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FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

sábado, 7 de março de 2009

AMOR INCONDICIONAL


O meu Jesus trouxe ideias muito radicais: amar os meus inimigos.

Quando não existem "conflitos" na minha vida que envolvam outras pessoas, eu leio estas palavras de ânimo leve e até penso que são fáceis de serem vividas.

Mas quando o meu coração foi magoado por outros, injustamente, e Deus me pede para amar essas pessoas... a dificuldade aparece. Sendo uma pessoa que não guarda rancor com facilidade (pensava eu, talvez erradamente...) vejo-me na situação de me apetecer dar o mesmo troco que me deram.
Alguém que me magoou injustamente chega perto de mim e pede-me ajuda... para uma coisa tão pequena e insignificante, mas pede... e isso faz surgir sentimentos no meu interior:
"Eu? Quero lá saber... pede ajuda a outro... afinal não és uma pessoa tão boa, tão melhor do que os outros? Para que precisas de mim?"
A minha justiça e bondade próprias não são nada diante de Deus. Vejo-me a sentir coisas completamente ao contrário do que gostava de sentir. Eu, a Paula, tão boazinha, a sentir exactamente o que a minha carne quer que eu sinta... as inclinações completamente contrárias ao Espírito.
Tudo isto confirma o que há muito sinto dentro de mim: Eu nunca serei boa, nunca serei capaz de fazer isto ou aquilo por mim.
Às vezes parece-me que os cristãos pensam que o caminho a percorrer é um caminho de auto-melhoria, de nos tornarmos mais piedosos, de nos tornarmos mais "santinhos". Todas estas ideias têm, para mim, uma aparência bíblica mas não são verdadeiras, tal como é costume as termos.
Nós evoluímos e caminhamos um percurso de maior conhecimento e intimidade com Deus. O conhecimento, relacionamento e interacção amorosa com Deus é que aumentam, não é a nossa natureza que se molda mais.
É aquilo que sinto e que vejo acontecer em mim. A Paula não atinge este ou aquele patamar de bondade. Vai é, dia-a-dia, vendo mais claro o Senhor, humilhando-se mais, pedindo mais perdão pela Sua carne às vezes falar mais alto, vai-se relacionando mais com o Espírito.
Inundar... é isso que vai acontecendo dia-a-dia, com maior intensidade.
Eu nunca serei boa. Nunca. Vou é conhecer mais o meu Deus e amá-Lo e deixar-me amar por Ele.
Se sempre tiver estas certezas, nunca vou achar que sou melhor que os outros, que já atingi isto ou aquilo, que sou superior aos outros.
E quantos cristãos têm estes sentimentos em relação aos outros...

DEUS A UNICA FONTE


"Que pensas tu ganhar indo ao Egipto para beber da água do Nilo? Que pensas tu ganhar indo à Assíria para beber água do Eufrates?" Jeremias 2:18


Que pensamos nós ganhar quando esperamos receber algo das pessoas?

Que pensamos nós ganhar quando procuramos em alguém ou nalguma coisa o saciamento da nossa sede espiritual?

Que pensamos nós ganhar quando procuramos amor onde ele não deve ser procurado?

Temos sede e procuramos nos sítios errados.

A nossa sede até é sede de Deus mas porque não O procuramos directamente?

Esperamos que os outros se lembrem de nos amar, esperamos por algum gesto amável, enquanto nós mesmos estamos fechados sobre nós próprios, as nossas necessidades, ignorando os que nos rodeiam.

Esquecemos que o próprio Jesus esteve sozinho num dos momentos mais angustiantes que deve ter vivido... enquanto suava lágrimas de sangue, os seus amigos dormiam. Enquanto estava prostrado em terra, os amigos que tinha levado consigo ignoraram-no e deixaram-se ir nas suas próprias necessidades.

Não quero dizer que Deus não usa pessoas na nossa vida. Graças a Ele estou rodeada de algumas pessoas através das quais eu recebo muito de Deus.

Mas a quem dirijo eu a minha busca? Em quem procuro eu saciar a minha sede?

Em Deus directamente ou nas pessoas (que estão mais à mão e são visíveis aos meus olhos)?

Que penso eu ganhar com isso? NADA

Deus diz que se a minha busca está virada para algo que não seja Ele, directamente, eu não vou ganhar nada com isso. Posso até parecer ganhar algo, mas esse algo é falso, não tem raízes, não perdura no tempo, desvanece-se.

Busquemos directamente o próprio Deus! Só Ele pode saciar as nossas verdadeiras necessidades. Só com Ele podemos ter um relacionamento que é o que precisamos.

E quando tivermos necessidades, procuremos olhar para os outros como alguém a quem podemos amar, e não apenas receber algo em troca. Servir os outros... é algo que precisamos urgentemente aprender.

Esqueçamos o nosso egoísmo e mesquinhices. Olhemos para os outros com amor.

E àquele que dá, muito lhe é dado!

TOQUE


“E não pôde fazer ali nenhum milagre, a não ser curar alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. Jesus ficou tão admirado com a falta de fé dos da sua terra, que resolveu ir ensinar o povo dos arredores.” Mc 6:5,6

Onde não existia sensibilidade espiritual para receber algo directamente, algo pela fé, Jesus impôs as Suas mãos e curou alguns doentes.

Sinto que o toque carrega cura, ainda mais nas situações em que a sensibilidade humana para o mundo espiritual está ausente ou diminuída.

Sem o toque de Jesus nenhum daqueles doentes despertaria para a possibilidade da cura.
Há mentes que não se abrem para a fé que traz cura se algo sensorial não acontecer.

Creio que há algo de muito especial nas nossas mãos.

Porquê as nossas mãos?

São um veículo, um condutor de algo que está dentro de nós e que se transmite aos outros: o Espírito Santo e o Seu poder.

Pelo toque pessoas são curadas, pessoas são libertas, pessoas recebem o Espírito Santo, recebem dons, recebem exortação, recebem algo concreto do Pai.

Há algo de muito poderoso neste gesto e creio que o simples toque humano, sem carga espiritual, já tem muito impacto, quanto mais se for o toque de alguém que está cheio do Espírito, com um coração que se enche de um relacionamento de amor com o seu Pai.

“’Senhor, se quisesses, podias curar-me.’ Jesus estendeu a mão, tocou-lhe e disse: Quero, fica curado! No mesmo instante o homem ficou livre da lepra.” Mt 8:2b,3

DESFALECENDO DE AMOR


Meu querido Deus,


O meu coração neste momento está cheio, cheio da Tua presença, cheio da Tua paz.


Há um sorriso nos meus lábios que eu não posso esconder. Toda a ternura que possa sentir quero dirigí-la somente a Ti.


O meu corpo sente a Tua presença amorosa em mim. À minha volta estão os teus anjos, olhando por mim, cuidando de mim, protegendo-me.


Adoro-Te, pois sem Ti a minha vida seria vazia.


Tu és tão lindo, tão belo, tão intenso, tão................................................


Deixas-me sem palavras apenas com a Tua presença. Nada precisas dizer pois só o facto de estares aqui é muito forte para mim.


Tu amas-me e eu amo-Te.


Meu coração sempre esperará por Ti e o Teu perfume quero sempre sentir, vez após vez.


E embriagar-me com a Tua presença de amor.


O Teu amor é algo que não se explica e eu não o quero explicar, apenas quero viver e sentir, experimentar, conhecer e deixar-me levar.


Embriagar-me do Teu amor... *sorrisos*


Desejava, às vezes, viver apenas na dimensão espiritual... unicamente para estar continuamente ligada a Ti, meu Pai, sempre, sempre, sempre, sem me deixar distrair com as coisas deste mundo.


Acho que isso me bastaria, mas sabes que o meu coração não é perfeito. Está ligado ainda a outras coisas, a outras pessoas.


Mas eu não quero mais sair dos Teus átrios. Só os Teus átrios já me trazem uma satisfação tão grande... e quando eu posso entrar na Tua casa, com ousadia olhar e caminhar por todos os Teus corredores, o meu ser desfalece.


A Tua presença é grande de mais, e contudo resolveste habitar dentro de mim.


Espírito Santo de Deus...

PODEMOS CONHECER TUDO


“Quando vier o Espírito da Verdade vai guiar-vos por toda a verdade. É que ele não falará de si próprio, mas comunicará o que lhe disserem e anunciar-vos-á as coisas que ainda estão para acontecer.
Ele vos manifestará a minha glória porque tomará daquilo que é meu e o interpretará a vocês. Tudo quanto o Pai tem, pertence-me também a mim. Por isso é que eu digo: o Espírito receberá daquilo que é meu e o interpretará a vocês.” Jo 16:13-15


O Espírito Santo, a forma de conhecermos Deus, aquele que nos interpreta a realidade e pessoa de Deus.

O Espírito Santo é a chave para ouvir Deus claramente, para saber o que vai no Seu coração, para sentir a Sua presença, para saber que caminho Deus quer que eu trilhe.

É o próprio Deus dentro de mim.

É a vida de Jesus dentro de mim, a mesma vida que Jesus tinha dentro dele.

Não posso relacionar-me com Jesus se não for através do Espírito Santo, pois este fala do que é de Jesus e do Pai, este leva-me à presença destes.

Tudo o que o Pai tem é de Jesus e o Espírito Santo recebe de Jesus e o interpreta a mim, para que entenda, para que ouça.

O Espírito tem um relacionamento especial com os seres humanos, tem um contacto especial, um papel chegado ao ser humano, ao ponto de nos encarnar e desejar ter liberdade dentro de nós. É por isso que Ele tem intensos ciúmes.


“Eu sei que a unção do Espírito que é real e não ilusão, vos vai ensinando acerca de todas as coisas, como já vos ensinou, mantenham-se unidos a Jesus.” I Jo 2:27


A unção deste mesmo Espírito ensina-me todas as coisas. Isto é incrível! Ensina-me tudo, tudo, tudo, porque a fonte do Espírito é o próprio Deus e Jesus seu filho. Como é que Ele não me ensinaria todas as coisas com uma fonte destas?

E é através da unção deste Espírito que eu posso manter-me unida a Jesus, esse homem tão belo, esse Deus tão homem mas tão divino, tão chegado, tão pessoal.

Talvez o maior desafio da minha vida seja viver pelo Espírito, conhecendo desse modo o meu Deus de uma forma cada vez mais intensa, mais real, mais clara, mais amorosa.

O Espírito é um Espírito de amor. É amor fluido de Deus sobre mim e especialmente dirigido ao meu coração.

Queres aprender a andar na Verdade, a conhecer Deus verdadeiramente? Procura ouvir e relacionar-te o Seu Espírito!

A INCOMPREECEVEL PACIÊNCIA DO PAI


“Porém, aquele que vive do Espírito é capaz de fazer um juízo sobre todas as coisas, e a ele ninguém o pode julgar. Na verdade está escrito:
‘Quem poderá conhecer o pensamento do Senhor? Quem será capaz de lhe dar conselhos?’ Mas nós possuímos o pensamento de Cristo.” I Co 2:15


Nós possuímos o pensamento de Cristo… e a partir do momento em que possuímos este pensar, é impossível deixar de o ter… é a conclusão a que tenho chegado.

Vejo-me muitas vezes na minha vida espiritual num ponto em que paro, olho, penso e sobretudo sinto: “Parece que estou a andar para trás… Aquilo que já vivi não o vivo agora…”

Parece que há algo que não me deixa avançar, algo em mim, não em Deus. Deus é perfeito, eu não o sou.

E parece que estes momentos acontecem sempre depois de viver algo espiritualmente intenso, depois de Deus abrir os meus olhos para algo e eu chorar e vibrar de emoção por finalmente estar a ver, por finalmente estar a compreender!

Os momentos em que Deus decide abrir o véu de uma forma diferente são momentos que me marcam muito… mexem muito comigo e eu sinto a confirmação nesses momentos de que sou alguém que não pode viver sem o Pai, sem a REALIDADE da Sua presença.

Não me contento mais com o chapinhar nas Suas águas, nos Seus Rios. Eu quero mergulhar, eu PRECISO mergulhar!

Eu nasci com essa sede e desde muito pequena que tenho algo dentro de mim que clama pelo transcendente, pelo que não é material. Todo o ser humano tem isso dentro dele, mas eu sei que Deus deu um toque especial a essa característica em mim, ou seja, essa minha característica foi-me dada por ele, não é apenas personalidade minha.

Porém, quanto mais sedenta, mais infeliz me sinto se não estiver na Sua presença, mais desgraçada, mais vazia, mais seca…

Muitas vezes nesses momentos eu penso: “Chega, não vou mais buscar, não vou mais procurar, não quero descobrir mais nada, não quero que me mostres mais nada pois eu não vou avançar, não consigo, não sou merecedora disso… sou cabeça dura. Por isso, Deus, eu quero esquecer tudo o que me tens mostrado.”

E faço como Pedro… volto a lançar as redes ao mar, esquecendo os homens e querendo apenas pescar peixes… esses, pelo menos, dão-me menos dor de cabeça, não me fazem sentir mal nem constrangida… esses não têm necessidades que me constranjam.

Passo dias em que não quero sequer pensar nessas coisas, mas há sempre algo no meu coração que não me deixa esquecer.

É o mesmo sentimento que temos quando amamos alguém mas esse alguém nos magoa profundamente ou não corresponde ao nosso amor. Chega a um ponto em que nos esforçamos por esquecer essa pessoa, nem sequer pensar porque o mais simples pensamento faz com que o coração sinta algo… e nós não queremos sentir, não queremos sequer reacender nada… queremos esquecer, apagar, abafar…
Mas, quando menos esperamos, cruzamo-nos com a pessoa ou vemos ou ouvimos algo que nos faz lembrar a pessoa e ZÁS, o coração sente algo… não conseguimos esquecer… e tudo se reacende… não dá para gerir.

É isto que muitas vezes tento fazer com as coisas que Deus me fala… esquecer, esquecer, esquecer, mas o Seu Espírito em mim não se cala… engraçado que o Espírito é profundamente sensível, pois sabe respeitar os dias em que eu preciso de silêncio espiritual. Mas passados esses dias, Ele volta a começar a falar, muito subtilmente, com a mesma subtileza com que alguém limpa uma ferida profundíssima. Devagarinho, olhando para a pessoa, tentando perceber se o tratamento está a produzir uma cura muito rápida ou se tem de ir mais devagarinho. E quando o tratamento está a fazer arder a ferida, Ele estende a Sua mão e limpa as minhas lágrimas.

Assim é o Espírito, mas agindo de uma forma perfeita, com uma total sabedoria, com um total cuidado e conhecimento do meu ser.

E tudo volta ao meu coração, tão devagarinho, mas cada vez mais intensamente: todos os ensinamentos, todas as promessas, todas as trocas de amor que já aconteceram (e que só de pensar nelas choro… mas também sorrio).

Tenho em mim o pensamento de Cristo e não posso mais voltar atrás… Não sei porque Deus não desiste de mim, mas cada vez mais me assombra a Sua paciência em sempre me levantar quando eu estou caída e sou a primeira a não me querer levantar.

Só há uma explicação: AMOR! Amor, amor, amor numa dose tão grande que o meu próprio corpo não pode suportar isso.

E a chama é de novo acesa, mas cada vez que ela volta a ser acesa, o seu fogo consome-me mais, arde em mim com uma intensidade avassaladora. E o meu coração bate, parecendo que o meu peito não é suficiente para abarcar tudo o que vivo.

Ah, Pai, porquê eu? Porquê? Quem sou eu para que Te lembres de mim?

quinta-feira, 5 de março de 2009

RENASCER DAS CINZAS


Mitologia é a ciência de uma necessidade humana, o divino. Quando distante do verdadeiro Deus, o ser humano constrói para si uma idéia ou mesmo uma farsa da realidade divina. Assim, na mitologia grega ou romana, além de tantas aberrações idólatras, temos a lenda da Fênix, uma ave que vivia quinhentos anos e depois se sacrificava numa pira para ressurgir das próprias cinzas. Seu auto sacrifício acenava para o mistério do Sol que “morre em chamas toda tarde para ressurgir na manhã seguinte”.
Apesar da infantilidade pagã, a crença mitológica nos oferece lições. Ressurgir, renascer, renovar-se dia a dia é a maior delas. “Tu és pó e ao pó voltarás”, nos ensina a fé cristã. Ora, como transportar para nossa crença e fugacidade da vida terrena a história dessa ave, que seria capaz de “transportar um elefante” e se perpetuar em sucessivas gerações? Embutido nesta fantasia e quase carência humana de perpetuação da própria espécie, está o centro da fé que professamos, ou seja, o cristão também é uma fênix, que ressurge de sua insignificância carnal para se perpetuar no espírito. Eis o mistério que nos motiva!
Ora, entre a mitologia e a fé genuína está a realidade. A natureza nos ensina muito mais, posto ser esta o referencial visível da vida biológica. Para ultrapassar essa realidade, só com o olhar da fé. Pois então, aqui vai uma lição das maravilhas da natureza. As aves capazes de altos voos possuem uma capacidade visual que lhes proporciona não só a distinção de pequenas caças, como também a faculdade de “nictitar”, ou seja, descansar a visão e poupá-la da contemplação de coisas inúteis. Essas aves possuem uma segunda membrana nos olhos, que lhes proporciona uma visão aguçada, porém mais concentrada nos seus objetivos. Essa sub pálpebra funciona como uma lente de descanso, que filtra os raios solares e apura a visão apenas para o que de fato lhes interessa.
Eis o que nos interessa agora. A fé cristã transporta mais que um elefante, transporta montanhas... Ressurge das cinzas de nossas limitações físicas e se renova a cada por do Sol – “a cada dia bastam suas preocupações” – na esperança que motivou a perseverança dos apóstolos – “para onde iremos nós, se só tu tens palavras de vida eterna?” – pois o questionamento de Pedro é nossa única motivação. A perseverança nessa doutrina é a visão de um objetivo além da realidade biológica, que ressurge das limitações terrenas para se glorificar no mistério da ressurreição, a maior das promessas da doutrina cristã.
“Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1Cor 15,14). A preocupação do apóstolo era deixar evidente todo seu esforço de vida missionária baseada unicamente na certeza da ressurreição. Sem esta, perdia seu tempo. Diria mais adiante: “Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram” (1 Tess 4,14). Essa é a visão cristalina da fé, única motivação que de fato nos interessa, para continuarmos nossos voos pela vida, na esperança de um dia também ressurgimos das cinzas de nossas incertezas e recobrarmos a vida plena em Deus.
Por ora, façamos um esforço mínimo de renovação. Podemos fazer. Devemos fazer. A liturgia do tempo quaresmal se estende ao nosso dia a dia e nos dá oportunidade de vencer a morte dos pecados cotidianos, das limitações físicas, das incertezas espirituais, da insegurança na fé, do desanimo, da incompreensão... Seja também uma fênix! Seja uma ave de altos voos, de visão aguçada pelo espírito, pelo objetivo que só a pureza de uma fé genuína é capaz de nos dar. Assim - como Jesus - também colocaremos nossas vidas sobre a pira ardente de um holocausto divino

quarta-feira, 4 de março de 2009

JUVENTUDE E FAMILIA


Seja qual for o perfil caracterológico do educando cumpre mostrar a beleza de ser jovem.
Ser jovem é possuir, no coração, uma fonte de esperança, de nobres ideais, de otimismo alvissareiro.
Ser jovem é ter, dentro de si, caudais de energias prontas a se concretizar em iniciativas pelo bem comum, pelo próximo, pela pátria, pela humanidade.
Ser jovem é saber amar, cercando, sem cessar, de ternura e compreensão os entes queridos.
Ser jovem é fazer do dever de cada hora a felicidade mais inebriante, transformando a existência em sublime realização de si mesmo.
Ser jovem é não tergiversar, nem vacilar ante os árduos embates da vida; é enfrentar com ânimo varonil obstáculos e dificuldades, transpondo-os com olhos fitos em Cristo.
Ser jovem é não assimilar o erro, veiculado tão sutilmente, aqui e ali, nos jornais, nas revistas, no rádio, na televisão, na Internet, nas palavras do falso amigo.
Ser jovem é lutar sem tréguas contra o mal, as tentações, os vícios; é evitar os caminhos fáceis; é ter consciência de que os mortos não são aqueles que jazem numa tumba fria, mas, sim, os que têm morta a alma e vivem todavia.
Ser jovem é saber que espíritos superiores zelam pela saúde do corpo e da alma e, deste modo, detestam toda substância entorpecente, alucinógena, excitante, como a maconha, o haxixe, a cocaína e tantas outras drogas que degradam o ser humano.
Ser jovem é ser livre e usar racionalmente a liberdade.
Ser jovem é não desanimar nunca, é ver o lado bom dos acontecimentos, é sempre acender uma vela e não lamentar a escuridão.
Ser jovem é vibrar com as iniciativas do Grupo, participando, cooperando com o crescimento de todos.
Ser jovem é poder repetir com São Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”, pois Ele é a fonte da eterna juventude.
Entretanto a concretização de tudo isto depende da educação recebida da família.
Antigamente até os anos 60 os pais tinham uma maneira homogênea de educar os filhos e era bem mais fácil. Veio depois o conflito de gerações por causa da aceleração da História. O mundo se tornou uma “aldeia global”. Após a revolução cultural dos anos 60 veio o bombardeamento via mídia e, antes, o que era um dever a ser imediatamente cumprido conheceu tal turbulência que a fala familiar fica sufocada no meio da tempestade de informações que cada um recebe a cada hora de toda parte. Hoje, mais do que nunca, todo cuidado é pouco para não deixar o filho traumatizado ou frustrado e daí a necessidade dos pais se atualizarem sempre. A família continua a ser a salvação da sociedade por ser ela o laboratório sagrado no qual se preparam aqueles que se tornaram os benfeitores da sociedade, os profetas de uma nova ordem social. É preciso construir novas maneiras de relacionar e como é a família a principal responsável pela construção da visão de mundo das pessoas é ela quem pode formar desde o berço aqueles a quem a pátria pode confiar sua bandeira e a religião seu patrimônio de valores. Numa sociedade em que se inculca levar vantagem em tudo, cumpre mostrar aos educandos as vantagens que terá em ser estudioso, virtuoso, sério em tudo. A vida não perdoa os medíocres. A participação do pai, da mãe, dos mestres e do educando é de vital importância, pois a Escola é tão somente uma extensão do lar. É a família e a escola as salvaguardas dos valores humanos. A família e a escola são os lugares apropriados para se discutir uma nova sociedade mais humana e justa. Os autênticos educadores sabem que a crítica destrutiva coalha o leite da bondade humana. Escutam muito e falam pouco, mas com objetividade. Cumpre aos educadores mostrar sempre que um erro não justifica outro: pelo fato de certas pessoas procederem mal não significa que se pode agir erroneamente. Há valores latentes no ser humano que nenhum contexto histórico pode liquidar, mas é preciso que pais e mestres compreendam os novos tempos.A juventude é vibração, é força, é vida. É a depositária da esperança fagueira da pátria bem amada. Portanto, tarefa sublime a dos pais e mestres plasmar aqueles que fundirão ações heróicas nos bronzes do heroísmo a bem da humanidade. *

Professor no Seminário de Mariana de 1967 a 2008.




Última Alteração: 08:21:00

Fonte: Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Local:Mariana (MG)

OS MILAGRES DE JESUS


JESUS REALIZOU MAIS DE CINQÜENTA MILAGRES. ISTO LEVOU NICODEMOS, O SENADOR, A DECLARAR: “MESTRE, SABEMOS QUE VIESTES DE DEUS E NINGUÉM PODE FAZER TANTOS MILAGRES, SE DEUS NÃO ESTIVER COM ELE”.



MAIS DE 50 MILAGRES COMPROVAM QUE JESUS É DEUS
Entre as principais obras de Cristo, encontramos os milagres.
Um dia, uma mulher se ajoelhou a seus pés, arrependida. Jesus lhe disse: ‘seus pecados estão perdoados, pode ir em paz e não peques mais’(Jo 8,11).
Diante de um paralítico: ‘para que todos saibam que eu tenho poder de perdoar os pecados, eu lhe ordeno: levante-se, pegue a sua cama e vai para a sua casa. E o paralítico se levantou com grande alegria’(Mt 9,5-8).
Outros milagres comprovam a divindade de Jesus.
Em Caná da Galiléia, houve um casamento que era um grande acontecimento.
Um fracasso por falta de vinho, seria motivo de críticas e zombarias sem fim em toda redondeza, durante muito tempo.
Isto seria um prejuízo para os noivos e para suas famílias.
O número de convidados era maior do que se esperava por exemplo, Jesus apareceu com doze apóstolos.
E estes, talvez, tenham levado outros amigos, como era costume. Maria Santíssima percebeu que havia um problema.
Procurou inteirar-se do problema. Depois achou a solução.
E Jesus para atender sua mãe antecipou a hora de fazer milagres.
Em Caná da Galiléia, nesta festa de casamento mudou a água em vinho, cerca de quinhentos litros. Este foi o primeiro milagre de Jesus (Jo 2,1-11).
Curou cegos de nascença, surdos, mudos, loucos, leprosos, enfermos, presentes e distantes (Jo 4,46-54; 9,1-11).
Multiplicou cinco pães para cinco mil pessoas e outra vez sete pães para quatro mil homens (Mt 15,32-38; Jo 6,1-59).
Andou sobre as águas no mar da Galiléia e aplacou violenta tempestade com um só gesto (Mc 6,45-52).
Ressuscitou a filha de Jairo, o jovem de Naim a caminho do cemitério (Mt 9,18).
Ressuscitou também Lázaro, enterrado, fazia quatro dias em estado de putrefação(Jo 11,1-44).
Realizou mais de cinqüenta milagres para comprovar que é Deus.
Isto levou Nicodemos, o senador, a declarar: ‘Mestre, sabemos que viestes de Deus e ninguém pode fazer tantos milagres se Deus não estiver com ele’(Jo 3,2-3).
I
ALGUMAS DIFICULDADES EM RELAÇÃO AOS MILAGRES
Subindo ao céu, Jesus deixou a promessa de milagres aos que haveriam de crer em seu nome (Mc 16,17-18).
Conforme os Atos dos Apóstolos, na Igreja dos primeiros cristãos, havia muitos milagres.
Onde estão hoje esses milagres, prometidos por Jesus? Em Lourdes, em Aparecida, nas salas de milagres nos grandes centros de peregrinação? Onde?
Conforme as estatísticas, verifica-se uma baixa no número dos milagres em Lourdes. Na medida em que aumenta a investigação científica, diminui o milagre. A ciência hoje já consegue explicar o que antes não se explicava. Já não é mais milagre.
Mas, então, o milagre depende de quem? De nós, da ciência ou de Deus?
Quem vai me poder dizer se algo é milagre? E aquilo que Jesus fazia: era tudo milagre mesmo? Se se fossem aplicar todos os critérios das ciências, que sobraria?
Diz o jornal: “Estado de Minas”, algum tempo atrás:
“Eles estão chegando a São José de Goiabal.
Vieram de ônibus, táxi, caminhão, vieram a cavalo e a pé, sempre rezando.
Nos olhos traziam um brilho diferente, de quem espera milagre.
São os romeiros em busca de alguma graça que, na crença deles, supões que vão conseguir, pela água que sai da sepultura”.
Diz o NT de dois mil anos atrás “Seguia-o grande multidão porque tinham visto os milagres que fazia em favor dos doentes”(Jo 6,2).
Traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos a fim de que quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse algum deles.
Também das cidades vizinhas de Jerusalém afluía muita gente, trazendo os enfermos” (At 5,15-16).
A diferença por parte do povo que procurava Jesus e os apóstolos e o que hoje procura a água santa de Goiabal e, ontem, o Zé Arigó de Congonhas do Campo?
A impressão geral que fica é essa: Cristão evoluído e esclarecido não parece acreditar muito em milagres. Outro, que não é cristão ou que é um católico tradicional
parece acreditar para valer. Como explicar isso? Então cristão moderno já não acredita mais em milagres? Que é o milagre?( 14 )
III
NOÇÕES GERAIS SOBRE MILAGRES: QUE É UM MILAGRE?
Nossa noção de milagre é esta: algo que não tem explicação natural, que vai contra o aumento comum das leis da natureza, e que é cientificamente insolúvel. O povo acha que milagre é algo diferente e fora do comum que não costuma acontecer e que nós não podemos realizar, por estar acima das nossas forças. Acha que milagre acontece quando nós estamos no fim dos nossos recursos: “ Agora é só mesmo Deus que vai poder dar um jeito”.
Como se Deus estivesse ausente, quando nós damos conta do recado e dele não precisamos, para quebrar os nossos galhos! Como se Deus não tivesse nada a ver com aquilo que é comum, natural, ordinário, humano, sem nada de extraordinário.
Se fosse assim, então teriam razão aqueles que dizem: “ Um dia, a ciência vai poder explicar tudo, e vai acabar com os milagres”.
Além disso, o milagre, geralmente, é visto como um benefício de Deus para a pessoa que o recebeu. É uma espécie de presente pessoal, que não leva a perguntar: “que Deus está exigindo de mim?” É um benefício puramente individual, desligado da Igreja, desligado do plano de Deus para com os homens, desligado de tudo.
Finalmente, a reação mais comum dos homens de hoje, diante do milagre, é esta: “ Será que é verdade mesmo?” ou: “ Que coisa boa para mim!”.
A palavra milagre provém de “miraculum”, isto é, algo de admirável, algo que causa admiração. Na Bíblia fala-se muito nas “coisas admiráveis” que Deus fez pelo povo. Não é, porém, qualquer coisa admirável.
Um menino, por exemplo de 3 anos de idade que pula cinco metros é uma coisa admirável, mas não receberia o qualitativo de milagre.
Milagre é aquele fato, acontecimento ou realidade, admiráveis, em que o homem percebe a presença de Deus que aí se revela.
Um exemplo da vida diária pode esclarecer o que a Bíblia entende por milagre. Certo dia, Maria, a mulher de Francisco, colocou uma flor na janela, bonita e colorida. Era para o Francisco ver, gostar, ficar contente e saber que a Maria gostava dele. Era um gesto de carinho.
Quando Francisco voltou do trabalho, viu a flor e logo percebeu. Foi para Maria, deu um beijo e disse: “Obrigado, Maria! Você é a maior!” Outros passaram pela janela, viram a flor e nada perceberam. Também não precisavam perceber. A flor era para Francisco. Francisco percebeu e isto bastava. A flor se tornou sinal de amor, de carinho, de amizade, de presença, de fidelidade. A flor alcançou o objetivo que Maria nela colocou. Nem era bom que todos o percebessem. Quebraria o segredo do amor entre os dois. Para os outros a flor não era sinal, não passava de uma simples flor, como qualquer outra. Para Francisco e Maria, a flor significava o mundo.
Assim Deus coloca muita flor na janela da vida da gente. A vida está cheia dessas flores, desses sinais de Deus, sinais que revelam o amor, carinho, amizade, presença, fidelidade, poder, força; sinais que causam admiração e lembram o amigo. A flor causou admiração no Francisco. Ficou extasiado por ver nela a expressão do amor de Maria para com ele.
Milagre é tudo aquilo que causa admiração pelo fato de nos revelar o amor e o apelo de Deus.
Assim, na Bíblia, milagre pode ser a coisa mais comum e a coisa mais fora do comum.
Pode ser uma tempestade, um por de sol, a beleza da natureza, e a graça de uma criança, o maná do deserto e as pragas do Egito.
E pode ser a ressurreição de um morto, a cura de um paralítico, a multiplicação dos pães. Nessas coisas todas o coração amigo percebeu a mão do amigo, como Francisco percebeu a mão de Maria na flor da janela.
Quem não é amigo, pode passar, mas nada vê.
Por isso, o milagre, para ser milagre, não depende da ciência.
Essa coisa admirável não depende só de Deus, mas também de nós, do nosso olhar.
Onde não existe olhar de amizade, nem Deus consegue fazer algo.
Assim, Jesus não conseguiu fazer milagre algum em Nazaré , por falta desse olhar, por falta de fé naquela gente (Mc 6,5-6).
Na discussão que hoje se faz, em torno dos milagres, se esquece, às vezes, de que para poder perceber a mensagem da flor, para poder perceber o milagre, se deve ter esse olhar de fé, de amor e de amizade.
IV



Características do milagre, conforme a Bíblia
As palavras mais usadas na Bíblia para designar aquilo que nós hoje chamamos de milagre, são: sinal, fôrça, coisa admirável. A característica fundamental do milagre, na Bíblia, é: revelar a presença atuante de Deus: uma fôrça que atua e que provoca uma coisa admirável, chamando a atenção, e que, por isso, mesmo, se torna sinal de Deus. Não pertence ao milagre, enquanto milagre, o fato de ser contra a lei natural ou de não ter explicação científica . Pertence ao milagre, enquanto milagre, o fato de ser sinal da presença atuante de Deus na vida .
Na Bíblia, o milagre é como uma palavra que Deus fala ao homem, para dizer-Ihe algo e comunicar-lhe um apelo. Assim, a Bíblia reconhece «milagres», «sinais», «coisas admiráveis», «expressões de fôrça» na criação, isto é, em coisas que, para nós, nada têm de milagre: Deus manda a chuva (Jer 5,24) , manda o sol iluminar o dia e a lua clarear a noite (Jer 31,35) ; Ele é que regula a seqüência dos dias e das noites (Jer 33,20.25) .«No céu se desdobra a glória de Deus! O firmamento. proclama seu poder criador. Na seqüência dos dias e das noites, flui um anúncio, transmite-se uma mensagem. Sem palavras, nem discursos, não se ouve nenhuma voz. Entretanto, o seu murmúrio ecoa por toda a terra, o seu ritmo se propaga até os confins do universo.» (SI 18,2-5) .«Como são numerosas as tuas maravilhas! Eu gostaria de contá-las, porém, são mais numerosas que a areia da praia. E mesmo que eu chegasse a contá- Ias, no fim, estaria ainda diante do Mistério Maior, que és Tu» (81 138,17-18) Tradução de C. Mesters e F. Teixeira, Rezar os Salmos Hoje, São Paulo 1969 .
A natureza era o grande livro, no qual se revelavam os traços do rosto de Deus. Evidentemente, a concepção que se tinha da natureza era limitada e pré-científica. Nada se sabia das leis que hoje conhecemos, com uma perfeição cada vez maior. Mas, nem por isso, o progresso da ciência pode declarar superado o olhar que a Bíblia tem sobre a natureza e negar os traços de Deus que ela aí enxerga. Isso não depende dos instrumentos científicos de observação, mas de uma visão de fé. Se a ciência disser: «aquêle pôr do sol, a tempestade, a chuva, a sêca, tudo aquilo é a coisa mais natural que se possa imaginar, aquilo nada tem de extraordinário», êsse julgamento é certo e verdadeiro.
A ciência tem razão. Mas, nem por isso, o meu olhar está proibido de ver lá dentro, um sinal e um reflexo do Deus amigo e de ficar admirado, ou, como diria a Bíblia, de ver lá dentro um milagre, um sinal de Deus para nós. Nessa mesma perspectiva, a Bíblia vê os sinais de Deus na vida cotidiana, nas coisas mais comuns da existência, e na história do passado . Basta ler os livros dos Provérbios e o livro do Êxodo. A mão de Deus é visível em tudo, enchendo a vida de uma amizade, que faz tanta falta na vida .
Na Bíblia, assim se poderia dizer, milagre é coisa bilateral: de um lado, supõe uma atuação, de Deus; de outro lado, supõe no homem um olhar de fé para poder captar a significação daquilo que Deus realiza. Do contrário, seria como um filme mudo. Ninguém o entende e não tem sentido. Já não seria «milagre» no sentido bíblico da palavra. Na Bíblia, a pergunta diante de um milagre não é: «Será que é verdade ?», mas: «Que quer Deus significar com isso ?» -«Qual a sua mensagem ?» -«Que quer Deus de mim, de nós?»
Pode haver milagres «falsos» e «verdadeiros» .Há critérios para distinguí-Ios: devem estar dentro do conjunto do plano de Deus e devem estar de acordo com o resto, da revelação ( cf Dt 13, 1-18) .Não basta que apareça algo de maravilhoso ou de prodigioso para que se possa dizer, sem mais: «:Ê de Deus! » Jesus mesmo diz que virá gente a fazer milagres muito grandes, e ele adverte : «Cuidado com eles!» (Mt 24,25) .Diz ainda que no fim haverá gente a dizer: «Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Não expulsamos demônios em teu nome ? Não fizemos milagres em teu nome ? Então hei de lhes declarar: Nunca vos conheci! Apartai-vos de mim, vós que operais a iniqüidade!» (Mt 7,22-23) .
O milagre nada diz a quem não tem fé .Talvez o leve a colocar-se o problema de Deus. Quem tem fé aí percebe a mão de Deus, porque está sintonizado com a freqüência na qual Deus emite a sua mensagem.
Esses critérios podem ajudar-nos a formular algum juízo sobre os «milagres» que hoje estão acontecendo em muitos lugares .



V



A historicidade dos milagres de Jesus
Houve quem negasse a historicidade dos milagres de Jesus . Os motivos aduzidos eram: Seriam invenções dos cristãos para «canonizar» Jesus. Havia deuses-milagreiros entre os pagãos, e Jesus tinha de poder competir com eles. Havia ainda homens-milagreiros, como por exemplo Apolônio de Tiana, que fazia milagres a valer . Também entre os judeus havia gente que fazia milagres. Jesus não passaria de um milagreiro qualquer .
Hoje, já não se admite tal opinião. Os argumentos não valem. Geralmente, negam-se os milagres, não tanto por causa dos argumentos aduzidos, mas porque, antes de qualquer argumento, não se acredita seja possível haver milagre .
Os argumentos aduzidos não valem, pelos seguintes motivos: Não é possível negar sem mais o testemunho tão maciço dos evangelhos . Além disso, nos milagres de Jesus, nada há de magia, tão característica dos outros milagreiros daquele tempo. Comparando entre si as narrações dos outros e as dos evangelho.s, nota-se uma grande diferença: sobriedade, sem nenhuma exploração do aspecto maravilhoso. Jesus faz milagres com autoridade própria, e não a pedido, como os judeus . Nos assim chamados «livros apócrifos», escritos, na sua maior parte, depois do começo do segundo século, encontram-se informações sobre milagres sensacionais de Jesus menino, que carecem de fundamento histórico.
São mais uma expressão de procura de segurança. Quando a criança percebe que os pais não estão em casa, faz todo o possível para sentir-se segura. Assim, atrofiado ou perdido o contato real de fé e de confiança com Deus, procura-se a segurança em ritos e em milagres. Estes, então, já não valem pela sua significação, mas têm valor em si. Nesse caso, quanto maior o aspecto sensacional e maravilhoso, tanto melhor. A Bíblia, porém, não pensa assim . Pode ser que, aplicando todos os critérios da ciência atual, se deva concluir que um ou outro fato da vida de Jesus não teria sido um milagre conforme os critérios que nós temos. Mas, nem por isso, deixaria de ser um milagre, (sinal, fôrça, coisa admirável) no sentido bíblico da palavra: sinal da presença atuante de Deus no meio dos homens .
VI



OS MILAGRES DE JESUS COMO SINAIS
A ação milagrosa de Jesus atinge todos os setores da realidade: doenças, fome, cegueira, natureza, morte, pecado, demônio, vontade, tristeza.
É um ataque frontal contra todos os males que afligem os homens: expulsa os demônios; perdoa os pecados; domina as vontades fracas dos homens e as robustece; domina a natureza que constitui ameaça contra os homens; elimina a fome multiplicando os pães; cura todo tipo de doenças :
Coxos, cegos, lunáticos, mudos, surdos, leprosos, etc; é superior à força da morte; ressuscita 3 mortos: Lázaro, o filho da viúva de Naim e a filha de Jairo; A sua presença foi motivo de grande alegria e esperança para o povo.
Em diversas ocasiões, Jesus aponta para a significação dos milagres: João Batista mandou perguntar: “É o Senhor aquele que há de vir ou devemos esperar por outro?”(Mt 11,3)
Jesus responde: “Vão dizer a João o que vocês vêem e ouvem:
Cegos recobram as vistas e coxos andam; leprosos são curados e surdos ouvem; mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres”.(Mt 11,4-5)
Os fariseus duvidavam das expulsões que Jesus fazia.
Ele responde: “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vocês o Reino de Deus”.
Jesus cura um paralítico para provar que tinha o poder de perdoar os pecados.
O milagre aqui é um sinal do poder que ele possuía de cortar a raiz dos males que é o pecado.
O milagre da tempestade amainada provoca a pergunta: “Quem é este a quem até o vento e o mar obedecem?”
Faz a cura do homem com a mão seca para mostrar que ele está acima do sábado (Mc 3,1-5).
Os milagres são feitos para creditar junto aos outros as palavras e a mensagem que ele lhes dirige.
Os milagres são sinais para mostrar que Jesus está no Pai e o Pai n’Ele.
Os milagres existem e acontecem a fim de ajudar o povo abrir-se para a mensagem de Deus, a dispor-se para aderir a Cristo pela fé e a reconhecer nele o Messias e o Filho de Deus.
VII



Os milagres de Jesus: «amostra-grátis» do futuro
Além de sinais da chegada do Reino, os milagres são igualmente o começo da realização deste Reino, «amostra-grátis» daquilo que o poder e a fidelidade de Deus vão realizar em favor e através dos homens que crêem. Por isso, os milagres, além de ser simpIes sinais, suscitam também a esperança, porque mostram o início do futuro; suscitam a fé, porque mostram o poder que garante o futuro; suscitam a doação e a capacidade de lutar e de resistir, porque garantem que a dedicação à causa do Reino vale e não será frustrada.
Sob as mãos de Jesus, o futuro toma forma concreta, e começa a existir entre os homens o Paraíso, onde tudo é ordem, paz e harmonia. Isto começa a existir, porque em Jesus atua uma fôrça nova, que é o Espírito de Deus. Este Espírito, que atuou na criação (Gn 1,2), que infundiu a vida aos homens (Gn 2,7; Jó 33,4), que realizou as grandes maravilhas do passado (Ex 15,10; Is 63,12-14), que enche a vastidão da terra (Sab 1,7) , que foi prometido para o futuro como sendo o grande dom de Deus (Joel 3,1-5) , este Espírito criador (SI103,30), Jesus o possui em plenitude (Is 11,2; Lc 4,18) e o comunica a todo,s que nele acreditam (Jo 16,12-15) e a todos que se esforçam por viver uma vida humana digna (cf Gál 5,22) . Mas é preciso ter olhos de fé para poder vê-lo em ação. Ás vezes, esta fôrça construtora da ordem, que vai desembocar no Paraíso, encontra maior disponibilidade e atua de maneira mais condensada e prodigiosa em algumas pessoas: São Francisco, Papa João XXIII, os santos em geral. Mas, em todos é sempre: luta contra o mal, esforço de libertação de tudo que oprime o homem, tentativa de instaurar a ordem, a paz e a harmonia .
A primeira finalidade do milagre é provocar a conversão e a mudança em vista da instauração do Reino na vida dos indivíduos e da sociedade: «O Reino de Deus está aí! Mudem de vida!» (Mc 1,15) .Ficar só na dependência do milagre, e pensar que o milagre em si é um sinal de proteção de Deus, que dispensaria a nossa atividade, é enganar-se a si mesmo. Onde o milagre não consegue esse objetivo de conversão, tem o efeito contrário e se torna motivo de julgamento e de condenação (Lc 10,13-14; Jo 15,24) .
E isso vale até hoje: parar no milagre e satisfazer-se com êle, pode ter um efeito contrário ao que se pensa. Milagre é como a Palavra de Deus: espada de dois gumes (Hb 4,12) .
VIII
Jesus, o Grande Sinal ou o Grande Milagre
Milagres são como janelas abertas por Deus sobre o sentido da vida, sobre os caminhos da salvação. Os milagres estão aí, sobretudo, para chamar a nossa atenção sobre Jesus Cristo. O evangelho de São João ensina isso com muita clareza.
No Evangelho de São João, encontram-se relativamente poucos milagres; de cada categoria apenas um. Para João, o milagre não é só um benefício a esta ou àquela pessoa, mas é, ao mesmo tempo, revelação de um ou de outro aspecto da salvação que Cristo trouxe para os homens: muda água em vinho, para mostrar a eminência do Novo Testamento sobre o Antigo (Jo 2,1-11). cura filho de um oficial do rei, para mostrar que a fé dos homens é o controle remoto do poder de Deus (Jo 4,46-54) ; cura o paralítico num dia de sábado, não só para dar felicidade àquele infeliz, mas também para revelar que Ele não tem hora para trabalhar, pois é como Deus que atua sempre e em qualquer momento, para o bem dos homens (Jo 5,1-17) ; multiplica o pão, não só para tirar a fome daquele povo, mas também para revelar que Êle mesmo é o Pão da Vida (Jo 6,1-59) ; cura o cego de nascença e lhe restitui a luz aos olhos, não só para ajudar esse homem, mas também para revelar que Êle mesmo é a luz do mundo (Jo 9,1-7) ; ressuscita Lázaro, não só para ajudar o amigo e tirar o luto de Maria e Marta, mas também para mostrar que Êle mesmo é a «Ressurreição e a Vida (Jo 11,1-44) .;
Todos os milagres, porém, apenas uma antecipação do grande e definitivo milagre da Ressurreição, em que ficou manifesta quem era Jesus e qual o futuro que Êle quer realizar. A fôrça da Ressurreição já atuava em Jesus e atua agora nos que nele acredita'" (cf Ef 1,17-21), provocando, por meio deles, a conversão e a transformação da vida e das estruturas que impedem a realização do Paraíso.
IX
Respostas às dificuldades levantadas no início



MILAGRES OU LEI DA NATUREZA?
Não há oposição. Pode haver «sinal da presença atuante de Deus» na contemplação do pôr do sol, nos acontecimentos de cada dia, na beleza de uma criança, numa cura feita por certo remédio. A ciência poderá dar a explicação de tudo isso, mas nunca chegará ao ponto de me proibir dizer: “Obrigado, Senhor! Que quer de mim?” Cada um tem a sua vivência da amizade com Deus e percebe os sinais da presença de Deus do seu modo. Pode-se dizer que cada um tem os seus milagres na sua vida.
O critério deve ser: acordo com o Evangelho; provocar mudança de vida; não parar no benefício, mas indagar pelo apelo de Deus que aí se revela; oferecer apoio à fé e não favorecer o gosto pelos aspectos mágicos que obscurecem a presença gratuita de Deus ligando o poder de Deus a elementos materiais que são incapazes de ter semelhante poder.
É possível que chegue o dia em que a ciência consiga explicar tudo o que acontece em Lourdes. Ou em Aparecida.
Nem por isso, ela pode tirar a conclusão:
“Deus não está aí”.
Isso depende de outro instrumento de medição que é a fé. Se o Francisco não tivesse aquela fé e amor que tinha, nada teria visto na flor que Maria colocou na JANELA.
Veria na flor, na roupa, na comida, algo que Maria devia fazer por ele, por ser sua legítima esposa.
A flor, então, teria o efeito de fazer aumentar nele a consciência de ser ele o marido, aquele a quem a mulher deve obedecer.
Não cresceria nele o amor. Pelo contrário, diminuiria, e ele cairia no egoísmo cada vez maior.
Assim, muita gente vê nos milagres algo que Deus deve fazer, por ser Deus, por ser o patrão.
O patrão, assim pensam, tem a obrigação de dar algumas esmolas para seus empregados. Ele as dá, porém, como e quando o quiser.
A gente pode e deve pedi-las. Quanto mais esmolas o patrão dá, tanto melhor patrão ele é, assim pensam.
Quanto mais milagre Deus faz, tanto melhor. Ele exerce o papel de Deus. Mas isso faria com que nós, empregados, pobres homens, ficássemos na condição de empregados e de escravos.
Nunca chegaríamos a ser filhos daquilo no qual pedimos e recebemos esmolas.
Milagre, porém, não é esmola que o patrão dá.
Milagre é um sinal de amor que o Pai oferece aos filhos.
E até que não tenhamos criado em nós a mentalidade de filhos, não teremos o olhar apto para perceber o verdadeiro sentido do milagre.



X
MILAGRES HOJE
O grande milagre, tão grande que a gente não vê, por estar perto demais dos olhos, é: a vida que se renova sob a fé em Cristo; vida que sempre cria nova coragem e que não desanima nunca.
Vida que agüenta perseguição, que chega a morrer, mas que ressuscita sempre.
Vida que renova os outros pelas suas simples presença; vida que confunde por causa da sua grande riqueza, apesar da pobreza em que se vive.
Este é o grande milagre, ambulante e contínua, provocado pela ação do espírito, presente na vida dos homens. Onde diminui a percepção para esta força da vida e do espírito, aí nasce a necessidade de “milagres” como apoio à vida.
Onde os homens perdem a sensibilidade para a presença atuante de Deus no meio dele, presença garantida pela palavra de Deus, aí procuram outros meios para garantir-se tal presença, e surgem os “milagres”. É difícil fazer um julgamento sobre os “milagres”
que hoje acontecem em toda parte do Brasil e que enchem as salas dos milagres dos grandes Santuários. Muitos meneiam a cabeça e dizem: “Coitados!” Convém lembrar-se sempre daquela frase do Evangelho: “Seguia-o grande multidão, porque tinham visto os milagres que faziam em favor do doentes.
E Jesus acolhia aquele povo, “teve compaixão deles porque eram como ovelhas sem pastor”(Mc 6,34). Chegou mesmo a permitir que uma senhora que sofria de hemorragia havia 12 anos, tocasse nele para poder ser curada (Mc 5,25-34).
Era uma atitude mágica e supersticiosa, mas Jesus não a condenou. Condenar a atitude do povo é relativamente fácil. Mas encontrar o vazio interior que leva o povo a procurar os milagres isso é muito difícil. Em vez de julgar levianamente os sentimentos do povo, talvez fosse mais honesto fazer uma séria revisão de nossas atitudes: estamos oferecendo ao povo uma esperança, algo que lhe abra a porta de um futuro melhor e pelo qual vale a pena lutar?
Será que não se deva ver nessa crescente busca de milagres um sinal de que está aumentando o desespero do povo que já desacreditou de todas as soluções oficiais, tanto do governo como da Igreja? Será que não é o caso de “ter compaixão”, porque são como ovelhas sem pastor” e de oferecer-lhe, em toda a sua plenitude, a “boa notícia” do reino? E isso não vale só para o povo pobre e subdesenvolvido.
O horóscopo hoje é moda e se encontra até em jornais “católicos”. Religiões esotéricas aumentam o número dos seus membros em toda parte, gente instruída que tem tudo o que quer na vida só que não tem a vida que quer.
Também eles andam pela estrada da vida como ovelhas sem pastor, necessitados de uma visão do futuro, que possa despertar uma esperança, uma fé, um grande amor.



BIBLIOGRAFIA
R. H. Fuller, Interpreting the Miracles, London. 1963.



ORAÇÃO PARA O FINAL DA AULA( ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO )
DIRIGENTE:- Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz
HOMENS: Onde houver ódio, fazei que eu leve o amor
MULHERES: Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
HOMENS: Onde houver discórdia, que eu leve a união
MULHERES: Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
HOMENS: Onde houver erro, que eu leve a verdade
MULHERES: Onde houver desespero, que eu leve a esperança
HOMENS: Onde houver tristeza, que eu leve a alegria
MULHERES: Onde houver trevas que eu leve a luz
DIRIGENTE: - Senhor, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado, mais compreender que ser compreendido, mais amar que ser amado:
TODOS: Porque é dando que recebemos, é perdoando que somo perdoados, e é morrendo que nascemos para a vida eterna.
DIRIGENTE: Para que Deus abençoe a nossa Igreja, e nos livre de todos os males da alma e do corpo, rezemos ao Senhor.
TODOS: - Pai-Nosso...



PERGUNTAS PARA CONTINUAR A REFLEXÃO




1. Resuma os 50 milagres que Jesus fez ?
2. Resuma com suas palavras o que você entendeu do capítulo II: algumas dificuldades em relação aos milagres
3. Resuma com suas palavras o que você entendeu do capítulo III: Noções Gerais sobre milagres: Que é um milagre?
4. Resuma com suas palavras o que você entendeu do capítulo IV: Característica do milagre conforme a Bíblia?
5. Resuma com suas palavras o que você entendeu do capítulo V: Historicidade dos milagres de Jesus.
6. Resuma com suas palavras o que você entendeu do capítulo VI: Os milagres de Jesus são sinais.
7. Resuma com suas palavras o que você entendeu do capítulo VII: Os milagres de Jesus “ amostra-gratis do futuro”.
8. Resuma com suas palavras o que você entendeu do capítulo VIII: Jesus, o Grande Sinal ou o Grande Milagre
9. Resuma com suas palavras o que você entendeu do capítulo IX: Resposta às perguntas levantadas no início: Milagres ou Lei da natureza?
10. Resuma com suas palavras o que você entendeu do capítulo X: Os Milagres hoje.



Última Alteração: 13:28:00

Fonte: Pe.Lucas de Paula Almeida, CM
Local:Belo Horizonte (MG) Inserida por: Administrador

terça-feira, 3 de março de 2009

O LIVRO DE MINHA VIDA


Você já se perguntou, ao ler Apocalipse 5, por que João chora tanto? Minha opinião é que ele percebeu que, se o livro não fosse aberto, a história não teria sentido nem seria possível sua condução.

Ele vê um livro que “contém” a história. E abrir seus selos significa fazer-se “senhor” de seu conteúdo: tanto dos seus fatos e eventos quanto dos propósitos destes. Como o maestro que conduz uma sinfonia.

Sem Cristo e sua obra de redenção, a história é um enigma, destituída de sentido. Agoniada sucessão de dias.

Quero pensar, analogamente, sobre outro livro (20.12), diante do qual todos já choramos de desespero um dia: o livro da (nossa) vida. Chorávamos porque não imaginávamos que alguém pudesse lhe desatar os selos. Ela era vazia, sem propósito, à deriva, caótica.

De fato, fechado o meu livro, não posso ver a presença de Deus no meu passado; não vejo propósito em minha história, que, por isso mesmo, pode ser resumida em uma palavra: “mentira”. Ela permanece um conjunto de enganos, inconsciências e pecados. Se o livro da minha vida não for aberto e “conduzido”, estou perdido na escuridão de noites e dias baldios.

Mas a boa notícia é que há um ancião a dizer: “Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos” (v. 5). Então, quando o Cordeiro toma o meu minúsculo livro da mão direita daquele que está sentado no trono, eu me prostro diante dele e lhe apresento a minha taça cheia de incenso, que são as orações gravadas nas páginas da minha vida (v. 7).

A partir de então, “cada selo” de minha vida é visitado, restauradoramente, por aquele que foi morto e que, por seu sangue, “comprou cada um dos meus dias para Deus”.

Os meus mistérios me são revelados; os segredos do meu coração vão sendo visitados. Da minha parte, cada dia é oferecido àquele que tem o livro nas mãos. Assim, as trevas são iluminadas e o caos das minhas dores é reordenado.

Ao retirar o primeiro selo, vejo um cavalo branco e seu cavaleiro real, que sai vencendo e para vencer (6.1-2), e eu lhe digo em prece: “Vem”; o segundo selo revelará o cavalo vermelho: a falta de paz, os conflitos e flagelos de minha vida (6.3-4); o terceiro selo, com seu cavalo preto, visitará a fome e as estiagens de minha vida; necessidades, carências, solidões e abandonos (6.5-6); o quarto selo, com seu cavalo amarelo, revelará a morte e o inferno ceifando em minha vida pela espada, por fome, por mortandade e por meio das feras que encontrei em minhas páginas e nas quais eventualmente me tornei (6.7-8); o quinto selo revelará os clamores e os sofrimentos relacionados ao testemunho do evangelho, e a espera pela justiça de Deus (6.9-11); e o sexto selo, enfim, desencadeará grandes transformações em minha história, até seu desenlace final.

Quando, finalmente, abriu-se o sétimo selo de nossos livros, ouvimos: “Eis que faço novas todas as coisas...” (21.5). E tudo era muito bom, pois nossas vidas haviam-se enchido do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar, e havíamos passado a conhecer como hoje somos conhecidos. E já não havia lágrimas em nossos olhos.

O PÃO NOSSO DE CADA DIA


Durante muito tempo achei esta súplica meio fora de lugar na oração do Senhor. Minha maior dificuldade vinha de uma sensação hipócrita de saber que este pão encontra-se estocado na despensa de minha casa. Para as famílias que não sabem o que terão para o almoço, esta súplica parece fazer sentido, mas para mim e tantos outros que entram nos supermercados e abastecem suas despensas para os próximos quinze ou trinta dias, não faz muito sentido pedir pelo “pão nosso de cada dia”. Sabemos que ele já está garantido na mesa hoje, amanhã ou na semana que vem. Por que então orar pelo “pão de cada dia”?

Eu poderia minimizar minha dificuldade dizendo que, mesmo este pão já garantido, é dádiva de Deus. Sei que é. O que não fazia sentido para mim era o porquê desta súplica (não a gratidão por tudo que Deus tem me dado). Pensemos, por um instante, num paciente de classe média aguardando uma cirurgia num hospital. Provavelmente sua preocupação será mais com a competência da equipe médica, com os recursos tecnológicos disponíveis, e menos com a oração; a oração entra como um ator coadjuvante, caso alguma coisa saia do controle, mas não como a preocupação central. Somos tentados a crer que Deus está presente apenas nas sombras de nossa consciência. Que ele é capaz de atender às necessidades emocionais confusas, aos problemas para os quais a ciência não tem respostas, mas totalmente irrelevante para o “pão de cada dia”.

O “Pai Nosso” é nossa primeira escola de oração. Nesta súplica Jesus nos ensina que a oração não é uma ferramenta técnica, usada para excitar nossa curiosidade. Pelo contrário, ela nos envolve num exercício de fé e compreensão da realidade que está além da ciência. Ela não é um meio de manipular a criação, mas uma forma de compreender e penetrar na realidade dela.

Ao suplicar “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” colocamos Deus no centro de nossas necessidades cotidianas. Se Deus é percebido apenas nas fronteiras de nossas vidas, nas grandes crises ou nos grandes eventos, esta súplica não tem significado algum. Mas, como Deus nos é revelado como nosso “Pai que está nos céus”, a súplica pelo “pão de cada dia” revela a presença de Deus no que há de mais simples e comum no nosso dia-a-dia.

O reino de Deus envolve a vida inteira. Nada é trivial diante de Deus. Nossas necessidades profissionais, afetivas, físicas, emocionais, tudo importa a Deus. Ele é o Deus do cotidiano, das pequenas coisas, do pão sobre a mesa e do sol que se põe ao entardecer. Deus se interessa pelo fio de cabelo que cai e pela mão que o toca no meio de uma multidão. A oração do “Pai Nosso” nos torna conscientes de que a experiência da oração não envolve apenas as situações de emergência ou as ansiedades do futuro, mas é pão para hoje, para as necessidades e situações do presente. É uma oração que nos ensina a não nos preocupar com o dia de amanhã. A fé cristã, para muitos, se mostra mais relevante nas lembranças do passado ou nas preocupações com o futuro, mas não tem nenhuma relevância para o presente. É no “pão de cada dia” que a graça de Deus se mostra real. O maná do deserto servia somente para o presente, nunca para o futuro. A ansiedade do futuro apodrece a graça do presente.

Outro aspecto desta súplica é que ela nos ensina a orar pelo “pão nosso”, não “meu”. É uma oração que precisa ser feita com os olhos bem abertos porque, ao fazê-la, nos tornamos mordomos responsáveis dos bens de Deus. Ela integra o básico, o “pão de cada dia”, em meio a tantas “necessidades” criadas pelo espírito consumista. Ela pede por justiça, que é fruto da conversão do “meu” para o “nosso”, e rompe com o egoísmo, nos transformando em seres solidários. Com ela aprendemos a valorizar o essencial (oramos pelo pão, não pelo caviar), porque a vida está na relação comunitária, na fidelidade e responsabilidade para com Deus, dono da prata e do ouro, da comida e da bebida, que nos confiou os seus bens para cuidar dos seus filhos. É a fé tomando forma nas situações mais reais da vida.

A TERRA ESTA CHEIA DE VIOLÊNCIA


em jornais em português, em espanhol (La tierra está llena de violencia), em inglês (The earth is filled with violence), em francês (La terre est pleine de violence), em italiano (La terra è piena di violenza) e em muitas outras línguas ao redor do mundo. É fato, salta aos olhos. O problema é antigo e moderno. É maior hoje em conseqüência do aumento da população do globo (de 1,6 bilhão para 6,3 bilhões nos últimos cem anos). É mais visível hoje por causa da eficiência e da velocidade dos meios de comunicação. É chocante porque os números da violência são assustadores, a começar com os massacres ocorridos em Ruanda em 1994 — quase 1 milhão de pessoas foram mortas nos conflitos promovidos por extremistas hutus contra a minoria tútsi.

Curioso é que a manchete “A terra está cheia de violência” aparece também na Bíblia (Gn 6.11). Refere-se ao mundo antediluviano, à sociedade contemporânea a Noé. Este casamento da violência de ontem com a violência de hoje é bastante oportuno. Pode ser uma chamada, um aviso, uma ameaça e também, quem sabe, uma oportunidade. É proveitoso relembrar o personagem central e os acontecimentos que se deram na parte habitada do planeta na época do dilúvio.

O homem notavelmente completo e de fé
O livro de Gênesis refere-se a Noé como “homem justo e íntegro entre o povo da sua época” e afirma que ele, à semelhança de seu bisavô Enoque, “andava com Deus” (Gn 5.22; 6.9). Mas o original hebraico diz mais do que isso. Daí a paráfrase da Bíblia Viva: “Noé era o único homem reto, de todos os que viviam naquele tempo. Ele procurava viver sempre de acordo com a vontade de Deus”. O comentarista Derek Kidner vai além e afirma que, “num mundo corrompido, Noé emerge como o melhor elemento de uma geração má [e] como um homem de Deus notavelmente completo” (Gênesis: Introdução e Comentário). O grande feito de Noé foi manter esse excelente comportamento em meio aos seus contemporâneos. Noé estava em um extremo e todos os demais estavam no extremo oposto. Antes de ser um sobrevivente do dilúvio, ele foi um sobrevivente da corrupção globalizada da sua geração. Ele vivia entre pessoas infectadas sem se contaminar.

A Epístola aos Hebreus ressalta uma qualidade de Noé que está explícita em Gênesis: “Pela fé Noé, quando avisado a respeito das coisas que ainda não se viam, movido por santo temor, construiu uma arca para salvar sua família” (Hb 11.7). Construir uma embarcação de três andares de 3.037,5 metros quadrados cada um, em terra seca, longe de rio ou mar, ao longo de 120 anos, sem nenhum registro histórico de inundação e antes de qualquer sinal visível de que tal coisa poderia acontecer, firmado unicamente na revelação de Deus — é um gesto de fé tão grande quanto o de Abraão ao se dispor a sacrificar o próprio filho na certeza de que Deus o ressuscitaria (Hb 11.17-19).

O pregador da justiça
Em sua Segunda Epístola (2.5), o apóstolo Pedro acrescentou mais um predicado a Noé, que não aparece em nenhuma outra parte da Bíblia. Ele o chama de “pregador da justiça” (A Bíblia de Jerusalém chama-o de “o arauto da justiça”). Outras versões são mais enfáticas: Noé era “a única voz que proclamava justiça” (J. B. Phillips), “o único homem que falava a favor de Deus” (BV) e “aquele que anunciou que todos deveriam obedecer a Deus” (NTLH).

Autores não bíblicos também registram essa faceta de Noé. É o caso de Flávio Josefo (primeiro século d.C.) e Clemente de Alexandria (segundo século d.C.). Os famosos Oráculos Sibelinos, lidos e citados por vários pais da igreja, também dizem que Noé era “mensageiro da justiça”.

A pregação de Noé ontem é a pregação do Espírito Santo hoje: “Quando ele [o Espírito] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8). Não é fácil convencer uma maioria esmagadora do pecado globalizado, arraigado e contumaz. Mas a pregação não é só para provocar uma eventual mudança de idéia a respeito do pecado e de Deus. É também para questionar, desmascarar, estabelecer a culpabilidade, condenar, arrancar da alma humana o último pingo de justiça própria. Se tivesse medo de falar contra a perversidade, a corrupção e a violência, e a favor da santidade, da soberania e do juízo de Deus, Noé teria fracassado.

Sem dúvida, Noé foi alvo de zombaria e de piadas da parte de seus contemporâneos. Até hoje há quem o ridiculariza, como o poeta brasileiro Oswald de Andrade (1890-1954), chamando-o de “diretor do circo zoológico flutuante que percorreu o mundo à toa e acabou se dispersando por falta de público” (Dicionário de Bolso).

A pregação de Noé era tríplice: ele pregava por meio de seu estilo de vida (era justo e íntegro), por meio da construção da arca (levava Deus a sério) e por meio da palavra (não se calava). Nas duas primeiras vias, a pregação de Noé era captada visualmente; na terceira, era captada audivelmente. Quando se tratava das coisas de Deus, os contemporâneos de Noé tinham olhos, mas não enxergavam; tinham ouvidos, mas não ouviam. É por isso que a Epístola aos Hebreus afirma categoricamente que, “por meio da fé, ele [Noé] condenou o mundo” (11.7). Simon Kistemaker lembra que “a construção de uma embarcação em terra seca ofereceu muitas oportunidades de se pregar a justiça aos habitantes perversos do mundo”, mas ninguém deu ouvidos ao “arauto da justiça”. Curiosamente, centenas de anos mais tarde, outro pregoeiro da justiça foi enviado por Deus a uma grande cidade cuja maldade havia subido à sua presença, para convencer seus habitantes do pecado, da justiça e do juízo iminente. E o resultado foi totalmente diferente daquele da pregação de Noé: “Os ninivitas creram em Deus. [...] E todos eles, do maior ao menor, vestiram-se de pano de saco” (Jn 3.5)!

A maior inundação de todos os tempos
O dilúvio de que falam as Escrituras Sagradas (Gn 6–9) e outros escritos sumérios e babilônicos de fato aconteceu. Não se sabe ao certo a ocasião em que se deu nem se foi um fenômeno regional ou universal. Teria acontecido muitos anos antes da chamada de Abraão, ocorrida mais de dois mil anos antes de Cristo.

A maior enchente de que se tem notícia foi provocada de baixo para cima (“todas as fontes das grandes profundezas jorraram”), e de cima para baixo (“e as comportas do céu se abriram”). É provável que tenha havido um terremoto e o fundo dos oceanos tenham se elevado. Toda a água levantada do mar se encontrou com toda a água de quarenta dias e quarenta noites de chuva ininterrupta. Teria havido uma inversão do que aconteceu no segundo dia da criação, quando “Deus fez o firmamento [o céu] e separou as águas que ficaram abaixo do firmamento das que ficaram por cima” (Gn 1.7).

As águas do dilúvio “subiram até quase sete metros acima das montanhas” e fizeram desaparecer todos os animais e todos os seres humanos, exceto aqueles que foram abrigados na famosa e não lendária arca de Noé (Gn 7.20-23). A inundação prevaleceu 150 dias sobre a terra e o escoamento de tão grande volume de água durou outros 150 dias (Gn 7.24; 8.3). Ao todo, o tempo passado na arca foi superior a um ano (377 dias).

A arca de Noé tinha fundo achatado e media 135 metros de comprimento, 22,5 de largura e 13,5 de altura. Tais dimensões poderiam provocar um deslocamento de 43.300 toneladas. Havia três andares (ou conveses), o superior, o médio e o inferior, divididos em compartimentos (alguns dos quais deveriam ser os camarotes dos oito sobreviventes, que eram ao mesmo tempo tripulantes e passageiros). Depois da incrível borrasca, a embarcação pousou na região montanhosa de Ararate, entre o mar Cáspio e o mar Negro, na atual Turquia, a cerca de 800 quilômetros de seu ponto de partida, talvez sobre o pico mais alto das montanhas, coberto de gelo, a 5.600 metros acima do nível do mar (Gn 8.4).

A história do dilúvio ocupa quatro capítulos do primeiro livro da Bíblia. É mencionada por Jesus como lembrete da vigilância contínua no discurso sobre a inesperada vinda do Filho do Homem (Mt 24.38; Lc 17.26). As outras referências estão na Epístola aos Hebreus (11.7) e nas Epístolas de Pedro (1 Pe 3.20; 2 Pe 2.5).

O dilúvio não é apenas um registro histórico. É uma palavra profética para o mundo de hoje, tão cheio de violência e tão sujeito ao juízo de Deus como o mundo do tempo de Noé.

A DECLARAÇÃO DO MILÊNIO E OS OLHOS DA FÉ


O tempo anda rápido — já passamos da metade da primeira década deste milênio. Ainda ontem falávamos do início do novo milênio e das expectativas que ele gerava.
No ano 2000, os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) assinaram um pacto no intuito de enfrentar os desafios centrais da humanidade como eram vistos no limiar do novo milênio. Intitulados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, eles foram expressos em oito áreas:

1. Acabar com a fome e a miséria
2. Educação básica e de qualidade para todos
3. Igualdade entre sexos e a valorização da mulher
4. Reduzir a mortalidade infantil
5. Melhorar a saúde das gestantes
6. Combater a aids, a malária e outras doenças
7. Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente
8. Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento1

Assim, todos fomos convocados a juntar forças na busca e implementação de soluções que produzam uma melhor qualidade de vida para os habitantes do globo.

O alvo é cumprir os oito objetivos até 2015, tanto em âmbito global quanto nacional. Cada país é responsável por cumpri-los e isto envolve muito mais do que o governo. Estes objetivos somente serão alcançados se todas as forças vivas da sociedade se engajarem no alcance dos mesmos.

Se isso acontecesse seria fantástico! Mas todos sabemos que não se trata de algo mágico nem fácil. Possibilitá-lo, mesmo parcialmente, requer muita vontade política, concentração de recursos e uma contínua priorização e monitoramento. Nem os próprios objetivos globais trabalham com a hipótese de cumprimento total. No primeiro deles, por exemplo, quer-se reduzir pela metade, até 2015, o número de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia. O mesmo se aplica à quantidade de pessoas que passam fome.

O Brasil é um dos países que perseguem o cumprimento desses objetivos. Em artigo recente O Estado de São Paulo constatou essa dificuldade: “A maioria dos objetivos não apenas deixará de ser atingida no prazo — 2015 — como os Estados estão muito distantes de mudar situações degradantes de pobreza, mortalidade infantil e materna, falta de acesso à educação, desigualdade entre os sexos, taxas elevadas de doenças infecciosas e insustentabilidade ambiental.”2

É interessante notar que, ao considerar organizações e instituições que poderiam contribuir para o alcance desses objetivos, afirma-se a importância do envolvimento das igrejas e organizações de fé que prestam louvável serviço na área social e humana. Isto deveria ser óbvio, pois o evangelho deixa claro que o cristão tem uma responsabilidade humana e social. Mas isso nem sempre acontece, e nem sempre a resposta da igreja é adequada às necessidades do mundo que nos cerca. Os cristãos também têm sido social e humanamente insensíveis, sexistas, racistas, opressores, exploradores, como tantos outros em nossas sociedades.

O antigo livro Cristo e Cultura (Paz e Terra, 1967), de H. Richard Niebuhr, pode ajudar-nos a entender melhor essa relação entre o cristão e o mundo. Ele trabalha com uma tipologia que procura representar a relação histórica entre a fé cristã e a compreensão do seu papel na sociedade. “Cristo contra a cultura” é o primeiro item da sua tipologia, e com ele se afirma a separação entre o cristão e o mundo. No segundo, “O Cristo da cultura”, vê-se uma inter-relação entre a igreja e a sociedade, gerando uma espécie de cristianismo cultural, o que se vê muitas vezes em sociedades “cristianizadas”. O terceiro é qualificado como “Cristo acima da cultura” e fala da superioridade da fé cristã, à qual o mundo precisa se submeter. O quarto, “Cristo e cultura em paradoxo”, mostra que tanto a fé cristã como o mundo devem viver em paradoxo; não se deve esperar nenhuma adequação e a tensão entre os dois deve ser mantida. O último é qualificado como “Cristo, o transformador da cultura” e deixa claro o tom conversionista e a convicção de que Cristo veio para transformar tudo e todos. Dependendo da tradição cristã com a qual nos identificamos, nos sentimos mais representados por um dos tipos descritos; mas geralmente acabamos misturando os nossos caminhos ao respondermos aos desafios e oportunidades.

Será que essa tipologia ainda descreve a nossa realidade, ou precisamos criar uma tipologia nova para os nossos dias? Que tipologia a nossa vivência de igreja no sul do mundo está gerando? Qual será a melhor tipologia a nos colocar na rota do cumprimento dos objetivos do milênio? Estas e outras perguntas voltarão ao continuarmos a reflexão sobre o assunto nas próximas edições. Mas de uma coisa estou certo: Deus quer ver esses objetivos cumpridos e gostaria de ver-nos engajados nessa busca.

Porque tive fome e me destes de comer;
tive sede e me destes de beber;
era forasteiro e me hospedastes;
estava nu e me vestistes;
enfermo e me visitastes;
preso e fostes ver-me.
(Mt 25.35-36).

ESPIRITUALIDADE ÉTICA E MORAL


De uns tempos para cá, temos sido atropelados por uma infinidade de temas sérios que atingem e comprometem toda a sociedade, e que se agravam a cada dia apesar das tentativas de contê-los. Corrupção, violência, imoralidade, miséria e pobreza, prostituição infantil e abusos sexuais, drogas e alcoolismo, são alguns destes temas. Sempre que surge um novo escândalo em qualquer uma dessas áreas, educadores protestam contra a falta de investimento na educação, psicólogos analisam o comportamento das pessoas, sociólogos estudam o efeito das mudanças na civilização, políticos nomeiam comissões e jornalistas noticiam, cada um buscando alternativas para uma realidade que cresce e perturba os mais acomodados.

A civilização ocidental foi moldada pela tradição cristã, que tem nos mandamentos divinos sua base ética e moral. Durante séculos, o temor a Deus e a consciência de dever para com seus mandamentos moldaram o caráter não só dos cristãos, mas de toda a sociedade. Porém, vivemos hoje uma rejeição a qualquer norma ou princípio que venha de fora. Toda a possibilidade de se estabelecer fronteiras, limites, bem como a idéia de “autoridade”, perturbam as mentes mais pacíficas. Cada um — e não Deus — elabora suas próprias normas e define a forma como irá viver.

A rejeição moderna aos mandamentos de Deus tem suas raízes no secularismo materialista e narcisista. A intensificação do individualismo, a busca pela auto-realização, tem levado muitos, inclusive cristãos, a criarem um mundo exclusivo onde o sentir-se bem é o valor supremo, e, neste mundo, os mandamentos e o temor a Deus têm de desaparecer. Em nome da liberdade vamos nos tornando mais tolerantes, uma vez que os interesses pessoais se sobrepõem aos mandamentos divinos.

A tendência moderna de rejeição aos mandamentos seria percebida de forma insuficiente se não considerássemos o conflito que se encontra por trás dela: a negação de Deus e a assumida autonomia humana. É assim que o salmista descreve esta realidade: “Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os laços e sacudamos de nós as suas algemas” (Sl 2.2-3). Este é o horizonte maior sobre o qual nossos olhos devem se concentrar.

Se olharmos a Palavra de Deus com este tema em mente, ficaremos surpresos ao perceber sua relevância e importância tanto para a espiritualidade pessoal como para a moral e ética de uma sociedade. Os mandamentos revelam o amor e cuidado de Deus por suas criaturas; eles foram dados depois que Deus os libertou da escravidão — “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da casa da servidão” (Êx 20.2). E nossa obediência a eles revela também nosso amor por ele — “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos do meu Pai, e no seu amor permaneço” (Jo 15.10). Além de estabelecer este relacionamento pessoal, eles constituem o fundamento da ética e da moral, que, em outras palavras, é a forma como nos relacionamos com um profundo senso de respeito e amor para com o próximo. A espiritualidade pessoal requer um compromisso ético e moral.

As propostas de educadores, psicólogos e tantos outros profissionais que se interessam pela solução dos grandes temas nacionais têm seu valor; mas a atitude consciente ou não de rompimento com os mandamentos divinos encontra-se na base destes grandes temas. Nossos olhos já não estão mais voltados exclusivamente para Deus em adoração e obediência; banalizamos o seu nome; atropelamos o tempo e não celebramos o descanso como expressão da confiança na providência divina; não damos mais a honra devida aos pais e aos idosos; matamos e destruímos a dignidade do outro com palavras e gestos; perdemos a capacidade de permanecer fiéis, de nos contentar com o que temos, de fazer da nossa palavra um testamento e não desejar nada que não seja nosso.

Por trás de cada ato de violência, corrupção ou imoralidade está, muito antes das deficiências na educação ou dos distúrbios de comportamento, a quebra de um mandamento. Alguns buscam uma espiritualidade sem ética ou moral; outros, uma ética e moral sem espiritualidade. Porém as duas precisam andar sempre juntas.

UMA MULHER SALVA CINQUENTA RAS E A OUTRA........


Aconteceu no finalzinho do inverno europeu, no início de março, nas proximidades de Sikonda, na Hungria. Algumas fêmeas ouviram a inconfundível e irresistível chamada nupcial dos machos, que já haviam entrado nas águas do rio, onde deveriam acasalar as “meninas”. O problema é que entre o lugar onde elas estavam e o lugar onde eles estavam havia uma rodovia movimentada, e elas corriam o risco de ser atropeladas. Para resolver o problema apareceu uma ativista ambiental. A bondosa mulher se ofereceu para atravessar a pista quantas vezes fossem necessárias a fim de transportar com segurança as rãs que não queriam decepcionar os machos. Ela salvou cinqüenta fêmeas, que entraram imediatamente na água e foram cobertas pelos machos. A notícia foi publicada em vários jornais, inclusive no Brasil.

Menos de um mês depois, um urso polar de três meses nascido e abandonado pela mãe fez sua estréia como atração no zoológico de Berlim, com a presença de jornalistas de vários países e dezenas de visitantes. A mídia mostrou o animal quando ele era penteado, quando tomava mamadeira e quando ouvia canções de Elvis Presley tocadas por um funcionário do zoológico.

Poucos dias antes (28 de fevereiro), aconteceu algo que também foi para os jornais: uma mulher belga matou a facadas seus cinco filhos, com idade entre 3 e 14 anos, e depois tentou suicidar-se. O fato se deu em Nivelles, a 30 quilômetros ao sul de Bruxelas.

As notícias citadas mostram quanto o ser humano é estranho. Ele é capaz de salvar uma pulga e de assassinar uma mulher grávida de sete meses. Essa contradição, essa incoerência, essa hipocrisia foi observada e detonada por Jesus Cristo: Vocês devoram as casas das viúvas e fazem longas orações, vocês dão o dízimo da hortelã e negligenciam a misericórdia, vocês coam um mosquito e engolem um camelo (Mt 23.14, 23, 24).

O missiólogo Timóteo Carriker gosta de lembrar que “a Bíblia valoriza toda a criação, a orgânica (viva) e até mesmo a inorgânica”, e que “a valorização da vida orgânica inclui, por sua vez, a vida humana, animal e vegetal”. Tudo que Deus criou tem direito à vida e deve ser preservado. A criação é um conjunto, e não algumas partes selecionadas.