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FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

DESABAFO É O RALO POR ONDE DESAGUAM AS LAGRIMAS


Baruque era contemporâneo do profeta Jeremias. Era seu escriba, porta-voz e amigo. Foi ele quem escreveu a primeira e a segunda edição do livro que registra tudo o que Deus disse a Jeremias a respeito de Israel e de outras nações, na época anterior à destruição de Jerusalém pela Babilônia, nos anos 600 antes de Cristo. Jeremias ditava e Baruque escrevia. Foi também Baruque quem leu o livro em voz alta, duas vezes, primeiro para o povo reunido no templo e, depois, para um seleto grupo de líderes em lugar mais reservado. Depois da privilegiada oportunidade de escrever e tornar conhecido o conteúdo do livro, Baruque teve uma crise depressiva muito forte e desabafou: “Ai de mim! O Senhor acrescentou tristeza ao meu sofrimento. Estou exausto de tanto gemer, e não encontro descanso” (Jr 45.3).

Não é difícil entender o problema emocional de Baruque. Ele teve experiências muito chocantes em seu ministério ao lado de Jeremias. Ambos esperavam, como conseqüência da leitura do livro, que o rei e o povo se convertessem de sua má conduta e, então, recebessem o perdão do Senhor. Aconteceu o contrário: quando o livro era lido pela terceira vez, agora na presença do rei Jeoaquim, em seu palácio de inverno, “cada vez que Jeudi terminava a leitura de três ou quatro colunas, o rei cortava com uma faquinha aquele pedaço do rolo e jogava no fogo [...] até que o rolo inteirinho virou cinzas” (Jr 36.23-24, NTLH).

Além do mais, Baruque chorava porque corria risco de vida, porque estava por dentro das iniqüidades praticadas pelo povo, porque tinha conhecimento do juízo de Deus prestes a se abater sobre o povo e porque ele próprio estava ao alcance das desgraças que se sucederiam, mesmo não participando da corrupção generalizada.

Baruque não era o único a se queixar de exaustão. Alguns de seus contemporâneos faziam o mesmo: “Estamos exaustos e não temos como descansar” (Lm 5.5). A exaustão emocional dói mais que a exaustão física, e a exaustão espiritual dói ainda mais. Baruque agiu como os outros agiram: derramou a sua alma perante o Senhor. O desabafo sincero é o ralo por onde se escoam as lágrimas.

O consolo de Deus é estranho, mas funciona. A cura que ele opera não é superficial. Deus não apenas oferece o lenço para o sofredor enxugar as lágrimas, como também ensina a pessoa a lidar com os problemas da vida. Baruque queria ser uma exceção. Como muitos crentes de hoje, sob a alegação de que são “filhos do Rei”, o escriba queria ir para uma sala VIP, queria uma espécie de salvo-conduto, esconder-se dentro de uma redoma onde pudesse se proteger da famosa tríade (guerra, fome e peste) que estava assolando a nação e encontrar água e comida à vontade e por muito tempo. Todavia, Deus lhe perguntou: “Será que você está querendo ser tratado de modo diferente?” (Jr 45.5, NTLH).

A mágica de Deus nem sempre é retirar o espinho na carne no momento em que nós o desejamos, mas tornar mais abundante e mais suficiente a sua graça (2Co 12.7-10). Naquele momento histórico, era necessário “arrancar, despedaçar, arruinar e destruir” a nação pecadora (Jr 1.10). Posteriormente, porém, depois da humilhação e da quebra da cerviz dura, Deus estaria disposto a reverter o quadro, reedificar o que havia derrubado e replantar o que havia sido arrancado (Jr 31.4, 28, 40). Baruque não teria uma redoma para se proteger, mas Deus o deixaria escapar com vida onde quer que ele fosse, em meio às ameaças e às desgraças da guerra, da fome e da peste (Jr 45.5).

DESFIGURAÇÃO E TRANSFIGURAÇÃO


A mais completa descrição de Jesus como o Servo Sofredor diz que a “sua aparência estava tão “desfigurada”, que ele se tornou irreconhecível como homem; não parecia um ser humano” (Is 52.14). A narrativa do que aconteceu com Jesus naquele alto monte diz que “ali ele foi “transfigurado” diante deles [Pedro, Tiago e João]. Sua face brilhou como o sol” (Mt 17.2).

Esses dois retratos de Jesus opostos entre si -- a desfiguração e a transfiguração -- mostram duas realidades contrárias: o sofrimento e a glória do Messias. A menos que se destrua por completo a história da redenção, ninguém poderá negar os dois eventos, nem mesmo fazer pouco caso deles. As Escrituras apontam para as vestes vermelhas de sangue, bem como para as vestes brancas como a luz, para a cruz e também para a coroa, para a Paixão e para a Páscoa, para a morte e também para a ressurreição, para a descida aos infernos e para a subida aos mais altos céus. A exaltação de Jesus é tão certa quanto a sua humilhação.

Há passagens que mostram tanto a desfiguração como a transfiguração de Jesus. Numa delas, o Messias descreve o drama do abandono (“Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”, Sl 22.1), o drama da zombaria (“Caçoam de mim todos os que me vêem”, Sl 22.7) e o drama da cruz (“Perfuraram minhas mãos e meus pés”, Sl 22.16). Porém, a melancolia é bruscamente quebrada com a notícia de que “haverão de ajoelhar-se diante dele todos os que descem ao pó” (Sl 22.29). Em uma segunda passagem, o profeta fala sobre o drama da feiúra de Jesus (“Ele não tinha nenhuma beleza que chamasse a nossa atenção ou que nos agradasse”, Is 53.2, NTLH) e o drama da cruz (“Ele derramou sua vida até a morte, e foi contado entre os transgressores”, Is 53.12). Mas, antes de abordar a dor de Jesus, o mesmo profeta garante que o Senhor “será engrandecido, elevado e muitíssimo exaltado” (Is 52.13).

A passagem mais conhecida e mais explícita sobre o assunto apresenta o drama do esvaziamento (“Embora sendo Deus, [Jesus] esvaziou-se a si mesmo”, Fp 2.7) e o drama da cruz (“E sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!”, Fp 2.8). A mesma passagem, logo em seguida, menciona a glória do crucificado: “Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11).

Há passagens que focalizam apenas a transfiguração. É o caso daquele versículo dos Salmos várias vezes transcrito para o Novo Testamento: “O Senhor disse ao meu Senhor: Senta-te à minha direita até que eu faça dos teus inimigos um estrado para os teus pés” (Sl 110.1). Outra passagem notável está no livro de Daniel, quando o profeta, exilado na Babilônia, em sua visão apocalíptica, no primeiro ano de Belsazar (548 a.C.), vê “todos os povos, nações e homens de todas as línguas” adorarem ao Senhor no momento em que ele descia com as nuvens dos céus (Dn 7.14). Não é possível omitir a passagem de Apocalipse que diz: “O sétimo anjo tocou a sua trombeta e houve fortes vozes nos céus que diziam: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Ap 11.15).

É muito difícil enxergar o deslumbramento da glória presente e futura de Jesus. Se não podemos vislumbrar hoje toda a beleza de Jesus, podemos pedir a Deus que levante a cortina e nos deixe ver cada vez mais a sua glória, como aconteceu com as três testemunhas da transfiguração.

MUITOS COMEÇAM BEM, MAIS NEM TODOS TERMINAM BEM


Você já parou para pensar em como um pequeno mal pode prejudicar uma vida de sucesso? Uma partida de futebol pode ser prejudicada quando uma das equipes joga usando o regulamento em seu favor. As férias podem ser arruinadas por causa de uma experiência negativa. Uma corrida de fórmula 1 pode ser perdida devido a um leve descuido perto do final. Uma trajetória de vida bem iniciada pode ser prejudicada por falhas ao longo do caminho e não terminar bem.

O rei Uzias é um exemplo disso (2Rs 15.2-7). No começo de seu reinado sempre buscou orientação no Senhor. Ele foi coroado com apenas dezesseis anos, desfrutou de sucessos militares e ganhou fama durante sua caminhada. Porém, num determinado momento, tornou-se orgulhoso.

Esqueceu-se de que Deus era a fonte de seu sucesso e começou a pensar que estava acima de tudo e de todos. Uzias passou a desobedecer a Deus e a cometer atos impensados. Por causa de sua desobediência, Deus o atingiu com lepra ele passou o resto de seus dias desfigurado e imundo, mostrando visivelmente seu fracasso em permanecer fiel a Deus.

Você pode estar se perguntando: “O que essa história tem a ver com o caminho que tenho trilhado e com o “sucesso” que Deus tem guardado para mim?”. Nunca se esqueça de que Deus realmente tem vitórias para sua vida, mas ele quer acompanhar toda sua trajetória; seu desejo é que compartilhemos todos os nossos passos com ele. Deus quer fazer parte de todo o projeto e não apenas do início da obra.

Não seja como o jovem rei que, assim que se sentiu forte e aparentemente dono da situação, esqueceu-se de quem estava -- e ainda está -- por trás de todas as nossas conquistas.

Que nós, ao contrário de Uzias, não permitamos que um momento de tolice destrua uma vida de vitórias. Você está caminhando com Deus? Peça graça para terminar a corrida com humildade e obediência.

CHAMADOS´PARA


Os Evangelhos retratam, com muita clareza, Jesus chamando um grupo de discípulos para estar com ele, aprender com ele e seguir o caminho da vivência e sinalização do reino de Deus. Os discípulos são muito reais e muito diferentes entre si. Uns vêm da indústria pesqueira; outro é coletor de impostos; outro é um zelote, espécie de revolucionário da época. Seus nomes são mencionados com detalhes: “Simão, a quem deu o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que significa “filhos do trovão”; André; Filipe; Bartolomeu; Mateus; Tomé; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu; Simão, o zelote; e Judas Iscariotes, que o traiu” (Mc 3.16-19).

O registro minucioso dos nomes dos discípulos é significativo e reflete uma tradição muito antiga da fé cristã que aponta para a realidade de que Deus tem conosco, e nós com ele, uma relação pessoal. O profeta Isaías expressa isso de forma belíssima ao transmitir-nos estas palavras de Deus: “Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome; você é meu” (Is 43.1). Ao chamar-nos pelo nome, Deus revela e usa sua própria natureza -- uma natureza de amor relacional, em que cada pessoa é importante e cada situação de nossa vida recebe dele atenção particular.

É o que acontece na formação do grupo dos apóstolos. Cada um deles tem nome e pelo nome é chamado por Jesus. Cada um tem uma história e com esta é chamado para integrar o círculo dos discípulos. Cada um tem suas lutas e expectativas, e estas são restauradas e transformadas a partir do encontro com Jesus e da permanência ao lado dele. Ainda hoje é assim. Pelo nome, somos chamados a seguir Jesus e pelo nome somos convidados e desafiados a estar e andar com ele até o fim dos nossos dias. O discipulado é um longo caminho de amor e serviço, no qual nossa vida é restaurada e transformada para a glória de Deus. O serviço ao outro confere significado à nossa própria vida.

Os Evangelhos trazem detalhes da escolha dos Doze. Conforme Lucas, tudo começa com oração (Lc 6.12-16). É como se o ato de reunir o grupo de discípulos fosse tão importante que Jesus precisasse passar um longo tempo conversando com o seu Pai. É significativo ver a relação entre esse tempo de oração, o chamado dos discípulos e a própria razão pela qual eles são chamados, como relata o evangelista Marcos:

“Jesus subiu a um monte e chamou para si aqueles que quis, os quais vieram para junto dele. Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com ele, os enviasse a pregar e tivessem autoridade para expulsar demônios.” (Mc 3.13-15)

Eu confesso que passei muitos anos sem perceber que a primeira razão pela qual Jesus chamou os discípulos foi “para que estivessem com ele”. Venho de uma tradição ativista e verbal em que seguir a Jesus significa envolver-se na pregação da Palavra. O importante é manter-se ativo e ocupar-se com o anúncio do evangelho até os confins da terra. Aprender a entender que Jesus nos chama “para estar com ele” tem sido uma caminhada significativa e difícil. Difícil porque sempre acabo achando que a relação com Jesus é operacional; que ela é melhor na medida em que “faço” mais coisas para ele e em seu nome. Significativa porque vou descobrindo que o ativismo gera muita superficialidade e pouca relação, e que não é isso que Jesus deseja. O que ele quer é construir conosco uma relação de intimidade e significado, onde estar com Jesus vale mais do fazer coisas para ele e em nome dele.

Aquela noite que Jesus passou em oração foi uma noite com o Pai. Melhor ainda, foi uma noite de profunda comunhão na Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo estavam juntos, queriam estar juntos e, para isso, não precisavam de nenhuma agenda de atividades. Eles simplesmente queriam estar um com o outro. Nós que viemos de uma tradição ativista e operacional temos muito a aprender com o fato de Jesus nos chamar “para estar com ele”. Não creio que ele tenha ido ao encontro do Pai, naquela noite, com uma lista de nomes a serem politicamente negociados. Também tenho dificuldade em acreditar que ele tenha ido com o objetivo de extrair do Pai o maior número possível de concessões, visando uma campanha ministerial próspera e bem engrenada. Ele passou a noite em comunhão com o Pai e o Espírito, no desejo de alimentar sua comunhão com eles e deixar que esta nutrisse e norteasse a sua convivência com o grupo de discípulos vindos de diferentes histórias, mas chamados para uma experiência única de vivência do reino de Deus.

Não importa quantos anos de discipulado tenhamos, é preciso lembrar que Jesus nos chama a aprender com ele o significado de estar com ele. Estar -- sem agenda e sem atividades. Estar para descansar, estar para ser consolado, para ser reorientado. Estar para estar. É muito bom descobrir isso!

No memorável encontro na casa de Maria e Marta, fica claro o que significa ser chamado para estar com Jesus. Enquanto Marta está ocupada com mil coisas, movida por uma grande necessidade de ser uma boa hospedeira para o Mestre, Maria senta aos pés dele, e sua atitude é reconhecida como a melhor escolha. Jesus diz que “Maria escolheu a boa parte” e que esta não lhe será tirada (Lc 10.38-42).

Esta “boa parte” está reservada também para nós, e o caminho para ela é aprender a estar com Jesus.

EVANGELIZA-ME


Sou mais animal do que gente
Não sou inteligente
Nunca aprendi a ser sábio
Não conheço o Deus Santo.

Quem subiu aos céus e de lá desceu?
Quem controlou o vento em suas mãos?
Quem prendeu as águas com sua veste?
Quem estabeleceu os limites da terra?

Você sabe quem ele é?
Qual é o seu nome?
E o nome de seu filho?
Apresente-me o pai e o filho!

Quem criou Deus?
Onde ele está?
Ele é uma força ou uma pessoa?

De que lado Deus está?
Da justiça ou da injustiça?
Do oprimido ou do opressor?

Deus se escondeu?
Deus abdicou de seu poder?
Deus está morto?

Deus pode acabar com o mal?
Deus pode acabar com o sofrimento?
Deus pode acabar com a morte?

Deus sabe quem eu sou?
Deus me vê?
Deus se interessa por mim?

Quem sou?
De onde venho?
Para onde vou?

Declare-me não-inocente
Derrube por terra minha defesa
Mostre-me minha culpa.

Deus pode me perdoar?
Deus pode me salvar?
Deus pode me transformar?

Conte-me a velha história!
Com pausa e paciência
Pois quero penetrar
A altura do mistério
Que Deus me pode amar!

Conte-me a velha história!
Fale-me com doçura
Do amado Redentor
A mim que tanto sofro
Por ser um pecador!

Conte-me a velha história!
Fale-me sobre o Natal
Sobre a Sexta-feira da Paixão
Sobre o túmulo vazio
Sobre a ascensão de Jesus.

Conte-me a velha história!
Fale-me sobre a parúsia
Sobre a ressurreição dos mortos
Sobre os novos céus e terra
Sobre a plenitude da salvação!


Nota
As três primeiras estrofes são palavras de Agur, retiradas de Provérbios 30.1-4 (NTLH e NVI). A antepenúltima e a que a antecede são versos do hino “A Velha História”.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A RESPEITO DA ARROGANCIA


1.
É notável como o livro de Provérbios trata da arrogância. Talvez não haja outro livro da Bíblia que mencione tantas vezes e com tanta seriedade esse problema da natureza humana. Logo no início, Salomão adverte: “Confie no Senhor de todo o seu coração; nunca pense que sua própria capacidade é suficiente para vencer os problemas [...] Não fique cheio de si, pensando que sua própria sabedoria é a razão do seu sucesso” (Pv 3.5-7, BV).

2.
A linguagem de Provérbios contra a arrogância é ameaçadora: “O Senhor detesta os orgulhosos de coração. Sem dúvida serão punidos” (Pv 16.5). O livro deixa claro que “quem constrói portas altas [isto é, quem vive contando vantagens] está procurando a sua ruína” (Pv 17.19). O caminho mais fácil e mais rápido para a desgraça é o caminho do orgulho: “Quando vem o orgulho, chega a desgraça” (Pv 11.2).

3.
O livro de Provérbios explica por que Pedro negou o Senhor três vezes seguidas: “O espírito altivo [vem] antes da queda” (Pv 16.18). Essa dolorosa verdade é repetida pouco na frente: “Antes da sua queda o coração do homem se envaidece” (Pv 18.12). Ora, Pedro mostrou seu espírito altivo, sua segurança ingênua ao afirmar que jamais negaria o Senhor, mesmo que os outros o fizessem (Mt 26.35).

4.
Além de ameaçadora, a linguagem de Provérbios no que se refere à arrogância é categórica: “O Senhor ‘derruba’ a casa do orgulhoso” (Pv 15.25). Porém, quando o estado de espírito é outro, Deus age de maneira oposta: “Ele zomba dos zombadores, mas concede graça aos humildes” (Pv 3.24). Ao transpor esse versículo para sua carta, Pedro escreve: “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (1Pe 5.5). Não é nada bom declarar guerra ao Senhor.

5.
O caminho para a honra passa obrigatoriamente pela humildade. Assim como o orgulho antecede a vergonha, “a humildade antecede a honra” (Pv 15.33). A verdadeira humildade repudia a autopromoção, pois “não é honroso buscar a própria honra” (Pv 25.27). O conselho dado no livro dos Provérbios é: “Não se engrandeça na presença do rei, e não reivindique lugar entre os homens importantes; é melhor que o rei lhe diga: ‘suba para cá!’, do que ter que humilhá-lo diante de uma autoridade” (Pv 25.6-7).

6.
Existe prêmio para o comportamento humilde. Além de se prevenir de um possível escândalo -- como o de Pedro e o de muitos outros -- e de ser obrigada a descer os degraus galgados não por mérito ou pela graça, mas pela falta de contenção da soberba, a pessoa humilde é galardoada pelo próprio Deus. O melhor discurso sobre essa ascensão vem de Pedro: “Humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido” (1Pe 5.6)!

SUBSTITUA A PLENITUDE DO PECADO PELA PLENITUDE DO ESPIRITO


É impressionante a ênfase bíblica à plenitude do pecado na experiência humana. A linguagem usada é direta e explícita. A mensagem é sempre a mesma e sempre unânime, seja a que sai dos lábios dos profetas, dos lábios de Jesus ou dos lábios dos apóstolos. É difícil dizer qual delas é mais enfática, qual é a mais descontraída e qual é mais dura.

O livro de Eclesiastes diz que o coração humano “está ‘cheio’ de maldade e de loucura durante toda a vida” (Ec 9.3). Não está vazio, nem pela metade, mas cheio. Os Provérbios declaram que o esforço da ocultação do mal por meio de “uma camada de esmalte” não resolve nada. Embora a conversa do pecador seja “mansa”, não se deve acreditar nele, “pois o seu coração está ‘cheio’ de maldade” (Pv 26.23-25).

O livro do profeta Isaías começa com um discurso estarrecedor a respeito de Israel: as assembléias religiosas estão “‘cheias’ de iniqüidade” (1.13), as mãos dos que oram estão “‘cheias’ de sangue” (1.15) e a própria cidade de Jerusalém, antes cheia de justiça, agora está “‘cheia’ de assassinos” (1.21). A plenitude do pecado é tal que Israel é um “povo ‘carregado’ de iniqüidade” (1.4): “Da sola do pé ao alto da cabeça não há nada são” (1.6).

O discurso de Paulo aos Romanos não é menos dramático. Ao abordar a depravação da humanidade, o apóstolo afirma peremptoriamente que os seres humanos “tornaram-se ‘cheios’ de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação” e também “‘cheios’ de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia” (Rm 1.29).

É preciso acordar para o fato e a evidência da plenitude do pecado na dolorosa experiência humana. Na análise de Elifaz, um dos três amigos de Jó, o ser humano “bebe iniqüidade como água” (Jó 15.16). E na análise de Jesus, é o que sai do homem, e não o que entra nele, que o torna “impuro”, pois o interior do seu coração está ‘cheio’ de tudo que é ruim e depravado: imoralidades sexuais, roubos, homicídios, adultérios, cobiças, maldades, invejas, arrogâncias etc (Mc 7.20-23).

A convicção da plenitude do pecado, o arrependimento e a fé em Jesus Cristo como Salvador e Senhor produzem a conversão do pecador. Uma vez convertido e justificado, o pecador torna-se templo do Espírito Santo. Abre-se então a possibilidade de o pecador substituir a desgraçada plenitude do pecado pela abençoada plenitude do Espírito Santo, não automaticamente, mas por meio do exercício sistemático de inclinar-se para o Espírito e não para a carne (Rm 8.1-11). Aquele que nasceu da água e do Espírito (o novo convertido) abre mão de tudo que leva à libertinagem e se deixa encher do Espírito (Ef 5.18). Porém, esse ainda não é o estágio final da salvação. Uma vez liberta da culpa do pecado, por meio da justificação, e da tirania do pecado, por meio da santificação progressiva, a nova criatura em Cristo terá de aguardar a libertação de todo vestígio do pecado dentro e ao redor de si, por meio da glorificação. Isso acontecerá com absoluta certeza por ocasião da parúsia de Jesus Cristo, com poder e muita glória, e da ressurreição do corpo.

LEMBRETES PARA O COTIDIANO


“Ergam os olhos e olhem para as alturas. Quem criou tudo isso? Aquele que põe em marcha cada estrela do seu exército celestial, e a todas chama pelo nome. Tão grande é o seu poder e tão imensa a sua força, que nenhuma delas deixa de comparecer!”
(Is 40.25-26)

Deus nos convoca para algo que, com freqüência, cai no esquecimento: “Ergam os olhos e olhem”. O que temos visto? Dependendo de onde moramos, podemos dizer que só vemos poluição, trânsito congestionado, violência e injustiça.

Olhar como resposta a um convite divino pode nos dar perspectivas mais sensíveis e se desdobrar em relações e posturas diferenciadas. Mesmo quando ao redor há destruição, prova de nosso descuido, conseqüência de nosso egoísmo, podemos melhor nos conscientizar sobre as mortes que o pecado gera. Podemos nos voltar a Deus humildemente, saboreando sua graça, a redenção em Jesus, e nos inspirar a criar com espontaneidade, com formosura e com a alegria de quem tudo começou -- o Criador.

Nem sempre separamos tempo para contemplar a criação, para nos tornar verdadeiros adoradores. E, quando não adoramos o Criador, acabamos por adorar falsos ídolos.

Eugene Peterson, em seu livro “A Maldição do Cristo Genérico”, nos alerta: “Nada nessa criação existe meramente para ser estudado, analisado, entendido; cada elemento, a ‘obra’ de cada dia, existe, antes de tudo, para ser recebida como uma ‘nota’ integrante e coerente dos ritmos totalmente abrangentes do oratório da criação, na qual respiramos o mesmo ar que Deus soprou sobre o abismo; e, do mais profundo de nossos pulmões -- nossa vida --, cantamos e dançamos para a glória de Deus”.

Parece que nos tornamos mais técnicos que celebrantes. Acumulamos informações, discutimos acadêmica ou teologicamente, mas talvez o comentário de Jesus para nós não seria diferente daquele dirigido aos samaritanos: “Vocês adoram o que não conhecem” (Jo 4.22). Em nosso dia-a-dia, vivemos como seres fragmentados, continuamos a pregar Jesus na cruz (com os pregos da nossa ignorância), sem desfrutarmos do significado de sua morte e ressurreição -- uma vida nova, livre e abundante, cuja inteireza cativa outros. Como diz Franky Schaeffer, em “Viciados em Mediocridade”: “Na maior parte do tempo os cristãos vivem na tensão entre suas atividades espirituais e o resto da sua vida. Entretanto, o cristianismo deveria ser uma experiência libertadora que abre nosso entendimento para apreciar mais do mundo de Deus. Somos aqueles que foram libertos para ver o mundo como realmente é, desfrutando e nos divertindo com a diversidade e a beleza da criação”.

A campanha do vencedor das eleições americanas, Barack Obama, teve como “slogan” principal: “Sim, nós podemos”. Será que podemos viver um ano novo no novo ano? Podemos, efetivamente, fazer diferente? Toda boa mudança, toda diferença geradora de vida só pode ser realizada a partir de Deus. Ele nos muda, para que possamos agir de maneira diferente. Tudo vem do Pai das luzes (Tg 1.17). Nele podemos viver um dia de cada vez, com reverência à vida.

Se Deus é pessoal até com as estrelas, que ele chama pelo nome, quanto mais conosco! Saibamos, pois, ouvir sua voz, que é cheia de majestade, faz dar cria às corças e desnuda os bosques (Sl 29.4, 9). Que o Espírito de Deus nos ajude a parar, contemplar, adorar e proclamar as maravilhas do Criador, cuidando da criação, cultivando espaços de silêncio e reflexão.

O CONTEÚDO DO CRISTIANISMO

Robinson Cavalcanti

O que tem sido o cristianismo em sua história? Não uma seita judaica, mas a realização do que foi preconizado pelo judaísmo, povo da primeira aliança, com um monoteísmo e uma ética de revelação. O Messias anunciado pelos profetas finalmente chega. Tudo isso não poderia ter se acabado em pouco tempo? Surge a Igreja, povo da segunda aliança, com destinação universal: fazer discípulos em todas as nações. Para se expandir tão rapidamente o cristianismo tinha de ser portador de um conteúdo, que chamamos de doutrina, definido nos Credos Apostólico e Niceno, em relação aos divergentes, de fora e de dentro: 1) a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo; 2) as duas naturezas de Cristo: divina e humana; 3) a concepção virginal; 4) a morte vicária; 5) a ressurreição; 6) a segunda vinda com o Juízo Final; 7) a ressurreição dos mortos e a vida eterna; 8) a Igreja; 9) o batismo. Milhares foram queimados vivos, trucidados pelos gladiadores, estraçalhados pelos leões, pela crença inabalável nessas verdades.

Antes de serem definidas no papel, essas doutrinas já eram cridas e compartilhadas pela comunidade de fé, transmitidas como herança apostólica, com a identificação simbólica da cruz, do pão e do peixe, do alfa e do ômega, na partilha do pão e do vinho, em que a Eucaristia (ação de graças) substitui a Páscoa, porque o Cordeiro já fora imolado. Na adoração, nos cânticos, na Ceia do Senhor, se estabelece a liturgia.

Algo mais importante precede a doutrina, os sacramentos e a liturgia: a definição do cânon bíblico do Novo Testamento. Junto com o Antigo Testamento, ali estava o texto (não um texto, ou um dos textos), escrito por homens inspirados por Deus a edificar homens leitores e ouvintes iluminados por Deus, com as narrativas dos feitos do Senhor e do seu povo, com os seus mandamentos e estatutos. Além da revelação natural (os céus, a consciência), a revelação especial, escrita, apontava para a revelação viva: a pessoa de Jesus Cristo.

Poderiam estas coisas acontecer sem milagres, sem o transcendente, a intervenção do céu, a ação do Espírito Santo apontando para a cruz sangrenta e o túmulo vazio, transformando corações, derramando dons, dando vida à mera existência, com um projeto de reino de Deus? Esses indivíduos formavam comunidades, se organizavam, criavam normas, estabeleciam autoridade; na plenitude de sua humanidade, se institucionalizavam. A igreja é povo e instituição, indissociáveis. Como o primeiro Israel, o segundo conhece altos e baixos, grandezas e misérias, verdades e erros, santidade e dissolução, obediência e desobediência. Porém, o fundador não tinha prometido estar com ela até o fim? Não dissera que sobre ela as portas do inferno não prevaleceriam? Que ensino estranho é esse de um Espírito Santo que assistiu apenas o povo, mas não a instituição! Reformas sempre existiram, e uma grande Reforma veio, nada acrescentando, mas construindo o futuro pelo resgate do passado.

Apesar de lendas tão caras a alguns segmentos, nunca houve um só centro de poder, normatização e irradiação do cristianismo. Acompanhar a vida e a morte dos apóstolos, o estabelecimento das sés e dos patriarcados (nestorianos, pré-calcedônios, bizantinos e latinos) é ser edificado por essa verdade de uma história policêntrica. Porém, nessa diversidade de ramos (alguns com pretensão de exclusividade) havia ou não um amplo consenso dos fiéis através do espaço e do tempo? O Espírito Santo movia ou não esse consenso? Há quem julgue que o Espírito Santo tirou férias com a morte de João, em Patmos, e apenas regressou com o nascimento de Lutero, ou -- o que é mais grave -- com o nascimento da sua denominação ou ministério um dia desses... Somos partícipes de uma instituição e de um povo de dois mil anos; somos herdeiros de todo esse passado, que deve ser, muitas vezes, purificado; tantas vezes atualizado, mas sempre valorizado e reverenciado. Igreja militante, dos ainda vivos; igreja triunfante, dos que já partiram, juntas formando o que os credos designam como a comunhão dos santos.

Deixando de lado o exótico, o pitoresco, as novidades, as vaidades, o personalismo, a imitação, e encarando com honestidade a história da igreja, não foi esta -- em seus diversos ramos -- gerida por integrantes de três ordens (diáconos, presbíteros e bispos), do segundo século ao século 16, fossem esses ramos orientais ou ocidentais? Essas ordens foram mera criação humana? Representaram apenas um grande equívoco? Uma epidemia universal de erros? Ou teriam sido resultado da assistência do Espírito Santo? O equívoco, eclesiológico, de autoridade, não estaria, então, com as novas classes européias, que mais de um milênio e meio depois resolvem “reler” a Bíblia e a história a partir da sua ótica e ideologia etnocêntricas, criando, “de laboratório”, o presbiterianismo e o congregacionalismo?

Com o fundamentalismo bitolando, o pseudo-pentecostalismo distorcendo e o liberalismo negando, não estaríamos hoje diante de outras religiões?


• Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política -- teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo -- desafios a uma fé engajada

CHAMEI POR VÓS SENHOR.


" Chamei por Vós, Senhor, e me curaste: eu Vos louvarei eternamente."

O mendigo que confessou João Paulo II

"No programa de televisão da Madre Angélica nos Estados Unidos (EWTN), relataram um episódio pouco conhecido da vida do Papa João Paulo II.

Um sacerdote norte americano da diocese de Nova York dispunha-se a rezar numa das paróquias de Roma quando, ao entrar, encontrou um mendigo. Depois de observá-lo durante um momento, o sacerdote deu-se conta de que conhecia aquele homem. Era um companheiro do seminário, ordenado sacerdote no mesmo dia que ele. Agora mendigava pelas ruas.

O padre, depois de se identificar e de o cumprimentar, escutou dos lábios do mendigo como tinha perdido a sua fé e a sua vocação. Ficou profundamente estremecido. No dia seguinte o sacerdote vindo de Nova York tinha a oportunidade de assistir à Missa privada do Papa e poderia cumprimentá-lo no final da celebração, como é costume. Ao chegar a sua vez sentiu o impulso de ajoelhar-se em frente ao Santo Padre e pedir que rezasse pelo seu antigo companheiro de seminário, e descreveu brevemente a situação ao Papa.

Um dia depois, recebeu do Vaticano um convite para cear com o Papa, mencionando que levasse consigo o mendigo da paróquia. O sacerdote voltou à paróquia e contou ao seu amigo o desejo do Papa. Uma vez convencido o mendigo, levou-o ao seu lugar de hospedagem, ofereceu-lhe roupa e a oportunidade de se assear.

O Pontífice, depois da ceia, indicou ao sacerdote que os deixasse a sós, e pediu ao mendigo que escutasse sua confissão. O homem, impressionado, respondeu-lhe que já não era sacerdote, ao que o Papa respondeu: "uma vez sacerdote, sacerdote para sempre". "Mas estou fora das minhas faculdades de presbítero", insistiu o mendigo. "Eu sou o Bispo de Roma, posso encarregar-me disso", disse o Papa.

O homem escutou a confissão do Santo Padre e pediu-lhe que por sua vez escutasse sua própria confissão. Depois de se confessar, chorou amargamente. No final, João Paulo II perguntou-lhe em que paróquia tinha estado a mendigar, e designou-o assistente do pároco da mesma e encarregado da atenção aos mendigos.

Fonte: www.acidigital.com


Só Deus tem o poder de nos fazer renascer para uma vida nova; só Deus nos pode vivificar a alma.
Quantos de nós perdemos o sentido da vida, caímos na tristeza e no desânimo, porque nos falta algo. Ficamos agarrados à falsa felicidade que os outros, os bens ou o corpo (saúde, beleza…) nos podem proporcionar.
Só quando percebemos o vazio em que vivemos, nos sentimos fracos, sem forças, é aí que Deus nos resgata, porque entregamos tudo nas mãos do Pai. E que bom é Deus, que nos converte a dor em amor, em alegria, ficando a nossa alma em paz e querendo louvá-LO eternamente.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia".PADRE ROBERTO


Tenho olhado para aquela rampa que dá acesso a este grande Centro de Evangelização, e vendo as pessoas chegarem aqui, me emocionei. Lembrei-me de todos os católicos que parecem perdidos. Lembrei-me do que disse o profeta Isaías, afirmando que a multidão "virá ao monte Sião para escutar a verdade". Aqui na Canção Nova acontece uma manifestação do Monte Sião.

Naquela rampa as pessoas descem como que dizendo: "Quero a verdade, quero Jesus! Quero a água que sai da 'Rocha' e não mais o que é inventado por doutrinas humanas". Alegra-te, porque o Senhor Jesus vai dar a você, mais uma vez, o seu Sangue como verdadeira bebida e o seu Corpo como verdadeira comida.

Outra sensibilidade com a qual o meu coração foi tomado nesta Santa Missa, foi na hora da proclamação do Evangelho. A fé Católica garante que os humilhados e humildes encontram a verdade. "Quando o meu povo for humilhado vou operar milagres. Dei a eles o maná e vou fazer brotar água da rocha".

A Igreja tem o alimento que é o seu próprio Senhor. "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia". Da mesma maneira que foi preciso que o Senhor Jesus Cristo fosse levantado no madeiro da cruz e derramasse o seu sangue para a salvação do mundo, é preciso que a Igreja se alimente da sua Carne e do seu Sangue para ter a vida eterna. Hoje é um dia de salvação para o mundo inteiro. O Senhor Jesus permanece dentro de nós.

Creio que para muitos, hoje, nesse momento, o Senhor Jesus será o primeiro alimento do dia. Nós estamos aqui numa manifestação belíssima do Monte Sião. Hoje é o dia santíssimo da verdade. Ai daquele que blasfemar essa verdade santíssima no altar de Deus!


Uma pessoa com sã consciência cristã, quando coloca os olhos no capítulo 6 do Evangelho de São João não tem como não ver esta verdade. Não é símbolo coisíssima nenhuma. Vocês vão comer carne humana, carne do Filho de Deus. É preciso se humilhar diante do Senhor. Comer a Carne do Filho de Deus é estar pronto para morrer por Ele.

A divisão vem do orgulho. Eu me lembro daquele meu grande amigo pastor evangélico que me encontrou no aeroporto e disse que vendo a Bíblia ele não podia negar que a Eucaristia é Jesus, mas que ele era orgulhoso para poder crer, e pediu que eu rezasse por ele.

As leituras de hoje da missa nos levam a uma realidade tremenda. O Senhor que fez descer do céu o maná, hoje faz descer do céu Pão da vida. "Eu vou fazer brotar água da rocha". As minhas mãos de sacerdote, ungidas, vão ferir o pão, entrar na substância dele e fazer tornar aquele pão na Carne vivificante de Nosso Senhor Jesus Cristo. E – repito – ai daquele que blasfemar contra tão grande mistério.
E nós O adoramos na missa e nossa alma pode cantar como no Salmo: "Glorifica o Senhor!" Glorifica teu Deus, católico! Louva, adora, anuncia o teu Deus! Não tenha medo da verdade!

Deus sabe tudo. Por isso adoramos o Senhor, comungamos, sentimos entrar dentro de nós o Corpo e o Sangue de Jesus. Nós nos humilhamos diante de tão grande mistério. Tudo se humilha diante da verdade tremenda do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós adoramos, adoramos, adoramos, comungamos a Carne e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Milagres que ultrapassam as leis naturais, que mudam a alma, o coração, a vida de uma pessoa, que te dá certeza do céu e cura de todo medo acontecem na Santa Missa. A Missa é este grande encontro pessoal entre o teu coração e o Coração do Senhor. Podem zombar de nós, os inimigos da Igreja, mas tanto mais a Carne de Deus vai brilhar sobre a terra. Mas não esqueçam: “É terrível cair nas mãos do Deus vivo”. Vamos morrer adorando a Carne do Senhor.

"Glorifica o Senhor, Jerusalém! Celebra teu Deus, oh Sião!"

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O CARNAVAL E SUA ORIGEM


O Carnaval é, exclusivamente, um período de festas profanas e de divertimentos entre a Festa de Reis e a Quaresma, com o seu auge nos três dias anteriores à quarta-feira de Cinzas.

Não se conhece verdadeiramente a origem da palavra Carnaval. A origem da festa em si é também desconhecida. Uns advogam o culto de Ísis, outros as festas em honra de Dionísio, na Grécia clássica, outros ainda a bacanais, lupercais e saturnais, festejos romanos de grande licenciosidade e uso de máscaras, como, aliás, nas anteriores.

Alguns não recuam tanto no tempo e apontam as suas origens para as festas dos doidos e dos inocentes da Idade Média. Cada uma em particular ou todas assimiladas na tradição acabaram por criar a tradição do Carnaval e os seus matizes ou formas regionais. Para uns, compreendia a terça-feira gorda, dia em que começava a proibição de ingestão de carne pela Igreja, como preparação para a Páscoa. Outros procuram no latim a explicação para o vocábulo: carnelevamen, depois carne, vale ("adeus, carne"). Carnelevamen pode significar igualmente carnis levamen, "prazer da carne", antes das abstinências e prescrições que marcam a Quaresma.

Não precisamos ir muito longe na palavra de Deus para saber que o carnaval é uma festa contrária a sua vontade. Esta festa onde tudo é liberado não diz respeito à vontade de um Deus que ama seus servos e diz que eles são templo do seu Espírito (1Cor. 3.16).Temos como principal ponto de maior impacto durante a comemoração desta festa ímpia o nosso País. Para ser mais exato o Rio e também atualmente a Bahia. Além do mais se trata de uma festa onde muitas pessoas adulteram, se embriagam, participam de orgias, fornicações, drogas etc.

Realmente podemos saber que a Bíblia é contra tais atitudes. Já que a Palavra de Deus busca preservar o matrimônio e a vida pessoal do ser humano. A Bíblia também condena estas atitudes e aqueles que a praticam ao inferno. “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus” (1Cor. 6.9-10).

Deus nos orienta através de sua Palavra a não se contaminar com as coisas deste mundo. Principalmente quando se trata de coisas imorais e sodomitas que é algo comum para certas pessoas. Deus nos diz em sua santa Palavra: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente (I João 2 15-17).

Com toda certeza o servo de Deus sabe como agradá-lo. Fazendo a sua vontade e obedecendo a sua Palavra seremos muito bem sucedidos em tudo o que fizermos. No ano de 2008 tivemos o prazer de ver Deus no controle de tudo. Uma reportagem mostrou um carro alegórico com a imagem ou figura do diabo(simbólica) entrando e acenando para a platéia no carnaval. Mais uma vez Deus mostrou quem é que está no controle.Antes de terminar seu passeio pela avenida o carro que mostrava tal figura começou a pegar fogo. Isso fez com que sua pose e acenos fossem alterados.E teve que ir até o final do desfile com a cabeça baixa e os braços também abaixados. Por que isso aconteceu? Seria simples coincidência?

A Bíblia diz que de Deus não se zomba. De certa forma, não sei talvez ousaram pensar que podiam fazer esta alegoria para representar o domínio das trevas sobre esta terra. Mais se esta foi a intenção tiveram sua esperança frustrada.Pois a Bíblia diz sobre nosso Senhor Jesus Cristo: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fl 2.9-11).Por isso meu querido irmão celebre ao Senhor com o vinho novo que foi derramado em nossos corações. E não com o velho vinho onde muitos se embriagam e afastam-se do Senhor nosso Deus.

NUTRIÇAO ESPIRITUAL, DEIXANDO DE TOMAR "LEITE"


É inegável a importância que o leite materno tem para o desenvolvimento da criança (refiro-me ao corpo e à mente). Há um tempo em que, ao cardápio da criança, deve ser incorporado outros tipos de alimentos, especialmente os sólidos.

Isto foi o que aconteceu conosco. Fomos sendo desmamados, pois seca-se a fonte. E Deus é sábio por assim fazer, pois, do contrário, haveria muita gente grande mal acostumada, tentando viver só tomando leite.

Assim acontece na vida espiritual de muitos cristãos professos, "Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” ( Hebreus 5:12-14)

Para piorar a situação, talvez por despreparo teológico, há pastores que oferecem ensinos bíblicos mais parecidos com leite desnatado.

Além do que, o tempo vai passando, e o cardápio não muda em muitas Igrejas, enquanto que as necessidades espirituais dos fiéis tendem a aumentar, repercutindo para um quadro de inanição coletiva.

É bem verdade que o apóstolo Paulo viveu uma experiência particular com a Igreja entre os Corintios. Lá, onde muitos cristãos eram verdadeiros meninos, que se recusavam deixar a “mamadeira”, o Apóstolo reconhecia a necessidade de oferecer, por um tempo maior que o necessário, alimento espiritual não sólido, pois a maioria não estava, até aquele momento especifico, preparada para receber ensinamentos teológicos mais aprofundados: ”E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens ?” (1 Coríntios 3:1-3).

De uma forma ou de outra, todo cristão em sua escalada terrena precisa mudar o seu cardápio, devendo sair definitivamente da fase do “leite” e passar a ingerir exclusivamente alimento sólido.

Como tem sido o seu cardápio espiritual ? Você ainda está na fase de “aleitamento” ?

O ACIDENTE


Dia desses, a mãe levava suas filhas para a escola. Dia alegre, de ansiedade, pois era o primeiro dia de aula! Cheirinho de material novo na mochila, expectativa dos pais para saberem como as filhas reagiriam, levantar mais cedo, aquele corre-corre natural e esperado por conta do novo horário da família.

Saindo todos, a primeira frustração aconteceu algumas quadras à frente de casa. Parecia uma conspiração, todos os pais, com as mesmas expectativas, se encontraram em um cruzamento próximo. O congestionamento permitiu que uns se acalmassem, outros ficassem irritados. Outros, indiferentes, conversavam com os filhos, últimos conselhos: Cuidado com isso! Cuidado com aquilo! Não aceite nada de estranhos... E também aqueles que, dando péssimo exemplo, inventavam atalhos no meio do trânsito. Por algum motivo, acham-se mais espertos, irritando os demais.

O trânsito finalmente flui e o carro ganha velocidade, trazendo certo alívio. Próximo ao destino, cuidado com aquele acesso à direita... Uma das filhas, sentido a proximidade da escola, se solta do cinto de segurança e feliz da vida começa a colocar sua mochila, orgulhosa, com seus sonhos de menina, gritando com a mãe: "Estamos chegando!".

Num momento de distração, o carro bate na mureta de proteção divisória das pistas. No impacto, tomba e, antes que qualquer pessoa pudesse se dar conta do que aconteceu, o carro está de cabeça para baixo, as rodas girando no ar...

A filha mais nova chama pela mãe, a mãe chama pelas filhas. Algumas pessoas se aproximam do carro, buscando ajudar de alguma maneira. A emergência já foi acionada. A filha mais velha, dez anos, não responde. O nervosismo toma conta da mãe. Na rua, a pequena multidão tenta consolar a família: "não é nada", dizem. Pensando no pior, mas ainda com esperança, a mãe, confusa, aceita a solidariedade de estranhos.

A filha silenciosa não responde. E assim fica até a chegada do serviço de emergência. No pronto-socorro, apesar dos esforços da equipe médica, ela permanece muda, calada para sempre.

Nessa hora, as palavras não fazem sentido, sentimentos reprimidos vêm à tona, a solidariedade é vã, a dor é insuportável! Culpa, raiva, desespero, angústia, perplexidade... O que pode trazer consolo? A vida torna-se insuportável, todas as demais coisas são colocadas em sua verdadeira perspectiva.

Diante do quadro de uma criança deitada no caixão e agarrada ao seu ursinho de pelúcia, uma lucidez incrível nos atinge. Os verdadeiros valores vêm à tona, como uma bóia impossível de ser mantida no fundo do mar a nos empurrar para a realidade da vida.

O futuro escapa, o passado nos alcança e o presente se funde nos dois, deixando de existir. A noção de tempo se perde no meio da dor. Percebemos que podemos corrigir erros, viver mais e correr menos. Tudo é possível, menos encarar o mistério da morte com suas perguntas sem respostas. No íntimo, sabemos que aquela mãe somos nós. Meu filho poderia ser a vítima. O espertinho do trânsito torna-se ridículo.

Uma criança que morre é como a promessa de uma colheita que foi frustrada! Se na sua morte nada mais parece ter sentido, em seu sorriso podemos renovar nossa esperança!

Choramos, muito mais pela criança que em nós morreu: nossa capacidade de viver intensamente, de amar sem reservas, de perdoar sempre, de sorrir por qualquer bobagem, de acreditar sem dúvidas, de aceitar que a vida e a morte são mistérios.

Meu Deus, como preciso voltar a ser criança

A DIFICIL MISSÃO DE UM PROFÉTA


Desde o século 9 a.C., com a chamada Profecia Pré-clássica, a atividade profética foi sempre um grande desafio. Neste período, profetas como Elias e Elizeu tiveram que pagar um preço altíssimo pela missão nada compreendida. Era tempo de indiferença e apostasia no Reino do Norte, e combater a descrença e a idolatria reinantes fomentadas por líderes maus, como Acabe, Jezabel e outros, era uma tarefa quase impossível de se fazer.

Mas o verdadeiro profeta não pode se calar frente ao indiferentismo uma vez que ele é o portador da Palavra e fala em nome de Deus. Querendo ou não, recusando ou aceitando, o profeta fala. Fala apelando para o coração, com otimismo, esperando que haja uma mudança, uma volta para Deus.

O profeta fala mesmo que não seja ouvido, aponta para Deus mesmo quando o coração do povo aponta para os ídolos; esforça-se para ser entendido com o carisma de sua linguagem, crendo que o "Espírito de Deus no espírito do homem faz com que a palavra do homem se transforme em palavra de Deus".

Mas a missão não é fácil. E o profeta que tão insistentemente teimou em falar de Deus, agora triste, contempla o povo no castigo anunciado: "Por isso o SENHOR rejeitou todo o povo de Israel; ele os afligiu e o entregou nas mãos de saqueadores, até expulsá-lo da sua presença" (2Rs 17.20-NVI). A partir daí o profeta nada mais pode fazer a não ser lamentar: "Fizeram males que provocaram o SENHOR à ira" (v.11b).

A vocação profética não era para todos. Aceitar tamanho compromisso com uma missão nem sempre simpática não era atraente. Falar e não ser ouvido era o que Deus prometia àqueles a quem vocacionava. Parecia até mesmo ser incoerente com a atividade que é o uso da linguagem. Mas essa é a motivação: "Vá, e diga a este povo: Estejam sempre ouvindo, mas nunca entendam; estejam sempre vendo, e jamais percebam" (Is 6.9-NVI). Então o servo sai como que falando ao vento, apelando para o nada!

Como entender os ouvintes da mensagem? Como compreender um povo que a cada dia vai se afastando de Deus, acumulando para si pecados e mais pecados? O que esperar de um povo que não faz conta de Deus e que não tem interesse nenhum por suas palavras? O que falar para quem não tem disposição de ouvir? A verdade neste aspecto é uma só: o povo não quer ouvir a Deus! E o próprio Deus denuncia: "Esse povo é rebelde; são filhos mentirosos, filhos que não querem saber da instrução do SENHOR" (Is 30.9-NVI). E a missão do profeta chega ao cúmulo da rejeição: "Eles dizem aos videntes: Não tenham mais visões! e aos profetas: Não nos revelem o que é certo! Falem-nos coisas agradáveis, profetizem ilusões" (v.10).

Que lamentável! E pensar que era por volta do ano 740 a.C. Neste tempo o homem já era o que é: alguém que quer ser iludido. Quer ouvir o que "gosta" e não o que "precisa". A "instrução" do Senhor não soa bem aos ouvidos; ser "confrontados com o Santo de Israel" (v.11) não é o interesse marcado; querem coisas "agradáveis", querem "ilusões". Parece que é hoje!

A difícil missão de ontem é a missão quase impossível de hoje. Mas não estamos sem aviso. Paulo afirmou algo assim: "O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios" (1Tm 4.1). O tempo é hoje, e o apelo do apóstolo para nós é este: "Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos" (2Tm 4.2-3). Ou seja, o que se quer ouvir é a mesma ilusão dos tempos do profeta Isaías. Paulo parecia conhecer bem este fato: "Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos" (v.4). É a triste realidade desse tempo!

Como ser profeta da verdade quando a mentira é o que se quer ouvir? Como falar em nome de Deus se é ao Diabo que eles abrem os ouvidos? Como fazê-los entender a diferença de ouvir o que "quer" pelo ouvir o que "precisa"? É quase desanimador, admito. Mas Jesus teria fracassado se diante da debandada de quase vinte mil por ocasião de sua verdade falada à multidão preocupada apenas com a saciedade imediata de pães e peixes perecíveis (João 6) tivesse se desanimado. Sempre vão existir aqueles que dirão para a nossa motivação: "Para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna" (Jo 6.68).

"Palavras de vida eterna", é o que o profeta deve comunicar mesmo quando a preferência é pelas ilusões do aqui e do agora. A verdade é comprometedora e incondicional; as ilusões podem ser agradáveis e até satisfatórias, por algum momento. Mas o profeta sempre, mesmo na indiferença dos que ouvem, sustentará uma Palavra que, a despeito de sua rejeição, é a melhor esperança para quem nela se agarra, é o alicerce irremovível para quem quer construir um futuro certo!

O FANATISMO DAS OBVIEDADES


Acontecimentos do cotidiano fizeram-me pensar o artigo de hoje, e então, partindo do pressuposto de que o óbvio nem sempre é tão óbvio e de que o novo não está no que é simplesmente novo, mas na iminência imprevisível de sua volta, insisto em comentar o que nem sempre fica dito quando escrevo sobre determinado assunto. Desta forma, volto a escrever a respeito do fenômeno religioso, mas especificamente sobre o fanatismo religioso. Sei que a expressão fanatismo não está vinculada apenas com a religião, contudo, costumeiramente ela está mais associada com o espectro religioso. Existem diversas formas de fanatismo, de política a futebol, e em todas elas existe um ingrediente indispensável para a sua manutenção: a irracionalidade.

O fanatismo não se sustenta por muito tempo sem a irracionalidade. A sua força motriz é sempre a falta de senso crítico, aliás, este fenômeno se estabelece numa dialética ambígua de falta e excesso; numa falta constante de raciocínio lógico e num excedente alucinógeno de crença. É a partir desta relação que surgem os fatos cômicos e trágicos do fanatismo religioso. O fanatismo religioso provoca a descaracterização do indivíduo, que, em outra análise, é uma forma de desumanização religiosa. A submissão a qualquer espécie de ideologia é conhecida como assujeitamento ideológico, assujeitamento porque as ideologias constituem os indivíduos em sujeitos, e este processo acontece quase sempre de forma pacífica, sem contradição, e quando assim acontece não existe interação, diálogo, e o que se estabelece então é uma relação de poder, onde as convenções da ideologia dogmatizam a vida do sujeito.

Na maioria dos casos, esta relação de subserviência anula ou descaracteriza a identidade do sujeito, porque quando não há vontade própria, há dependência, e a dependência desmesurada induz o sujeito ao fanatismo. Nietzsche sabia o que dizia quando sentenciou que o fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos, porque só os fracos se rendem de forma inconsciente às ideologias. Não obstante a isto, as ideologias falham, e conforme Pêcheux argumenta, o sujeito se desidentifica. As ideologias falham porque são humanas, logo, posso invariavelmente me desidentificar com algo que não permanece, mas facilmente desvanece. Como seria libertador para os fanáticos se eles entendessem que a contradição faz parte da nossa constituição enquanto sujeitos, que não existe uma identidade pronta(Foucault), mas, a construímos com o tempo, com a divergência dos saberes, e que, portanto, o sujeito é heterogêneo, múltiplo e mudável.

Em contraponto a tudo isto, a boa religião revela que o Jesus dos evangelhos não está à procura de seguidores fanáticos, embora ele os tenha e o sistema religioso os preiteiam. Jesus não estimula a subserviência, embora ele seja conhecido como servo e a religião como senhora. Jesus não doutrina a vida das pessoas, embora ele repreenda os homens em seus delitos e a religião os mandam para o inferno. Com seus atos, Jesus desvendou Sua identidade para nós, se identificando com os fracos e se desidentificando com os opressores. Para os fracos, ele era a força, para os fortes ele era o confronto, e neste ponto, preciso discordar de Nietzsche, porque o fanatismo não é a única forma de força de vontade acessível aos fracos, existe uma outra força acessível aos fracos, que transcende o fanatismo de Niet, e nesta Força os fracos se fortalecem.

Chego ao final deste artigo com a sensação de estar falando sobre alguma obviedade, mas, se tenho permissão para ser fanático nesta vida, digo-lhe então que sou fanático por obviedades. Ademais, como não poderia deixar de acrescentar, acredito numa outra característica do fanatismo, que é provocar o cansaço, sendo assim, quem sabe eu não me canso de falar sobre tantas obviedades e deixo de uma vez por todas de ser fanático por qualquer coisa que seja, inclusive por esta que é tão comum a nós, a religião. Deus abençoe vocês.

A TENTAÇÃO E AS FOMES


A cena é conhecida. Fala-se dela há muito tempo. Fascina, causa estranheza e temor. Basta ler as primeiras palavras e as imagens nos vêm já convertidas em filmes mentais, inspiradas em versões cinematográficas de outros. Jesus, com o rosto sofredor ou um olhar perdido para os céus, num lugar ermo qualquer, e um homem a representar o diabo, saltitante ao redor, sorrisos histéricos, olhar pontiagudo de maldade a sugerir-lhe que transforme pedras em pães.

Os três evangelistas afirmam a mesma coisa: Jesus esteve quarenta dias e quarenta noites naquele lugar, em jejum. Lucas e Marcos dizem que foi tentado ao longo de todo este período. Marcos, lacônico, acrescenta que estava entre feras, mas os anjos o serviam e isso é tudo que diz sobre o episódio. Mateus e Lucas afirmam que ao final deste período teve fome. Óbvio, você diria. Não estava ali um faquir, um ET, uma múmia, um comedor de luz como alguns hoje se intitulam, nem um anjo, era um homem.

Estar no deserto não significa apenas um lugar distante, sem condições de sobrevivência, quer dizer, acima de tudo, estar só, sem possibilidade de ajuda dos seus. Autenticar-se, construir-se, gerar uma identidade, pode até usar materiais dos ancestrais, do entorno, mas é sempre um trabalho solitário. Você luta, como Ele, contra você mesmo. Na verdade, contra as forças indomadas em você, espicaçadas por desejos sem freio, loucos para se realizarem agora. A tentação é filha do desejo. As fomes várias, o anseio vário, as tendências, as verdades, as certezas, a fé. Quais serão as suas que, afinal, dirão quem você é?

A palavra em Mateus anago=levado (pelo Espírito - 4.1) metaforicamente aponta para alguém que zarpou de um porto, fez vela, lançou-se ao mar. Esta viagem não tem volta. Não no mesmo instante. Quem é o mesmo depois de tantos portos e paisagens? Ali Ele se definiria irremediavelmente como o Cristo. Apenas porque rejeitaria a sugestão diabólica? Por que não lhe obedeceria? Tenho dificuldade de aceitar esta interpretação. Parece-me por demais simples. Onde está o motivo para pecar?

Técnicos afirmam que uma pessoa agüenta, em média, 60 dias em jejum. O problema é que o corpo se devora a si mesmo e morre-se de outras complicações. Certamente satisfazer ao corpo faminto não era (não é) pecado. A questão é quando isso substitui um ato maior. A entrega absoluta ao Espírito não havia acabado. Tomar as rédeas quando estas são determinadas pelo instinto de sobrevivência, pela fome que doía, pela necessidade de se salvar, não seria entrega. Seria razoável, um corpo em quarenta dias de jejum, convenhamos, estar às portas da morte. Há razões maiores que se impõem, diriam os teólogos, mais espirituais. Pode ser.

Quero, neste momento, falar daquelas razões que nos desconstroem, às quais nos entregamos em substituto de outro algo faltante. A diferença do remédio para o veneno, diz-se, é a dosagem. O pecado, o perder-se, acontecem nas coisas comuns, banais mesmo. Comer é saudável e necessário, mas desagregações internas na alma fazem o sujeito comer demais ou não comer. É interessante como isso afeta, mental e fisicamente, a imagem de si. Nas ciências da mente chamam estes problemas de transtornos alimentares. Mas comer ou jejuar é apenas a ponta do iceberg.

O que se torna pecado ou doença no ato é a exacerbação de algo natural e normal, mas que foi corrompido por outra necessidade que, no caso, comer não supriria. Então, sugiro, a questão lá no deserto como aqui, se trata de um tipo de controle – que se sustenta na submissão – que no caso dEle – e deve ser o nosso também – não deve se fiar em si mesmo ou nos sinais mentais e/ou corporais que nos dizem aos gritos que algo precisa ser feito, uma necessidade precisa ser suprida. Haverá sugestões de fórmulas espirituais, remédios, meditações, imprecações, mantras, contra o diabo, esconjuros, para um se safar. Mas ele, com toda sua astúcia, está lá fora. Aqui, na intimidade, estamos nós sozinhos. Ele aponta e avulta os desejos, subverte-os com manjares coloridos. Fotografia de comida Fast Food. Dá água na boca, não dá? A resposta de Jesus é mais que espiritual no sentido religioso do termo, é realista: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mt 4.4)

Comeremos palavras? Palavra, normalmente, se vomita em verborragias incontroláveis, vendo da nossa perspectiva. Mas se come palavras, sim. Aqui diferem diametralmente o realista de fé do religioso. Aquele não tem ilusões de atalhos. Tem um saber cristalino sobre si, seus limites e sua fome. Sua percepção não tremeluz se falta luz, pois apenas um sentido lhe será bastante para notar o engano. É porque não confia na imagem aparente que os sentidos produzem. Já o religioso, fia-se em sua condição de guardar dias santos, fazer obrigações e realizar purificações rituais. Estriba-se em sua condição legal ou casta. Refestela-se com o próprio saber. Morrerá como peixe.

Ora, o realista de fé, sabe que pedra sempre será pedra e ainda que tenha o poder de transformá-la em pão, não o fará não porque não possa, mas porque sabe que submeter-se ao desígnio de Deus pede a ação completa e cabal dEle, nunca daquele que se submete. Todo este poder contido é deixado aos pés daquEle que o convoca e mesmo ante a iminência da morte, não será usado. O desafio maior se coloca porque em Jesus há uma dinâmica que demanda a utilização do poder. Ele não foi simplesmente depositado aos pés do trono, enquanto Ele esperava passivamente uma ordem. Ele está em movimento e o cosmo inteiro se movimenta ao lado e em sentido contrário.

Conosco é assim também. A fortaleza de um será testada no movimento. Nas incontáveis ofertas que se nos mostram ao lado e que cutucam nossos mais primitivos instintos. São todas armadilhas que a um toque, despertarão o vil em nós. Como na mesa posta no filme “O labirinto do fauno”. A menina fora alertada pelo fauno de que não deveria tocar em nada da mesa ornada com todo tipo de alimento desejável, sob pena de acordar o monstro (Homem pálido). Ela não resiste e seu ato termina por matar duas fadas que a acompanham. A conseqüência, além da morte de inocentes, é que ela se torna indigna de se tornar quem de fato era, uma princesa.

O BELO E AS FERAS


Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si. Ele foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades. Por toda parte andou fazendo o bem. Dolo nenhum se achou em suas mãos.

Sendo Deus se fez homem. Sendo Rei se fez servo, sendo rico se fez pobre. Ele não nasceu nos Palacetes de Roma, numa torre de marfim ou em algum berço de ouro da Judéia. Logo cedo ali estava ele perto dos marginalizados, dos pobres e perseguidos da sociedade. Seu nascimento é o beijo de Deus no coração da humanidade, é a declaração de amor mais linda e honesta já feita em toda a nossa historia. A história de um Deus apaixonado, que parte ao encontro dos seus amados.

Sendo amigo, foi traído, negado e abandonado. Sujou os pés e as mãos. Aos olhos de Deus, ele era o delicado rebento duma planta, que brota duma raiz numa terra seca e estéril. Mas aos nossos olhos não tinha atrativo nenhum, nada que nos fizesse interessarmo-nos por ele. Era um homem de dores experimentado nas mais amargas provações. Mas nós voltávamos as costas quando passava, amamos mais as trevas do que a Luz. Contudo ele tomou verdadeiramente sobre si as nossas enfermidades; e os nossos sofrimentos pesaram sobre ele. Ele foi oprimido, caluniado e humilhado. Mas como um cordeiro manso foi levado à morte; e como uma ovelha muda, não abriu a boca nem tão pouco revidou. Nunca disse uma palavra de revolta ou de lamento. Da manjedoura ao calvário, ele nos amou.

Ele é a face humana do Criador. No seu olhar estava o amor e o perdão. Na sua voz estava à autoridade e em suas mãos o afago do dono do mundo e a cura dos médicos dos médicos. Espírito do Senhor estava sobre ele, para dar boas novas aos pobres, aos perdidos e desesperançados, proclamar libertação aos cativos e dar vista aos cegos. Os céus bradavam para saúdá-lo, anjos, arcanjos, querubins e serafins o serviam na Glória. Mais ele fez da terra um palco do seu amor. Na sua encarnação o Eterno fez morada em nosso meio e visitou o tempo. Mas não há um justo, um justo se quer. Todos nós somos pecadores e carentes da Glória de Deus. Por isso, nós o tratamos como um criminoso, o ferimos de morte e o coroamos com espinhos.

Meu vocabulário é pobre para descrever sua imensurável beleza. Mas nem se fossemos capazes de criar novos alfabetos e línguas, nos seria possível descrever sua doçura e formosura. É tão assombrosa sua beleza que arte ou poeta algum poderia descrevê-la na sua plenitude. Cabe-nos a luz de sua visita graciosa inspirar nossos corações. E a sua semelhança sujarmos nossos pés, amar as feras. E acreditarmos que a utopia do homem pode e dará certo!

O VALOR DA INTEGRIDADE


Um dos maiores perigos que todo ser humano tem de enfrentar é o de perder sua própria identidade. Alguém já disse que quando não sabemos quem somos, todo o restante simplesmente perde o sentido. Este parece ser o mal do qual sofre boa parte dos cristãos da atualidade, especialmente pastores e líderes. Não sabemos mais quem somos e muito menos a que viemos. Por isso, esforçamo-nos a responder perguntas que ninguém está fazendo.

O conceito de que a Igreja é uma sociedade cooperativa que existe para beneficiar seus não-membros tem sido esquecido nestes dias. As paredes de algumas de nossas igrejas tem se tornado cada vez mais grossas e duras. No lugar de ser sal da terra e luz do mundo neste mundo, preferimos nos fechar dentro de nossas vidas comunitárias, produzindo luz e sabor apenas para nossos próprios olhos e paladares

Pensar, portanto, em quem somos ou quais são as nossas prioridades, é fundamental, se quisermos fazer alguma diferença ao nosso redor. Se não buscarmos esse entendimento, mesmo que saiamos ao mundo, não vamos saber o que falar a ele, pois não saberemos qual a nossa identidade nem para que servimos. É preciso refletir: afinal, para que somos chamados?

Nossa principal prioridade e chamado é viver em comunhão com Deus. Somos chamados para pertencer a Jesus Cristo. Tudo o que fazemos em Sua obra santa é resultado desse envolvimento, nunca um meio para garantir o favor de Deus ou dos homens. Lutero, o reformador alemão, entendia que a principal motivação do ministro é permanecer em comunhão com Deus através da oração e meditação em Sua Palavra. Desta intimidade com Deus brotava toda a ação pastoral. Quando deixamos esta atitude de lado, rapidamente passamos a depender apenas de nossos próprios esforços. E, ao fazer isso, trocamos o auxílio do Espírito Santo por técnicas de marketing muito bem produzidas. Afinal, se isto tem enchido igrejas, por que mudar?

Existe em nossos dias o perigo extremo do profissionalismo tomar o lugar do ministério. Vivemos numa época onde o culto à personalidade tem se infiltrado na Igreja, fazendo de alguns verdadeiras celebridades cristãs. São os “grandes servos de Deus”, um paradoxo ao qual nos damos direito. Os cultos já não são centrados em Jesus, mas sim em pessoas. As palavras de João Batista, “convém que Ele cresça e que eu diminua”, já não têm validade para muitos.

O que precisamos entender de fato e de uma vez por todas é que sucesso não significa necessariamente aprovação de Deus. O mundo apresentou um conceito de sucesso à Igreja que foi absorvido por ela. Hoje, pastores são medidos pelo tamanho de suas igrejas e não pelos frutos de amor, fé e alegria que seus membros evidenciam. O importante, para alguns, é contar quantos nomes estão fichados no rol de membros de suas igrejas (e, talvez, mais importante: saber quantos são dizimistas), sem se importar em conhecer quem são estas pessoas ou quais dificuldades elas enfrentam. É bom lembrar que quando Paulo elogiava uma igreja, ele sempre fazia referência à presença dos traços do caráter de Jesus nela, porque é isto o que importa.

Quando este entendimento norteia a nossa vida cristã, pouco importa a luta enfrentada. Sabemos quem somos. E, mais importante, a quem pertencemos. A questão principal, então, é a presença ou não em nossas vidas de uma integridade diante de Deus e dos homens. Quando ela existe, tudo o que fazemos, seja na igreja, em casa ou no trabalho secular, tem o brilho da eternidade.

Trabalhar na obra de Deus nunca foi fácil. E, dentre as inúmeras dificuldades enfrentadas, está o perigo de esquecer que não somos Deus, e Ele não precisa de nós. Muitos pastores, que negligenciam suas famílias em função de uma suposta chamada para a obra de Deus, fazem isto por não terem consciência desta verdade. Infelizmente, famílias são destroçadas em nome de um deus mesquinho e exigente, que dá aos seus servos um fardo que ninguém pode suportar: buscar sua aprovação mediante trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, sem direito a descanso.

O Deus do Evangelho não é assim. Pelo contrário, é Ele mesmo quem convida seus servos ao descanso e dá a eles um fardo leve e suave. Buscar a integridade envolve confiar que este descanso que Deus nos oferece é o que nos leva a não inverter prioridades em nossa vida.

O texto de uma das cartas às igrejas no Apocalipse, muito usado em pregações evangelísticas, fala de Jesus batendo na porta, querendo entrar a fim de manter comunhão. Esquecemo-nos de que estas palavras e esta atitude de Jesus foram dirigidas à cristãos. Somos nós que estamos doentes. Somos nós que precisamos desesperadamente da graça de Deus. No entanto, muitas vezes, trancamos o médico do lado de fora de nossas vidas. Ele bate desejando entrar, mas nós não O ouvimos.
É preciso repensar a razão de nosso ministério cristão. Se não pararmos para verificar se Jesus está presente, inverteremos nossas prioridades e colheremos os frutos amargos de quem não soube ser íntegro em Deus.