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FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

quinta-feira, 19 de março de 2009

NÃO TEMAS


Há quem considere que ser corajoso é não ter medo, ou até gostar do perigo. Mas corajoso é aquele que, mesmo temendo os riscos, decide seguir em frente." (Vanessa Weiler Ribas - Devocionário Pão Quente – Rádio Transmundial)

E a mensagem eterna, a Palavra de Deus nos afirma: "Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido. Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares" (Josué 1. 8-9).

Temer o que se o Senhor é conosco?

Várias vezes, nos Velho e Novo Testamentos, Deus diz a seus servos que aceitaram uma missão em seu nome:
- Não temas pois estou contigo (Josué 1. 9);
- Não temas, Abrão, eu sou teu Deus; (Gênesis 15. 1);
- Eu sou o Deus de Abrãao teu pai; não temas (Gênesis 26. 24);
- Não temas, e não te assustes (Deuteronômio 1. 21);
- Não temas, mas fala e não te calas (Atos 18. 9).

Além dessas afirmações de fidelidade àqueles que, em seu nome, aceitaram um desafio de fazer a obra de Deus, há várias outras ocasiões e situações em que Ele assim se posiciona, dando-nos "coragem" [prefiro "confiança"] para ir em frente sem titubear.

Ele alerta para os perigos, para as dificuldades, mas nos dá ânimo, nos dá força para passar pelo “deserto”, pelos desafios, pelas lutas, pelas vitórias e até pelas derrotas.

E, através de Paulo, ele questiona por nós, e como se Ele fosse cada um de nós mesmos:
- "Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Romanos 8. 31);
- "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica" (Romanos 8. 33);

E termina de maneira a não deixar, em nós, nenhuma dúvida:
- "Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8. 38-39).

Gosto de sumarizar estes dois últimos versículos com a simples, mas suficiente, expressão: ”NADA PODERÁ NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS”.

Não há demérito nenhum em nos assustarmos em aceitar desafios de Deus, e sim um mérito em entendermos que a companhia de Deus, a sua presença certa ao nosso lado, é motivo mais do que suficiente para termos a confiança, a ousadia, a intrepidez, de fazer a nossa parte nessa grande missão de levar o evangelho [ensinar, pregar e testemunhar] até aos confins do mundo (Mateus 28. 19; Marcos 16. 15 e Atos 1. 8).

Para Timóteo, Ele falou através de Paulo: "Conjuro-te que (...) pregues a Palavra, instes a tempo e fora de tempo [quer seja oportuno, quer não, diz outra tradução], redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos; amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas" (II Timóteo 4. 1-4).

Creio que já estamos nesse tempo, em que a Palavra de Deus já é explicitamente rejeitada, abandonada, relativizada, escarnecida, e "doutores" vão sendo os substitutos, através do ocultismo, do esoterismo, da New Age, e tantas crendices hoje largamente popularizadas sob o título [disfarce] de "medicina alternativa", "medicina holística", etc.

Precisamos de muita oração, muito estudo da Palavra de Deus, para que Ele nos dê o necessário discernimento para não cairmos nas astutas ciladas do diabo.

Temos que fazer tudo, conforme está escrito na Palavra de Deus, certos de que Ele continua a nos dizer "não temas", "sê forte e corajoso", "estou contigo" (Josué 1. 9), "nunca te deixarei, jamais te desampararei" (Hebreus 13. 5); "entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e Ele tudo fará" (Salmo 37. 5).

BURRO VELHO.....


O que alguém estaria querendo dizer com o ditado "Burro velho não perde a mania"? Ou "Cachorro velho não aprende truque novo"? Se a maneira como pensamos determina o modo como vivemos, quais seriam os valores por trás de ditados populares como estes? Trata-se da mesma crença que produziu também o ditado "pau que nasce torto nunca se endireita (morre torto)". Em outras palavras: não adianta nem tentar, nasceu assim vai morrer assim; se não aprendeu quando era jovem, agora não aprende mais; pessoas que passaram dos quarenta anos de idade não precisam mais tentar estudar, nem para trabalhar servem mais...

Você costuma utilizar esse tipo de ditado no dia-a-dia? Já parou para pensar qual é o tipo de sociedade que crenças assim acabam gerando? Tudo aquilo que nós fazemos, os valores e princípios que regem a nossa vida, começam a se formar em nossa mente. São fruto daquilo em que nós acreditamos. Vivemos numa época onde tudo é relativo e a verdade é aquela em que você optou por acreditar. Esse espírito acaba gerando confusões e distorções incríveis. Uma sociedade injusta e aquém daquilo que poderia ser resulta das mentiras que aceitamos como verdade. Assim como existem ditados populares que transmitem sabedoria e verdade, existem também aqueles que transmitem mentiras e ignorância. Vai depender daquilo em que a pessoa acredita. Você concorda mesmo que um ser humano não pode mais mudar depois que passa de certa idade? Pare um pouco e reflita sobre as crenças por trás dos ditados acima. Que tipo de comportamentos essa maneira de ver o mundo acaba gerando? Você acredita mesmo nisso?

É certo que uma pessoa vai encontrando maiores dificuldades e limitações a medida que vai envelhecendo. Mas, isso significa que devemos desistir delas? Significa que vão tornando-se inúteis para a sociedade? Será que eu também estou me aproximando da idade em que vou estacionar? Recuso-me a acreditar nisso. O potencial humano é algo simplesmente fantástico. Poder de superação, criatividade, capacidade para se adaptar... A aposentadoria jamais deveria ser algo reconhecido como entrar na inatividade. Ninguém sobrevive muito tempo sem fazer nada. Quem de nós não conheceu alguém ou ouviu notícia de pessoas que passaram dos setenta, oitenta anos de idade e concluíram uma faculdade ou recém começaram a estudar? São pessoas que não aceitam as mentiras impregnadas na cultura dominante. O ser humano é livre para acreditar naquilo que desejar. E, dependendo da sua crença, vai ser mais ou menos feliz, vai desenvolver culturas mais ou menos evoluídas, vai produzir mais ou menos qualidade de vida... Eu jamais vou querer subestimar um ‘burro velho’!

O DEUS DOS MELHORES SONHOS


"Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera." (Ef 3. 20)

Leio a história de Noemi e Rute. Uma incrível e surpreendente história sobre a vida, o cotidiano, a esperança e as surpreendentes bênçãos de Deus. Como qualquer pai de família Elimeleque busca o melhor para a sua. Havia fome em sua terra e ele vai buscar novas oportunidades e prosperidade em outro lugar. Assim, junto com sua família toma a decisão mais acertada. Mas, a vida é a vida e no meio de seu projeto de uma vida tranqüila e boa, Elimeleque morre. Passados dez anos, casados, com uma vida toda pela frente, cheios de planos, morrem os filhos de Noemi.

É assim, bons planos perecem por muitos motivos. Talvez, porque a vida os leve por si mesmos, outras vezes porque não sabemos cultivá-los. Todo mundo um dia teve um sonho bom que morreu. Não há nada demais em sonhar bons sonhos. Ter bons projetos, considerar se aquele caminho é bom e seguir por ele. Faz parte da vida.
Noemi e o marido haviam sonhado bons sonhos, feito bons projetos para suas vidas. Ela tinha uma certeza, era abençoada. Tinha marido e filhos. Nunca que a calamidade lhe chegaria, porque ela tinha onde se amparar, naqueles tempos em que a mulher só podia ser amparada pelos membros masculinos de sua família.

Contudo, todas as certezas de Noemi se foram. Não apenas os seus bons sonhos, mas, suas mais firmes certezas. Ela estava só. Desamparada, velha, sem marido, sem filhos, sem nada. Não havia onde firmar seus pés, não havia mais certezas. O que seria dela?

Nossas certezas muitas vezes vão por água a baixo. Nossas fortalezas humanas, nossos cálculos, nossos saberes, nossos projetos pessoais. E nessa hora bate o desespero. O que fazer afinal? Mas, necessário se faz que assim seja para aprendermos a viver da fé!

Ela não viu solução, apenas podia voltar e viver da caridade. Nessa volta derrotada, sem mais certeza, vazia de tudo, contava apenas com sua nora. Ela que partira de sua cidade cheia de si e de segurança, voltava, sozinha e vazia. Duas mulheres. De que viveriam elas?

Coisas pequenas se tornam grandes na Mão de Deus. Uma nuvem do tamanho de um punho de um homem tornou-se chuva abundante, doze homens e um punhado de gente alvoroçaram o mundo do primeiro século. Tão pequenas que se tornaram grandiosas maravilhas na Mão do Todo Poderoso.

Deus tem sonhos melhores. Por isso Ele deixa morrerem os sonhos bons. Por isso Ele derruba nossas certezas, porque Seus Caminhos são mais altos do que os nossos e seus Planos melhores do que os nossos.

Ele vai alem do que pedimos e pensamos. Noemi e Rute só queriam sobreviver. Uma luta diária como qualquer um de nós. Mas, Deus lhe fez mais. Não apenas as abençoou e garantiu sua sobrevivência, mas, as fez veiculo de grande bênção para nós. Assim, de Rute e Boaz, nasce Obede, neto de Noemi, pai de Jessé, pai de Davi. O homem segundo o coração de Deus, a quem Ele prometeu um reinado eterno: Jesus.

Deus é assim. Vemos nossos bons sonhos e Ele projeta melhores. Vemos o hoje e Ele vê o amanha. Todos os seus projetos excelentes não podem deixar de ser cumpridos, nada pode impedir isso.

Só saberemos a extensão dos melhores projetos de Deus quando estivermos com Ele. Vemos o hoje, mas, Deus projeta o amanha.

Não desanime. Deus tem um projeto melhor, excelente para sua vida e não deixará de cumpri-lo. Os planos de Deus para nós são de paz, para nos dar um futuro e uma esperança. E através de você abençoar muitas vidas. Acredite!

A SINDROME DA ARENA


"... Por que não buscamos a pujança de uma fé de criança? A fé imbuída de alegria; a fé de cores, desenhos, palavras e personagens dando a pigmentação de eternidade. A felicidade e o amor são factíveis, admissíveis e palpáveis?"

A multidão entusiasmada no apoteótico coliseu. A poeira de barro soprada pelo vento seco não adulterava o foco, a expectativa e o anseio por mais uma tarde de boas lutas. Indo ao centro daquele evento, no qual interrompia a rotina de suor e luta pela subsistência, o imperador adornado de reluzência.

A arena até então parecia um buraco e num piscar de olhos os portões de ferro se abriam para a entrada dos heróis ou vitimados pelas sandices dos homens. A multidão balbuciando gozava num adoecido prazer os corpos mutilados, o sangue jorrando, o choque estridente das espadas e da respiração ofegante dos convalidos.

O quadro ali instaurado tinha um odor de resignação e alienação. Uma espécie de catarse coletiva! Eis o instante de glória dos gladiadores pulverizados no inconsciente de um povo acostumado a canalizar os seus infortúnios ao destino. Diz a história imiscuída a fatos e ficções, quando um gladiador conseguia lograr uma seqüência concomitante de êxitos, recebia a liberdade e um símbolo de reconhecimento por sua bravura, destemor e honradez concedida pelo imperador.

Certa feita, um produtor de oliveiras encontrou um ex-gladiador e interpelou: qual foi o segredo para não ter sido consumido dentro da arena pelos adversários e predadores?

O corpo do ex-gladiador ou personagem do imaginário de um povo não escondia as cicatrizes dos combates e então, após inspirar e respirar, disse: nunca me esqueci de que era gente, sujeito a ilusão dos aplausos!

Bem, você pode se perguntar: qual a correlação do presente texto, abordando os fragmentos da história de um gladiador, com os meandros (enredos) em consonância a vida cristã ou mais especificamente ao exercício do pastorado?

Em poucas palavras, semelhante àquele gladiador ciente de sua finitude e vulnerabilidade e tal discernimento acabou sendo a tônica de suas vitórias, culminando na liberdade.

Opostamente observo muitos cristãos não adotando a verdade inquestionável de que são humanos. Lastimavelmente, tenho constatado com perniciosidade a postura de pastores, expressamente, caindo do cavalo. Em função disso, vidas, comunidades e expectativas sucumbindo.

De uma maneira triste, o púlpito pode ser cotejado como uma arena, os inimigos são constituídos pelo nosso próprio eu facilmente manipulado, fomentado ou estimulado e ofuscado pelos aplausos. Por conseqüência, perdendo a concepção e valendo – me de um termo psicológico (o insight ou a percepção profunda) de que são pessoas, não imunes as vicissitudes ou alternâncias do cotidiano; resumidamente, de que no trilhar desta vida, os erros, equívocos e falhas nos acompanharão. Quer queiramos ou não!

E catastróficamente, o Séc. XXI irradia a síndrome de púlpitos, de líderes evangelicos persuadidos por um discurso artificial e enraizado às coisas deste mundo. Tal situação sendo constatada ao girarmos alguns programas de teor evangélico, exibidos via TV e rádio. Sem querer tripudiar ou execrar ninguém, mas a escassez por um evangelho de inter-relação aberta e franca com Deus se torna patente! Neste ínterim, a comunhão, a adoração, a palavra – pedagógica da Graça são relegadas, postas como matérias fortuitas ou ocasionais. Afinal de contas, o carro – chefe passa por mirabolantes estratégias de capitalização de números e mais números.

Enquanto isso, muitos lutam por um evangelho a procura de diálogo, interdependência, influência recíproca e reiterando um termo dito acima ‘’insight ou percepção profunda’’ de que somos gente. Aliás, sermos gente ao lado de um Deus que se encarnou em gente, ouviu gente, andou com gente e transcendeu com o desígnio de um sacrifício em favor de gente. Malgrado o crescimento exponencial do evangelho na Terra de Vera Cruz ou no Brasil, acredito, com peremptória ou categórica certeza, de que Deus busca pastores sonhadores, homens e mulheres dispostos a ser um alforje de ideais em favor da vida e de gente.

Enfim, o evangelho munido de palavras, substantivos, verbos, pronomes, adjetivos e artigos desencadeadores não apenas de libertação. Indo além, cultivando e confirmando um processo de restauração integral. Isto implica histórias individuais, comunitárias, coletivas e por que não atestar globais. Destarte ou assim sendo, a hombridade e sinceridade a fim de reconhecermos o quão propensos somos a sermos infectados pelo vírus da síndrome da arena ou do púlpito. Partindo deste diagnóstico, sem qualquer discurso fatalista e comiserativo, conseguiremos bailar e submergir numa relação aberta, franca e as claras com Deus, gente e sem a fobia de ser gente dentro da eklesia.

quarta-feira, 18 de março de 2009

REFLETINDO SOBRE A IGREJA


Num dia desses me peguei pensando sobre a igreja e cheguei à seguinte conclusão: muita gente fala mal da igreja, mas ninguém consegue viver sem ela. Parece uma maldição ou será uma bênção? Fato é que ninguém consegue viver alheio a essa instituição que foi fundada por Deus através de seu Filho. A igreja de Cristo tem a sua função na terra, mas um dia encerrará aqui as suas atividades e voará ao encontro de seu Senhor e Salvador. Este dia se aproxima embora muitos não acreditem e passem a maior parte de seu tempo falando mal desse povo que é especial aos olhos de Deus.

E muita gente continua a sua "missão" que é falar mal e zombar da igreja. Em qualquer rodinha de amigos, esse é um dos assuntos preferidos. Hoje está em moda falar mal dos crentes. O mais lamentável é que esse "falar mal" às vezes acontece até entre nós, os crentes, ou seja, nós mesmos muitas vezes nos engalfinhamos por aí como duas crianças briguentas num pátio de escola. E discutimos e apresentamos as nossas razões e sempre alegamos ter a melhor doutrina, os mais lindos templos e principalmente os melhores pastores. E usamos sempre o pronome possessivo: "a minha igreja" como se a igreja tivesse um dono ou fosse propriedade de alguém. E ouvimos também: "lá na minha igreja não é assim..." Enfim, a "nossa" igreja é sempre a melhor. Conheço crentes que sequer pronunciam os nomes de outras igrejas e acreditam piamente que somente a "sua" igreja é que está certa e vai para o céu. Quanta meninice no meio dos crentes!

No quesito "falar mal da igreja" ouvimos e lemos os maiores absurdos. E dentro deste contexto existem pessoas que nutrem verdadeiro ódio por tudo que possa lembrar essa instituição chamada igreja. E pra resumir usam a palavra religião como se fosse uma praga, um vicio disseminado por aí. Nos meios de comunicação, em geral, só ouvimos chacotas, zombaria e piadinhas quando o assunto é religião. Pensando nesse aspecto tão comum fiquei me perguntando: até onde somos culpados por essa trama diabólica levantada contra nós? Não seria este o momento de fazermos uma reflexão, ou até mesmo uma autocrítica e tentar descobrir a razão de sermos presas tão fáceis de tanta gente? O que aconteceu ou acontece de tão errado com a igreja para desaguarmos e afundarmos nesta vala comum que parece não ter fim? Penso que este pode ser o momento adequado para tomarmos uma decisão.

Esse é o aspecto geral, o panorama e a situação em que nos vemos cercados. Parece que não há saidas e o cerco se fechou totalmente. Alguém disse que Deus permite que o diabo nos cerque em volta, mas não permite que ele coloque a tampa, ou seja, sempre há uma saida que é para cima, para o alto. Mas, convenhamos, é uma saida mais dificil, e para muitos, mais arriscada. É preciso ter asas e muito fôlego para subir e escapar do cerco. O salmista escreveu: "Elevo os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra". (Salmo 121. 1 e 2).

Independente da situação em que a igreja esteja vivendo com todas as suas limitações, mazelas, desavenças internas e até descrenças, ela pertence a Deus e só Ele pode tratar com ela. O diabo com seus tentáculos e suas flechas envenenadas jamais poderá tocar num fio de nosso cabelo. A igreja é a menina dos olhos de Deus. Enquanto a igreja estiver aqui na terra, ela será alvo de toda sorte de perseguições e zombarias. Ela é a legítima representando do reino de Deus aqui na terra, e por mais que falem mal dela, na verdade, ninguém consegue viver sem ela. Sempre foi assim e isto nunca vai mudar, pelo contrário, a tendência é só aumentar. "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus: porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós". (Mateus 5. 11 e 12). "Que diremos pois a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Romanos 8. 31).

Toda glória e honra pertencem a Deus, fundador e Senhor da Igreja. Amém.

UMA VOZ IMENSA ENCHEU O CÉU


O céu de um extremo a outro se encheu de uma voz imensa que ecoou nos meus ouvidos. Havia acabado de descer de um ônibus e me dirigia para a estação das barcas, no centro da cidade de Niterói (RJ), um local intensamente movimentado. Meu primeiro impulso foi perguntar as pessoas que passavam se também tinham escutado aquela voz, mas as expressões de indiferença recomendavam que eu me contivesse em minha perplexidade, e assim continuei caminhando como se nada houvesse acontecido.

A mente em reboliço, o coração quase saltando pela boca, deslizando pela Bahia de Guanabara, tentava discernir e compreender o acontecido. Uma voz extraordinária vinda do céu havia falado comigo.

Era um tempo novo. Havia aceitado a Jesus como o Senhor da existência, e recém chegado à dimensão espiritual do Reino de Deus, vivia o êxtase do novo nascimento. Estivera envolvido em acaloradas discussões sobre a graça, a prática do bem e a eternidade. A mensagem vinda do céu tinha a ver com aquelas questões.

Foi para mim o selo da onisciência divina. A consciência absoluta da sempiterna presença de Deus, que provando corações, silencioso, assistira em oculto no pátio da congregação a todas aquelas conversas e naquela manhã no reboliço da rua, em meio à multidão se manifestou numa revelação: “A questão não é o bem que o homem faz
mas o bem que o homem deixa de fazer”.

O foco central de Suas palavras é a afirmação da graça. Afirma que o Calvário de Jesus Cristo foi pelo bem que deixamos de fazer, pelas nossas falhas no cumprimento do mandamento de amar. Foi o pagamento da imensa divida de amor de todos os homens, de eternidade à eternidade.

A mensagem vinda do céu é um sinal da severidade e da misericórdia de Deus, que nos querendo irrepreensíveis, em Cristo nos aperfeiçoa no bem e no amor, e em compaixão nos aconchega e aceita nosso arrependimento para a graça e o perdão.

Que o Senhor nos conduza em regozijo e alegria pelos caminhos do bem, do perdão e do amor hoje e sempre.

Louvado seja o nome do Senhor Jesus.

ENCONTRAR A DEUS.


"Admira-se que muitos digam que Deus seria distante, inacessível, impossível de contatar" foi o que disse César Thomé.

Mas a mensagem eterna, a Bíblia, nos diz: "Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração" (Jeremias 29. 13).

Uma vez, na década de 80, um grande amigo, que era nosso superior hierárquico, na área do exterior da Empresa, nos pediu para lhe ensinar "como" encontrar Jesus.

Na verdade, não existe uma "fórmula" única de se buscar a Deus. Houvesse um padrão para a conversão a Jesus, segundo disse uma vez o Pr. Caio Fábio, talvez fosse "ao meio-dia, na estrada de Damasco, ao ver um forte luz, e ao se cair do cavalo", como ocorreu com Saulo de Tarso, depois conhecido como Paulo.

Uma coisa é certa, dizíamos a ele, essa busca compreende várias atitudes:
- orar é a primeira delas – A Palavra de Deus nos ensina “Orai sem cessar” (I Tessalonicenses. 5. 17);
- ler e estudar a Bíblia - somos motivados a sermos aplicados na leitura da Palavra de Deus (I Timóteo 4. 13 a 15);
- cercar-se de pessoas cristãs, que se dedicam à obra de Deus – A Bíblia nos orienta a não andarmos no caminho dos pecadores (Salmo 1. 1-2); (*)
- frequentar uma igreja cristã – As Escrituras nos admoestam a não deixarmos de nos “congregar” (Hebreus 10. 25) etc.

(*) Esta passagem do Salmo primeiro é riquíssima no que diz respeito a definir o curso, a progressão da queda no pecado, ou seja, “Quem não se assenta na roda dos escarnecedores, é porque não se deteve no caminho dos pecadores; e quem não se deteve no caminho dos pecadores, é porque não andou no conselho dos ímpios”.

É fatal: andou, detém-se; deteve-se, assentou...

Mas, acrescentamos, quanto aos quesitos acima mencionados, como atitudes para encontrar Deus,que tudo deve ser feito de coração, isto é, com sinceridade de propósitos e não "mecanicamente" (por costume), foi quando mencionamos para ele o versículo abaixo, já transcrito acima: "Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração" (Jeremias 29. 13).

O acesso a Deus, que alguns dizem ser distante, impossível, deixou de o ser quando Ele mandou seu Filho, Jesus, à terra para buscar e salvar o que se havia perdido (a raça humana).

Deus sentiu que era necessário que o ser humano entendesse o seu grande Amor pela humanidade, motivo pelo qual não só enviou seu Filho Jesus, mas Este se deu na cruz, em nosso lugar, para nos resgatar das portas do inferno, para onde iríamos fatalmente, se não aceitássemos o sacrifício feito por Cristo em nosso lugar.

Esse grande amigo, ao qual nos referimos, naquela época, foi transferido para a direção de uma unidade, da Empresa, no Caribe.

E, ao nos despedirmos, ele disse: "Vê se, pelo menos uma vez por mês, me envia uma ‘pastoral’, nos dois sentidos".

Então, explicou o que queria dizer com "dois sentidos". É que ele, e um outro grande amigo nosso, apelidaram carta extensa de "pastoral", mesmo que fosse uma carta social ou comercial.

Então ele queria uma pastoral [carta extensa] que fosse uma pastoral, no sentido de falar sobre Cristo e a vida cristã.

Um determinado dia, recebemos dele uma carta dizendo que "conseguiu encontrar Deus", que já estava orando, e convidou Jesus para entrar no seu coração, e passou a ter mais paz, mais alegria no coração com as coisas de Deus.

Enviamos-lhe outra "pastoral", no sentido de regozijar-nos com ele pela conversão a Jesus, mas ele não chegou a lê-la.

Dois dias antes da “pastoral” chegar, ele estava em Miami para uma reunião com o Diretor nos Estados Unidos e Caribe, e, ao sair do quarto do hotel, sentiu uma fortíssima dor no peito, e caiu morto instantâneamente.

Foi pela graça de Deus que ele, alguns dias antes, havia conseguido "encontrar Deus", e então foi levado para a presença de Jesus, no céu.

A ARTE DE DESRESOLVER, VOLTAR A TRAZ


Aqui está uma coisa que você precisa aprender: a arte de desresolver. A arte de voltar atrás. Isto se aplica apenas aos casos em que a resolução tomada anteriormente não é a mais sábia nem a mais correta. Neste aspecto, a arte de desresolver não tem nada a ver com a falta de perseverança ou de firmeza. Não se trata de capitulação. Nem de retrocesso. Nem de fraqueza. Quando é para reparar o erro, a arte de desresolver é um ato de sabedoria e coragem.

Veja este exemplo extraordinário: ao saber que Maria estava grávida, sem que tivessem ambos coabitado, José resolveu deixá la secretamente. Porém, ao tomar conhecimento de que a concepção dela era sobrenatural, ele fez exatamente o contrário do que havia resolvido: a recebeu como esposa (Mt 1.18 25).

Há muitas resoluções intempestivas, baseadas em raciocínios falazes, frutos de uma cultura oposta ao caráter de Deus e geradas pela pecaminosidade latente do homem. Elas precisam ser revogadas. É exatamente aí que entra a bendita arte de desresolver. Há votos e promessas feitos impensadamente em momentos de desespero que não atingem o alvo e que não agradam a Deus. Eles devem ser anulados.

A arte de desresolver é um dos mais importantes elementos na conversão de um pecador e na evolução de sua santidade pessoal. A conversão nada mais é do que uma desresolução. O filho pródigo da famosa parábola de Jesus desresolveu continuar na lama do pecado e regressou ao lar paterno (Lc 15.11 32).

Inicie se na arte de desresolver. Lembre se de suas mais recentes ou de suas mais antigas resoluções e, se precisar, volte atrás. Talvez você tenha resolvido nunca mais pôr os pés na igreja, talvez você tenha resolvido abandonar o cônjuge, talvez você tenha resolvido vingar se de alguém, talvez você tenha resolvido entregar se às aventuras da carne, talvez você tenha resolvido brigar com Deus, talvez você tenha resolvido jogar fora toda a herança cristã imposta ou adquirida até agora. Use a arte de desresolver para proteger se do tédio, do vazio, da vaidade, da loucura, da dor, do remorso, do desespero, do suicídio, da morte e da morte eterna.

DESTE deus, SOU ATEU


Marcos Inhauser

Recebi o seguinte e-mail do meu amigo, pastor Marcos Kopeska: “(No) censo [...] divulgado pelo IBGE [...] me chamou a atenção [...] o aumento [...] do contingente de pessoas que se declaram sem religião. Até os anos 70, este percentual estava abaixo de 1% [...]. Nos anos 90 subiu para 5,1%. Atualmente, chega a 7,3%. A cifra global, inferior a 10%, pode não ser tão expressiva, mas o ritmo de crescimento impressiona. Penso que o crer ou não na existência de Deus já é uma disputa ultrapassada e fora de moda [...]. Albert Einsten [...] declarou: ‘Quanto mais acredito na ciência, mais acredito em Deus. O universo é inexplicável sem Deus’. Abraham Lincoln, uma das dez maiores personalidades de todos os tempos, concluiu: ‘Eu entendo que um homem possa olhar para baixo, para a Terra, e ser um ateu; mas não posso conceber que ele olhe para os céus e diga que Deus não existe’. [...] O que me preocupa são os conceitos deformados que estão se formando a respeito de Deus. Confesso que já encontrei muitos ‘deuses’ diferentes nesta ‘teologia tupiniquim’ que pairou sobre nossa pátria a partir dos anos 80 e pegou em cheio o cristianismo. O Deus soberano, criador e sustentador do universo foi trocado pelo ‘deus do mercado da fé’, disposto a leiloar sua imagem em cada reunião. Trocamos o Deus Altíssimo, onisciente e onipresente, que independe de nós, pelo ‘deus Papai Noel’ (aquele que, para conquistar admiradores e adoradores, sai distribuindo presentes a granel). Trocamos o Deus que nos guia mesmo nos vales escuros da vida pelo ‘deus paternalista e superprotecionista’, que, em nome de um triunfalismo barato e sem propósitos, não nos deixa passar pelas provações. Trocamos o Deus que nos ensina a viver em paciência e longanimidade pelo ‘deus micro-ondas’ [...] imediatista, que é obrigado a fazer o que eu quero aqui e agora. Concluo que crer ou não crer não é mais a questão. A questão é em que Deus temos crido”.

Quando ouço os pregadores que fazem da fé um show, que fazem seu reino universal, e mesmo outros em igrejas chamadas históricas, preciso dizer que, se Deus é o que estas pessoas dizem que é e ensinam, eu não acredito nele. Sou ateu do deus deles. O deus dos pregadores televisivos e anunciadores do sucesso é um deus mecânico, muito ao estilo das “vending machines”: basta colocar a moeda e pegar a benção. É um deus subserviente, mecânico, previsível, movido pela gasolina das ofertas, impiedoso, que não conhece a graça.

De minha parte, prefiro o Deus do evangelho de João, que vai em busca dos necessitados, que dá a quem não pediu, que abençoa quem não merece, que ama os seus até o fim.


• Marcos Inhauser é pastor, presidente da Igreja da Irmandade e colunista do jornal Correio Popular. www.inhauser.com.br / marcos@inhauser.com.br

DEUS, ENTERRO E DORES


Rodrigo de Lima Ferreira

Hoje tive um dia agitado. Na parte da manhã, realizei um ofício fúnebre. À tarde, aconselhamentos e visitas. E à noite, culto público na igreja. Chego à frente do computador emocional e fisicamente esgotado.

Ainda estou sob o efeito emocional do ofício fúnebre, pois todo o meu dia girou em torno dele. Sei que a morte é algo inegociável em nossa existência. Sei que todos, independente da raça, credo, sexo ou posição política e sociocultural, serão igualados pelo suspiro final. E sei também que o Senhor consola aqueles que nele confiam, levando para si os que morrem em Cristo.

Porém, mesmo sabendo de tudo isso, como reagir quando se faz o ofício fúnebre de uma moça de 21 anos, que estava planejando se casar com o tecladista da equipe de música da igreja que pastoreio? O que responder ao jovem namorado da falecida que, mesmo firme em sua fé em Cristo, ficou abalado (com toda razão) com o falecimento? A pergunta que me passou pela mente, e que me foi feita pelo rapaz, foi: “Por quê? Por que Deus, sendo bondoso e misericordioso, leva alguém pleno de saúde, sem nenhum sinal de enfermidade, que buscava intimidade sincera com o Senhor, ceifando sua vida? Qual o propósito de Deus nisso?”.

Nem sempre o trabalho pastoral é fácil. Aliás, quase nunca. É verdade que há momentos suaves e alegres, como a celebração de um casamento, uma festa de aniversário, o batismo de um filho da igreja. Porém, esses momentos leves são alternados por momentos mais árduos: um aconselhamento a um casal destruído pelo pecado, um falecimento, uma enfermidade terminal. Conforme David Hansen explicita, o trabalho do pastor oscila entre dois pontos: o “eros” e o “thanatos”. Trabalhamos no “eros” (ou amor) nos casamentos, nos batismos, nas festas de aniversário, quando o amor humano brota. No entanto, trabalhamos também no “thanatos” (ou morte) nos falecimentos, nas rupturas relacionais, nas rixas, quando brota o lado ruim no ser humano.

Ao trabalhar o “thanatos”, e em especial no falecimento da referida moça, sempre me vem o questionamento: “Por quê?”. Sempre queremos saber a razão, o motivo, o propósito. Muitos, ao não conseguir encarar a dimensão de mistério da fé cristã, tentam, de modo irresponsável, diminuir o tamanho de Deus, fazendo dele apenas um mero companheiro cósmico, que desconhece o futuro e não sabe e nem pode evitar o pior.

Outros jogam a culpa pelas coisas ruins em cima do próprio homem ou de sua incredulidade, transformado Deus em um espectro impassível e indiferente à nossa dor.

Creio que ambos os extremos são terrivelmente perigosos. No primeiro, a conclusão lógica frente a um Deus menos Deus é o desespero e a angústia, resultando no existencialismo; no segundo, frente a um Deus relacionalmente diáfano, o resultado é o cinismo, desembocando no niilismo.

Como responder, portanto, ao “porquê” frente ao “thanatos”? Sinceramente, gostaria de saber. Porém, tenho de me render ao fato de que sou um humano, pecador e limitado, que serve a um Deus santo e ilimitado, e que, portanto, não tenho todas as respostas que queria. Contudo, sinto que há uma boa dica em Jó. Em sua terrível situação, ele questiona a Deus sobre a razão de seu sofrimento. Deus começa a responder no capítulo 38. Porém, sua resposta não soluciona os “por quês”. Em vez disso, Deus dá um relato da sua grandiosidade na criação. Portanto, a resposta que Deus dá a Jó não são apenas esclarecimentos às perguntas. A resposta à dor de Jó é a sua própria presença. Assim, saber que a presença de Deus é sua resposta à nossa dor não é apenas a única resposta disponível, mas a melhor entre todas, caso houvesse outras.

Talvez não nos satisfaça racionalmente, mas a presença de Deus frente à dor acalma a nossa tormenta interior. E nos permite continuar servindo-o, com nossas dores e alegrias. Talvez não entendamos mesmo a razão do “thanatos”. Mas, com a consciência da presença do Senhor, isso se torna de menor importância.


• Rodrigo de Lima Ferreira, casado, duas filhas, é pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil desde 1997. Graduado em teologia e mestre em missões urbanas pela FTSA, hoje pastoreia a IPI de Rolim de Moura, RO.

O PERIGO DA IDÉIA FIXA


Casquete é a peça do uniforme que se coloca sobre a cabeça e o verbo encasquetar tanto significa cobrir com casquete a cabeça como colocar dentro dela alguma cousa. O Novo Dicionário Aurélio cita o seguinte exemplo: “Quando encasqueta determinada idéia, dela não abre mão”. Este último sentido aparece nas palavras de Jonadabe dirigidas a Davi, quando chegou a Jerusalém a notícia errada de que Absalão havia ferido a todos os filhos do rei: “Não meta na cabeça tal cousa, supondo que morreram todos os filhos do rei, porque só morreu Amnom” (2 Sm 13.33).

É preciso tomar muito cuidado com aquilo que a gente encasqueta. Porque podemos ser vítimas da má informação, da distorção, da mentira, da ilusão, do romantismo e até da insinuação malévola. Uma vez dentro da mente, estas cousas alteram a sensibilidade, provocam decisões nem sempre oportunas e acertadas, mexem com o comportamento e desgastam as energias.

Há diferença entre o pensamento que entra e sai e o pensamento que entra para ficar, para fazer ninho e chocar ovos. Aqueles não são importantes, não deixam marcas, não se proliferam. Mas os outros devem ser vigiados e peneirados, porque podem afetar a vida inteira. Por esta razão Paulo sugere o controle e filtragem dos pensamentos: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4.8).

Como se vê, a providência indicada não é deixar de encasquetar, mas encasquetar cousas certas, positivas, elevadas, nobres, sempre relacionadas com o reino de Deus. A experiência ensina que há idéias firmes e fulgurantes que foram sugeridas ou aprovadas pelo Senhor. Aliás, a maneira de Deus revelar a sua vontade a nós, muitas vezes, começa com uma idéia que vai se avolumando e tomando conta da pessoa. Os mais notáveis servos de Deus são homens encasquetados e que ouvem atrás de si as palavras: “Este é o caminho, andai por ele” (Is 30.21).

O DEBATE SOBRE CIÊNCIA E RELIGIÃO


Ciência e teologia têm coisas a dizer uma à outra, uma vez que ambas se preocupam com a busca da verdade, alcançada por meio da crença fundamentada. Entre os tópicos importantes para tal diálogo estão a teologia natural, a criação, a providência divina e os milagres. Este artigo apresenta um breve panorama do estado atual do diálogo.

Os participantes do debate entre ciência e religião empregam diversas estratégias, dependendo do que procuram -- confronto ou harmonia. Para uma introdução ao assunto, a primeira tarefa é resumir a agenda de discussão.

O parceiro natural para o diálogo com a ciência é a teologia, a disciplina intelectual que descreve a experiência religiosa, da mesma forma como a ciência descreve a investigação humana do universo físico. Tanto a ciência como a teologia reivindicam explorar a natureza da realidade, mas claramente o fazem em níveis diferentes. O objeto de estudo das ciências naturais é o mundo físico e os seres vivos que nele habitam. As ciências tratam seus assuntos objetivamente, por meio de um modo impessoal de encontro, que emprega a ferramenta investigativa da interrogação experimental. A natureza é submetida a testes, baseados em experimentos passíveis de repetição, tantas vezes quantas o pesquisador quiser. Mesmo as ciências históricas como a cosmologia física ou a biologia evolucionária apoiam muito de seu poder explanatório nas descobertas das ciências diretamente experimentais, como a física e a genética. O propósito da ciência é obter uma compreensão precisa de como as coisas acontecem. Sua preocupação é com os processos que ocorrem no mundo.

A preocupação da teologia é com a questão da verdade sobre a natureza de Deus, daquele ao qual é próprio se aproximar com reverência e obediência, o qual não está disponível para ser posto sob teste experimental. Como ocorre em todas as formas de relacionamento, o encontro com a realidade transpessoal do divino tem de ser baseado na confiança, e seu caráter é intrinsecamente individual e único. Experiências religiosas não podem simplesmente ser provocadas pela manipulação humana. Em vez disso, a teologia se baseia nos atos revelatórios de autodesvelamento divino. Em particular, todas as tradições religiosas olham para o passado, para os eventos primordiais nos quais elas tiveram a sua origem, e que desempenham um papel único na constituição de sua compreensão da divindade. Em relação à história cósmica, o objetivo central da teologia é lidar com a questão de por que os eventos ocorreram. Sua preocupação é com temas de significado e propósito. A crença em Deus como Criador traz a implicação de que uma mente e vontade divinas existem por trás do que acontece no universo.

segunda-feira, 16 de março de 2009

ME DA UM MINUTO PAI !


Pe Zezinho scj



Oi, pai! Vou roubar um minuto do seu descanso. Senta aí, e me ouve. Vou dizer o que eu penso de você e você vai ter que me ouvir, como eu às vezes tenho que ouvir os seus sermões, que às vezes eu acho que não mereço e às vezes até acho que poderiam ser mais pesados! Vou dizer que pai você tem sido nesta casa, mas não se preocupe. Vou pegar leve!



Sei de muitos filhos que gostariam que os pais lhes dessem mais tempo e chegassem mais perto deles.
Não se sentem amados nem compreendidos e há uma certa mágoa no coração, quando falam dos seus pais.
Alguma coisa não deu certo entre os dois e ele foi embora viver com outra.
Em muitos casos, ela, com outro.
.
Não é o meu caso. Vocês dois se entendem, se querem, me aceitam e eu compreendo que nem sempre você pode me dar tudo o que eu peço, quero ou preciso. Sei da sua luta por nos fazer felizes e sei que você não é um super homem.
É meu pai e cuida muito bem de mim. Você é um homem que sabe amar muito bem!



Sabe aquele espermatozóide que encontrou aquele óvulo da mulher que você amava
e ama até hoje? Pois é, pai, ele se fez pessoa e hoje tem treze anos.

Ontem a vó me falou da alegria que foi para a mamãe e para você a notícia de que eu
tinha acontecido. O vô disse que, quando soube que eu nasceria, você abraçou a minha mãe e a levantou até o teto, correu para o quintal e deu três cambalhotas. Não perguntou se seria homem ou mulher. Telefonou para seus pais e amigos e gritava que agora já era pai e Deus lhe dera a graça de se multiplicar. Exagerado como sempre!



Pois é, pai. Eu também tenho vontade de dar umas cambalhotas e gritar que tenho mãe maravilhosa e pai espetacular. Tenho o maior orgulho de vocês dois. Vocês são bons. Vivem um pelo outro e pelos seus dois filhos: seu guri e sua guria. Vocês são pai e mãe nota dez!



É claro que às vezes a gente não se entende, eu levanto minha voz, discuto e grito que vocês não me entendem, você faz aquela cara de pai chateado que não vai aceitar desrespeito, depois eu peço desculpas porque meu temperamento às vezes me vence. Eu quero mostrar quem sou e você tem quer mostrar quem manda em casa. Você vence e eu perco. Fazer o quê, se ainda não cheguei à sua maturidade? Mas eu chego lá, pai! Sou lutador como você!



Apesar das nossas brigas porque eu quero e você não quer; apesar dos meus que-é-que-tem-pai? eu quero que saiba que entendo e quero sua autoridade. Eu sei que às vezes você é exigente porque quer me formar para a vida que eu aind anão saquei como é. Tenho treze anos, né pai. Sei muita coisa, mas é claro que não sei o que você sabe! Tenho colegas que fazem o que querem e agem como se o pai não significasse nada para eles e para elas. Eu não posso dizer o esmo. Seria mentira. Você se importa comigo e eu como você. Você me quer bem e eu quero você bem!



Amo você e amo a minha mãe que você, brincando comigo, diz que, primeiro ela é sua. Eu deixo, pai! Eu preciso dela e você também precisa. E acho que ela também precisa de nós três quando se aninha no seu peito e puxa a gente para o colo dela.



Pensando bem, eu entendo você, pai! Você sempre quis ser pai e, pelo visto, sempre vai querer. E nós realizamos seu sonho. Mas a recíproca também é verdadeira. Do ano passado para cá, depois que o Juliano morreu com um tiro no rosto, disparado por um bandido na porta da escola e o pai dele deu aquele show de paternidade, eu entendi melhor o que é criar e chorar por um filho. Admirei o pai dele. Homem forte, pai!



Não sei se isso lhe fará bem, mas quero que saiba: -Depois de ver você em ação, ficou bem mais claro para mim a existência de Deus e o fato de ele ser Pai de tudo e de todos. Quero sempre repetir a palavra “pai!”, quando falar sobre você ou com você.



Ter nascido de você e de mamãe e crescido com você por perto, me faz um bem enorme! Às vezes eu rezo por meus amigos que não tiveram a mesma sorte que eu tive. Espero que, do jeito deles, acabem perdoando e reencontrando seus pais, e ou alguém que os trate como filhos.



Quando a nós aqui em casa: que seja assim por toda a nossa vida..!



´Tá aí o meu discurso, pai! Passei do minuto que lhe pedi, mas acho que valeu a pena. No dia dos pais, eu, que já virei adolescente, e adolescente não gosta muito de nhem nhem nhem e abraço de pai ou de mãe na frente dos amigos, vou vencer minha resistência e te fazer um carinho. -Ave César, tua prole te saúda! Toca aqui, pai! Você é super-mega-utlra-plus-hiperdemais!



E que Deus te abençoe muito, viu?



Última Alteração: 10:21:00

Fonte: Pe. Zezinho, scj
Local:São Paulo (SP)

A ORAÇÃO TEM UMA FORMULA ?


Até agora falamos da oração, sem apresentar nenhuma fórmula de oração. Falamos da necessidade de rezar, da humildade e da perseverança na oração, nos referimos à oração particular e à coletiva, dissemos que a oração de agradecimento e de louvor é mais perfeita do que a do peditório....
Acrescentamos ainda: A oração não deve ser enquadrada em um formulário, de tal sorte que tire a liberdade de quem reza. A oração é como a respiração da alma. E' espírito e vida. E' liberdade de falar com Deus, na simplicidade do coração e na espontaneidade das palavras. Falamos a Deus em espírito de amizade, de confiança, de amor. Portanto não podemos ficar limitados e escravizados a determinados termos.
A palavra oração tem também um sentido mais amplo. Não é só um conjunto de palavras prescritas por um ritual. Quem toma o Evangelho e lê, sozinho ou com outras pessoas, está fazendo uma oração, porque coloca-se na presença de Deus e com Ele troca pensamento ou mesmo palavras. Quem, ao passar diante de um crucifixo, pára um momento e olha com amor, mesmo sem dizer palavras, está fazendo uma oração. Quem, de manhã, diz: «Senhor, eu Vos ofereço todo meu trabalho, e, por amor, aceito tudo o que é de vossa vontade no decorrer deste dia», essa pessoa transformou em oração o seu dia de trabalho. Quando estamos numa aula de religião como esta, não só foi oração o pai-nosso que rezamos no início ou no fim, mas toda a aula é uma oração, porque estamos reunidos em nome do Senhor.
O QUE DISSE JESUS



A origem do «Pai-Nosso» está nisto, que lemos no Evangelho: «Estando Jesus a orar, em certo lugar, quando acabou a oração, um dos discípulos foi e disse-lhe: -Senhor, ensina-nos a rezar, como João ensinou os discípulos dele. Então Jesus respondeu-lhe: -Pai nosso...»
Estas palavras são tiradas do evangelista São Lucas, do início do capítulo onze. Mas vamos agora à narração de São Mateus (6,5-13), Porque aí encontramos uma introdução maior. Disse Jesus:
-«E quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nos cantos da praça, para serem vistos pelos homens. Em verdade Vos digo que já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai, que está presente em lugar secreto. E teu Pai, que vê o que é secreto, te recompensará. E na oração não ajunteis palavrórios como fazem os gentios, que pensam que hão de ser ouvidos por força de sua verbosidade. Não sejais como eles, porque vosso Pai sabe o que é necessário, até antes de lho pedirdes. Vós, portanto, orai assim :
Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o teu nome.
Venha o teu reino.
Seja feita a tua vontade,
assim na terra, como no céu.
Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia
e perdoa-nos as nossas ofensas
como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
E não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do mal.



SITUAÇÃO HISTÔRICA



E' preciso entender o motivo daquela introdução feita por Jesus, dizendo até para entrar no quarto e fechar a porta quando se trata de rezar. Sabemos que os judeus rezavam duas vezes por dia: às nove horas, hora em que oferecia o sacrifício matutino, e às 15 horas, quando se oferecia o sacrifício vespertino. Depois do segundo século tornou-se obrigatória também a oração da noite. E quando chegava aquela hora, eles rezavam onde quer que se encontrassem, sempre com o rosto voltado para Jerusalém, sendo que os que se achavam em Jerusalém rezavam com o rosto voltado para o templo. Para muitos judeus, especialmente para os escribas e fariseus, essa oração da praça havia-se tornado ensejo de vã ostentação e orgulho.
E' por isso que Cristo fala: «Entra no teu quarto.» Trata-se de uma reforma. De uma correção de algo que vinha errado. A oração dos fariseus era muitas vezes da boca para fora. Tinha-se reduzido a um ritual vazio. Sem alma. Sem fé. Sem sinceridade. Era mais para orgulho dos homens que para o louvor de Deus. Faltava-lhes o amor, a justiça, a caridade, não só deles para com Deus, mas também entre eles mesmos. Então, é como se Cristo dissesse: Se for para fazer da oração pública um espetáculo ridículo de vaidade humana, é melhor que rezem particularmente, em silêncio, no seu quarto. Nota-se que o que Jesus combate aqui não é o fato de a oração ser pública, mas de ser falsa, fingida.
Esse «entrar no quarto e fechar a porta» significa mais o recolhimento do espírito e a profundeza da fé, que o afastamento dos outros e da solenidade das palavras.
Quando Jesus diz para não ajuntar «palavrório» na oração, Ele não está condenando a oração oral, mas o exagero a que havia chegado o ritualismo dos gentios e dos judeus, acumulando palavra sobre palavra para falar com Deus, como se Deus pudesse ser tapeado pelo linguajar fácil e bajulador dos hipócritas. Havia uma espécie de crendice na magia das palavras, com longas e sonoras repetições. Os gentios são os que adotavam falsas divindades e. criam no poder de seus idolos. À maneira do ritual deles estavam rezando certos judeus, fazem de um palavreado inútil ao invocar a Deus, como lemos neste formulário de oração antiqüissimo: «Bendito e louvado e glorificado e sublimado e exaltado e honrado e venerado e festejado seja o nome do Santo Deus»
.
SIMPLICIDADE DO "PAI-NOSSO"



Portanto a oração do «Pai-nosso» não vem prender o homem a determinadas palavras. Compreendida na situação em que viveu Jesus, ela vem quebrar os formulários. Vem romper com o enbolado de palavras. E' maravilhosa pela sua simplicidade. Fala tudo o que deve ser dito, em tão pouco tempo e com tão poucas palavras. Pode ser rezada pelo homem culto e pelo homem mais simples do mundo, pela criança que ainda não entrou na escola e pelo ancião.
E' uma fala de filho para pai. De amigo que confia no amigo. E' para ser rezada com o coração: E' espírito e vida. E' vida dos homens e vida de Deus. E' pão para o corpo e mensagem para o espírito. Jamais os escribas e fariseus seriam capazes de inventar uma oração como o Pai-nosso. Ela não começa dizendo: Senhor Deus. ..Senhor Juiz. ..Majestade infinita. ..Onipotência criadora. ..Senhor santo. .. Não é mais aquele Deus que aparecia ao clarão dos relâmpagos sobre o Sinai, fazendo tremer os filhos de Israel, aquele Deus soberano a quem o povo eleito não podia contemplar mas devia inclinar-se com a face tocando a terra.



SENTIDO DE ALGUMAS PALAVRAS



Agora a palavra que fica melhor para invocarmos o nome de Deus é exatamente esta: «Pai». Nada mais. Nem é preciso elogiá-lo. Uma coisa é necessária: a sinceridade, a fé, a confiança.
Antigamente nós rezávamos o Pai-nosso dizendo: «Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores». Agora dizemos: Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Isto não deve impressionar ninguém, porque agora a Igreja traduziu segundo o sentido das palavras de Jesus. Nossas ofensas ou nossos pecados são realmente «dívidas» que contraímos perante a justiça. E essas dívidas nós devemos pagar, ou aqui ou na outra vida.
Por isso é que precisamos nos penitenciar diante de Deus pelos pecados feitos diretamente contra Ele, e nos reconciliarmos com os nossos irmãos quando o pecado ofendeu diretamente o próximo. No sentido bíblico, todo pecado é sempre uma dívida.



UMA OBSERVAÇÃO



Para o Pai-nosso tomamos ao mesmo tempo o evangelho de São Lucas e de São Mateus, porque um completa o outro. Isto acontece freqüentemente entre os quatro evangelistas, sem que haja contradição ou erro. Um conta um fato mais pormenorizadamente, outro mais resumidamente. E' como se quatro pessoas fossem fazer a ata de uma mesma reunião. Uma a faria mais curta, outra mais comprida; uma destacaria mais um aspecto, outra destacaria outro, sem haver contradição.



O EXAGERO DA PRECE



E' uma lenda muito antiga, de tempos imemoráveis. Conta-se que havia um rei notavelmente piedoso.
Interrompia seu expediente mais de vinte vezes ao dia para prestar honras ao Deus Altissimo. Isto havia-se tornado um hábito e era feito rotineiramente. O rei sentia satisfação e até orgulho de sua piedade, invocando a Deus com palavreados sonoros. Certo dia, chamou um de seus conselheiros, que vivia dentro do palácio e tido como o mais famoso filósofo do país. E perguntou-lhe: -«Dize-me, grande sábio: que acha de minhas orações ? Não são ornadas das mais belas palavras e da mais elevada honra?» O sábio respondeu calmamente: -«Majestade, Vossas preces são exageradas. Não há necessidade de tantas orações. Elas se tornam vazias e vãs». O rei ficou furioso. Tomou a decisão de não aceitar o conselho do filósofo. Este calou-se, e no dia seguinte, ao entrar na sala do rei, fez esta saudação: «Salve, ó rei, soberano e justo, dominador dos povos e mestre incomparável. Que vosso nome, nunca assaz exaltado, seja mais conhecido e honrado pelos vossos súditos». O rei gostou daquelas palavras. Sorriu e continuou seu trabalho satisfeito. Passados alguns minutos, o sábio levantou-se e repetiu a mesma saudação. O rei deu atenção mais uma vez. Depois de mais cinco minutos, o sábio levantou-se outra vez e repetiu tudo: «Salve, ó rei, soberano e justo, dominador dos povos e mestre incomparável. Que vosso nome, nunca assaz exaltado, seja mais conhecido e honrado pelos vossos súditos».
E assim foi até ao meio-dia. Quando chegou à tarde o rei disse ao filósofo: -«Basta. Já estou cansado de receber esses louvores. Senta- te no teu lugar, trabalha. Fazes o que deves. Ficarei satisfeito se me saudares apenas na entrada e na saída, todos os dias». E daquele dia em diante o rei tornou-se mais simples e passou a rezar e no fim de seu trabalho, pois também a Deus interessa um cumpra o seu dever e que lhe fale poucas vezes, ma cidade.



I. O PAI NOSSO: O PERFUME DA ORAÇÃO QUE ENCHE A CASA DA COMUNIDADE.



Hoje, cada vez mais, em todo canto, surgem grupos de oração. Jesus também rezava. E muito! Rezava com o povo, rezava em particular. Passava noites em oração. Chegou a resumir toda a sua mensagem numa oração que é o Pai-Nosso.
O Pai-Nosso é o salmo que Jesus fez para nós e no qual resume toda a mensagem do seu Evangelho. A oração do Pai-Nosso tem sete pedidos.. Vamos ver, um por um, quais são estes sete pedidos.



II. PARA ENTENDER MELHOR O TEXTO



Mt 6,9-13: O Pai-Nosso



Introdução: Pai-Nosso que estais no céu!
1. O Pai-Nosso é uma cartilha em forma de oração. De maneira didática, Jesus resume todo o seu ensinamento em sete pedidos dirigidos ao Pai.
2. Nestes sete pedidos, Ele retoma as grandes promessas do Antigo Testamento e pede que o Pai nos ajude a realizá-las.
3. Os três primeiros dizem respeito ao relacionamento com nosso Deus. Os outros quatro dizem respeito ao relacionamento entre nós.
1° Pedido: Santificação do NOME
2° Pedido: Vinda do REINO
3° Pedido: Realização da VONTADE
4° Pedido: PÃO de cada dia
5º Pedido: PERDÃO das dívidas
6º Pedido: Não cair nas TENTAÇÕES
7° Pedido: Libertação do MALIGNO
Conclusao:Amém! Assim seja! Apoiado!



OS SETE PEDIDOS DO PAI-NOSSO



O Pai-Nosso resume tudo o que foi ensinado por Jesus.
Foi o próprio Jesus que nos ensinou a rezá-lo.
Todo o Pai-Nosso é de uma mensagem muito rica.
Conta-se que Santa Terezinha, quando rezava o Pai-Nosso, não passava das primeiras palavras. Dizia: Pai nosso e aí parava...
Vinha tanta coisa à sua cabeça que ela ficava uma porção de tempo empolgada com tudo que via dentro desta invocação.



O Pai-Nosso possui sete pedidos:
1- Santificado seja o vosso nome;
2- Venha a nós o vosso reino;
3- Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu;
4- O pão nosso de cada dia nos daí hoje;
5- Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
6- Não nos deixeis cair em tentação;
7- Mas livrai-nos do mal.
Nos quatro primeiros pedidos, pedimos a Deus o bem.
Nas três últimas, pedimos a Deus que nos livre do mal.



A ORAÇÃO É UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL



Os sete pedidos do Pai Nosso são um pequeno tratado sobre a vida de oração. Diz-nos o que devemos pedir, com que palavras devemos pedir e nos fala da força da oração e da confiança com que devemos rezar.
A lição é dada pelo próprio Jesus no momento em que ele mesmo estava rezando. Embora os Evangelhos falem muitas vezes de Jesus em oração, não é muito o que sabemos dele como orante. A oração verdadeira é coisa tão íntima e pessoal que ninguém consegue penetrar na oração de um santo.
Como Jesus, os santos deixam a certeza de que a oração é essencial, mostram-nos alguns princípios e modelos, fornecem-nos textos mas tudo isso é pouco se não fizermos a experiência pessoal de nossa oração, isto é, se não juntarmos nossa inteligência, nossa vontade, nossos sentimentos nosso ser inteiro e com ele dialogarmos com Deus, na humildade de criaturas e na confiança de filhos. Não há santo que não tenha sido homem de oração. Tanto o cristão individualmente quanto a comunidade são, por definição, orantes. Quando Paulo escrevia aos Tessalonicenses (1Ts 5,17): "Orai sem interrupção", ou aos Romanos (12,12): "Sede perseverantes na oração", estava falando do estado normal dos cristãos.



TODA A ORAÇÃO É FAMILIAR E CHEIA DE CONFIANÇA.
Encontramos Jesus orando em particular, em lugares desertos (Lc 6,12; Mt 14,23; 11,25-26) e em público (Lc 23,34; Jo 17,1; Jo 11,41-42).
Reza na intimidade com o Pai; reza por si mesmo (Mc 14,35-36;); reza pelos apóstolos (Lc 22,32; Jo 17,15).
O Papa João Paulo II, numa homilia pronunciada em 13/01/81 sobre a oração, lembrou que foi durante a oração que se manifestou o amor do Pai e se revelou o mistério da comunhão da santíssima trindade, duas verdades centrais do Cristianismo.
Os apóstolos aprenderam a rezar tanto pelo exemplo pessoal do Mestre quanto pela fórmula ensinada do Pai-Nosso.
Desta oração temos duas versões a de Mateus (6,9-13) e a de Lucas.
A de Mateus é mais solene, mais comprida e contém sete pedidos; a de Lucas é mais curta (5 pedidos) e singela.
Provavelmente nos primeiros tempos algumas comunidades rezavam por uma fórmula, e outras rezavam por outra razões práticas, para se poder rezar em comum, as terão levado a usar uma única fórmula, a de Mateus.
Deus é chamado de pai. Nenhuma oração do Antigo Testamento ousava chamar a Deus por este nome familiar.
Mas: O vocábulo Abbá se traduziria melhor por paizinho, Pai querido, com gosto de linguagem de criança. Com isso, Jesus está dizendo-nos que toda a oração é familiar e cheia de confiança.



A ORAÇÃO MOSTRA UM HOMEM À PROCURA
Ensinado o Pai Nosso, Jesus conta uma parábola, isto é, uma história inventada na hora para dela tirar uma lição. Como naquele tempo, na Palestina, todos dormiam em esteiras, no chão e na mesma sala, procurar alguma coisa no escuro significava incomodar a todos.
Na parábola de Jesus, há duas lições. A primeira nos diz que devemos insistir na oração, isto é, perseverar, rezar sempre.
A Segunda nos lembra que, se um amigo importunado atende outro para não ser incomodado mais, o Pai do céu, que sempre está pronto para receber os pedidos e sempre à espera do filho, atenderá com alegria e rapidez.
No Pai Nosso é nos dito o que devemos pedir. Aqui é nos ensinado como devemos pedir. Cada um desses verbos tem seu sentido. O verbo pedir, por exemplo, pressupõe o reconhecimento de que somos pobres necessitados.
O verbo procurar marca um dos temas que volta todas as vezes que o homem se coloca diante de deus e do destino eterno que o espera.
Poderíamos dizer que o homem é um ser à procura. Jesus sabe disso e diz que a procura não é vã para os que crêem.
Há, no fim da procura, o ser procurado, e ele é alcançável; é possível a reconquista da divindade perdida, a participação do homem mas coisas divinas, a convivência do homem com Deus numa só família.



UMA MENSAGEM PARA A VIDA
O PAI-NOSSO Todos conhecemos o Pai Nosso. Rezamos de cor, todos os dias. Muitas vezes, rezamos sem prestar atenção. Já teve alguma vez que você, rezando o Pai Nosso, de repente se deu conta?
Perdoai as nossas ofensas. Antigamente se rezava "Perdoai as nossas dívidas". O que é mais difícil: Perdoar ofensas ou perdoar dívidas? Por que?
PAI NOSSO:
Exprime o novo relacionamento com Deus (Pai) e o novo
fundamento da fraternidade (Nosso Pai). No AT a palavra Pai para Deus ocorre só 15 vezes. No NT, 245 vezes!!! A origem desta novidade é a experiência que Jesus teve de Deus como Pai e da qual nós podemos participar.



SANTIFICAR O NOME:
O nome é Javé. Neste nome Deus se deu a conhecer (Ex 3, 15). O nome é santificado quando é usado com fé e não com magia, quando é usado conforme o seu verdadeiro objetivo, isto é, não para a opressão, mas sim para a libertação do povo e para a construção do Reino.



VINDA DO REINO
O único dono da vida humana é Deus. A vinda do Reino é a realização de todas as esperanças e promessas. É a vida plena, a superação das frustrações sofridas com os reis e os governos humanos. Este Reino acontecerá, quando a vontade de Deus for plenamente realizada.



FAZER A VONTADE
A vontade de Deus se expressa através da sua lei. Que a vontade de Deus se faça na terra assim como no céu. No céu o sol e as estrelas obedecem à lei de Deus e criam a ordem do universo. Assim, a observância da Lei de Deus será fonte de ordem e de bem-estar para a vida humana.



PÃO DE CADA DIA
No êxodo, cada dia, o povo recebia o maná no deserto. A providência Divina passava pela organização fraterna, pela partilha. Jesus nos convida para realizar um novo êxodo, uma nova maneira de convivência fraterna que garante o pão para todos.



PERDÃO DAS DÍVIDAS:
Cada 50 anos, o Ano Jubilar obrigava todos a perdoar as dívidas. Era um novo começo (Lev 25,8-55). Jesus anuncia um novo Ano Jubilar, " um ano da graça da parte do Senhor"(Lc 4,19). O Evangelho quer recomeçar tudo de novo! Hoje, a dívida externa não é perdoada!



NÃO CAIR NA TENTAÇÃO:
No êxodo, o povo foi tentando e caiu (Dt 9,12). Murmurou e quis voltar atrás (Ex 16,3; 17,3). No Novo Êxodo, a tentação será superada pela força que o povo recebe de Deus.



LIBERTAÇÃO DO MALÍGNO
O Maligno é Satanás. Ele afasta de Deus e é motivo de escândalo. Chegou a entrar em Pedro (Mt 16,23) e tentou Jesus no deserto. Jesus o venceu (Mt 4,1-11).



AMÉM:
Aprova os pedidos e diz estar de acordo com este programa.



QUANDO NÃO POSSO REZAR O PAI-NOSSO



Não posso dizer "Pai nosso", se não considero todos os homens como irmãos meus!
Não posso dizer "que estais no céus", se me preocupo apenas com meus bens na terra!
Não posso dizer "santificado seja o vosso nome", se minha vida é imagem do cristão falso!
Não posso dizer "venha a nós o vosso reino", se não vejo o amor fraterno crescer dentro de mim!
Não posso dizer "seja feita a vossa vontade", se valorizo as minhas vontades, se o que me importa é o meu interesse!
Não posso dizer "o pão nosso de cada dia nos daí hoje", se não sou capaz de repartir o meu pão com os injustiçados!
Não posso dizer "perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido", se não sei perdoar de verdade e pagar o mal com o bem!
Não posso dizer "e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal", se fecho os olhos à exploração existente, se fecho os olhos aos apelos da justiça e se eu fujo da minha responsabilidade de transformar o mundo na casa do Pai.
Não posso dizer "amém", se não aceito com a minha vida que "o Pai é nosso", que "o pão é nosso" e que todos nós somos iguais e verdadeiros irmãos.



REZANDO, JESUS ENSINA A REZAR
Existe no calendário litúrgico uma seqüência de Evangelhos que nos mostram Jesus rezando, e com isso nos ensina a reza. Primeiro Jesus ensinou o que é a caridade verdadeira (ação), contando a história do BOM SAMARITANO.
Depois nos lembra que a condição essencial de qualquer caridade é a ESCUTA DA PALAVRA DE DEUS, contando a história de Marta e Maria. Finalmente nos fala O QUE É COMO DEVEMOS REZAR, ensinando a rezar o PAI NOSSO.
Três pilastras do cristão, que nunca se sabe se acabam sendo uma só ou se é possível distingui-las: A ORAÇÃO, A ESCUTA DA PALAVRA DE DEUS E A AÇÃO. Porque elas são simultâneas e se condicionam. Quem diz que não tem tempo para rezar, na verdade, está-se acusando de desequilíbrio. Santa Tereza, mulher de oração intensa, dizia que assim como não se levanta um edifício sem que se prendam os tijolos com cimento, assim também uma vida construída sem oração é falsa. Jesus foi um orante e ensinou os Apóstolos a rezar. Embora tenha ensinado uma fórmula, não está na fórmula a oração. Porque a oração é uma atitude do ser humano em conversa com Deus.



OS SETE PEDIDOS DO PAI-NOSSO
O Pai-Nosso resume tudo o que foi ensinado por Jesus.
Foi o próprio Jesus que nos ensinou a rezá-lo.
Todo o Pai-Nosso é de uma mensagem muito rica.
Conta-se que Santa Terezinha, quando rezava o Pai-Nosso, não passava das primeiras palavras. Dizia: Pai nosso e aí parava...
Vinha tanta coisa à sua cabeça que ela ficava uma porção de tempo empolgada com tudo que via dentro desta invocação.
O Pai-Nosso possui sete pedidos:
1- Santificado seja o vosso nome;
2- Venha a nós o vosso reino;
3- Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu;
4- O pão nosso de cada dia nos daí hoje;
5- Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
6- Não nos deixeis cair em tentação;
7- Mas livrai-nos do mal.
Nos quatro primeiros pedidos, pedimos a Deus o bem.
Nas três últimas, pedimos a Deus que nos livre do mal.

O MILAGRE DE 25 DE MARÇO


Não, o título não tem nada a ver com a famosa rua paulistana, símbolo do consumismo e do capitalismo sem peias. Mais que uma data, 25 de março é um marco para a humanidade. Deveria ser – e aqui fica a sugestão – o Dia Internacional contra o Aborto. Afinal, o que nos lembra essa data? O milagre da concepção. O dia da anunciação do anjo Gabriel “enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José. O nome da virgem era Maria” (Lc 1, 26-27). Dia fértil, de graças e bênçãos celestiais, o pequeno Natal, o anúncio de uma vida nova a caminho, a concepção divina sem a intervenção humana... Ah, se pudéssemos penetrar a fundo nos mistérios e ensinamentos desse dia!
Primeiro deles: a concepção é prenúncio de vida. Tão belo e radiante que é anunciado pelo mensageiro de Deus, para que nada possa interferir na evolução embrionária daquela criança, que se tornaria a maior das dádivas divinas à humanidade. Aborto ou rejeição materna nunca foram cogitações para aquela mãe-menina, a virgem de Nazaré. Por que então gastarmos tanta saliva com prós e contras um assunto que originou a mais poética e radical história de amor de que temos hoje ciência? No ato da concepção anunciada pelas forças celestes Jesus iniciou sua jornada terrena. Fecundar, engravidar são os verbos que bem conhecemos para denominar esse sublime momento da geração humana. Não há como negar: a vida começa na fecundação e ponto final.
Segundo: qualquer concepção, com consentimento ou fruto de uma violência sexual, sob interferência ou não das tecnologias humanas, qualquer concepção é um milagre, o milagre da criação, da vida. Esta nos foi dada pela generosidade do Criador, nunca apenas pela fertilidade dos pais (sejam eles dignos ou indignos do merecimento desse privilégio), pois que a vida de um embrião não pertence aos pais, mas ao novo ser cuja missão está determinada por Deus. A forma como a concepção se dá é outra história, pela qual muitos hão de prestar contas no tribunal divino. Quantos e quantos seres humanos, rejeitados familiar e socialmente pelas circunstâncias de seu nascimento, foram pessoas extraordinárias, seres maravilhosos! Maria, por exemplo, tinha todas as razões para rejeitar sua gravidez e não o fez. Se o fizesse, não teríamos o Salvador.
Terceiro e último ponto: mulheres gritam hoje pelo direito de administrar o próprio corpo. Levantam em uníssono suas vozes com o timbre angustiado da exploração de que são vítimas e fazem tremular a bandeira da liberdade, como se donas fossem da sagrada função de dar ou não a vida. A função é delas, mas a vida nova que geram, não. “Bendito é o fruto do teu ventre”, diria o anjo a Maria, deixando claro que em seu ventre há algo mais, diferente do próprio corpo, ou seja: um novo ser, um fruto divino. Esse corpo estranho tem vida, luz própria, corpo e alma: um fruto novo, bendito por Deus e purificado de qualquer mácula do pecado original. Do pecado da própria origem, muitas vezes... Então, eis a razão da Igreja ser tão veementemente contrária ao aborto, pois o ventre materno é um sacrário perfeito, purificador, um receptáculo para os embriões de outra vida, com características pessoais próprias, alma, identidade.
Se você ainda não se deu conta da importância da vida, saiba que ela é um milagre. Você é um milagre! Dê graças a Deus por não lhe terem abortado. Nove meses separam 25 de março do Natal. Da concepção à redenção. Faça de conta que hoje você está iniciando uma jornada em direção à luz. A viagem parece longa. Não se preocupe com o que virá pela frente, pois que sua gestação será normal, dia a dia, mês a mês. Seu corpo trará consigo uma alma e esta buscará sempre a plenitude do espírito. Lute pela vida, nunca pela indiferença a ela. No centro dos mandamentos que Deus nos deixou está escrito: “Não matarás”. Só encontraremos a perfeição da vida entre as palhas de um berço improvisado de Belém, o milagre de 25 de março.

JESUS VIDA E LUZ


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

O Filho de Deus vindo a este mundo se manifestou como vida e luz. Disse claramente “A luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más” (Jo 3, 19). Ele também afirmou: "Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede" (Jo 6,35). Ele, é portanto, vida e luz do seu verdadeiro seguidor. Diante de um mundo no qual os descrentes lançam maldosamente as sementes da morte e da escuridão cumpre aprofundar este aspecto fundamental de Cristo na existência do cristão. Ele mesmo mostrou a importância destas facetas ao proclamar: “Eu sou a luz do mundo. Aquele que me segue terá a luz da vida e não caminhará na obscuridade” (Jo 8,12). Luz da luz, Jesus é a vida e o amor de Deus que são oferecidos a todos que têm fé para vencer os poderes da morte. O acontecimento da Páscoa cintila como luz da vida eterna. Eis suas palavras textuais: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá" (Jo 11,25). Se assim é, cumpre viver em função do divino Redentor porque Ele é Deus e Deus é luz e tal a sorte final dos justos na vida eterna: "Já não haverá noite, nem se precisará da luz de lâmpada ou do sol, porque o Senhor Deus a iluminará, e hão de reinar pelos séculos dos séculos" (Ap 22,5). A luz é sinônimo do Ser Supremo. Jesus quer vivificar os sentimentos do coração, as atitudes, todas as ações iluminando aquele que dele se aproxima. O cristão é verdadeiramente filho da luz e sua conduta é que qualifica o domínio de Deus e de Cristo como sendo a vitória do bem sobre o mal, a justiça sobre a injustiça, a luminosidade sobre a tenebrosidade. O que se esquece muitas vezes é que o ser racional, quer queira, quer não, ou é filho da luz ou das trevas, pertence a Deus ou a satanás. São Pedro esclarece isto admiravelmente ao falar dos batizados: “Vós, porém, sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa” (1 Pd 2,9). Eis porque aconselha São Paulo: “Sede contentes e agradecidos ao Pai, que vos fez dignos de participar da herança dos santos na luz.. Ele nos arrancou do poder das trevas e nos introduziu no Reino de seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados (Cl 12-14). Deste modo o cristão é um iluminado, como assevera o mesmo Apóstolo: “Outrora éramos trevas, agora, luz no Senhor (Ef 5,8). Para isto mister se faz produzir os frutos da luz, ou seja, praticando tudo que é bom, justo e verdadeiro, dado que as obras das trevas são os pecados que se multiplicam no mundo dominado pelo maligno. Andar na luz é estar em comunhão íntima com o Ser Supremo. Depositário da luz divina, tal a missão do batizado nesta terra: clarificar este mundo com seu exemplo, com seu testemunho de vida. Luminoso é o cristão que, abrindo-se à graça de Cristo e, seguindo docilmente a ação do Espírito Santo, se deixa conquistar pelo amor de Deus e pela caridade para com o próximo. Apesar de suas fraquezas e dos erros humanos quem é de Cristo se conforma a Ele, aos seus critérios e à sua doutrina. Unido a Cristo, vive fazendo em todas as coisas o que agrada ao Pai, acolhendo amorosamente seus planos e projetos os quais têm a finalidade de formar em cada um aquele membro do Corpo místico que se torna um clarão num mundo de trevas. Este mostra a fisionomia espiritual do Redentor e a beleza do Evangelho. Eis por que em vista de tudo isso, os bons cristãos se deixam animar em toda a sua vida e em qualquer atividade pelo Espírito de Cristo, participando de sua graça, completam a obra salvífica, tornando visível aos outros em suas pessoas, nas circunstâncias concretas do ambiente e do mundo no qual vive a felicidade de estar no reino da luz. Todo aquele que assim vive na órbita do Filho de Deus irradia tal fulgor que o esplendor de sua existência faz ver a amabilidade do Salvador nas circunstâncias nas quais se encontra. Deste modo atrai os outros para Cristo. Nos bons cristãos Deus manifesta o seu rosto (LG 50). É deste modo que Jesus, mediante o exemplo concreto e vivo dos que se dão a Ele incondicionalmente, continua fazer os homens e as mulheres de todos os tempos ver formas novas e estilos autênticos de vida cristã, modos práticos de concretizar o ideal de união e conformidade a Ele. Cristo prossegue mostrando que toda pessoa, onde quer que esteja, pode e deve deixá-lo viver em si, a fim de que tudo o que é autenticamente humano seja elevado e santificado por Ele para a maior glória de Deus, É assim que o mundo fica então, de fato, iluminado por Cristo, Luz que veio a este mundo. Ele diz a cada batizado: “Se és cristão, tens o mundo nas mãos. Ilumina-o. Eu conto contigo”! *Professor no Seminário de Mariana de 1964 a 2008.

A MENINA DE ALAGOINHA e nós......


Nem sabemos o nome “da menina de Alagoinha”..., que aos nove anos ficou grávida após ter sido abusada pelo padrasto e fez um aborto, e muitos, nesses dias, nem se preocuparam em pensar que ela é a primeira que, nestes tempos tristes, precisaria de uma carícia, da carícia do Nazareno.

A menina de Alagoinha e nós – que estamos nas fábricas, nos escritórios, nas escolas, no planalto ou escrevendo nos jornais – precisamos de uma ternura tal que nos envolva até despertar uma afeição por nós mesmos. Porque sem isso, o sentimento que prevalece é somente o cansaço: basta que as dificuldades do viver, ou melhor, o mistério por meio do qual a vida nos desafia, seja um pouquinho maior do que a nossa medida, e nos sentimos esmagados. E, então, nos defendemos, tornando evidente a nossa resistência, ou mesmo o nosso escândalo, diante de algo que não entendemos.

Mas diante de um fato tão dramático, essas palavras parecem inúteis. Será que a vida é um engano? Podemos dar sentido à vida quando nos encontramos diante de fatos como esse? Podemos suportar tal sofrimento? Sozinhos não conseguimos. É preciso que nos deparemos com a presença de alguém que faça a experiência de uma plenitude na vida, de modo que possamos ver e recuperar a esperança de que tudo não acaba em um vazio devastador.

Nem Cristo foi poupado da angústia diante da dor e do mal, até a morte. Mas o que fez a diferença n’Ele? Ter sido uma pessoa mais valente do que nós? Não! Tanto que no momento mais terrível de provação, Ele pediu que a cruz lhe fosse poupada. Em Cristo, foi derrotada a suspeita de que a vida, em última instância, seria um fracasso: o que venceu foi o seu vínculo com o Pai.

Bento XVI lembrou-nos que “a verdadeira resposta consiste em dar testemunho do amor que ajuda a enfrentar a dor e a agonia de modo humano. Estejamos certos disto: nenhuma lágrima, nem de quem sofre, nem de quem lhe está próximo, se perderá diante de Deus” (Angelus, 1.fev.09).

Por isso, estamos com a menina de Alagoinha, e com a Igreja, que não se cansa de nos indicar, dentro dos acontecimentos da história, que não se pode pagar o mal com o mal. Entendemos o aborto como uma segunda agressão à menina. Um gesto assim deixa marcas profundas por toda a vida, e uma menina que já havia sofrido tanto não merecia receber mais esta violência. A vida é dom de Deus, e em nome de quem o homem decide quando ela será dada ou retirada?

A presença de Cristo é o único fato que pode dar sentido à dor e à injustiça. Reconhecer a positividade que vence qualquer solidão e qualquer violência só é possível graças ao encontro com pessoas que testemunham que a vida vale mais do que a doença e a morte. Como aconteceu com Vicky, retratada no documentário vencedor de Cannes de 2008: uma mulher soropositivo da Uganda, que aceitou este olhar sobre si, redescobriu a própria dignidade e, hoje, ajuda centenas de outras pessoas em uma ONG do seu país. Esta é a vida nova como todos nós esperamos, mesmo diante do mal do mundo e nosso. Esta é a vida que a menina de Alagoinha espera agora.