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ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

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AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

quarta-feira, 8 de julho de 2009

FACES DO PERDÃO


"O perdão não é para muitos. É somente para os especiais. Vem do coração de Deus. E nem todos têm o coração de Deus" (Ana César).

"Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará" (Mateus 6. 14).

A frase acima, de Ana César, foi pronunciada em uma situação em que alguém pediu perdão a outrem, e não obteve o perdão.

Como seres humanos que somos, o perdão (sentimento e ação) aflora em nossas mentes, quando estamos na condição de agentes passivos, ou seja, fomos a parte ofendida e entendemos que merecemos receber um pedido de perdão.

Mas, como cristãos que somos, precisamos ter a visão de Jesus no que diz respeito ao assunto. Para perdoar temos que "ter o coração de Deus", e muito mais: temos que ter Deus no coração, e temos que estar no coração de Deus.

Antes d’Ele mencionar o perdão, na oração que chamamos de "dominical" (não por ser uma oração para ser feita no domingo, mas dominical, palavra que vem de "dominus", que quer dizer Senhor, logo, "oração do Senhor"), Ele abordou o assunto da seguinte maneira:

"Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta [sua vida em serviço, não, necessariamente, oferta financeira], ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, voltando, faze a tua oferta" (Mateus 5. 23-24).

O Senhor, então, está nos ensinando um princípio de vida espiritual, quando estamos no papel do agente ativo, isto é, fomos o ofensor e temos que buscar a reconciliação pedindo perdão a quem ofendemos.

Isto nos leva à conclusão de que, se queremos servir a Deus, temos que estar com a nossa vida, em relação aos nossos semelhantes, bem como em relação a Deus, "em dia", melhor dizendo, sem pendências, sem dívidas de sentimentos.

A seguir, Ele diz: "Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juíz, o juíz ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão" (Mateus 5. 25).

Este trecho deixa claro que a reconciliação, o pedido de perdão, tem que se dar enquanto estamos vivos, até porque depois que morrermos não teremos mais condições de buscar a reconciliação.

E, caso a situação seja inversa, se o nosso adversário falecer primeiro, não adianta irmos ao seu túmulo buscar o perdão, pois claro está na Palavra de Deus que os vivos não se comunicam com os mortos (Lucas 16. 26).

Essa expressão "enquanto estás com ele a caminho", tem o mesmo sentido [em nosso entendimento particular] da Palavra que nos orienta a buscar ao Senhor, enquanto se pode achar (Isaias 55. 6).

Ou O buscamos enquanto estamos vivos, ou depois não há mais como o fazer.

Importante é dizer que quando ofendemos a Deus [pecamos], ou seja, somos o agente ativo em relação a Deus, Ele não nos orienta a pedir perdão a Ele, mas a confessarmos o nosso pecado a Ele (I João 1. 9).

O perdão já foi concedido na cruz, faz parte da Graça de Deus, Ele já nos perdoou pelos pecados passados, presentes e futuros, não sendo, portanto, coerente pedir o que Ele já nos deu.

Mas Ele nos ensina, no caso, a "confessarmos" a Ele o nosso erro, a nossa falta, a nossa maldade, a nossa ação contrária aos seus desejos, a nossa omissão em relação ao que Ele quer que façamos, enfim o pecado que cometemos contra Ele e ou contra o próximo:

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (I João 1. 9).

Segundo os “expert” em grego, a tradução correta seria: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para já nos ter perdoado os pecados e já nos ter purificado de toda injustiça”, redação que fica coerente com o fato de que, na cruz, Jesus já levou sobre Si os nossos pecados passados, presente e futuros.

A oração de confissão é, portanto, o ato de nos apropriarmos do perdão que Ele já antecipou [na cruz].

É assim na dispensação da Graça [da Igreja], e foi assim antes, na dispensação mosaica [dispensação da lei], ou qualquer outra dispensação precedente à da Graça, conforme Deus deixou claro, através de Salomão:

"O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28. 13).

Estejamos, pois, em paz com Deus e com o nosso próximo, não só para não sermos pegos de surpresa, quando do nosso encontro com Jesus (arrebatamento ou falecimento), mas, também, para não termos óbices quando do exercício, quando da prática de nossa fé.

GUERREIROS E APOSTOLOS


Dos valentes de Davi que se firmaram com valor no seu reino e, junto com todo o Israel. Dos que passaram para o lado de Davi, em Siceleg. E, outro grande número de guerreiros armados que se apresentaram a Davi em Hebron, a fim de transferir para ele o reino de Saul, cumprindo assim a ordem de Deus: Destaca-se um grupo de 11 homens da tribo de Gad que passaram para o lado de Davi, quando ele ainda estava escondido no deserto. Eram guerreiros valentes, gente treinada para a guerra, bons no manejo do escudo e da lança. Pareciam leões, e eram espertos como gazelas em meio às montanhas. O chefe deles era Ezer; Abdias, o segundo; Eliab, o terceiro; Masmana, o quarto; Jeremias, o quinto; Eti, o sexto; Eliel, o sétimo; Joanã, o oitavo; Elzebad, o nono; Jeremias, o décimo; Macbanai, o décimo primeiro. Eram esses os comandantes de batalhões, que tinham cada um, entre cem e mil soldados. Foram esses que atravessaram o rio Jordão e puseram para correr, todos os moradores desses fundos, de um e de outro lado do rio (I Cr. 12: 9-16).

Provavelmente estes guerreiros por andarem muito próximo de Davi, foram quem sabe, os primeiros servidores a ouvir os Salmos e apreciar; e por eles, adorar e louvar a Deus.

Em Jesus e Davi podemos notar varias coincidências, inclusive esta, em que ambos tiveram muitos seguidores ao seu redor, mas 11 (onze), deles se destacaram: como guerreiros para Davi, e para Jesus, como apóstolos.

Os guerreiros de Davi e os apóstolos de Jesus eram homens comuns a quem Deus usou de maneira extraordinária, como servidores. Os guerreiros de Davi eram homens perseguidos de justiça e entre os discípulos de Jesus, estava pescadores, coletor de impostos, revolucionário.

Mas se com Davi, esses guerreiros valentes já vieram treinados para o serviço da guerra; com Jesus a coisa foi exatamente o contrario. Os apóstolos, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, primeiramente foram discípulos a serem preparados para combater o bom combate na guerra espiritual da proclamação do Evangelho (Mt. 10:2-4). Após a ressurreição e ascensão de Jesus, o Espírito Santo transformou os discípulos em apóstolos que “alvoroçaram o mundo” (Atos 17:6).

Creio que esses dois contingentes de guerreiros e apóstolos foram multiplicadores dos servidores heróicos que chegaram ate os nossos dias. Homens comuns que cresceram e superaram fronteiras, venceram preconceitos e limitações como heróis. Homens com domínio próprio chegaram à terceira idade vendo centenas de pessoas iguais a eles, entrarem em esquemas para enriquecer e ter mais poder, mas mesmo assim, não cederam em suas posições morais. Homens abnegados que lutaram por seus ideais com suas famílias, como verdadeiros heróis da fé.

Sem o testemunho dos guerreiros de Davi e dos apóstolos de Jesus, nenhum desses homens comuns, servidores heróicos de hoje sem rosto, mas não sem expressão; anônimos, mas não sem identidade; sem cadafalso, mas não sem sacrifícios; sem honrarias, mas não sem méritos. Doar-se-iam as causas humanitárias pisando na lama dos caminhos da pobreza; subindo morros; desbravando sertões e as matas; atravessando fronteiras ou sobrevoando oceanos, em busca de almas perdidas carente de salvação e esperança de vida eterna (II Co. 2: l4), para levar a Palavra de Deus com Jesus no coração.

terça-feira, 7 de julho de 2009

CHAVE DO AMOR


"O amor tem quê de mistério, transcendente e decisão contínua pela vida; além do mais, desafia-nos a relermos as páginas das nossas convicções, dia-a-dia!".

Início o presente texto para pensarmos sobre o amor. Diria, em bom e alto tom, uma palavra evocada e dessecada por poetas, romancistas, filósofos, religiosos e por cada um de nós.

Muitos alegam terem matado por causa do amor. Outros sacrificado a própria vida. As páginas policiais e os processos na esfera penal vem imbuídos de tragédias acarretadas por essa tão aclamada e enigmática, estupenda e lúgubre palavra.

Valho-me dessas conotações destacadas, na frase anterior, com a intenção de patentear o quanto ela nos incomoda, impele e inquire ou desafia.

Ultimamente, os progressos ora vivenciados pelos homens não conseguem diferir vácuos de uma geração atordoada, arrefecida e entregue a própria sorte. Melhor dizendo, a sorte do individualismo, da coisificação do outro, da étia narcisista, da cultura egoística e da desesperança espraiada em todos os âmbitos sociais.

Ora, na tentativa de preencher as águas turvas e insidiosas do amor, poderíamos enfatizá-lo como uma escolha regida por um senso fraterno, filantrópico, solidário e de íntima compaixão?

Ou seria, então, um comportamento humano regido por um compêndio ético e altruísta enobrecedor?

O presente itinerário de colocações nos leva também a uma dimensão do amor condicionado a uma questão de carência emocional, sexual e afetuosa?

Socorro-me das palavras de Lutero a efeito de definir o amor como a decisão pela vida pessoal e interpessoal. Isto desmonta as engrenagens do amor neutralizado, manipulador, cerceador e desfigurador do outro.

No desfiar dessas palavras fico perplexo e num emaranhado de incógnitas e interrogações, por causa da aridez do amor não ser difundido nem consubstanciado nos púlpitos.

Afinal de contas, nada a nossa disposição pode proporcionar, no mínimo, uma idéia, não importa se baal ou idílica ou irreal, do amor? Arrisco desatar as cordas e experimentar o toque dos ventos ao impulsionar a caravela dessa escrita.

Sem qualquer exagero, enquanto pontuo palavras e propostas, o texto de 1 João 4. 16 traz o diagnóstico, o veredicto e laudo sobre o amor. Vejamos: Deus é amor. Atentemo-nos agora para o coração-útero, o epicentro e bojo da frase ancorada em Deus.

Por consequência, convergirmos a nossa descoberta em Deus e nos afastamos das hipóteses de ser o amor um comportamento humano, um processo cognitivo refinadíssimo ou uma postura decisória.

Presumidamente, Deus é amor! Nisto aquiescemos na referência de 1 João 04. 09 e nos abre a oportunidade no que toca a compreendermos e discernirmos a nascente do amor. Em outras palavras, contida na revelação de Deus, em JESUS CRISTO.

Quer queiramos ou não, o amor personifica e patenteia o sofrimento e as ações de Cristo. Sem essa consonância ''Deus, revelação de Deus e do amor'', a trajetória cristã sucumbe em sofismas, bobagens, puerilidades e cretinices.

Torna-se de bom alvitre aludir, devemos, na dimensão cristã e humana, captar a manifestação do amor não segundo uma dimensão e interpretação etérea ou abstrata ou desencarnada.

Digo isso, em decorrência do amor alcançar a sua pujança ao circular pelo cotidiano da realidade factível, da realidade de lágrimas, da realidade de perdas, de dúvidas, de sonhos desfeitos por tragédias, de crises sociais e econômicas mundiais, de conflitos bélicos, de pandemias aterradoras, de crianças abusadas sexualmente, de mulheres violentadas, de filas de desempregados, de famílias esfaceladas pelas drogas, de preconceitos raciais e minorias.

Sem hesitar, em Cristo, o amor tem um ritmo dialético e humanizador. Destarte, em Cristo, encontramos o alicerce, o sentido, o destino e a centelha do amor.

Vale dizer, em Cristo, a revelação do Deus amor, há o abarcar de toda situação humana e o desmantelar do estado de dissenção do ser humano com Deus, consigo mesmo e o próximo.

A guisa dessa temática e emblemática incursão sobre o amor, chego a conclusã de a Igreja, no encetar do Séc. XXI, carece de submergir na revelação do Deus amor.

Tais afirmações objetiva nos reportar a importância de sermos metamorfoseados, ou resgatados por esse amor, por essa graça e vida. Eis aqui a tônica de 1 Coríntios 8.03 - ao corroborar o amor como a linguagem de ser gerado para a vida.

De todas essas ponderações, o amor de Deus, o ser amado por Deus, o amor a Deus e ao próximo nos remete a não deixarmos de enfrentar o momentos tensos e incisivos, as ações e decisões consideráveis.

Ademais, o amor descrito na bíblia resgata a nossa humanidade na concretude, no palco do dia-a-dia e integralmente enlaça o nosso ethos, o nosso espírito e a nossa psique.

NÃO SE PREOCUPEM


Inquietação, preocupação e ansiedade -- estes são sinônimos para descrever o mal que atormenta nossa geração pós-moderna. Nossos dias estão mais curtos, a quantidade de informações a que estamos expostos é assombrosamente grande, a competição extrapola o ambiente profissional e se manifesta em todos os nossos relacionamentos. Por fim, numa era em que o relativismo sucumbe com o absolutismo, a incerteza toma conta da nossa mente.

Não é de se estranhar que a exposição contínua a essas situações de estresse nos cause desconforto. Lembro-me da advertência de Jesus no Sermão do Monte: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mt 6.33-34). Ao contrário do que muitos pensam, as palavras de Jesus não têm a função de amenizar nosso desconforto por viver no século 21; elas nos desafiam a não nos conformarmos com a mentalidade deste século.

Enquanto o ritmo dos nossos dias tende a levar a pessoa a um estado de ansiedade que resulta num olhar essencialmente egoísta e individualista da realidade que a cerca, Jesus propõe viver o dia de hoje sem antecipar as preocupações que estão por vir. Ele nos adverte a priorizar o reino de Deus e a manifestação de sua justiça, no exercício da fé na providência divina.

Jesus não está relegando o dia de amanhã à sorte, ou a um estilo de vida irresponsável; em vez disso, está trazendo à memória que o andar preocupado não acrescenta esperança a nossa existência. Deus é pessoal e tem pleno conhecimento das nossas necessidades. Até a natureza testemunha do seu cuidado -- basta olhar para as aves do céu e para os lírios do campo.

Ao mesmo tempo, somos lembrados de que temos uma identidade. Não vivemos exclusivamente para nossas satisfações, mas para a promoção do reino de Deus. Por exemplo, andamos tão preocupados conosco que negligenciamos a atenção devida ao nosso próximo. Essa é uma situação corriqueira, capaz de nos tornar insensíveis às necessidades de nossos irmãos. Ao contrário do que se pensa, o olhar para si mesmo não traz contentamento, e sim uma busca egoísta e insaciável por prazer. Para combater este mal é primordial investir tempo em relacionamentos, pois só assim estaremos aptos a olhar para as necessidades daqueles que nos cercam.

Não é exagero lembrar que o próximo ao qual o texto se refere não se limita aos irmãos da igreja que frequentamos, mas é abrangente a toda a humanidade. Daí a urgência em promover o reino de Deus e sua justiça entre todos aqueles que estão distantes do evangelho.

Aquietai-vos, fiquem tranquilos e parem de lutar -- estes são sinônimos para descrever a reação que Deus espera de seus filhos frente às turbulências de nossos dias. Lembrem-se de que o Senhor está conosco, ele é o nosso refúgio (Sl 46.11). Cabe a nós não desanimar diante dos desafios da nossa geração e manter a proclamação do evangelho de Jesus, seja com palavras, seja com o testemunho da nossa vida.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A SORDIDEZ HUMANA


"Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça
alheia? Quem é esse em nós, que ri quando
o outro cai na calçada?"

Ando refletindo sobre nossa capacidade para o mal, a sordidez, a humilhação do outro. A tendência para a morte, não para a vida. Para a destruição, não para a criação. Para a mediocridade confortável, não para a audácia e o fervor que podem ser produtivos. Para a violência demente, não para a conciliação e a humanidade. E vi que isso daria livros e mais livros: se um santo filósofo disse que o ser humano é um anjo montado num porco, eu diria que o porco é desproporcionalmente grande para tal anjo.

Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós (eu não consigo fazer isso, mas nem por essa razão sou santa), que ri quando o outro cai na calçada? Quem é esse que aguarda a gafe alheia para se divertir? Ou se o outro é traído pela pessoa amada ainda aumenta o conto, exagera, e espalha isso aos quatro ventos – talvez correndo para consolar falsamente o atingido?

Ilustração Atômica Studio


O que é essa coisa em nós, que dá mais ouvidos ao comentário maligno do que ao elogio, que sofre com o sucesso alheio e corre para cortar a cabeça de qualquer um, sobretudo próximo, que se destacar um pouco que seja da mediocridade geral? Quem é essa criatura em nós que não tem partido nem conhece lealdade, que ri dos honrados, debocha dos fiéis, mente e inventa para manchar a honra de alguém que está trabalhando pelo bem? Desgostamos tanto do outro que não lhe admitimos a alegria, algum tipo de sucesso ou reconhecimento? Quantas vezes ouvimos comentários como: "Ah, sim, ele tem uma mulher carinhosa, mas eu já soube que ele continua muito galinha". Ou: "Ela conseguiu um bom emprego, deve estar saindo com o chefe ou um assessor dele". Mais ainda: "O filho deles passou de primeira no vestibular, mas parece que...". Outras pérolas: "Ela é bem bonita, mas quanto preenchimento, Botox e quanta lipo...".

Detestamos o bem do outro. O porco em nós exulta e sufoca o anjo, quando conseguimos despertar sobre alguém suspeitas e desconfianças, lançar alguma calúnia ou requentar calúnias que já estavam esquecidas: mas como pode o outro se dar bem, ver seu trabalho reconhecido, ter admiração e aplauso, quando nos refocilamos na nossa nulidade? Nada disso! Queremos provocar sangue, cheirar fezes, causar medo, queremos a fogueira.

Não todos nem sempre. Mas que em nós espreita esse monstro inimaginável e poderoso, ou simplesmente medíocre e covarde, como é a maioria de nós, ah!, espreita. Afia as unhas, palita os dentes, sacode o comprido rabo, ajeita os chifres, lustra os cascos e, quando pode, dá seu bote. Ainda que seja um comentário aparentemente simples e inócuo, uma pequena lembrança pérfida, como dizer "Ah! sim, ele é um médico brilhante, um advogado competente, um político honrado, uma empresária capaz, uma boa mulher, mas eu soube que...", e aí se lança o malcheiroso petardo.

Isso vai bem mais longe do que calúnias e maledicências. Reside e se manifesta explicitamente no assassino que se imola para matar dezenas de inocentes num templo, incluindo entre as vítimas mulheres e crianças... e se dirá que é por idealismo, pela fé, porque seu Deus quis assim, porque terá em compensação o paraíso para si e seus descendentes. É o que acontece tanto no ladrão de tênis quanto no violador de meninas, e no rapaz drogado (ou não) que, para roubar 20 reais ou um celular, mata uma jovem grávida ou um estudante mal saído da adolescência, liquida a pauladas um casal de velhinhos, invade casas e extermina famílias inteiras que dormem.

A sordidez e a morte cochilam em nós, e nem todos conseguem domesticar isso. Ninguém me diga que o criminoso agiu apenas movido pelas circunstâncias, de resto é uma boa pessoa. Ninguém me diga que o caluniador é um bom pai, um filho amoroso, um profissional honesto, e apenas exala seu mortal veneno porque busca a verdade. Ninguém me diga que somos bonzinhos, e só por acaso lançamos o tiro fatal, feito de aço ou expresso em palavras. Ele nasce desse traço de perversão e sordidez que anima o porco, violento ou covarde, e faz chorar o anjo dentro de nós.



Lya Luft é escritora