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quinta-feira, 4 de junho de 2009

NÃO TENHAS MEDO DA CRUZ


“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”(Mt 16,24).

No caminho do Calvário, diz o Evangelho de São João que o próprio Jesus carregava sua cruz (cf. João 19,17). Jesus sabia da sua missão, do projeto do Pai para com ele. Diante da possibilidade de sofrimento, o Deus encarnado, podia fugir para o deserto, longe de todos, mas não fugiu. Depois da primeira queda, podia ter simulado um desmaio, desistindo ali, mas não desistiu. Ao ver sua mãe chorando, podia ter-se sentido vítima, injustiçado, mas não foi assim.

Nos olhos do filho, penetrados nos olhos da mãe, existia uma cumplicidade: Eis aqui os servos do Senhor, faça-se a tua vontade... (Lucas 1,38).

Simão de Cirene por um instante ajuda Jesus, mas a tarefa de carregar a cruz é pessoal. Depois do breve alívio, a responsabilidade é retomada.

Jesus faz o convite: se alguém quer vir comigo, é necessário negar-se a si mesmo (Mateus 16,24).

Em nossos tempos, negar a si parece absurdo, fora dos esquemas psicológicos estabelecidos.

A orientação do Mestre é sábia. Nossa história individual geralmente é marcada por imagens que fabricamos de nós mesmos, ou por aquilo que desejamos acreditar a nosso respeito. É um prato cheio para as vaidades e enganos, mas ninguém pode seguir Jesus, iludido com a própria imagem.

Negar-se é esvaziar-se, arrancar os enfeites e assumir nossa real condição. Abraçar nossa essência com nossas perfeições e, sobretudo, nossas imperfeições.

Diante desse esvaziamento, a cruz deixa de ter o peso insuportável, às vezes sentido por nós. O sofrimento, mesmo na dificuldade para compreendê-lo, adquire um sentido pleno... Assim, não teremos a tentação de fugir, de desistir e de nos fazermos de vítimas. Existirá no brilho de nossos olhos uma certeza inquebrantável: minha fé é maior que minha cruz.

Não existe uma cruz mais pesada que a outra. Aparentemente, pode ser leve se, porém, a vida estiver mergulhada num poço de vaidades, o choramingo será constante, a debilidade ditará as regras... Sou testemunha da fé de pessoas que diante do limite extremo, do peso insuportável de suas cruzes, foram capazes de transmitir serenidade... Nesses casos, só uma coisa explica, como diz o salmista: O Senhor é nossa rocha (Salmo 17,3).

quarta-feira, 3 de junho de 2009

SE CALAREM A VÓZ DOS PROFETAS


A profecia hebraica é o elemento que diferencia
a religião israelita das outras religiões contemporâneas.
É também aquilo que deu a Israel uma perenidade e
uma capacidade de sobrevivência que as
outras religiões não possuíam.



Os profetas de Israel pertencem à categoria dos “portadores de palavra”. Entre os povos e religiões vizinhos a Israel, são encontrados homens com atividade semelhante a deles. Mas em Israel os profetas se distinguem pelo conteúdo de sua mensagem. Lá são considerados a “boca falante de Deus no mundo”, falam em nome do Único Deus a um povo eleito, com quem esse Deus fez Aliança de amor. O profetismo em Israel repousa, pois, sobre o caráter próprio das relações entre Deus e o povo, tais como foram vividas ao longo da história desse povo.


A partir do século VII, o profetismo bíblico atinge seu apogeu. Deus se dirige a seu povo, ameaçado por imensas catástrofes que se avizinham, uma série de mensageiros que só desejam uma coisa: recolocar o povo no caminho reto da relação com seu Deus e na proximidade tangível e palpável de sua presença. Não são adivinhos, não predizem o futuro. Com uma sensibilidade refinada e um fogo de amor ardendo no peito, os profetas clamam para chamar a atenção do povo, a fim de que volte à Aliança.


Algumas linhas marcam o discurso de todos os profetas: a defesa da justiça e do direito em Israel; a atitude crítica diante de práticas religiosas vazias que não têm correspondência com a vida; um particular interesse pela história que se torna, graças à intervenção profética, uma palavra de Deus; a espera vigilante das ações divinas que revolucionarão o destino do povo.


Os profetas não são chefes políticos revolucionários, nem ideólogos de partidos. Trazem, porém, a grande novidade do espiritualismo liberto de toda rigidez cultual. Dirigem-se a um povo para falar-lhe em nome de Deus. Não fazem teoria nem enumeram atributos da divindade, mas têm por objetivo essencial colocar o povo no reto caminho da presença de Deus. Preparam o povo para a vinda e a epifania do Senhor, que se aproxima e se revelará no mundo, dentro da história.


Assim foi e fez João Batista, o maior entre os filhos de mulher, de acordo com o Evangelho. Viu que Jesus de Nazaré era a própria presença de Deus no meio da história, na fragilidade da carne. Anunciou e apontou: “Eis o cordeiro de Deus!” E pela força dessa notícia enfrentou poderes e reis, perdendo a vida por sua fidelidade e coragem. Assim foi Jesus de Nazaré, o maior de todos os profetas, que dá sentido a toda profecia antes e depois de sua vinda. Mostrou a presença de Deus na humildade do amor que se aproxima dos últimos desse mundo, trazendo-lhes paz e vida em abundância.


Assim são os profetas de hoje, nossos contemporâneos, que erguem sua voz sem medo para denunciar injustiças e mostrar o caminho da verdadeira vida. Seria longo enumerá-los. São tantos e tantas, sempre luminosos, sempre perseguidos: Dom Hélder Câmara, chamado o bispo vermelho; Dom Oscar Romero, metralhado em meio à celebração da Eucaristia; Jerzi Popielusko, que cometeu a imprudência de enfrentar o rígido regime comunista da Polônia; Dietrich Bonhoeffer, que em meio ao terror nazista renovou a Igreja reformada, foi preso e enforcado; Dorothy Day, a apóstola das ruas novaiorquinas presa muitas vezes por sua incômoda militância. E tantos, e tantas…


A todos e a todas os poderes constituídos perseguiram, mataram sem piedade. Queriam desesperadamente calar sua voz. No entanto, a voz e o ensinamento de todos e todas sobrevive, inspirando gerações e iluminando os caminhos da humanidade. Por exemplo, durante o Advento, a figura de João Batista e seus companheiros de ambos os sexos nos acompanham para termos a força de assumir o compromisso profético a nós dado como graça pelo Batismo.


Não há que ter medo. Pois o próprio Evangelho diz que, se calarem a voz dos profetas, as pedras gritarão.

AMAR ATÉ PERDOAR


Amar pertence ao vocabulário diá­rio falado. Mas dificilmente praticado. Verbo presente nos lábios, menos no coração. Realidade sentida, menos realizada. Onde encontrar em grau maior a prática do amor? Certamente na pessoa de Jesus Cristo que morreu amando e perdoando. Santo Agostinho com genialidade viu o amor como força construtora da pessoa humana. “Somos o que amamos”. E o teólogo Urs von Balthasar acrescentou “só o amor é digno de fé” e outro ainda ajuntou “o amor faz eternidade, quer eternidade, é eternidade”.

Amar se define por um movimento de sair de si para o outro. Amarrados que somos em nós mesmos, temos dificuldade desse êxodo. Vem-nos em auxílio o próprio Deus que semeia em nós sua graça, qual fonte propulsora de amor. Aí sim, saímos levados pela dinâmica de Deus, e o amor flui com pureza e beleza.

Jesus sabia da facilidade com que nos enganamos no amor. Deu-nos uma pedra de toque para testá-lo. Chama-se perdão. Amar ao extremo implica perdoar. Perdão remete-nos à experiência fundamental do amor que é dom. Perdão vem do latim per+donum, um dom levado à perfeição.

Assim acontece com amar, doar. Se nosso gesto de amor-doação atinge o grau mais sublime, traduzimos tal realidade acrescentando o afixo per. Temos então per+doar, per+dom. Portanto, perdoar é amar-doar-se em plenitude. Mas, como? A plenitude do amor se realiza na vida. Perdoar significa amar a ponto de restituir à vida quem nos ofendeu. Toda ofensa, em grau menor ou maior, atenta contra a vida. O outro está aí vivo, feliz e, pelo ataque ou agressão, alguém lhe fere a vida. Quem o faz está morto por dentro. Desejar o mal a alguém mata primeiro quem o deseja e só depois a quem o atinge.

O amor-perdão restabelece a ordem de vida. Digo a quem me ofendeu, me desejou à morte, ao morrer ele mesmo interiormente: amo-o a ponto de perdoá-lo, de conceder-lhe a vida e recupero-a para mim. Quem ama e perdoa e quem é amado e perdoado saem verdadeiros, inteiros, humanos depois desse gesto.

A ofensa e o perdão acontecem em diversos níveis. Experimentamos o perdão entre nós humanos, como sinal visível de nossa capacidade criativa. O interior da família oferece o espaço primeiro do perdão. E muitas vezes extremamente difícil. Que digam os esposos ou esposas traídos, os filhos ou filhas rejeitados, os irmãos disputando o terreno do afeto ou as heranças dos pais. Aí também se dão perdões generosos e comoventes.

As instituições também ferem as pessoas. E elas encarnam-se em seus representantes principais. Daí a necessidade de que eles manifestem o perdão em nome dos que antes dele ou na sua gestão feriram as pessoas.

João Paulo II não quis entrar no novo milênio sem reconciliar a Igreja católica com a história. Ela, na pessoa de seus mais altos dignitários e na massa de seus fiéis, perpetrou crimes que a mancharam. Inquisição, escravatura, meios coercitivos de evangelização, censura, tortura, cruzadas sangrentas, desrespeito a direitos fundamentais da pessoa humana e especialmente da mulher ecoam em nosso coração de católicos como acusações históricas reais. Diante dessas manchas escuras, o Papa pediu, diante do mundo e de Deus, várias vezes, perdão em nome da Igreja.

No início da Quaresma de 2000, quis marcar tal atitude com gesto simbólico expressivo. Reuniu-se na Basílica de São Pedro com cardeais de peso da Cúria Romana, espécie de seu ministério de governo, diante de enorme crucifixo. Fez desfilar vários cardeais e arcebispos concelebrantes, pronunciando cada um deles um pedido de perdão pelos pecados próprios de seu dicastério. Resumiu o ato na consigna: “Perdoemos e peçamos perdão”. Se uma instituição de tanta credibilidade desceu de seu pedestal para pôr-se no banco do réu à espera do perdão de Deus e da história, a humanidade seria outra, se nações e governos criminosos imitassem tal gesto em vez de desacreditar tribunais internacionais que lhes sancionam os delitos. Circulou na imprensa uma carta do Cardeal Law, de Boston, nos EUA, em que ele confessava os crimes de seu país como a fonte da odiosidade que ele sofre. Para ele só uma atitude de pedido de perdão reconciliaria seu país com a humanidade e não o uso da força bruta.

O perdão reconstrói o amor interior, o amor na família e entre os povos. E essa reconciliação pela mediação da Igreja se torna sacramento da reconciliação com Deus, o último elo e o mais importante do perdão. Perdoados por Deus e transformados interiormente por tal graça, nascemos de novo.

Novo ano se inicia. Que durante todo ele vivamos o pedido insistente de Jesus no Pai Nosso: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem ofendemos”. E que esse pedido da Oração do Senhor ressoe no nosso interior como expressão do amor.

A MISERICORDIA SALVARA O MUNDO


A palavra misericórdia é uma das mais bonitas do dicionário. É uma expressão que repetimos bastante, porém sem nos darmos conta do seu real significado.

O termo misericórdia surge da união de duas palavras latinas:
Miser – infeliz, miserável, doente... está relacionada à miséria humana;
e Cor (Cordis) – coração (sede da alma, da inteligência, da sensibilidade).

Portanto, misericórdia é sentir no coração a miséria do outro, é colocar-se, imaginar-se no lugar de quem sofre; mais que isso, é deixar-se mover em direção à miséria alheia, sabendo que somos feitos do mesmo pó, da mesma natureza.

Ser misericordioso é despir-se de todo tipo de preconceito e perceber que somos tão frágeis quanto a pessoa que sofre diante de nossos olhos. Por isso, a palavra misericórdia está intimamente ligada à prática do perdão, pois somente perdoa de verdade quem olha não a ofensa recebida, mas a fraqueza daquele que pecou contra nós.

Vale lembrar a parábola em que Jesus fala do servo que pede clemência ao seu patrão no pagamento de uma grande dívida e o patrão o perdoa. Saindo ele dali, encontra um companheiro que lhe devia uma irrisória quantia implorando um prazo maior para
o pagamento, porém o servo com o coração endurecido lhe nega o perdão (cf. Mateus 18,23-35).

Jesus, no Sermão da Montanha, decreta bem-aventurado (feliz) os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (cf. Mateus 5,7). Ou seja, antes de Deus nos perdoar ele não passa os olhos em nossa “ficha criminal” para verificar tudo o que fizemos de errado, ele coloca na balança o quanto fomos misericordiosos: Com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também (Lucas 6,38b).

No segundo domingo da Páscoa celebramos a misericórdia divina por excelência. Jesus apresenta aos apóstolos o sacramento da reconciliação:
Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos (João 20,23).

Os padres no confessionário deveriam ser os primeiros a fazer a experiência da misericórdia. Diante de nós não está simplesmente um penitente, mas alguém que precisa ser compreendido, amado... jamais censurado, incriminado ou julgado.


Se nós padres soubéssemos nos colocar no lugar da pessoa, sentir seu sofrimento, acolhendo com compaixão, com toda certeza os confessionários estariam cheios.

A misericórdia salvará o mundo, só a misericórdia!

A FORÇA DESAFIADORA DO ESPIRITO


Quem tem uma razão para viver, suporta tudo.
(Viktor E. Frankl)


Pessoas resilientes têm um temperamento favorável à resistência, possuem melhor desenvolvimento intelectual, maior nível de autoestima, maior grau de autocontrole, menor incidência de conflitos internos. Resilientes possuem mais habilidade para superar adversidades, sentimento de confiança, uma “força interna” protetora e ao mesmo tempo ousada de perceber e enfrentar a rea­lidade. Sabem unir intuição e ação, razão e sentimento, força e ternura.

Estudos diversos afirmam que a pessoa resiliente não é atingida por experiências terríveis e conseguem ter um desenvolvimento estável e saudável. Para essas pessoas, os fatores estressores são experimentados de forma diferente. Há pessoas que são resilientes por condição e postura. Outras o são em circunstâncias específicas apenas. A resiliência pode ter um caráter físico como também psicológico, social, mental, espiritual. Raras pessoas possuem sempre a resiliência em todas as suas expressões.

A resiliência tem diferentes formas entre distintos indivíduos, em contextos diversos. A resiliência pode ser considerada como uma “habilidade individual” que sempre afetará a realidade que a cerca. Histórias reais mostram que algumas pessoas conseguem superar os momentos de crise e outras sucumbem, apesar de terem trajetórias semelhantes. É possível identificar resiliência a partir de características pessoais, como sexo, temperamento, constituição genética, histórias pessoais envolvendo ambiente, educação, convivência e fatores estruturais.

A família tem importante papel na formação de pessoas resilientes. Fatores diversos como a personalidade dos pais, o ambiente, o “tipo” de educação que dão aos filhos, os valores que cultivam são elementos que fazem muita diferença. Há famílias que são vulneráveis, outras, seguras, outras ainda tem características duráveis e outras são regenerativas. Dependendo da forma como a unidade familiar lida com as situações e em função do relacionamento entre os membros, a família vai moldando suas características.

A resiliência em família se constrói e se identifica através de processos-chave, modelos, critérios, tendências, que possibilitam que famílias não só lidem mais eficientemente com situações de crise ou estresse permanente, mas saiam delas fortalecidas, não importando se a fonte de estresse é interna ou externa à família. A unidade funcional da família fortalece e possibilita a resiliência em todos os membros. O termo resiliência em família refere-se a processos de adaptação e identidade na família como unidade de referência para a arte de viver e de se relacionar.

Resiliência em família descreve a trajetória da família no sentido de sua adaptação e superação diante de situa­ções de estresse, tanto no presente como ao longo do tempo. Famílias resilientes respondem positivamente a essas condições de uma maneira singular, dependendo do contexto, do nível de desenvolvimento, da interação resultante da combinação entre fatores de risco, de proteção e de esquemas compartilhados.

Resiliência em família aparece definida de forma similar à encontrada na literatura em que o foco é o indivíduo. Isso não poderia ser diferente, já que se trata de concepções acerca do mesmo fenômeno. Entretanto, o nível de análise é que deve ser diferente, pois, quando se trata de resiliência em família, o fenômeno deixa de ser considerado como uma característica individual que sofre a influência da família e passa a ser conceituado como uma qualidade sistêmica de famílias.

É importante que os membros da família e de qualquer grupo humano aprendam a desenvolver essa habilidade resiliente que favorecerá a unidade do grupo, sua identidade e o reconhecimento de como essa característica afeta positivamente as relações de seus membros. Quando não há resiliência, toda a família e qualquer grupo sofrem as consequências dessa situação. Relatos bíblicos mostram exemplos de líderes e comunidades resilientes e a contribuição que deram para o crescimento de todos.


por Pe. José Alem, missionário claretiano, educador, comunicador e autor do livro O Diário de Maria,