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FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

quinta-feira, 27 de maio de 2010

UM BAÚ DE COISAS BOAS

Que saudade de ruas sem carros, de pés descalços correndo em estradas empoeiradas.

Ah!, que saudade de quintais sem muros, de serenata no escuro, de biscoito de polvilho frito e café quente na beira da fornalha.
Ah!, que saudade de manga espada, de subir nos pés de jabuticaba, de correr atrás das galinhas e brincar de esconde- esconde.
Ah!, que saudade das festas na rua, das brincadeiras sadias, das travessuras e das rusgas com os irmãos.
Ah!, que saudade de nadar escondido no córrego, de correr de boi bravo, de buscar lenha para o fogareiro e chupar cana olhando a chuva.
Ah!, que saudade da inocência, do pirulito Zorro, do Mini-Chicletes Adams, do pão com carne e ki-suco e das músicas de vitrola que não incomodava o vizinho.
Ah!, que saudade daquele tempo que correr atrás de dinheiro era apenas comprar uma moeda de chocolate.
Ah!, que saudade de andar de trole, de jogar bola na rua e apagar o padrão do vizinho na hora da novela.
Ah!, que saudade de levantar cedo ouvindo a voz dos parentes que chegavam de viagem.
Ah!, que saudade de ir para escola para chegar logo a hora de voltar para casa para brincar.
Ah!, que saudade de brincar no pátio da Igreja como se fosse a minha casa.
Ah!, que saudade das pescarias em família, de dormir amontoado e comer na cuia.
Ah!, que saudade dos meus avós, alguns que nem conheci.
Ah!, que saudade de subir em pé de manga, brincar de Tarzan e pegar borboletas na primavera. Onde estão aquelas flores amarelas que nasciam na primavera? Quase não as vejo, parece que deram lugar às flores cinzentas dos asfaltos e calçadas.
Ah!, que saudade de comer salame frito com arroz e feijão, porque isso significava que meu pai estava em casa.
Ah!, que saudade de ouvir rádio com meu pai, aquelas cantigas antigas cheia de sabedoria, diferente dessa batida seca e das letras sem nexo de hoje em dia.
Ah!, que saudade de andar a pé de bermuda e chinelo, de comprar na venda e jogar bolinha de gude.
Ah!, que saudade.... Não sei dizer onde perdemos o fio da meada, só sei que estamos cada vez mais fechados, menos amigos, mais individualistas, desrespeitosos, insensíveis e infelizes.
Sei também que a terra sofre, a criança sofre, o adolescente sofre, o jovem sofre, o velho sofre e Deus também.
Mas ainda há tempo, esqueça um pouco a seriedade do trabalho, tire o sapato e o disfarce de super-heroi e seja gente, apenas gente.
Chame uns amigos, frite uns bolos de polvilho e dê boas risadas. Procure o inimigo para selar a paz. Chame os filhos para uma pescaria. Faça um jantar especial, um bolo e leve para alguém, sem segundas intenções. Sorria para as pessoas, mesmo as que não sorrirem para você. Ofereça ajuda, faça um trabalho voluntário. Desligue o celular, o computador a televisão. Pare de se preocupar um pouco com a arrumação da casa e deixe de encher as unhas os cabelos e os rostos com esse tal de cosmético. Liberte-se dessa tirania da beleza artificial!
Ame e se deixe amar e isso renovará seu coração e embelezará seu rosto, seu corpo seu ser.
Seja como as crianças e então terá encontrado a verdadeira sabedoria e felicidade e o lugar mais seguro do mundo – pois das tais é o Reino dos Céus.
Não deixe que a arrogância do outro lhe torne arrogante, nem que a violência do outro lhe faça violento, dê a outra face e ande duas milhas. Diga não à mentira e acredite em milagres.
Não deixe que a cultura diga quem você é, mas mude a cultura pelo menos em sua mente.
E lembre-se, podemos abençoar ou maldizer com nossas palavras; podemos passar pela vida sem ter ou deixar saudades, isso vai depender de como lido com o que a vida, as frustrações, decepções fizerem de mim.
Aprenda com os erros e pare de acreditar que o fracasso é pior do que a vitória; pode ser que a vitória nos torne pessoas piores do que a derrota.
E por fim, pare de amontoar coisas e se cerque de amigos, pois quem encontra um amigo encontra um tesouro.

SEM RAZÃO

Jesus sem razão me amou;

Jesus sem razão me compreendeu;
Jesus sem razão me acolheu;
Jesus sem razão me encontrou;
Jesus sem razão me entendeu;
Jesus sem razão me olhou;
Jesus sem razão me perdoou;
Jesus sem razão me abraçou;
Jesus sem razão chorou por mim;
Jesus sem razão padeceu por mim;
Jesus sem razão sofreu por mim;
Jesus sem razão tocou em mim;
Jesus sem razão me ajudou;
Jesus sem razão fez-me caminhar;
Jesus sem razão existe pra mim;
Jesus sem razão me enviou;
Jesus sem razão me libertou;
Jesus sem razão me segurou;
Jesus sem razão me salvou;
Jesus sem razão me purificou;
Jesus sem razão habitou e habita em mim;
Jesus sem razão fez-se para mim,
A minha própria razão de pregar, de orar, de louvar,
de sorrir...de viver.
(*) não sendo eu merecedor

PACIÊNCIA E HUMILDADE.

Boa tarde. Paz seja convosco. Pensei em escrever uma mensagem on line e abri o devocional Gotas de Orvalho. A mensagem de hoje diz: "O que você não puder mudar, isso carregue com paciência e humildade, até que Deus mude."

Esta mensagem falou ao meu coração. Tenho muitas coisas no meu coração que não consigo mudar. São como espinhos na carne. Muitas vezes oro e passo um tempo com Deus. A seguir vem um mensageiro de Satanás e destrói aquilo que levei tempo para construir. São coisas que não consigo mudar. Jesus, em sua misericódia, diz-me que devo ter paciência e umildade. Deus irá mudar a minha situação. Eu por mim mesmo não consigo mudar.
Rm 9.28-29 nos diz: "Pois o Senhor julgará logo e de uma vez o mundo inteiro." Como o próprio Isaías tinha dito antes: "Se o Senhor Todo-Poderoso não nos tivesse deixado alguns descendentes, seríamos agora como a cidade de Sodoma, estaríamos destruídos como Gomorra."
Quando me examino, noto em mim o pecado. Há um mal dentro de mim. É bem como Paulo fala. O bem que me proponho fazer acabo não fazendo e o mal que não quero fazer, este acabo fazendo. Vejo que tenho a possibilidade de produzir qualquer tipo de pecado, basta ter condições propícias para sua realização. Entre eu e um pedófilo, por exemplo, não há diferença. Poço até não cometer o pecado da pedofilia, mas potencialmente também sou um pedófilo.
Isto revela a nossa mais triste condição de pecador. A cobiça que há no nosso coração revela isto. Precisamos de Jesus. Sem Jesus nada poço fazer. Sem o Espírito Santo não podemos ser convencidos do pecado, da justiça e do juízo de Deus. É por isto que pecar contra o Espírito de Deus não tem perdão. Sem Ele não podemos nos regenerar, pois não há convencimento do erro.
Quando ligo a mídia brasileira fico perplexo. Ali observamos o quando o homem está distante de Deus. Os programas mostram um mundo em desagregação. A sociedade está completamente perdida. Perdeu a noção do certo e do errado. Vejo homens que lutam pela justiça, mas no fundo não têm a consciência do pecado. É por isto que quem não tiver pecado deve atirar a primeria pedra. Não podemos ser coniventes com o pecado, mas devemos amar o pecador.
O pecado tem perdão, mas tem conseqüências. Na verdade, só Jesus pode nos perdoar. O homem, mesmo o cristão, não perdoa realmente. Fico observando o senador Malta, justiceiro da pedofilia. Ele, eu, os padres pedófilos e todos os homens somos todos iguais. Há um mal potencial dentro de nós, que sob condições favoráveis se manifesta.
A sociedade se perdeu. Babilônia está ruindo. Homossexualismo, lesbianismo, travestismo e pedofilia são o que se vê. Por outro lado há o narco-tráfego. As drogas ganham um espaço cada vez maior em todos os setores de uma sociedade perdida em seus valores. Isto acontece porque o ser humano quer encontrar a paz e não consegue. Só Jesus é o príncipe da paz e só Ele nos dá a paz. Vivemos uma verdadeira guerrilha urbana. Nossos capitais estão cercadas por um cinturão de miséria, drogas e criminalidade. A violência está banalizada. Não temos mais segurança, saúde e educação. O governo está mergulhado na corrupção. Lula tenta se mostrar do bem, mas está cerdado por gente do mal, para usar uma expressão popular. Está tudo dominado.
Chegamos a conclusão que o cenário está quase pronto para a volta de Jesus e do surgimento da nova ordem mundial. Cercado de problemas e sem liderança, o homem está pronto para entregar o governo mundial ao anticristo. Estamos vivendo a maior crise de autoridade da história do homem na terra. A besta vem como anjo de luz, como se fosse Cristo, como se fosse o Messias, no lugar de Jesus, mas nada tendo com o Mestre.
Os judeus pensarão que finalmente o Messias chegou. A igreja cristã desavisada pensará que Jesus voltou. Os árabes acham que quando Jesus voltar o islã dominará a terra. Nem divergências religiosos haverão.
Há coisas dentro de mim que não poço mudar e coisas exteriores que também não poço mudar. Só me resta ter paciência e humildade até que Deus mude todas as coisas. Só Jesus mudará o meu mundo interior e o nosso mundo exterior. Depois da grande tribulação vem o milênio. Enquanto isto, o que está sujo, suje-se mais. E o que está limpo, limpe-se mais. Quando menos se esperar, Jesus irá buscar a sua igreja, não de placas, mas dos santos lavados no seu Sangue. Que Ele nos encontre vigilantes, pois os dias são maus.
A oração é a porta para sair da prisão de nossas preocupações. Deus começou a boa obra em nós e é poderoso para completá-la até a volta de Jesus, que está próxima. Jesus venceu o sistema babilônico que rege o mundo. O sistema está acabado. Não temos mais liderança, pois abandonamos Deus, nosso verdadeiro líder, mas Deus não nos entregou à nossa própria sorte. Ele é paciente. Jesus está voltando para resolver nossas impossibilidades . Maranata. Obrigado pela oportunidade de lhes escrever. Paz.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

NEGAR COMO PEDRO x TRAIR COMO JUDAS

Fiquei um dia desses pensando na traição de Judas, seria necessário tal traição? Acredito que não, os judeus sabiam quem era Jesus Cristo e sabiam onde encontrar, então a traição de Judas foi totalmente desnecessária. Pensamos qual traição é necessária? Nenhuma, mas a pior de todas as traições é aquela que promovemos contra nós mesmo, e foi exatamente isso que Judas fez, ele traiu Cristo, e a culpa fez ele cometer o pior dos crimes, o suicídio.

Judas ao trair Jesus Cristo, sentiu-se culpado, por ter entregue realmente um inocente, e a culpa em si foi tão grande que ele resolveu se matar.
Quando cometemos um erro contra alguém, ou quando traímos o que fazemos ficamos a conviver com a culpa, fadado a ser eternamente condenados a infelicidade porque traímos alguém, a culpa não serve para nada, te paralisa, te entorpece, com ela nada se aprende.
E o que fazemos quando somos traídos? Muitas vezes pegamos a traição que o outro comete contra nós e ficamos alimentando dias e dias, ou mesmo anos e anos, aquilo dentro de nós, justificando o tempo todo eu não merecia isso. Verdade, você não a merecia, mesmo porque traição não é justificativa para nada e em momento algum, mas o pior é que pegamos aquilo que foi feito contra nós e jogamos contra nós mesmos todo o tempo, o traidor algumas vezes já nem se lembra mais do que fez, mas nós, o traído, ficamos remoendo e remoendo aquilo, mas diante de tal situação o que fazer? Esquecer? Perdoar? Não sei bem o que dizer, mas siga o teu caminho, olhe para frente e pense, que a cruz da traição é pesada apenas que quem quer carregar.
Lembramos que Pedro nega Jesus Cristo por três vezes no momento que Cristo está para ser condenado, e Pedro, ao ser reconhecido como um integrante do grupo de Jesus, nega que o conhecia. Porém tem algo muito interessante, Pedro nega, nesse momento ele trai a si mesmo, mas o melhor disso tudo é que ele vai ao encontro do seus amigos e permanece com eles, isso porque ele se arrependeu, mas uma forma de compensar o que ele fez foi estar ao lado dos amigos, e ele teve a recompensa pelo arrependimento, na aparição de Cristo aos seus discípulos lá estava ele, para se reencontrar com o seu Mestre, e se reconciliar com aquele que negaste.
Traição não deve fazer parte da nossa personalidade, mas não podemos negar que ela pode acontecer a qualquer um a qualquer momento.
Isso não significa que devemos desconfiar de todos, e ficarmos esperando a traição chegar a todo momento, devemos sim saber o que fazer no momento que formos traídos, seja por quem for, ou até mesmo com aquela traição que cometo contra mim mesmo, o que importa é como vou encarar essa situação, e não é da maneira mais covarde, me entregando a culpa ou da maneira mais fácil que é culpando alguém.
Então diante da traição, siga em frente, pois lá na frente você encontrará um Cristo ressuscitado.

LEGALIZADOS SIM, LEGALISTAS NÃO

Fomos salvos pela graça! Ou seja, justificados pela fé em Cristo. É isto que Paulo diz em Rm 3.28: "Concluímos, portanto, que o ser humano é justificado pela fé, independente da obediência à Lei" (King James Atualizada-KJA). A maioria das igrejas cristãs, incluindo algumas sabatistas, crêem na salvação pela graça. Isto é uma verdade indiscutível, ainda que haja os "legalistas".

Legalistas não!
Os legalistas são amantes demasiados da Lei. Crêem tanta na Lei, que acham que foram salvos por ela. Para ele resta um recado de Paulo: "Estou chocado que estejais vos desviando tão depressa daquele que vos chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho," (Gl 1.6 KJA).
Nós cristãos, não devemos ser legalistas. Se assim for, dependeremos de ser justificados diante de Deus pelas obras. Afinal, quem vive pensa ser justificado por obras da Lei não conheceu o Evangelho. “(...), portanto, é evidente que diante de Deus ninguém é capaz de ser justificado por obras da Lei, pois 'o justo viverá pela fé' ” (Gl 3.11 KJA).
Não adianta: não nos tornamos justos diante de Deus pela Lei. Mas somos pela fé em Jesus! O grande erro dos gálatas, é que aquela Igreja, achava que fora salva por obras da Lei. Lembremo-nos que a Lei em várias partes da carta aos Gálatas, é a lei cerimonial (circuncisão). Alguns crentes criam que foram salvos por esse motivo. Na verdade quem é legalista não tem a Lei da liberdade (Tg 2.12) no coração, só a faz exteriormente.
Gosto do que Larry Crabb diz a respeito dos que não tem a Lei no coração, isso é ser legalista: “Odiamos a Lei que Deus nos deu, então a reduzimos a parâmetros que podemos observar” . (O lugar mais seguro da terra. São Paulo: Mundo Cristão, 2000, p.172.)
Esse é o grande equívoco dos legalistas. Esse é o grande equívoco dos que acham que foram salvos (justificação), pela Lei. Isso é legalismo, isso não é cristão.

Legalizados sim!

A Bíblia diz que todos pecaram (Rm 3.23). Todos nós temos uma dívida vinda do pecado. E todos os que nascem, nascem sentenciados. O salmista Davi é enfático em dizer: “(...) tenho sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido” (Sl 51.5 NTLH).
O pastor inglês Arthur W. Pink, disse a respeito da sentença do pecado: “Sermos livrados da sentença da condenação da Lei Divina é a benção fundamental da
salvação de Deus: enquanto continuamos sob a maldição, não podemos ser nem santos nem felizes”. (Pink, W. Arthur. A doutrina da Justificação. In (pdf), on-line: – acessado dia 06/05/10, p.8.).
O único meio de sair de tudo isso, é pelo Filho de Deus, que é apresentado pelo Espírito Santo, que fará no homem Sua Obra de convencimento, pois, “Quando então, Ele vier, convencerá o mundo de seu pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8 KJA). O Espírito usa então a Lei nesta tarefa, como Paulo mais uma vez conclui: “Portanto, que concluiremos? A Lei é pecado? De forma alguma! De fato, eu não teria como saber o que é pecado, a não ser por intermédio da Lei (...)” (Rm 7.7 KJA).
Daí em diante, o Espírito trabalha para que o pecador aceite a Cristo pela fé. Quando o pecador é justificado pela fé em Jesus, se torna justo diante de Deus, sem nenhuma condenação (Rm 8.1). é como se ele (o pecador) ouvisse em seus ouvidos: “Está consumado!” (Jo 19.30), no grego bíblico a frase é: tetelestai, que quer dizer: está quitada a dívida. A frase parece ecoar do Crucificado, quando este esteve no Calvário há mais de dois mil anos, a todo aquele que O aceito como Senhor e Salvador.
A justificação acontece diante do Pai, pela fé em Seu Filho: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não de obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2.8-9).
A partir deste momento o Espírito Santo mora no crente! Nascemos de novo para uma nova vida, pois, “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus;” (1 Jo 5.1a). Embora, ainda pecadores (1 Jo 1.8), mas justificados, somos convocados a viver em “novidade de vida” (Rm 6.4). Esta nova vida, nos torna legalizados diante de Deus. Pois, agora inocentes por causa de Cristo, podemos guardar Sua santa Lei.
A salvação de Cristo nos livra da condenação da Lei, não da sua prática. Na verdade, nós que fomos salvos pela graça quando tivemos fé em Jesus (Rm 5.1), recebemos a capacidade do Espírito Santo para guardar a Lei de Deus, e assim fazermos a vontade do Senhor.
Isso se confirma no que Paulo diz aos Romanos 8.3-4 (KJA): “Porquanto, aquilo que a Lei fora incapaz de realizar por estar enfraquecida pela natureza pecaminosa, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do ser humano pecador, como oferta pelo pecado. E, assim, condenou o pecado na carne, para que a justa exigência da Lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a natureza carnal, mas segundo o Espírito.”
Agora legalizados temos condições de cumprir a Lei do Reino (Tg 2.8). Não para sermos salvos, mas porque já somos salvos. Não para nos orgulharmos, mas porque fomos criados em Cristo Jesus para as boas obras (Ef 2.10). Nessa nova identidade dada pelo Espírito, estamos legalizados diante de Deus por causa de Jesus. E assim podemos fazer o que O agrada (santificação).
Lei e Graça na dose certa!
Estamos sendo salvos. Estamos na santificação. Esta é a salvação do meio, e isto vai contar muito até chegar a glorificação. Em uma de nossas aulas de seminário, o professor disse: “O processo de salvação é como uma estrada, em que as placas de sinalização, é a lei de Deus”. Somos chamados as boas obras, e os Dez Mandamentos são bons (palavra de outro professor). O próprio Paulo, que não foi justificado por obras da Lei, o considera assim: “De maneira que a Lei é santa, e o mandamento, santo, justo e bom” (Rm 7.12 KJA).
Agora na Nova Aliança somos legalizados. A Lei está em nosso coração! (c.f. Ez 36.27; Hb 8.10). Crabb nos diz algo interessante no que diz a obediência, por termos a Lei no coração: “Na Nova Aliança ao lado do onipresente perdão, recebemos um novo poder. (...) O próprio Deus nos dá poder que possibilita a decisão correta. (...) Em sua forma mais madura, a obediência é uma questão de se relacionar bem (...)” (O lugar mais seguro da terra. São Paulo: Mundo Cristão, 2000, p.173.).
É pelo Espírito que estamos prontos a obedecer. A dizer como Paulo: “Anulamos, pois, a Lei por causa da fé? De modo algum! Pelo contrário, confirmamos a Lei!” (Rm 3.31 KJA).
Na Trindade,

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O IDEAL E A PREGUIÇA

Duas mentalidades


Há duas formas possíveis de situar-se perante a vida e as suas responsabilidades: – pode-se encará-la como uma missão – grande, bela e árdua –, que Deus propõe a cada um de seus filhos, e pela qual vale a pena gastar as melhores energias; – ou pode-se encará-la com a mentalidade do aproveitador. Para este, o que importa é passar bem, usufruir os prazeres da vida, fazer o imprescindível e não complicar-se. Assemelha-se a um mata-borrão que, quanto mais absorve – quanto mais a sua alma se embebe de egoísmo –, mais se estraga.
É característica desses tais, como diz São Josemaria Escrivá, “o comodismo, a falta de vibração, que impelem a procurar o mais fácil, o mais agradável, o caminho aparentemente mais curto, mesmo à custa de concessões no caminho da fidelidade a Deus”.
Com muito acerto escreveu um filósofo cristão dos nossos dias – Joseph Pieper – que “a preguiça significa, antes de mais nada, que o homem renuncia à altura da sua dignidade: não quer ser aquilo que Deus quer que seja”. E, nesta dolorosa renúncia, se destrói.
Desistir dos ideais é desistir de sermos “nós mesmos”. Porque cada um de nós só pode realizar-se de verdade na medida em que luta por ajustar-se àquilo que Deus lhe propõe como meta na vida. Ou porventura pensamos que Deus, Pai e Amor, Sabedoria infinita, nos lançou no mundo às cegas, sem ter em sua mente um plano para nós? Furtar-se a este plano de Deus, que é a sua Vontade e o nosso Ideal, é a mais radical das frustrações.
Na vida, o que nos desencanta não são as pequenas ambições insatisfeitas – no plano do sucesso e do dinheiro, por exemplo –, mas os ideais abandonados ou atraiçoados. Deus ofereceu-nos uma oportunidade, e nós a recusamos. Quantas vezes Eu quis – dizia Cristo com lágrimas, contemplando Jerusalém – e tu não quiseste! (Mt 23, 37).
Uma pista para desmascarar a preguiça
Ouvi contar há tempo, a um homem de Deus, a história verídica de um pastorzinho que todos os dias acompanhava o pai, ajudando-o a conduzir o gado para o pasto. Queimava-o o sol e cansavam-no as longas caminhadas, um dia após outro. Aconteceu que chegaram à fazenda uns estudantes para passar as férias. Acordavam tarde, passeavam longamente, prolongavam conversas à sombra das árvores. Um dia, um desses estudantes, no meio de um passeio vespertino, aproximou-se do garoto, que voltava cansado do pastoreio. – “Você – perguntou –, que gostaria de ser quando crescer?”. A resposta, após um relance ao moço e outro à boiada, não se fez esperar: – “Eu gostaria de ser ou estudante ou boi”.
Não andava pelas alturas, aquele menino. Queria uma vida cômoda: o dolce far niente do estudante em férias ou a paz do boi ruminando no pasto. Mas será que nós andamos por maiores elevações?
Uma das formas mais comuns da preguiça é justamente a repugnância pelas alturas espirituais e morais. É o que poderíamos chamar a ambição da mediocridade. Quer-se é viver bem, mas sem exageros de esforço nem loucuras de idealismo. Ser bom, ser um “cristão médio”, com a sua dose medida de religião, vá lá. Mas levar o cristianismo a sério e em plena coerência com a fé, isso considera-se fanatismo.
É muito interessante verificar que a sabedoria dos antigos, já desde os primeiros séculos do cristianismo, ao enfocar a preguiça, contemplava quase que exclusivamente o seguinte conteúdo: a resistência a atingir a altura espiritual e moral própria de um filho de Deus, de um cristão.
Na linguagem clássica cristã (de Cassiano a São Tomás de Aquino, passando por São Gregório Magno), o vício capital da preguiça era designado com o nome de acédia (ou acídia). A acédia é fundamentalmente uma tristeza, uma tristeza ácida e fria – daí o nome –, que invade a alma ao pensar nos bens espirituais – na virtude, na bondade, no amor a Deus e ao próximo –, precisamente porque não são fáceis de alcançar nem de conservar. Exigem esforço, renúncia, sacrifício. E o egoísmo se defende. A repugnância que sente por tudo quanto é abnegação e doação generosa vai criando depósitos azedos no coração, e acaba transferindo para Deus e para os próprios bens árduos que Deus pede uma fria antipatia, que pode terminar em aversão: “um tédio que acabrunha”, diz Santo Tomás de Aquino.
É natural que estes mesmos autores insistam no fato de que a acédia se opõe frontalmente àquilo que é a essência da perfeição cristã: o amor. A preguiça detesta o que o amor abraça, entristece-se com o que alegra o amor.
É possível que já tenhamos tido, alguma vez, a experiência desse tipo de tristeza, ao pensar em Deus e nos ideais cristãos, e nos tenhamos perguntado: por que Cristo exige de todos os seus seguidores que se neguem a si mesmos e tomem a cruz (cfr. Mt 16, 24)? Por que insiste na necessidade de perder a vida – de entregá-la – para achá-la (cfr. Jo 12, 25)? Por que assinala como lei áurea do cristianismo um amor ao próximo tão exigente, que deve ser um constante “servir e dar a vida’ pelos outros (cfr. Mc 10, 5)? Não seria mais agradável um programa suave, sem cruzes nem renúncias, feito de bondades descomprometidas? É bem possível que, sem reparar, tenhamos fixado como ideal de vida a honestidade hipócrita do fariseu – não mato, não roubo, pago o dízimo –, aliada à frase que se esgrime como uma fórmula de auto-canonização: “Não faço mal a ninguém”. Basta uma leitura superficial dos Evangelhos para concluir que isso não basta. Sede perfeitos, assim como vosso Pai celestial é perfeito (Mt 5, 48). O primeiro de todos os mandamentos é este: Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. O segundo é este: amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mc 12, 29-31).
Quem quiser seguir a Cristo tem que renunciar à vida fácil. Não se pode entrar no Reino de Deus sem um empenho esforçado: O reino dos Céus – diz Cristo – é arrebatado à força e são os violentos (os que lutam energicamente) que o conquistam (Mt 11, 12). Iludem-se os homens quando pensam que levar Deus a sério vai perturbar-lhes a vida, metendo-os num calvário de compromissos, exigências e complicações. Quando, na realidade, o que complica e estraga a vida, com a maior perturbação que existe – o vazio –, é exatamente o contrário: o medo de levar Deus a sério, a apreensão que faz fugir dos compromissos do ideal cristão.
Nunca é por ter-se dado ou sacrificado que um homem se esvazia, mas por ter-se poupado.
É dolorosa como uma queimadura a constatação de que os anos vão passando e o vazio vai aumentando. São duras certas horas de solidão, em que parece que o coração reclama: – “Não sei o que está acontecendo comigo, falta-me alguma coisa e não sei dizer o que é”.
A única coisa que acontece é que não vivemos a “nossa” vida – o que ela deveria ser –, mas um substitutivo rebaixado ou uma falsificação. Somente seremos felizes quando realizarmos a Vontade de Deus a nosso respeito, porque só então é que nos encontraremos a nós mesmos. Aqui temos, pois, uma pista clara para descobrir a preguiça de fundo que faz murchar a alma e o coração: a renúncia à altura. Assim resume Pieper, com traços vigorosos, essa atitude: “A preguiça, como pecado capital, é a renúncia mal-humorada e triste, estupidamente egoísta, do homem à “nobreza que obriga” de ser filhos de Deus”.
Com vibração, São Josemaria, o homem de Deus que rasgou horizontes imensos de santidade a milhares de pessoas, dizia: “Vira as costas ao infame quando te sussurra ao ouvido: «Para que hás de complicar a vida?»” (Caminho, n. 6).
E, em uma das suas homilias, comentava deste modo a passagem da primeira pesca milagrosa, que nos descreve São Lucas, no começo do capítulo quinto do seu evangelho: “Conta-nos São Lucas que uns pescadores lavavam e remendavam as suas redes nas margens do lago de Genesaré. Jesus aproxima-se daquelas naves atracadas na ribeira e sobe a uma delas, à de Simão. Com que naturalidade o Senhor se mete na barca de cada um de nós! Para nos complicar a vida, como se repete em tom de queixa por ai fora. Convosco e comigo cruzou-se o Senhor no nosso caminho, para nos complicar a existência delicadamente, amorosamente.
“Depois de pregar da barca de Pedro, dirige-se aos pescadores: Navegai mar adentro e lançai as vossas redes! Fiados na palavra de Cristo, obedecem, e obtêm aquela pesca prodigiosa. E olhando para Pedro, que, como Tiago e João, não saia do seu assombro, o Senhor explica-lhe: Não tenhas medo, de hoje em diante serás pescador de homens. E eles, trazidas as barcas para terra, deixando todas as coisas, seguiram-no (Lc 5. 10-11).
“A tua barca - os teus talentos, as tuas aspirações, as tuas realizações - não serve para nada se não a colocas à disposição de Cristo, se não lhe permites entrar nela com liberdade, se a convertes num ídolo. Tu sozinho, com a tua barca, se prescindes do Mestre, falando sobrenaturalmente, caminhas direto para o naufrágio. Só se admites, se procuras a presença e o governo do Senhor, estarás a salvo das tempestades e dos revezes da vida. Coloca tudo nas mãos de Deus: que os teus pensamentos, as boas aventuras da tua imaginação, as tuas ambições humanas nobres, os teus amores limpos, passem pelo coração de Cristo. De outro modo, cedo ou tarde irão a pique com o teu egoísmo” (Amigos de Deus, n. 21).
Vale a pena meditar seriamente nisso.

COMO VEMOS OS OUTROS

Ver os outros com amor

Quando São Paulo descreve as principais manifestações do amor ao próximo, da caridade, diz: A caridade é paciente, a caridade é benigna... (1 Cor 13,4). Vamos meditar nessa segunda qualidade: a benignidade.
A benignidade é, antes de mais nada, um especial modo de ver os outros. Para expressá-lo de maneira simples, poderíamos dizer que é benigno aquele que enxerga o próximo “com bons olhos”, e isto significa que possui uma inclinação habitual para fixar a sua atenção no “lado bom” das pessoas. Dentro do seu coração, está convencido de que não há nenhuma criatura que não tenha valor. Percebe amorosamente que em cada ser humano, de um modo ou de outro, encontram-se as sementes, o latejar do bem. Pois todo o homem, por mais deficiente que seja, conserva – mesmo por entre as mais densas sombras do pecado – a “imagem de Deus”, uma “imagem” que pode e deve ser amada.
“Dentro do avarento mais egoísta – dizia Paul Claudel –, no interior da pior prostituta e do mais indecente bêbado há uma alma imortal, santamente ocupada em respirar e que, não podendo fazê-lo de dia, ao menos no repouso do sono pratica a sua adoração noturna”. No interior do mais degradado pecador – poderíamos acrescentar – há um santo à espera de que o despertem. E só poderá acordá-lo o amor, o respeito e a confiança de um coração bom.
A bondade não despreza ninguém
Uma atitude que se situa do lado contrário da benignidade é o desprezo. Quando Cristo quis desmascarar a “bondade” hipócrita dos fariseus, começou por dizer que havia uns homens que confiavam em si mesmos, como se fossem justos, e desprezavam os outros (Lc 18,9).
O fariseu despreza precisamente porque se considera justo, porque é orgulhoso. Ao julgar-se perfeito e gabar-se das suas pretensas perfeições, considera inferiores aqueles que, em seu conceito, não as possuem: “Não sou como os outros homens”, diz, inchado de autocomplacência.
É próprio do orgulhoso manifestar uma irritada intolerância com os defeitos do próximo. Tal é o caso do homem que se aborrece porque a mulher, o colega ou os filhos são desordenados, ou distraídos e lerdos, ou pouco inteligentes, inoportunos, teimosos, rebeldes... Admirando-se a si mesmo como a um “deus”, julga intolerável que os demais não sejam “à sua imagem e semelhança”. Por isso, está continuamente a lançar-lhes em rosto, de modo humilhante, os defeitos que é incapaz de compreender: “Você nunca faz nada direito”, “parece mentira que não tenha um pingo de sensatez”, “não há quem o agüente”...
Com essa incapacidade para a compreensão, é natural que o orgulhoso se canse, e esse cansaço em face dos demais é outra forma – não menos dolorosa – de menosprezo. Frases como “já chega”, “não dá mais”, “desisto de tentar”, aplicadas ao próximo, indicam que a caridade fracassou dentro do coração de quem as pronuncia. A “decepção” é a morte da benignidade.
Por que nos sentimos decepcionados?
Mas, vejamos com calma. Por que nos sentimos decepcionados com alguém? Será, porventura, porque o amamos? Não, certamente. É porque nos amamos demasiado a nós mesmos, porque nos adoramos como a um pequeno ídolo ridículo, e por isso exigimos dos outros as qualidades que nos satisfazem e que “servem” a nossa satisfação.
Há, por exemplo, pais que se sentem decepcionados com os seus filhos porque não conseguiram moldá-los como argila, de acordo com o modelo que idealizaram para a sua satisfação pessoal. Tinham feito, como um cineasta, o “roteiro” da vida do “filho ideal”, prevendo todas as etapas e calculando todos os detalhes. E eis que os filhos, usando da sua liberdade – e, às vezes, secundando o plano que Deus preparou para eles – rasgam o “roteiro” do pai (vai seguir a mesma carreira que eu, vai trabalhar comigo, vai ser rico e importante, etc.) e traçam o seu próprio caminho. Nessa altura, o pai sente que foram cortados os fios com que pretendia comandar os filhos como marionetes, e mergulha na decepção. Mesmo as mais belas opções de vida feitas pelos filhos, se estão à margem do “roteiro” paterno – por exemplo, dedicar-se inteiramente a Deus, escolher uma profissão menos brilhante mas mais aberta ao serviço do próximo, abraçar ideais de pesquisa científica ou de arte –, parecem-lhe tolices, idealismos estúpidos que vão estragar-lhes a vida. Na realidade, estão estragando apenas os sonhos egoístas do pai.
Também nos cansamos e decepcionamos facilmente com os outros porque não corrigem os seus defeitos – defeitos reais, falhas objetivas – com a rapidez que nós desejaríamos. Uma e outra vez reincidem nas mesmas faltas, continuam com as mesmas reações, mantêm inalteradas as arestas do seu caráter. Então, desanimados, só sabemos recriminar, repetindo como um disco rachado: ele fala demais, esquece tudo, chega atrasado, não me escuta, gasta sem controle, etc., etc. E, ao pensarmos nesses defeitos sempre reiterados, sentimo-nos com o direito de dizer: “Isso cansa”. Daí a desistir de compreender e ajudar há só um passo, o passo que o “cansado” acaba dando quando se rende à decepção e conclui: “Não tem conserto”. Extinguiu-se então a confiança e instalou-se no coração o desprezo.
Atenção amorosa
Não desprezar. Aqui temos o que poderíamos chamar o “primeiro mandamento” da benignidade. Valorizar e confiar, esta é a versão positiva desse mandamento.
Uma das manifestações mais comoventes da bondade de Cristo é a sua infinita capacidade de prestar uma atenção amorosa e confiante a todos, mesmo aos que parecem mais pervertidos e irrecuperáveis. É uma atitude que vemos a cada passo nos relatos evangélicos, ao contemplarmos o modo acolhedor e esperançado com que Cristo encara os pecadores, os miseráveis, todos aqueles que aparecem como o rebotalho imprestável do mundo.
Há, concretamente, uma passagem do Evangelho em que essa atitude se revela com grande transparência. São Lucas pinta a cena com os traços de um drama em que intervêm dois personagens, Cristo e um fariseu chamado Simão. Ambos contemplam o mesmo fato: a irrupção inesperada de uma mulher pecadora na casa do fariseu, onde Jesus estava à mesa juntamente com outros convidados. E eis que uma mulher, que era pecadora na cidade, quando soube que Ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro cheio de bálsamo. Estando a seus pés, detrás dEle, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas, enxugava-os com os cabelos da sua cabeça, beijava-os e ungia-os com bálsamo (Lc 7, 37-38). Aquela pobre mulher, tocada na alma pela divina bondade de Cristo, não sabe o que fazer para expressar a sua dor, o seu arrependimento.
Dois pares de olhos fixam-se especialmente nela: os do fariseu Simão e os de Cristo. Ambos observam a mesma cena, a mesma pessoa, os mesmos gestos. Mas vêem coisas inteiramente diferentes.
O fariseu fixa na pecadora o olhar do desprezo: Vendo isto, o fariseu que o tinha convidado disse consigo: Se este fosse profeta, com certeza saberia quem e qual é a mulher que o toca, e que é pecadora. Simão só vê o “lado mau”.
Cristo, pelo contrário, dirige à pecadora o olhar do amor benigno. Mansamente, volta-se para o fariseu e diz-lhe: Simão, tenho uma coisa a dizer-te... E o que Cristo vai dizer-lhe, com um laivo de tristeza, é que Simão ainda não aprendeu a enxergar com bondade, ainda não aprendeu a apreciar o valor dos outros com uma “atenção amorosa”.
Um credor – começa Cristo – tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários, o outro cinqüenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a dívida. Qual deles, pois, mais o amará? O que equivale a dizer: Simão, onde tu vês um atrevimento despudorado, eu vejo amor. Esta pobre criatura chora a pena do arrependimento e a alegria do perdão.
E prossegue: Vês esta mulher?... – sim, é necessário, é importante conseguir “ver” os outros –, vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; e esta com as suas lágrimas banhou os meus pés e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste o beijo da paz, mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar os meus pés. Não ungiste a minha cabeça com bálsamo, mas esta ungiu com bálsamo os meus pés. Pelo que te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados porque muito amou (cfr. Lc 7, 40-47).
como se percebe bem aqui o modo de olhar de Jesus! Mais do que ninguém, Cristo era capaz de penetrar no abismo de mal que o pecado cavara naquela alma. E mais do que ninguém, por ser Ele Deus – Deus feito homem –, podia sentir-se atingido pelo pecado, pois este é, acima de tudo, ofensa a Deus.
Nada disso, porém, passa para o primeiro plano no olhar de Cristo. Na escuridão do pecado que envolve a alma daquela mulher, não detém a vista no que o ofende; só vê brilhar – como a luz que cintila numa noite escura – a bondade que começa a desabrochar naquela alma dolorida. Apenas vê o “lado bom”, a raiz de bondade que está a despertar e que Ele pode e quer ajudar a crescer.
O fariseu, sem dúvida, teria expulsado asperamente a pecadora, e com isso certamente a teria ferido, teria abafado a sua esperança, tê-la-ia acorrentado, talvez para sempre, ao seu mal. Cristo estende-lhe a mão e a salva: A tua fé te salvou; vai em paz (Lc 7, 50).
Na atitude de Cristo encontramos matéria abundante para meditar.
O espelho dos nossos defeitos
Estamos vendo que a falta de benignidade, de bondade, se manifesta, entre outras coisas, pela reação que os defeitos alheios provocam em nós: umas vezes, de impaciência; outras, de desprezo ou cansaço. E já percebemos que tais reações não são propriamente “provocadas” pelos defeitos dos outros, mas são “ativadas” pelo nosso egoísmo ou pelo nosso orgulho.
Talvez compreendamos melhor o que se passa conosco se percebermos que, devido ao nosso egoísmo e à nossa autosuficiência, a primeira coisa que notamos nos outros é a sombra que os seus defeitos projetam sobre o espelho dos nossos próprios defeitos. Por outras palavras, os defeitos alheios incomodam-nos precisamente porque ferem um defeito nosso. Alguns exemplos podem esclarecer-nos.
Não é raro que um marido se sinta tremendamente aborrecido quando, ao chegar a casa cansado no fim do expediente, a mulher se dedica a martelar-lhe os ouvidos com uma longa cantilena de reclamações e lamentos: o elenco das contrariedades do dia. A reação espontânea do marido é perder o bom humor: “Por que não me deixa em paz? Será que não compreende que tenho direito a um pouco de tranqüilidade após um dia de trabalho estafante?”
Aparentemente, este marido tem razão. E certamente a esposa faria bem se guardasse para si as suas queixas e se ocupasse em tornar mais amável o convívio familiar. Mas também é verdade que a reação de impaciência e desgosto do marido não nasceu do amor: a ladainha enfadonha da mulher projetou uma sombra sobre o seu comodismo, feriu o seu comodismo, e por isso o perturbou. Fosse um homem de coração generoso, e a fraqueza da mulher se projetaria sobre o espelho do amor compreensivo, e nesse caso a reação seria outra.
Poderíamos falar também da impaciência do pai que recebe o boletim do colégio do filho enfeitado de vermelhos. É natural que esse mau desempenho nos estudos preocupe o pai e até que o deixe indignado. É lógico que tenha uma conversa menos suave com o filho. Mas, ao mesmo tempo, seria muito bom que analisasse o seu coração e se perguntasse: estou reagindo só por amor ao filho, pelo seu bem, ou porque me humilha que o meu garoto seja dos últimos da classe, e isso projeta uma sombra no espelho da minha vaidade? Pode muito bem acontecer que o sentimento predominante seja este último, e então a impaciência é a reação de um defeito pessoal atingido.
O mesmo poderíamos dizer quando notamos que possuímos uma grande facilidade para “ver” que os nossos colegas são antipáticos, pouco inteligentes, maçantes e desleais..., quando, na realidade, o que “não vemos” é que estamos deixando-nos dominar pela inveja, pois o que nos aborrece é que, apesar de tantas deficiências que observamos neles, estão-se saindo melhor do que nós e tendo maior sucesso no seu trabalho.
O coração bom enxerga coisas boas
Já dizia o Padre Vieira que “os olhos vêem pelo coração; e assim como quem vê por vidros de diversas cores, todas as coisas lhe parecem daquela cor, assim as vistas se tingem dos mesmos humores de que estão bem ou mal afetos os corações” (Sermão da quinta Quarta-feira, 1669).
Quando o coração é limpo e bom, enxerga as coisas limpas e boas do mundo, especialmente as coisas limpas e boas dos outros. Se está manchado, projeta a sua sujidade em tudo.
Se fôssemos mais humildes e esquecidos de nós mesmos, ao percebermos que as fraquezas e os erros dos outros fazem saltar como uma mola os nossos próprios defeitos, começaríamos por tentar limpar esses nossos defeitos. Um pequeno inseto pousado sobre uma ferida aberta incomoda muito. Mas se curarmos essa ferida, a presença do inseto sobre a pele sadia será quase imperceptível.
Meditando nestes aspectos, Santo Agostinho sugeria um sistema excelente: “Procurai adquirir as virtudes que julgais faltarem aos vossos irmãos, e já não vereis os seus defeitos, porque vós mesmos não os tereis” (Enarrationes in Psalmis, 30, 2, 7).
Vale a pena tentar essa experiência. Suponhamos, por exemplo, que estamos a conviver com uma pessoa ríspida. Fala bruscamente, agride com comentários, critica tudo. Isso “provoca-nos” e impele-nos a retrucar com a mesma moeda: quase sem repararmos, também nós nos tornamos agressivos e azedos. Esforcemo-nos por dar uma virada. Tentemos, como ensina São Paulo, vencer o mal com o bem (Rm 12,21). Iniciemos decididamente uma campanha de paciência, amabilidade e mansidão. É muito provável que aconteçam duas coisas: primeiro, que a pessoa que nos “provoca” fique desarmada perante a nossa afabilidade, e mude; segundo, que nós mesmos, com a alma limpa de preocupações egoístas, venhamos a descobrir que aquela rispidez “incompreensível” outra coisa não era senão a amargura de alguém que não sentia reconhecido e valorizado o seu trabalho; ou então era o queixume surdo de quem tinha ânsias de um pouco mais de atenção que ninguém lhe dava. Uma vez feita essa constatação, já não veremos mais um defeito que aborrece, mas uma carência que, com carinho, procuraremos aliviar. Passaremos a olhar o problema com o calor aconchegante da bondade.
Como dizia alguém, “somente nos irritam os nossos defeitos”. As agulhadas e impertinências dos outros são “cutucões” sobre os nossos defeitos, que Deus permite para que os vejamos melhor e nos decidamos a vencê-los. Se arrancarmos os nossos defeitos, as “pedras” do nosso campo – da nossa alma –, não sentiremos mais os “pontapés” dos outros, porque não terão onde tropeçar. Se todos nós compreedêssemos estas verdades simples, haveria mais paz nas famílias e, em geral, no convívio humano, e muitas desavenças crônicas abririam passagem à harmonia e cresceria o amor.