos céus (7) e, depois da profissão do seu amor, confiou-lhe a tarefa de confirmar todas as ovelhas na fé (8) e de apascentá-las em perfeita unidade (9), permanecendo eternamente o próprio Cristo Jesus como pedra angular fundamental (10) e pastor de nossas almas(11).
Jesus Cristo quer que o Seu Povo cresça mediante a fiel pregação do Evangelho, administração dos sacramentos e governo amoroso dos Apóstolos e dos seus sucessores os Bispos, com a sua cabeça, o sucessor de Pedro, sob a acção do Espírito Santo; e vai aperfeiçoando a sua comunhão na unidade: na confissão duma só fé, na comum celebração do culto divino e na fraterna concórdia da família de Deus.
Assim a Igreja, a única grei de Deus, como um sinal levantado entre as nações (12), oferecendo o Evangelho da paz a todo o género humano(13), peregrina em esperança, rumo à meta da pátria celeste(14).
Este é o sagrado mistério da unidade da Igreja, em Cristo e por Cristo, realizando o Espírito Santo a variedade dos ministérios. Deste mistério o supremo modelo e princípio é a unidade dum só Deus, o Pai e o Filho no Espírito Santo, na Trindade de pessoas.
Ruptura da unidade da Igreja: laços de união entre todos os cristãos
3. Nesta una e única Igreja de Deus já desde os primórdios surgiram algumas cisões (15), que o Apóstolo censura asperamente como condenáveis (16). Nos séculos posteriores, porém, originaram-se dissensões mais amplas. Comunidades não pequenas separaram-se da plena comunhão da Igreja católica, algumas vezes não sem culpa dos homens dum e doutro lado. Aqueles, porém, que agora nascem em tais comunidades e são instruídos na fé de Cristo, não podem ser acusados do pecado da separação, e a Igreja católica os abraça com fraterna reverência e amor. Pois que crêem em Cristo e foram devidamente baptizados, estão numa certa comunhão, embora não perfeita, com a Igreja católica. De facto, as discrepâncias que de vários modos existem entre eles e a Igreja católica - quer em questões doutrinais e às vezes também disciplinares, quer acerca da estrutura da Igreja - criam não poucos obstáculos, por vezes muito graves, à plena comunhão eclesiástica. O movimento ecuménico visa a superar estes obstáculos. No entanto, justificados no Baptismo pela fé, são incorporados a Cristo (17), e, por isso, com direito se honram com o nome de cristãos e justamente são reconhecidos pelos filhos da Igreja católica como irmãos no Senhor (18).
Ademais, dentre os elementos ou bens com que, tomados em conjunto, a própria Igreja é edificada e vivificada, alguns e até muitos e muito importantes podem existir fora do âmbito da Igreja católica: a palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade e outros dons interiores do Espírito Santo e elementos visíveis. Tudo isso, que de Cristo provém e a Cristo conduz, pertence por direito à única Igreja de Cristo.
Também não poucas acções sagradas da religião cristã são celebradas entre os nossos irmãos separados. Por vários modos, conforme a condição de cada Igreja ou Comunidade, estas acções podem realmente produzir a vida da graça. Devem mesmo ser tidas como aptas para abrir a porta à comunhão da salvação.
Por isso, as Igrejas (19) e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica.
Contudo, os irmãos separados, quer os indivíduos quer as suas Comunidades e Igrejas, não gozam daquela unidade que Jesus quis prodigalizar a todos os que regenerou e convivificou num só corpo e numa vida nova e que a Sagrada Escritura e a venerável Tradição da Igreja professam. Porque só pela Igreja católica de Cristo, que é o meio geral de salvação, pode ser atingida toda a plenitude dos meios salutares. Cremos também que o Senhor confiou todos os bens da nova Aliança ao único colégio apostólico, a cuja testa está Pedro, com o fim de constituir na terra um só corpo de Cristo. É necessário que a ele se incorporem plenamente todos os que de alguma forma pertencem ao Povo de Deus. Este Povo, durante a peregrinação terrena, ainda que sujeito ao pecado nos seus membros, cresce incessantemente em Cristo. É conduzido suavemente por Deus, segundo os Seus misteriosos desígnios, até que chegue, alegre, à total plenitude da glória eterna na celeste Jerusalém.
O movimento ecuménico
4. Hoje, em muitas partes do mundo, mediante o sopro da graça do Espírito Santo, empreendem-se, pela oração, pela palavra e pela acção, muitas tentativas de aproximação daquela plenitude de unidade que Jesus Cristo quis. Este sagrado Concilio, portanto, exorta todos os fiéis a que, reconhecendo os sinais dos tempos, solicitamente participem do trabalho ecuménico.
Por «movimento ecuménico» entendem-se as actividades e iniciativas, que são suscitadas e ordenadas, segundo as várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos cristãos. Tais são: primeiro, todos os esforços para eliminar palavras, juízos e acções que, segundo a equidade e a verdade, não correspondem à condição dos irmãos separados e, por isso, tornam mais difíceis as relações com eles; depois, o «diálogo» estabelecido entre peritos competentes, em reuniões de cristãos das diversas Igrejas em Comunidades, organizadas em espírito religioso, em que cada qual explica mais profundamente a doutrina da sua Comunhão e apresenta com clareza as suas características. Com este diálogo, todos adquirem um conhecimento mais verdadeiro e um apreço mais justo da doutrina e da vida de cada Comunhão. Então estas Comunhões conseguem também uma mais ampla colaboração em certas obrigações que a consciência cristã exige em vista do bem comum. E onde for possível, reúnem-se em oração unânime. Enfim, todos examinam a sua fidelidade à vontade de Cristo acerca da Igreja e, na medida da necessidade, levam vigorosamente por diante o trabalho de renovação e de reforma.
Desde que os fiéis da Igreja católica prudente e pacientemente trabalhem sob a vigilância dos pastores, tudo isto contribuirá para promover a equidade e a verdade, a concórdia e a colaboração, o espírito fraterno e a união. Assim, palmilhando este caminho, superando pouco a pouco os obstáculos que impedem a perfeita comunhão eclesiástica, todos os cristãos se congreguem numa única celebração da Eucaristia e na unidade de uma única Igreja. Esta unidade, desde o início Cristo a concedeu à Sua Igreja. Nós cremos que esta unidade subsiste indefectivelmente na Igreja católica e esperamos que cresça de dia para dia. até à consumação dos séculos.
Mas é evidente que o trabalho de preparação e reconciliação dos indivíduos que desejam a plena comunhão católica é por sua natureza distinto da empresa ecuménica: Entretanto, não existe nenhuma oposição entre as duas, pois ambas procedem da admirável Providencia divina.
É, sem dúvida, necessário que os fiéis católicos na empresa ecuménica se preocupem com os irmãos separados, rezando por eles, comunicando com eles sobre assuntos da Igreja, dando os primeiros passos em direcção a eles. Sobretudo, porém, examinam com espírito sincero e atento aquelas coisas que na própria família católica devem ser renovadas e realizadas para que a sua vida dê um testemunho mais fiel e luminoso da doutrina e dos ensinamentos recebidos de Cristo, através dos Apóstolos.
Embora a Igreja católica seja enriquecida de toda a verdade revelada por Deus e de todos os instrumentos da graça, os seus membros, contudo, não vivem com todo aquele fervor que seria conveniente. E assim, aos irmãos separados e ao mundo inteiro o rosto da Igreja brilha menos e o seu crescimento é retardado. Por esse motivo, todos os católicos devem tender à perfeição cristã (20) e, cada um segundo a própria condição, devam procurar que a Igreja, levando em seu corpo a humildade e mortificação de Jesus (21), de dia para dia se purifique e se renove, até que, Cristo a apresente a Si gloriosa, sem mancha e sem ruga (22).
Guardando a unidade nas coisas necessárias, todos na Igreja, segundo o múnus dado a cada um, conservem a devida liberdade tanto nas várias formas de vida espiritual e de disciplina, como na diversidade de ritos litúrgicos e até mesmo na elaboração teológica da verdade revelada. Mas em tudo cultivem a caridade. Por este modo de agir, manifestarão sempre melhor a autêntica catolicidade e apostolicidade da Igreja.
Por outro lado, é mister que os católicos reconheçam com alegria e estimem os bens verdadeiramente cristãos, oriundos de um património comum, que se encontram nos irmãos de nós separados. É digno e salutar reconhecer as riquezas de Cristo e as obras de virtude na vida de outros que dão testemunho de Cristo, às vezes até à efusão do sangue. Deus é, com efeito, sempre admirável e digno de admiração em Suas obras.
Nem se passe por alto o facto de que tudo o que a graça do Espírito Santo realiza nos irmãos separados pode também contribuir para a nossa edificação. Tudo o que é verdadeiramente cristão jamais se opõe aos bens genuínos da fé, antes sempre pode fazer com que mais perfeitamente se compreenda o próprio mistério de Cristo e da Igreja.
Todavia, as divisões dos cristãos impedem a Igreja de realizar a plenitude de catolicidade que lhe é própria naqueles filhos que, embora incorporados pelo Baptismo, estão separados da sua plena comunhão. E até para a própria Igreja se torna mais difícil exprimir na realidade da vida e sob todos os aspectos a sua plena catolicidade.
Este sagrado Concílio verifica com alegria que a participação dos fiéis na acção ecuménica aumenta cada vez mais. Recomenda-a aos Bispos de todo o mundo, para que a promovam com interesse e prudentemente a dirijam.
CAPÍTULO II
PRÁTICA DO ECUMENISMO
Trabalho de toda a Igreja
. A solicitude na restauração da união vale para toda a Igreja, tanto para os fiéis como para os pastores. Afecta a cada um em particular, de acordo com sua capacidade, quer na vida cristã quotidiana, quer nas investigações teológicas e histéricas. Essa preocupação já manifesta de certo modo a união fraterna existente entre todos os cristãos, e conduz à unidade plena e perfeita, segundo a benevolência de Deus.
A renovação da Igreja: sua importância e necessidade
6. Toda a renovação da Igreja (23) consiste essencialmente numa maior fidelidade à própria vocação. Esta é, sem dúvida, a razão do movimento para a unidade. A Igreja peregrina é chamada por Cristo a essa reforma perene. Como instituição humana e terrena, a Igreja necessita perpetuamente desta reforma. Assim, se em vista das circunstancias das coisas e dos tempos houve deficiências, quer na moral, quer na disciplina eclesiástica, quer também no modo de enunciar a doutrina - modo que deve cuidadosamente distinguir-se do próprio depósito da fé - tudo seja recta e devidamente restaurado no momento oportuno.
Esta renovação tem, por isso, grande importância ecuménica. Ela já é efectuada em várias esferas da Igreja. Tais são os movimentos bíblico e litúrgico, a pregação da palavra de Deus e a catequese, o apostolado dos leigos, as novas formas de vida religiosa, a espiritualidade do matrimónio, a doutrina e actividade da Igreja no campo social. Tudo isto deve ser tido como penhor e auspicio que felizmente prognosticam os futuros progressos do ecumenismo.
A conversão do coração
7. Não há verdadeiro ecumenismo sem conversão interior. É que os anseios de unidade nascem e amadurecem a partir da renovação da mente (24), da abnegação de si mesmo e da libérrima efusão da caridade. Por isso, devemos implorar do Espírito divino a graça da sincera abnegação, humildade e mansidão em servir, e da fraterna generosidade para com os outros. «Portanto - diz o Apóstolo das gentes - eu, prisioneiro no Senhor, vos rogo que vivais de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros em caridade, e esforçando-vos solicitamente por conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz» (Ef. 4, 1-3). Esta exortação visa sobretudo aqueles que foram elevados à sagrada Ordem na intenção de que seja continuada a missão de Cristo, que entre nós «não esteve para ser servido, mas para servir» (Mt. 20,28).
Também das culpas contra a unidade, vale o testemunho de S. João: «Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós» (1 Jo. 1,10). Por isso, pedimos humildemente perdão a Deus e aos irmãos separados, assim como também nós perdoamos àqueles que nos ofenderam.
Lembrem-se todos os cristãos de que tanto melhor promoverão e até realizarão a união dos cristãos quanto mais se esforçarem por levar uma vida mais pura, de acordo com o Evangelho. Porque, quanto mais unidos estiverem em comunhão estreita com o Pai, o Verbo e o Espírito, tanto mais íntima e facilmente conseguirão aumentar a fraternidade mútua.
A oração pela unidade
8. Esta conversão do coração e esta santidade de vida, juntamente com as orações particulares e públicas pela unidade dos cristãos, devem ser tidas como a alma de todo o movimento ecuménico, e com razão podem ser chamadas ecumenismo espiritual.
É coisa habitual entre os católicos reunirem-se frequentemente para aquela oração pela unidade da Igreja que o próprio Salvador pediu ardentemente ao Pai, na vigília de sua morte: «Que todos sejam um» (Jo. 17,21).
Em algumas circunstâncias peculiares, como por ocasião das orações prescritas «pro unitate» em reuniões ecuménicas, é lícito e até desejável que os católicos se associem aos irmãos separados na oração. Tais preces comuns são certamente um meio muito eficaz para impetrar a unidade. São uma genuína manifestação dos vínculos pelos quais ainda estão unidos os católicos com os irmãos separados: «Onde dois ou três estão congregados em meu nome, ali estou eu no meio deles» (Mt. 18,20).
Todavia, não é lícito considerar a communicatio in sacris como um meio a ser aplicado indiscriminadamente na restauração da unidade dos cristãos. Esta communicatio depende principalmente de dois princípios: da necessidade de testemunhar a unidade da Igreja e da participação nos meios da graça. O testemunho da unidade frequentemente a proíbe. A busca da graça algumas vezes a recomenda. Sobre o modo concreto de agir, decida prudentemente a autoridade episcopal local, considerando todas as circunstancias dos tempos, lugares e pessoas, a não ser que outra coisa seja determinada pela Conferência episcopal, segundo os seus próprios estatutos, ou pela Santa Sé.
O conhecimento dos irmãos separados
9. É preciso conhecer a mente dos irmãos separados. Para isso, necessariamente se requer um estudo, a ser feito segundo a verdade e com animo benévolo. Católicos devidamente preparados devem adquirir um melhor conhecimento da doutrina e história, da vida espiritual e litúrgica, da psicologia religiosa e da cultura própria dos irmãos. Muito ajudam para isso as reuniões de ambas as partes para tratar principalmente de questões teológicas, onde cada parte dever agir de igual para igual, contanto que aqueles que, sob a vigilância dos superiores, nelas tomam parte, sejam verdadeiramente peritos. De tal diálogo também se ver mais claramente qual é a situação real da Igreja católica. Por esse caminho se conhecer outrossim melhor a mente dos irmãos separados e a nossa fé lhes ser mais aptamente exposta.
A formação ecuménica
10. A sagrada teologia e as outras disciplinas, principalmente as históricas, devem ser ensinadas também sob o ponto de vista ecuménico, de modo que respondam mais exactamente à verdade das coisas.
Importa muito que os futuros pastores e sacerdotes estudem a teologia bem elaborada deste modo e não polemicamente, sobretudo nas questões que incidem sobre as relações entre os irmãos separados e a Igreja católica.
É da formação dos sacerdotes que depende em grande parte a necessária instrução e formação espiritual dos fiéis e dos religiosos.
Devem ainda os católicos que se entregam a obras missionárias nas mesmas terras que outros cristãos, especialmente hoje em dia, conhecer os problemas e os frutos que, para o seu apostolado, se originam do ecumenismo.
A exposição clara e fiel da fé
11. O modo e o método de formular a doutrina católica de forma alguma devem transformar-se em obstáculo por diálogo com os irmãos. É absolutamente necessário que toda a doutrina seja exposta com clareza. Nada tão alheio ao ecumenismo como aquele falso irenismo pelo qual a pureza da doutrina católica sobre detrimento e é obscurecido o seu sentido genuíno e certo.
Ao mesmo tempo, a fé católica deve ser explicada mais profunda e correctamente, de tal modo e com tais termos que possa ser de facto compreendida também pelos irmãos separados.
Ademais, no diálogo ecuménico, os teólogos católicos, sempre fiéis à doutrina da Igreja, quando investigarem juntamente com os irmãos separados os divinos mistérios, devem proceder com amor pela verdade, com caridade e humildade. Na comparação das doutrinas, lembrem-se que existe uma ordem ou «hierarquia» das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente. Assim se abre o caminho pelo qual, mediante esta fraterna emulação, todos se sintam incitados a um conhecimento mais profundo e a uma exposição mais clara das insondáveis riquezas de Cristo (25).
A colaboração com os irmãos separados
12. Todos os cristãos professem diante do mundo inteiro a fé em Deus uno e trino, no Filho de Deus encarnado, nosso Redentor e Salvador. Por um esforço comum e em estima mútua dêem testemunho da nossa esperança, que não confunde. Visto que nos nossos tempos largamente se estabelece a cooperação no campo social, todos os homens são chamados a uma obra comum, mas com maior razão os que crêem em Deus, sobretudo todos os cristãos assinalados com o nome de Cristo. A cooperação de todos os cristãos exprime vivamente aquelas relações pelas quais já estão unidos entre si e apresenta o rosto de Cristo Servo numa luz mais radiante. Esta cooperação, que já se realiza em não poucas nações, deve ser aperfeiçoada sempre mais, principalmente nas regiões onde se verifica a evolução social ou técnica. Vai ela contribuir para apreciar devidamente a dignidade da pessoa humana, promover o bem da paz, aplicar ainda mais o Evangelho na vida social, incentivar o espírito cristão nas ciências e nas artes e aplicar toda a espécie de remédios aos males da nossa época, tais como a fome e as calamidades, o analfabetismo e a pobreza, a falta de habitações e a inadequada distribuição dos bens. Por essa cooperação, todos os que crêem em Cristo podem mais facilmente aprender como devem entender-se melhor e estimar-se mais uns aos outros, e assim se abre o caminho que leva à unidade dos cristãos.
CAPÍTULO IlII
IGREJAS E COMUNIDADES ECLESIAIS
SEPARADAS DA SÉ APOSTÓLICA ROMANA
Duas categorias de cismas
13. Temos diante dos olhos as duas principais categorias de cisões que ferem a túnica inconsútil de Cristo.
As primeiras divisões sobrevieram no Oriente, já por contestação das fórmulas dogmáticas dos Concílios de Éfeso e Calcedónia, já em tempo posterior, pela ruptura da comunhão eclesiástica entre os Patriarcados orientais e a Sé Romana.
As outras, após mais de quatro séculos, originaram-se no Ocidente, provocadas pelos acontecimentos comumente conhecidos com o nome de Reforma. Desde então, muitas Comunhões, nacionais ou confessionais, se separaram da Sé Romana. Entre aquelas nas quais continuam parcialmente as tradições e as estruturas católicas, ocupa um lugar especial a Comunhão anglicana.
Estas diversas divisões, todavia, diferem muito entre si, não apenas em razão da origem, lugar e tempo, mas principalmente pela natureza e gravidade das questões relativas à fé e à estrutura eclesiástica.
Por isso, sem querer minimizar as diferenças entre os vários grupos cristãos e sem desconhecer os laços que, não obstante a divisão, entre eles existem, este sagrado Concílio determina propor as seguintes considerações para levar a cabo uma prudente acção ecuménica.
I. CONSIDERAÇÃO PECULIAR SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Carácter e história própria dos orientais
14. Durante não poucos séculos, as Igrejas do Oriente e do Ocidente seguiram por caminhos próprios, unidas, contudo, pela fraterna comunhão da fé e da vida sacramental. Quando entre elas surgiam dissensões acerca da fé ou da disciplina, era a Sé de Roma quem, de comum acordo, as resolvia. Entre outras coisas de grande importância, é grato ao sagrado Concílio trazer à memória de todos o facto de que no Oriente florescem muitas Igrejas particulares ou locais, entre as quais sobressaem as Igrejas patriarcais; não poucas delas se gloriam de ter origem nos próprios Apóstolos. Por isso entre os orientais prevaleceu e prevalece a solicitude e o cuidado de conservar na comunhão de fé e caridade aquelas relações fraternas que devem vigorar entre as Igrejas locais como entre irmãs.
Semelhantemente, não se deve esquecer que as Igrejas do Oriente têm desde a origem um tesouro, do qual a Igreja do Ocidente herdou muitas coisas em liturgia, tradição espiritual e ordenação jurídica. Nem se deve subestimar o facto de que os dogmas fundamentais da fé cristã sobre a Trindade e o Verbo de Deus encarnado da Virgem Maria, foram definidos em Concílios Ecuménicos celebrados no Oriente. Para preservar esta fé, muito sofreram e ainda sofrem aquelas Igrejas.
Mas a herança deixada pelos Apóstolos foi aceite de formas e modos diversos e desde os primórdios da Igreja cá e lá foi explicada de maneira diferente, também por causa da diversidade de génio e condições de vida. Tudo isso, além das causas externas, e também por falta de mútua compreensão e caridade, deu ocasião às separações.
Em vista disto, o sagrado Concilio exorta a todos, mormente aos que pretendem dedicar-se à restauração da plena comunhão desejada entre as Igrejas orientais e a Igreja católica, a que tenham na devida consideração esta peculiar condição da origem e do crescimento das Igrejas do Oriente e da índole das relações que vigoravam entre elas e a Sé Romana antes da separação. Procurem apreciar rectamente todos estes factores. Acuradamente observadas, estas coisas contribuirão muito para o desejado diálogo.
A tradição litúrgica espiritual dos orientais
15. Também é conhecido de todos com quanto amor os cristãos-orientais realizam as cerimónias litúrgicas, principalmente a celebração eucarística, fonte da vida da Igreja e penhor da glória futura, pela qual os fiéis unidos ao Bispo, tendo acesso a Deus Pai mediante o Filho, o Verbo encarnado, morto e glorificado, na efusão do Espírito Santo, conseguem a comunhão com a Santíssima Trindade, feitos «participantes da natureza divina» (2 Ped. 1,4). Por isso, pela celebração da Eucaristia do Senhor, em cada uma dessas Igrejas, a Igreja de Deus é edificada e cresce (26), e pela concelebração se manifesta a comunhão entre elas.
Neste culto litúrgico, os orientais proclamam com belíssimos hinos a grandeza de Maria sempre Virgem, a quem o Concílio Ecuménico de Éfeso solenemente proclamou Santíssima Mãe de Deus, para que se reconhecesse verdadeira e propriamente a Cristo como Filho de Deus e Filho do Homem segundo as Escrituras. Cantam hinos também a muitos santos, entre os quais os Padres da Igreja universal.
Como essas Igrejas, embora separadas, têm verdadeiros sacramentos, e principalmente, em virtude da sucessão apostólica, o sacerdócio e a Eucaristia, ainda se unem muito intimamente connosco. Por isso, alguma communicatio in sacris não só é possível mas até aconselhável, em circunstâncias oportunas e com aprovação da autoridade eclesiástica.
Também no Oriente se encontram as riquezas daquelas tradições espirituais, que o monaquismo sobretudo expressou. Pois desde os gloriosos tempos dos santos Padres floresceu no Oriente aquela elevada espiritualidade monástica, que de lá se difundiu para o Ocidente e da qual a vida religiosa dos latinos se originou como de sua fonte, e em seguida, sem cessar, recebeu novo vigor. Recomenda-se, por isso, vivamente que os católicos se abeirem com mais frequência destas riquezas espirituais dos Padres do Oriente que elevam o homem todo à contemplação das coisas divinas.
Conhecer, venerar, conservar e fomentar o riquíssimo património litúrgico e espiritual dos orientais é da máxima importância para guardar fielmente a plenitude da tradição cristã e realizar a reconciliação dos cristãos orientais e ocidentais.
Disciplina própria dos orientais
16. Além do mais, desde os primeiros tempos as Igrejas do Oriente seguiam disciplinas próprias, sancionadas pelos santos Padres e Concílios, mesmo Ecuménicos. Longe de obstar à unidade da Igreja, uma certa diversidade de costumes e usos, como acima se lembrou, aumenta-lhe a beleza e ajuda-a não pouco a cumprir a sua missão. Por isso, o sagrado Concilio, para tirar todas as dúvidas, declara que as Igrejas do Oriente, conscientes da necessária unidade de toda a Igreja, têm a faculdade de se governarem segundo as próprias disciplinas, mais conformes à índole de seus fiéis e mais aptas para atender ao bem das almas. A observância perfeita deste tradicional princípio, nem sempre respeitada, é condição prévia indispensável para a restauração da união.
Carácter da teologia dos orientais
17. O que acima foi dito acerca da legítima diversidade, apraz declarar também com relação à diversidade na enunciação teológica das doutrinas. Com efeito, no estudo da verdade revelada, o Oriente e o Ocidente usaram métodos e modos diferentes para conhecer e exprimir os mistérios divinos. Não admira, por isso, que alguns aspectos do mistério revelado sejam por vezes apreendidos mais convenientemente e postos em melhor luz por um que por outro. Nestes casos, deve dizer-se que aquelas várias fórmulas teológicas, em vez de se oporem, não poucas vezes se completam mutuamente. Com relação às tradições teológicas autênticas dos orientais, devemos reconhecer que elas estão profundamente radicadas na Sagrada Escritura, são fomentadas e expressas pela vida litúrgica, são nutridas pela viva tradição apostólica e pelos escritos dos Padres orientais e dos autores espirituais, e promovem a recta ordenação da vida e até a contemplação perfeita da verdade cristã.
Dando graças a Deus porque muitos filhos orientais da Igreja católica, que guardam este património e desejam vivê-lo mais pura e plenamente, já vivem em plena comunhão com os irmãos que cultivam a tradição ocidental, este sagrado Concilio declara que todo esse património espiritual e litúrgico, disciplinar e teológico, nas suas diversas tradições, faz parte da plena catolicidade e apostolicidade da Igreja.
A busca da unidade
18. Tendo ponderado tudo isso, este sagrado Concílio renova o que foi declarado pelos sagrados Concílios anteriores e também pelos Pontífices Romanos: para restaurar ou conservar a comunhão e a unidade, é preciso «não impor nenhum outro encargo além do necessário» (Act. 15, 28). Veementemente deseja também, que nas várias instituições e formas de vida da Igreja, se envidem todos os esforços para uma gradual concretização desta unidade, principalmente pela oração e pelo diálogo fraternal em torno da doutrina e das necessidades mais urgentes do ministério pastoral de hoje. Do mesmo modo recomenda aos pastores e fiéis da Igreja católica as boas relações com aqueles que já não vivem no Oriente, mas longe da pátria, para que cresça a colaboração fraterna com eles no espírito da caridade, excluído todo o espírito de contenda e rivalidade. E se este trabalho for promovido com todo o entusiasmo, o sagrado Concílio espera que, demolido o muro que separa a Igreja ocidental da oriental, haja finalmente uma única morada, firmada na pedra angular, Jesus Cristo, que fará de ambas uma só coisa (27).
II. IGREJAS E COMUNIDADES ECLESIAIS SEPARADAS NO OCIDENTE
Condição própria destas comunidades
19. As Igrejas e Comunidades eclesiais, que se separaram da Sé Apostólica Romana naquela grave perturbação iniciada no Ocidente já pelos fins da Idade média, ou em tempos posteriores, continuam, contudo, ligadas à Igreja católica pelos laços de uma peculiar afinidade devida à longa convivência do povo cristão na comunhão eclesiástica durante os séculos passados. Visto que estas Igrejas e Comunidades eclesiais, por causa da diversidade de origem, doutrina e vida espiritual não só diferem de nós mas também diferem consideravelmente entre si, descrevê-las de modo adequado é um trabalho muito difícil, que não entendemos fazer aqui.
Embora o movimento ecuménico e o desejo de paz com a Igreja católica ainda não sejam vigorosos em toda a parte, temos a esperança de que crescerão pouco a pouco em todos o sentido ecuménico e a estima mútua.
É preciso, contudo, reconhecer que entre estas Igrejas e Comunidades e a Igreja católica há discrepâncias consideráveis, não só de índole histórica, sociológica, psicológica, cultural, mas sobretudo de interpretação da verdade revelada. Para que mais facilmente, não obstante estas diferenças, se possa estabelecer o diálogo ecuménico, queremos expor seguidamente alguns pontos que podem e devem ser o fundamento e o incentivo deste diálogo.
A confissão de Cristo
0. Consideramos primeiramente aqueles cristãos que, para glória de Deus único, Pai e Filho e Espírito Santo, abertamente confessam Jesus Cristo como Deus e Senhor e único mediador entre Deus e os homens. Sabemos existirem não pequenas discrepâncias em relação à doutrina da Igreja católica, mesmo sobre Cristo, Verbo de Deus encarnado, e sobre a obra da redenção e por conseguinte sobre o mistério e o ministério da Igreja, bem como sobre a função de Maria na obra da salvação. Alegramo-nos, contudo, vendo que os irmãos separados tendem para Cristo como fonte e centro da comunhão eclesiástica. Levados pelo desejo de união com Cristo, são mais e mais compelidos a buscarem a unidade bem como a darem em toda a parte e diante de todos o testemunho da sua fé.
Estudo da Sagrada Escritura
21. O amor e a veneração e quase o culto da Sagrada Escritura levam os nossos irmãos a um constante e cuidadoso estudo do texto sagrado: pois o Evangelho é «força de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu, mas também do grego» (Rom. 1,16).
Invocando o Espírito Santo, na própria Sagrada Escritura, procuram a Deus que lhes fala em Cristo anunciado pelos profetas, Verbo de Deus por nós encarnado. Nela contemplam a vida de Cristo e aquilo que o divino Mestre ensinou e realizou para a salvação dos homens, sobretudo os mistérios da Sua morte e ressurreição.
Mas, embora os cristãos de nós separados afirmem a autoridade divina da Sagrada Escritura, pensam diferentemente de nós - cada um de modo diverso - sobre a relação entre a Escritura e a Igreja. Na Igreja, segundo a fé católica, o magistério autêntico tem lugar peculiar na exposição e pregação da palavra de Deus escrita.
No entanto, no próprio diálogo a Sagrada Escritura é um exímio instrumento na poderosa mão de Deus para a consecução daquela unidade que o Salvador oferece a todos os homens.
A vida sacramental: o Baptismo, a ceia do Senhor
22. Pelo sacramento do Baptismo, sempre que for devidamente conferido segundo a instituição do Senhor e recebido com a devida disposição de alma, o homem é verdadeiramente incorporado em Cristo crucificado e glorificado, e regenerado para participar na vida divina, segundo esta palavra do Apóstolo: «Com Ele fostes sepultados no Baptismo e n'Ele fostes conressuscitados pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos» (Col. 2,12) (28).
O Baptismo, pois, constitui o vínculo sacramental da unidade que liga todos os que foram regenerados por ele. O Baptismo, porém, de per si é o inicio e o exórdio, pois tende à consecução da plenitude de vida em Cristo. Por isso, o Baptismo ordena-se à completa profissão da fé, à íntegra incorporação na obra da salvação, tal como o próprio Cristo o quis, e finalmente à total inserção na comunhão eucarística.
Embora falte às Comunidades eclesiais de nós separadas a unidade plena connosco proveniente do Baptismo, e embora creiamos que elas não tenham conservado a genuína e íntegra substancia do mistério eucarístico, sobretudo por causa da falta do sacramento da Ordem, contudo, quando na santa Ceia comemoram a morte e a ressurreição do Senhor, elas confessam ser significada a vida na comunhão de Cristo e esperam o Seu glorioso advento. É, por isso, necessário que se tome como objecto do diálogo a doutrina sobre a Ceia do Senhor, sobre os outros sacramentos, sobre o culto e sobre os ministérios da Igreja.
A vida com Cristo: liturgia e moral
23. A vida cristã destes irmãos alimenta-se da fé em Cristo e é fortalecida pela graça do Baptismo e pela audição da palavra de Deus. Manifesta-se na oração privada, na meditação bíblica, na vida familiar cristã, no culto da comunidade congregada para o louvor de Deus. Aliás, o culto deles contém por vezes notáveis elementos da antiga Liturgia comum.
A sua fé em Cristo produz frutos de louvor e acção de graças pelos benefícios recebidos de Deus. Há também, entre eles, um vivo sentido da justiça e uma sincera caridade para com o próximo. Esta fé operosa produziu não poucas instituições para aliviar a miséria espiritual e corporal, promover a educação da juventude, tornar mais humanas as condições sociais da vida e estabelecer por toda a parte a paz.
E se em assuntos morais muitos dentre os cristãos nem sempre entendem o Evangelho do mesmo modo que os católicos, nem admitem as mesmas soluções para questões mais difíceis da sociedade hodierna, querem, no entanto, como nós, aderir à palavra de Cristo como fonte da virtude cristã e obedecer ao preceito do Apostolo: «Tudo quanto fizerdes por palavra ou por obra, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças a Deus Pai por Ele» (Col. 3,17). Daqui é que pode começar o diálogo ecuménico sobre a aplicação moral do Evangelho.
Exortação ao ecumenismo prudente e católico
24. Assim, após termos exposto brevemente as condições segundo as quais se pode exercer a acção ecuménica e os princípios pelos quais ela deve ser orientada, olhamos com confiança para o futuro. Este sagrado Concílio exorta os fiéis a absterem-se de qualquer zelo superficial ou imprudente que possa prejudicar o verdadeiro progresso da unidade. Com efeito, a sua acção ecuménica não pode ser senão plena e sinceramente católica, isto é, fiel à verdade que recebemos dos Apóstolos e dos Padres, e conforme à fé que a Igreja católica sempre professou, e ao mesmo tempo tendente àquela plenitude mercê da qual o Senhor quer que cresça o Seu corpo no decurso dos tempos.
Este sagrado Concílio deseja insistentemente que as iniciativas dos filhos da Igreja católica juntamente com as dos irmãos separados se desenvolvam; que não se ponham obstáculos aos caminhos da Providência; e que não se prejudiquem os futuros impulsos do Espírito Santo. Além disso, declara estar consciente de que o santo propósito de reconciliar todos os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Cristo excede as forças e a capacidade humana. Por isso, coloca inteiramente a sua esperança na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai para connosco e na virtude do Espírito Santo. «E a esperança não será confundida, pois o amor de Deus se derramou em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rom. 5,5).
Vaticano, 21 de Novembro de 1964.
PAPA PAULO VI

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O MAL QUE NOS HABITA

Somos belicosos. Humanos sempre dispostos ao enfrentamento; sabemos responder "a altura" ao sermos ameaçados e/ou afrontados. Êita sangue crente!

Mesmo quando afirmamos o controle divino sobre o nosso comportamento, ainda assim nos indispomos fácil, fácil; uma reserva infame de nós mesmos que usamos sempre que se apresenta uma ocasião. Somos belicosos.
Ao nos aplicarmos à leitura e, por conseguinte ao conhecimento da Palavra de Deus, percebemos o Senhor ensinando-nos, capacitando-nos para as situações adversas; 1 Pe 3: 17 afirma: "Porque é melhor sofrer por praticar o bem, se for da vontade de Deus, do que por fazer o mal.". O Espírito utiliza-se de Pedro e convoca-nos para um exercício puxado, administrar a situação tensa, administrar a resposta rude, a observação jocosa, ofensiva; aqui na Missão Vida nos tornamos administradores hábeis, coisas do ofício.
Administrar conflitos é uma arte.
Cristãos administram conflitos.
Ser cristão é uma arte.
Um arremedo de silogismo pra fraturar a monotonia do assunto.
No Evangelho escrito por São João 15: 19, Jesus previne-nos quanto às agruras que aguardam os crentes; as aflições se apresentam logo após a conversão, penso que ainda durante a festa dos anjos, (hoje mesmo tem festa lá no Céu, mais um mendigo virou crente) o inferno já trabalha objetivando o fracasso do novo crente.
Posso falar sobre isso horas a fio, (ao deixar as armas e o roubo e as drogas pela Bíblia, não me deixaram mais em paz, por muito tempo; ser crente é bom demais da conta, se não fosse todo mundo ou quase desistiria na largada, certamente).
Que atitude neste ou no mundo espiritual pode ser mais criminosa que a injúria? O descaso? A Igreja vem se esmerando na infame arte de injuriar e tratar de qualquer jeito.
E o fogo cerrado não ocorre nas ruas, somente; entre nós campeia o mal, que só encontra guarida por encontrar uma porta.
Uma expressão pode ampliar nossa compreensão do quanto facilitamos a progressão maligna em nós e através; Jesus, o Senhor, ao ensinar-nos a orar inclui “Livra-nos do mal” Mt 6: 13a NVI; compreendemos aqui a forma de sermos livres do mal, deixando que o Espírito conduza-nos a lugares seguros, por caminhos seguros.
Não enfrentamos as ciladas do diabo, nos desviamos delas; desviar do mal é assunto do salmo 1:1, e Jó é exemplo desse desviar: “Homem que teme a Deus e, evita o mal.” Jó 1: 8b, não obstante, nós recebemos quando não somos nós quem convidamos o mal e os seus agentes espirituais e/ou humanos pra estar conosco.
“Se o teu pé te faz pecar, se a tua mão te faz pecar, se o teu olho te faz pecar, pare de se orientar pelos “teus membros”.
“Livra-nos do mal” é parente próximo de “Resisti ao diabo,” E o resultado é um só: “e ele fugirá de vós!”
O Senhor ensina-nos a orar e a depender; são atitudes que exigem constância, evitar o mal é ato de resistência.
Não há concessões na Bíblia, nem meio-termo há; o mal na Bíblia é identificado e tratado como o mal, e cada vez que cedemos no falar, pensar e fazer, ao mal cedemos. Mal que se instala, aloja-se.
E Pedro discorre didaticamente sobre o triunfar sobre o mal: “Demonstrai compaixão e amor fraternal, sede misericordiosos e humildes.” Isso é guerra contra o maligno proceder! Minamos o inimigo recusando-nos a usar as mesmas armas; a nossa luta não é contra humanos (por mais detestáveis que alguns se apresentem de quando em vez).
A nossa luta é contra o mal por dentro e por detrás de gente que gasta energia e tempo na tarefa ingrata de parecerem bons, mas não se movem em direção à fonte de todo o bem, o Senhor.
Traduzir Jesus é simples: compaixão.
Sentimento algum assemelha-nos ao Senhor como o faz quando nos compadecemos, padecemos com, temos o mesmo sentimento, e pensamento.
“Não retribuindo mal com mal, tampouco ofensa com ofensa; ao contrário, abençoai; porquanto, foi justamente para este propósito que fostes convocados, a fim de também receberem benção por herança.” 1 Pe 3:9 KJA
Stott oferece-nos precioso comentário: “Pagar o bem com o mal é demoníaco; pagar o bem com o bem é humano; pagar o mal com o bem é divino.”
Dava pra encerrar aqui, mas preciso destacar um termo da epístola de São Pedro: Abençoai; a despeito da infâmia e das ofensas que sofrer, eu abençoarei.
Se fosse fácil todo mundo seria crente. Justamente aqui vemos solapar a fé; abençoar a quem me amaldiçoa, tratar com amor a quem me ofende, desejar e contribuir para o bom sucesso de quem maquina o mal contra mim.
Pagar o mal com o bem e ser de ponta a ponta parecido com Jesus.

A ORAÇÃO E O QUE ORA


Qual é a oração do amargo coração?

Como ora aquele que não consegue dispor do amor?
Que palavras brotam da alma amargurada?
Como a luz romperá se é toldada pela ira carnal?
Pode este doente coração abençoar os que o amaldiçoam?
Poderá esta alma adoecida orar pelos que a perseguem?
Poderá este coração dispor de verdadeiro amor por seus inimigos?
Se não consigo perdoar é porque não entendi a dimensão do perdão de Deus por mim;
Se não consigo amar é porque não compreendi a dimensão do amor de Deus por mim;
Se não consigo liberar perdão e amor é porque ainda estou preso;
Se não posso destilar a doçura da graça é porque ainda estou em amargura de espírito;
Se não consigo ser luz é porque ainda estou em trevas.
Como posso amar a Deus que não vejo e odiar aquele que vejo?
Como posso reivindicar sobre mim as bênçãos do Amado Pai...
Se retenho o amor ao meu próximo?
Se Deus me amou quando eu era ainda seu inimigo...
Não devo eu, da mesma forma, amar os meus inimigos?
Se Deus enviou-me o Salvador sem que eu Lhe fizesse qualquer bem...
Não devo eu interceder pelos mais vis pecadores?
Alguém feriu meu coração?
Que o Senhor o perdoe!
Alguém trouxe pesar sobre minha alma?
Que o Senhor tenha misericórdia desta pessoa!
Alguém intentou o mal contra mim?
Que o Senhor o salve!
Aos que me perseguem...
Que o Senhor lhes apareça pelo caminho como apareceu a Saulo de Tarso.
Que possa eu levar amor onde há ódio;
Levar paz onde há guerra;
Levar luz onde há trevas.
Ah, se este pode ser o nosso coração...
Então por que guardar o rancor?
Se este pode ser o estado de nossa alma...
Então por que reter a amargura?
Perdoem para que sejam perdoados!
Perdoem da mesma forma que são perdoados pelo Senhor e Deus!
Amem como são amados por Jesus!
Amem com o amor que Deus tem derramado em seus corações pelo Espírito Santo!
Orem como se rogassem por vocês mesmo quando na pior condição de suas almas!
Intercedam pelos pecadores como o fariam se vissem suas almas caindo no inferno!
Libertem para se verem verdadeiramente livres!
Libertem porque são livres!
Esvaziemos de nós mesmo para que Cristo Jesus possa preencher-nos por completo.
Que o Espírito Santo nos transforme à imagem Daquele que nos amou de tal maneira...
Que deus a Sua vida por nós.
Qual será a oração de um coração assim, cheio do amor de Deus?
Como orará a alma banhada da doçura da Graça Divina?
Que palavras não brotarão do espírito banhado pelo Espírito Santo?
Esta oração, certamente, será como uma poderosa luz rompendo em meio as trevas.
Esta seja a condição de todo aquele que crê no Senhor Jesus e é salvo por Sua graça!

DAR SENTIDO A VIDA.

Para que nascemos? Perguntou o menino para o pai; o Pai responde: para vivermos é claro filho. O filho responde: mas para que viver pai? O pai pensa e não responde, ri e finge que aquilo é uma bobeira de criança...

Mas para que vivemos? Nos apenas nascemos para viver e morrer? Será que não tem nenhum propósito a mais que uma simples vivencia?
O carro foi fabricado com o propósito de nos proporcionar o conforto de não precisarmos andar a pé e também chegarmos mais rápido aos locais desejados, alem de outras coisas. As casas são construídas com um propósito de abrigar as famílias para não dormirem no sereno, não levarem chuva e sol na cabeça o tempo todo. A nossa roupa tem o propósito de esconder nosso corpo de alguma forma e de nos deixarmos "mais" bonitos. A geladeira tem a prerrogativa de fazer gelo, e conservar as comidas por algum tempo e por ai vai.
Vemos que as coisas criadas na terra têm um propósito, tem uma prerrogativa, tem um objetivo, mas porque a vida só Server para viver e nada mais?
Será que fomos criados para crescer e aprender algumas coisas e morrer? Será que nosso propósito seja fazer uma faculdade e depois um mestrado e depois Ph.D e depois morremos?
Ou será que o nosso objetivo seja aprender a ser critico da vida, dos livros, das musicas, ou será que temos que ser religiosos e gastar nosso tempo em igrejas aos domingos ouvindo sermões bonitos e depois irmos para casa comer e dormir??? Quantos questionamentos temos nessa caminhada chamada Vida, será que conseguiremos resposta para alguns desses questionamentos, ou será que não fomos criado para questionar, só apenas obedecer? Será que temos que ficar adorando a Deus o tempo todo como os anjos dizendo “Santo,santo,santo,santo,etc.”? Qual o propósito da vida?
Creio que se tudo que é feito tem um determinado objetivo, quando se chega nesse objetivo, deve se sentir completo. E seguindo essa linha de raciocínio, então posso acreditar que o sentindo da vida do ser humano, não é somente adorar a Deus em todo tempo, ou estudar ate os mais últimos graus do estudo, ou mesmo viver sem fazer nada o dia todo, pois sempre temos pessoas descontentes em todos esses lugares e atividades citadas; Ninguém nunca está satisfeito com o que tem ou com o que é ou com o que se formou. Será porque isso?
Eu penso que a vida do ser humano tem um sentindo, só não sei qual é, mas tenho uma grande impressão que esse sentido da vida humana, é ajudar outras pessoas nos seus questionamentos, dificuldades, nas suas lutas diárias, pois eu não sei o sentido ao certo da minha vida, mas quando estou aconselhando alguém, sempre consigo apontar um “rumo” para essa vida que estou aconselhando, ou estou ajudando, mas para minha própria vida, eu não sei ao certo qual é esse “rumo” a seguir.
Certo ou não do sentido da vida, o mais próximo que eu encontrei desse “sentido”, pois quando faço fico completo, foi ajudar ao meu próximo, então vou continuar ajudando ao meu próximo naquilo que eu puder e quem sabe o ajudo a encontrar um sentindo para vida dele, e quem sabe eu encontre alguém para me ajudar a encontra o meu “rumo”, o meu sentido da vida.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O CONSUMISTA

Por: Maria Helena Brito Izzo


Psicóloga e terapeuta familiar. Fonte: Revista Família Cristã

Todos nós em geral gostamos de fazer compras. Sentimo-nos merecedores dos presentes que nos damos. Mas, quando estamos angustiados, insatisfeitos ou nervosos, muitas vezes saímos para fazer compras como uma espécie de desforra.
E nesse caso perdemos o senso crítico e agimos por compulsão. Passado o instante da compra e o sabor da novidade, voltamos à estaca zero da insatisfação. É que a compulsão de comprar serviu apenas de paliativo e nos desviou momentaneamente a atenção dos nossos verdadeiros problemas, da verdadeira causa de nossa insatisfação.
Mas existem pessoas que vivem permanentemente em estado de compulsão consumista. Elas compram por comprar e estão sempre indo atrás de novidades. Adoram passear em lojas e shopping centers. Sentem-se felizes fazendo compras. Mas invariavelmente se cansam das aquisições e partem para outras, como se sofressem de uma espécie de vício.
Nesse caso, o problema é mais sério, e mostra que a pessoa carrega uma insatisfação crônica. Ela pode estar transferindo para os objetos uma grande carência que sente em relação às outras pessoas. Pode estar tentando dar a si mesma o afeto que não se sente capaz de receber nem de dar.
E a compulsão de comprar lhe serve apenas de paliativo momentâneo. É como o caso da pessoa que está com dor de dente, mas, em vez de ir ao dentista, toma analgésico. Quando o efeito passa, ela precisa de outras doses, numa história sem fim.
A pessoa consumista entra no mesmo círculo vicioso e continua sempre insatisfeita. Isso acontece porque ela está fugindo de um problema interior. E, como não resolve a causa, continua sempre com o mesmo problema. Várias razões levam as pessoas a sentirem uma espécie de insatisfação crônica. Pode ser uma história passada de privações e necessidades e aí a pessoa que melhorou de vida procura desforrar no consumismo, estabelecendo uma espécie de diálogo com os fantasmas de seu passado.
Mas existem pessoas que usam o consumismo para se sentir importantes e poderosas. Ostentam suas posses e gostam de ser paparicadas e servidas pêlos vendedores. E como se estivessem comprando o fingido afeto dos vendedores junto com as mercadorias.
Em todos os casos, as pessoas estão jogando dinheiro fora. Querem comprar uma coisa que não está à venda. Se têm posses, poderiam estar usando o dinheiro para coisas mais úteis, inclusive para ajudar os outros e construir um mundo melhor para todos.
E, se a pessoa não tem dinheiro, acaba se endividando para sustentar o consumismo. Acaba fazendo crediário e gastando até o dinheiro que ainda vai ganhar. E pode até precisar da ajuda financeira da família para sair dos buracos onde se mete. Mais grave ainda é quando o consumismo leva as pessoas ao roubo. Elas expõem a própria reputação e, às vezes, não conseguem controlar o impulso de conseguir as coisas "na marra". É o caso dos cleptomaníacos, que sofrem de um tipo sério de neurose.
O consumista é como a pessoa que come desmedidamente, prejudicando a saúde e ficando cada vez mais insatisfeita. E comendo cada vez mais. Tanto o consumista como a pessoa gulosa estão procurando compensar fora aquilo que precisam buscar dentro delas mesmas.
E a mesma coisa acontece com os que se entregam à bebida, ao jogo, ao hábito de fumar. Eles fazem rituais para fugir da infelicidade e do desequilíbrio. E podem até mergulhar no vício das drogas ou no sexo permissivo, com resultados tão inúteis quanto catastróficos.
O consumismo é um desequilíbrio. E para fazer frente a ele, precisamos nos organizar por dentro, pôr para fora as coisas negativas e substituí-las por coisas boas. Ninguém é plenamente feliz. Nós estamos neste mundo imperfeito para conquistar a felicidade, para lutar por ela.
Para os fortes, a própria luta traz suas compensações. Mas os frágeis se acovardam. E se enganam nos caminhos ilusórios do consumismo. Aí o desequilíbrio tende a piorar: evolui progressivamente das pequenas para as grandes coisas, dos pequenos problemas para os grandes problemas. Há até casos de suicídios que começam com esses sintomas banais e inocentes. Mas terminam com a pessoa perdendo o gosto pela própria vida.
Diante de comportamentos mecanizados como o consumismo, a melhor atitude a tomar é parar para pensar. Analisar o que está acontecendo e perguntar o que estamos buscando, qual a insatisfação que está servindo de base para isso. No começo, pode até parecer penoso, mas é o caminho da sabedoria e da vitória sobre as limitações da vida - mesmo que essa vitória seja o reconhecimento e a aceitação dessas limitações.
As pessoas normais costumam ter todas as emoções - angústia, raiva, alegria, tristeza - em escala maior ou menor, dependendo da idade, das circunstâncias, da educação, da carga espiritual. Esse fenômeno acontece também com o medo. Ele varia desde um medo pequeno ao medo desmedido, incontrolável, recebendo, quando atinge esse estágio de descontrole, o nome de fobia ou síndrome do pânico.
A sensação de medo diante de algo novo e desconhecido é normal e faz parte da vida. Há quem tenha medo de baratas, de viajar de avião, de andar de elevador e de metro, de ficar no escuro ou trancado em algum lugar, de multidão - e a ladainha continuaria interminável se fossem enumerados os tipos de medo existentes e a forma pela qual se manifestam.
O medo é uma reação normal, possível de ser enfrentada com menor ou maior facilidade. Há dias em que estamos cheios de coragem e até desafiadores. Em outros, com o emocional abalado por um problema qualquer, somos a fragilidade personificada diante do mínimo contratempo. Geralmente, é nesses momentos que o medo toma vulto, as angústias, frustrações, incertezas se apossam de nós - e todo o negativo interior existente vem à tona.
Vale aqui uma comparação. Há pessoas que têm medo de contrair doenças incuráveis. Num momento de maior fraqueza física ou emocional, esse medo se avoluma de tal forma que elas passam a sentir os sintomas da doença simplesmente porque estão com dor de cabeça. Mas, quando o físico e o psíquico estão bem, nada atrapalha a vida. Tudo é superado com a maior facilidade. O mesmo ocorre com o medo.
Ao se falar em fobia, é preciso distinguir os medos domináveis dos incontroláveis. Mas são tantos os ingredientes que compõem essa distinção, que só através do diálogo com os atingidos por tais males é possível conhecer sua história e a razão pela qual chegaram ao extremo de não se controlarem quando os maus sentimentos os assaltam. Assim é mais fácil traçar uma diretriz ou alternativa para desbloquear e desneurotizar suas atitudes, para ajudá-los a levar uma vida normal.
A fobia nada mais é que um medo exacerbado. Quando ele é concreto e sua causa conhecida, é possível vencê-lo através da conscientização. Mas se é um medo abstrato, descomunal, incontrolável, acarretando crises seguidas, é hora de se tomar providências. Quem se encaixa nessa definição deve procurar um especialista para se conhecer melhor, saber suas verdades e descobrir as causas desse pavor irracional, para não comprometer sua vida por causa dessas emoções. Chegar aos limites do medo é perigoso. Aliás, tudo é perigoso quando não sabemos as causas do que acontece conosco e não tentamos, de alguma forma, resolver o problema.
Seres humanos que somos, jamais conseguiremos superar todas as nossas limitações. E importante, no entanto, não se acomodar, mas procurar saber as razões que levam a adotar determinados comportamentos prejudiciais, para não se deixar dominar por eles. Só assim os mais medrosos perceberão que os medos manifestados das mais variadas formas não passam de justificativas para se eximirem de enfrentar sentimentos mais profundos ali misturados.
Há também os que se escondem atrás do medo, justificando com isso sua inércia e comodismo por faltar-lhes garra e coragem para enfrentar os desafios da vida. Alguns casos têm atenuantes: problemas físicos, psíquicos e emocionais. Mas grande número de pessoas não trabalha seu medo para não se desinstalar da posição conquistada. Sair do comodismo requer luta, e é bem mais fácil esconder-se atrás de uma justificativa do que desacomodar-se. Nesse caso, o perigo de um comportamento negativo fossilizar-se reside na falta de consciência, que permite a instalação co-modista de atitudes negativas diante da vida, tornando a pessoa escrava de suas próprias emoções.
Os que se interessam em melhorar usam a inteligência para informar-se através de leituras, conversas, programas de rádio e televisão, a fim de conhecer-se mais. Através desse expediente, conseguem vencer as limitações de forma bastante positiva. Para tomar qualquer iniciativa basta querer. Também no campo psíquico essa máxima tem valor.
Se o problema do medo que acomete uma pessoa for sério e profundo e se tornou uma neurose, é preciso a ajuda de um profissional competente para ela sair dessa situação. Mas a pessoa de boa vontade consegue vencer sozinha 70% dos seus problemas, quando pára, analisa e tenta encontrar soluções. Esconder-se atrás deles é uma forma de fechar as portas da superação