FICAMOS ALEGRES COM SUA VISITA

ESPERAMOS, QUE COM A GRAÇA SANTIFICANTE DO ESPIRITO SANTO, E COM O DERRAMAR DE SEU AMOR, POSSAMOS ATRAVÉS DESTE HUMILDE CANAL SER VEÍCULO DA PALAVRA E DO AMOR DE DEUS, NÃO IMPORTA SE ES GREGO, ROMANO OU JUDEU A NOSSA PEDRA FUNDAMENTAL CHAMA-SE CRISTO JESUS E TODOS SOMOS TIJOLOS PARA EDIFICACÃO DESTA IGREJA QUE FAZ O SEU EXODO PARA O CÉU. PAZ E BEM

AGRADECIMENTO

AGRADECEMOS AOS NOSSOS IRMÃOS E LEITORES, POR MAIS ESTE OBJETIVO ATINGIDO, É A PALAVRA DE CRISTO SEMEADA EM MILHARES DE CORAÇÕES. PAZ E BEM

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O MAPA DO FRACASSO



Ricardo Gondim

Paul Krugman ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2008. Depois, passou a escrever para o jornal “The New York Times”. Em “A Desintegração Americana” (Editora Record), Krugman relata os caminhos que levaram uma economia próspera à bancarrota. A orelha do livro avisa que Krugman “examina como a exuberância cedeu lugar ao pessimismo, como a era dos heróis empreendedores foi substituída pela dos escândalos corporativos e como a responsabilidade fiscal entrou em colapso”. Publicado originalmente em 2003, parece um mapa para o fracasso que agora assombra o mundo inteiro.

O capítulo 1 começa com um texto de 29 de dezembro de 1997, que pergunta o que o mercado andava tramando. Busca saber como “homens e mulheres inteligentes -- e devem ser inteligentes, porque se não fossem, como ficariam ricos? -- podiam fazer tanta bobagem”. Krugman previu que o andar da carruagem da economia acabaria no barranco. E, ironicamente, sugeriu sete posturas para precipitar o mercado no despenhadeiro. Ei-las:

1. Pense a curto prazo. Não projete, não raciocine, para cinco anos. Descarte esse tipo de projeção como excessivamente acadêmica, portanto, desprezível no mundo dos negócios.
2. Seja ambicioso. Tenha como objetivo ganhar e ganhar. Não considere que existam limites para a subida de ações na bolsa. Tente abocanhar os mínimos percentuais das pequenas variações do mercado.
3. Acredite que existe sempre alguém mais tolo do que você. Despreze os outros. Há pouco tempo o mundo corporativo trabalhava com a lógica de que suas estratégias eram seguras porque “sempre haverá alguém suficientemente estúpido para só perceber o que está acontecendo quando for tarde demais”.
4. Acompanhe a manada. Não ouça as vozes discordantes. Pelo contrário, “as poucas e tímidas vozes antagônicas” precisam ser ridicularizadas e silenciadas.
5. Generalize sem limites. Crie preconceitos. Gere reputações. Condene ou louve instituições e pessoas por critérios difusos e subjetivos.
6. Siga a tendência. Procure ver o que está dando certo, copie acriticamente e espere que os resultados se repitam com você.
7. Jogue com o dinheiro dos outros. Preserve sua carreira e tente progredir com o capital alheio.

Os sete pontos de Krugman valem para qualquer outra atividade humana, inclusive a religiosa. Ao detalhar a rota do desastre, ele talvez não tenha atinado para sua pertinência entre os evangélicos. Nem todos os líderes são lobos predadores; muitos não passam de vítimas de um sistema perverso que conspira contra eles. Como cordeiros equivocados, caminham para um matadouro armado pelo sistema que a Bíblia chama de mundo.

Evangelismo a curto prazo compromete a próxima geração. Diversos pastores, ávidos por sucesso, agem como pescadores predatórios. Existem diversas maneiras de pescar: tarrafa, rede, anzol. Cada jeito produz diferentes resultados. Talvez o mais eficaz seja com dinamite: localiza-se o cardume, detona-se a bomba e logo boiarão milhares de peixes. O problema com esse tipo de pesca é que ela destrói o rio para a próxima geração. O barco fica cheio, mas o neto do pescador não conseguirá tirar seu sustento do rio. A sede de lotar o auditório pode transformar o pastor em um pragmático irresponsável, que repetirá: “Não é possível que esteja errado, crescemos como nenhuma outra igreja”. As patacoadas milagreiras, a repetição enfadonha de chavões, as bizarrices sobrenaturais que se observam em muitas igrejas não passam de dinamite que garante o barco repleto no próximo domingo, mas o rio religioso estará vazio no futuro.

Ambição não se restringe à esfera financeira. Alexandre, o Grande, Hitler e tantos outros falharam porque não souberam dizer “basta”. Cobiça existe inclusive entre os sacerdotes. A pretensão de alcançar o mundo, tornar-se o evangelista famoso que afeta uma geração é luciferiano na essência. Muitos pastores perderam a alma nesta busca.

Ao acreditar que só os ingênuos procuram os ambientes religiosos, eles desprezam os auditórios. Pastores repetem as mesmas ilustrações, narram histórias fantásticas inventadas como milagres e pregam sermões ralos. Porém, se permitem este desdém porque se acham mais espertos que os seus ouvintes. Mal sabem que, nas conversas em pizzarias, são ridicularizados pelos jovens.

Acompanhar a manada significa contentar-se com o “status quo”. A posição morna dos muristas que Deus vomitará de sua boca. O mimetismo religioso acontece porque muitos têm preguiça de perguntar a verdade que alicerça o que está sendo feito.Criam-se fronteiras para definir com precisão quem está dentro e quem está fora. Os que estão fora são tratados com desprezo. Preconceitos se formam para que não haja culpa quando for preciso apedrejar.

Ao seguir tendências, modismos passam a ser tratados como projetos que deram certo devido à aplicação de “princípios universais”. Indolentes, repetem o chavão: “Nada se perde, nada se cria, tudo se copia”. Da mesma maneira que os financistas que atolaram o mundo nesta crise, muitos sacerdotes não se dispõem a apostar seu capital nas muitas empreitadas em que se metem. Mobilizam o povo a pagar a conta de seu ufanismo desvairado.

O mundo corporativo e financeiro foi irresponsável por anos. Deflagrou uma crise econômica sem precedentes, queimou trilhões de dólares com socorro a bancos e colocou milhões de trabalhadores na rua, provocando mais miséria. Muitas igrejas seguem os mesmos passos, que talvez gerem um desastre igual ao do mercado financeiro.

“Soli Deo Gloria.”

A RESPEITO DA ESCRAVIDÃO


1.
Ninguém é livre. Todos são escravos. O que muda é o senhorio. O homem e a mulher, o jovem e o adulto, o crente e o descrente -- ninguém faz exatamente o que deseja. Todos agem pela força de impulsos dominantes que se alternam na mente de cada um. Paulo explica esse fenômeno: “A carne deseja o que é contrário ao Espírito: e o Espírito [deseja] o que é contrário à carne. Eles [a carne e o Espírito] estão em conflito um com o outro, de modo que ‘vocês não fazem o que desejam’” (Gl 5.17).

2.
Chama-se de carne a natureza pecaminosa que acompanha e persegue o ser humano desde a queda. Trata-se de uma dificuldade nata que arrasta a pessoa para baixo. Para designar a carne, usa-se, no vocabulário cristão, a expressão “pecado residente”. A literatura secular refere-se ao mesmo problema, com expressões diferentes, embora sinônimas: “o lado ruim”, “o lado animal”, “o lado crápula”, “o lado diabólico”, “a parte maldita”, “o fantasma interior” etc.

3.
Chama-se de Espírito a terceira pessoa da Santíssima Trindade, o “outro consolador”, aquele que Jesus prometeu enviar após sua ascensão (Jo 14.16-18). O Espírito ocupa o coração do pecador que se converte a Jesus e assegura sua salvação. O ministério do Espírito dentro do coração do crente é consolar, santificar, guiar, consolidar a salvação e garanti-la, tornar Jesus cada vez mais conhecido e produzir frutos saudáveis e contrários às obras da carne.

4.
Por serem assumidamente opostos, a carne e o Espírito contendem entre si. O crente será escravo da carne ou do Espírito. No primeiro caso, ele é chamado de crente carnal; no segundo, de crente espiritual (1Co 3.1). Quando carnal, ele se envolve com obras próprias da natureza humana, como inimizades, brigas, inveja, imoralidade sexual etc. Quando espiritual, ele se envolve com frutos próprios do Espírito, como amor, paz, bondade, domínio próprio etc. (Gl 5.19-24).

5.
Enquanto no Egito, o povo eleito era escravo de Faraó. Os egípcios “os sujeitaram a cruel escravidão. Tornaram-lhes a vida amarga, impondo-lhes a árdua tarefa de preparar o barro e fazer tijolos, e executar todo tipo de trabalho agrícola” (Êx 1.13-14). Enquanto no deserto e na terra prometida, o mesmo povo eleito era escravo do Senhor. Está escrito: “Os israelitas são escravos do Senhor Deus, que os tirou do Egito; eles não deverão ser vendidos como escravos” (Lv 25.42, NTLH). A primeira escravidão é opressora; a segunda, libertadora.

6.
Jesus declarou que “todo aquele que vive pecando é escravo do pecado, [mas] se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres” (Jo 8.31-36). Todavia, o crente só é livre do pecado quando se torna escravo do Senhor. Paulo explica que “ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou [de lá] para o Reino do seu Filho amado” (Cl 1.13). Os crentes são libertos de um reino (o domínio das trevas) para outro (o domínio da luz). A escolha que se faz é entre esses dois reinos.

DEUS GOSTA DA PERFEIÇÃO


A cada ato de criação, Deus fazia uma pausa e observava o que havia feito. Então ficava satisfeito, porque tudo havia saído a contento. A expressão “E Deus viu que ficou bom” aparece seis vezes no capítulo da Bíblia que relata a criação dos céus e da terra. Depois de tudo pronto, o Gênesis registra que “Deus viu tudo o que havia feito e tudo havia ficado ‘muito’ bom” (1.31).

Se Deus não gostasse da perfeição, estaríamos diante de um Deus estranho, um Deus cujas obras poderiam ser melhoradas. E porque ele é perfeito, a criação e a criatura, originalmente parecidas com ele, deveriam ser perfeitas. Essa ordem foi dada por Deus ao povo eleito durante o êxodo: “Sejam santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44). Pedro repassa esse mandamento para o seu rebanho: “Assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: ‘Sejam santos, porque eu sou santo’” (1Pe 1.15-16). No Sermão da Montanha, Jesus ordena a mesma coisa: “Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (Mt 5.48).

Apesar do coração “cheio de maldade e de loucura durante toda a vida” (Ec 9.3), apesar do estorvo sempre presente da pecaminosidade latente (Rm 7.21), apesar da correnteza em sentido contrário, da sociedade no meio da qual se vive (Ef 2.2), e apesar das potestades do ar e do “número tremendo de maus espíritos no mundo espiritual” (Ef 6.12, BV) -- a ordem explícita é: “Escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem” (1Jo 2.1).

Embora muito paciente, gracioso, misericordioso e perdoador, Deus é muito exigente. O Decálogo e o Sermão do Monte comprovam isso. Os animais sacrificados como oferta pelo pecado deveriam ser sem defeito. Não podiam ser cegos, aleijados, tomados de úlceras, sarna e outras doenças de pele. Não podiam ter seus testículos machucados, arrancados ou cortados (Lv 22.17-25). O sacerdote, além da perfeição moral, não poderia ter defeitos físicos, como qualquer aleijão, pernas ou braços quebrados, corpo deformado etc. Não poderia ser cego, corcunda, anão nem castrado (Lv 21.17-24). O apego à perfeição de Deus exige perfeição de tudo e de todos. A expressão “sem defeito” é quase enfadonha: aparece algumas dezenas de vezes especialmente em Levítico, Números e Ezequiel.

Temos um Sumo Sacerdote sem defeito. Ele é santo, inculpável, puro e separado dos pecadores. Ao contrário de todos os outros, “ele não tem necessidade de oferecer sacrifícios dia após dia, primeiro por seus próprios pecados e, depois, pelos pecados do povo” (Hb 7.26-27).

A perfeição de Deus incomoda o ser humano. Deixa-o admirado e envergonhado. Esse constrangimento pode levá-lo a Cristo, que amou a igreja e entregou-se por ela para santificá-la e “apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável” (Ef 5.25-27).

Mesmo não alcançando neste corpo e neste mundo a plenitude da perfeição, os crentes devem amar a perfeição como Deus a ama e colocá-la como alvo a ser perseguido. Devem também saber de antemão que, quanto mais perfeitos se tornarem, mais imperfeições encontrarão em seu peito.

O PAPEL DA MULHER NA CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE


Isabelle Ludovico da Silva

Deus criou uma natureza deslumbrante, uma profusão de formas, cores, cheiros, texturas, sabores e sons, para o nosso deleite. O ápice de sua criação foi o ser humano. Ele criou macho e fêmea à sua imagem e lhes deu autoridade sobre a terra. Porém, a ambição de ser igual a Deus os levou a usar o conhecimento a serviço desta ânsia pelo poder. Assim, rompeu-se a parceria com Deus, entre eles e com o resto da criação.

Adão assumiu o controle, chamou sua companheira Eva, que significa “mãe”, e a confinou ao espaço do lar, enquanto ele, sozinho, se encarregava de construir o mundo. Sua escolha por privilegiar o racional e o pragmático em detrimento do afetivo gerou um mundo muito desenvolvido do ponto de vista tecnológico, mas doente no aspecto relacional. O ser humano está desintegrado e construiu um sistema injusto em que a concentração de renda e poder produz cada vez mais excluídos, condenados à miséria. Os recursos naturais foram dilapidados para aumentar o lucro de alguns em detrimento da maioria, colocando em risco nossa própria sobrevivência.

A recente emancipação feminina abriu à mulher a possibilidade e a responsabilidade de afirmar a importância do ser humano e da paz, fruto da justiça. A vocação da mulher é gerar a vida e contribuir para sua conservação. Por meio da razão, o homem enxergou um mundo linear, fragmentado e excludente. Com os olhos do coração, a mulher apreende o mundo em sua totalidade, com todas as partes interligadas e interdependentes. Esta visão sistêmica é essencial para percebermos as consequências das nossas ações e precisa se traduzir em ações práticas. A pioneira do movimento ecológico foi uma mulher. Em 1962, Rachel Carson denunciou o efeito nefasto dos pesticidas em seu livro “Primavera Silenciosa”.

Morei um tempo em João Pessoa, na Paraíba, onde a natureza exuberante está sendo destruída pela ignorância e pela miséria. Pessoas sobrevivem enfiando a mão nos lixos domésticos com risco de ferir-se e contaminar-se. Vão jogando ao redor os restos, que o vento espalha. A caminho da praia, frequentemente encontrava fraldas sujas e plásticos que entopem o estômago das tartarugas que vêm desovar ali. Perto do Natal, fizemos um mutirão de limpeza e decoramos uma palmeira com a sucata que juntamos. Queríamos denunciar o descaso dos banhistas e a omissão da prefeitura. Aliás, diante da reivindicação por lixeiras, o prefeito declarou não gostar de lixeiras porque elas atraem lixo! O dono de um bar que fica em uma das dez praias mais lindas do Brasil respondeu que não precisa de lixeira porque o mar se encarrega de limpar!

A mulher acompanha a formação das crianças no dia-a-dia. É ela quem pode ensiná-las a não desperdiçarem a água do banho fechando a torneira enquanto se ensaboam e a fazerem as compras do supermercado com sacolas reutilizáveis. Parecem detalhes, mas pequenos atos praticados por muitos fazem uma grande diferença. É com nossas atitudes em relação ao semelhante e à natureza que demonstramos respeito, generosidade e solidariedade. Infelizmente, estes valores bíblicos geralmente são ignorados na igreja, onde focalizamos a moral sexual e nos esquecemos o chamado para sermos carvalhos de justiça, porta-vozes dos vulneráveis e mordomos dos recursos que Deus nos confiou para sinalizar o seu reino. Esta ética da reconciliação e do cuidado com o ser humano e com a natureza não é uma opção -- é a essência do cristianismo. “Ethos” significa “modo de viver”. A palavra nos lembra que, sem esta conversão, nossa oração é inútil.


• Isabelle Ludovico da Silva, francesa de nascimento e brasileira de coração, é psicóloga e terapeuta sistêmica. Aprendeu com a filha a separar o lixo e com o filho um estilo de vida mais simples.

COMEMORAR OU LAMENTAR


Nancy Gonçalves Dusilek

Mulheres bem-sucedidas, mulheres violentadas. Mulheres com altos salários, mulheres sem salário. Mulheres com diplomas, mulheres analfabetas. Mulheres com filhos saudáveis e em boas escolas, mulheres com muitos filhos e sem perspectiva de vida. Mulheres bem casadas e amadas, mulheres abandonadas pelos consortes. Mulheres estruturadas emocionalmente, mulheres precisando de ajuda. A lista é longa e sempre inclui mulheres.

Ao criar a mulher, Deus fez uma ajudadora idônea, ou seja, adequada e competente. A palavra “ezer”, que significa “ajuda”, é usada várias vezes no Antigo Testamento, mas nunca se referindo a um ajudador subordinado. Vejamos este exemplo: “Elevo os meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro (‘ezer’)?” (Sl 121.1-2). A preposição “neged” significa “apropriado para”. Assim, “ezer” + “neged” significa “apropriado” e “competente”. Além disso, Deus formou o homem primeiro e descobriu que ele estava só. Então o fez dormir e criou a mulher. Nisso vemos a beleza do tratamento de Deus para conosco. A mulher conheceu a Deus antes de conhecer o homem. Foi Deus quem apresentou um ao outro. A relação ser humano–Criador não depende do gênero e Jesus, no Novo Testamento, ratifica essa singularidade. Ao pecarem, homem e mulher perdem as mordomias do jardim. A justiça de Deus não pretere nem prefere nenhum dos dois. Deus fez a mulher diferente, mas não inferior; fez o homem diferente, mas não superior. Somos distintos na maneira de pensar, de agir e de ver o mundo. Porém, essas diferenças não fazem com que um seja melhor que o outro. Na cruz de Cristo, Deus nos trata com o mesmo carinho e amor, mas também com a mesma justiça.

Recentemente o presidente dos Estados Unidos decretou que o salário das mulheres, que era 30% menor que o dos homens, deve se igualar a este. O fato de a mulher ter as mesmas responsabilidades dos homens, mas receber um salário menor que o deles é discriminação, e vemos isso diariamente ao nosso redor. A mulher tem ganhado espaço nas áreas tecnológicas e científicas, antes de predomínio masculino. Isso deve ser celebrado. Não se trata de levantar a bandeira a favor de um e contra o outro, mas de entender que Deus nos fez diferentes, porém igualmente competentes.

No meio evangélico, no entanto, ainda há certo preconceito, por mais que se negue. As mulheres podem trabalhar muito bem, mas no seu “quadrado” feminino. A mensagem é: “Todo o espaço é de vocês, mas lá. Não ameacem a nossa liderança!” As armas são sutis. Porém, percebemos nas entrelinhas e, às vezes, nos discursos de apologia à mulher os muros construídos. Como nosso compromisso é com Jesus, seguimos em frente. Em alguns grupos denominacionais, a mulher é “apta” para todo trabalho, menos para ser pastora, presbítera, diaconisa ou mensageira pública da Palavra; ou seja, cargos de liderança espiritual, não. Alguns usam textos bíblicos para justificar suas posições, mas a mensagem é que trata-se de um espaço de poder que não pode ser compartilhado, pois isso seria uma ameaça.

Também é lamentável ver ainda tanta violência contra a mulher, inclusive dentro dos arraiais evangélicos. Há homens que são líderes na igreja, mas em casa agridem e desrespeitam a esposa. Comportamentos assim resultam de uma concepção errada do que é a criação de Deus -- homem e mulher com direitos e deveres, não de um para com o outro, mas de ambos consigo mesmo, com o outro e com Deus.

Apesar de tudo, tenho esperança de que nossas filhas e netas verão novos tempos. As mudanças de paradigma no âmbito religioso são sempre muito lentas.

Independente do nosso perfil, da crise ou da situação que estejamos passando, somos criação de Deus e, acima disso, filhas adotadas por meio de Jesus Cristo.

Comemoremos as possibilidades que surgem quando homem e mulher, com suas diferenças, se colocam ao dispor de Deus para abençoar as pessoas.


• Nancy Gonçalves Dusilek é membro da Igreja Batista de Itacuruçá, RJ, e autora de “Mulher sem Nome”.

0RAÇÕES POSTERIORES AO PECADO


Os cristãos mais sensíveis costumam orar depois de terem cometido algum pecado. São orações molhadas de lágrimas verdadeiras, o choro da tristeza provocada pelo arrependimento. Logo após o canto do galo naquela madrugada sombria, Pedro saiu da casa de Caifás “e chorou amargamente” (Mt 25.75).

Porém o pecador não vive só de orações de confissões de pecado. Outras orações são necessárias. Ele precisa suplicar em alto e bom som que Deus suspenda o castigo ou o sofrimento provocado pelo pecado.

O exemplo mais dramático talvez seja aquela oração de Moisés, feita em Taberá, logo após a reclamação do povo contra o Senhor, que lhes dava todos os dias tudo que era necessário (água, maná, sombra, luz, orientação e proteção). O incidente está registrado no Pentateuco:

“Quando o Senhor ouviu as suas reclamações, ficou irado e fez cair fogo em cima deles. O fogo queimou no meio deles e destruiu uma ponta do acampamento. Então o povo gritou, pedindo socorro a Moisés; Moisés orou ao Senhor, e o fogo se apagou” (Nm 11.1-2, NTLH).

No capítulo seguinte há outro exemplo de orações posteriores ao pecado. Arão e Miriã criticaram Moisés, o irmão mais novo, por ter se casado com uma mulher da Etiópia, e também porque tinham inveja dele. Parece que o pivô do pecado era mais Miriã do que Arão. Como consequência desse “momento de loucura”, Miriã, que havia tomado conta do cestinho com o irmão recém-nascido colocado no rio Nilo, “foi atacada por uma terrível doença de pele e ficou branca como a neve”. Então, Arão pediu a Moisés que orasse em favor da cura de Miriã, o que de fato aconteceu (Nm 13.9-16).

Esse tipo de oração é lícito e nada impede que seja feito, porque a misericórdia de Deus dura para sempre. Porém Deus não se obriga a suspender o sofrimento pós-pecado. No caso de Davi, o mavioso salmista de Israel passou uma semana inteira deitado no chão orando pelo bebê fruto do seu adultério com Bate-Seba, e a oração não foi atendida.

Caso muito triste é o de Caim. Depois de assassinar seu irmão Abel, Caim não reconheceu seu pecado, não o confessou nem suplicou que Deus o livrasse do pesado castigo que o Senhor lhe infligiu. Ele preferiu andar pelo mundo sempre fugindo e se escondendo da presença de Deus (Gn 4.13-16).

O povo de Deus precisa aprender a fazer as orações posteriores ao pecado. E os ministros da Palavra devem encorajá-lo a orar dessa maneira, em benefício do próprio rebanho.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A GRAÇA : MINHA SALVAÇÃO

A graça na acepção cristã é multiforme, ou seja, se manifesta de várias maneiras. Ela pode ser definida como a concessão de bênçãos espirituais a seres humanos indignos de recebê-las. Dentro dessa perspectiva, nada do que fizermos ou deixarmos de fazer nos tornará mais ou menos merecedores destes favores. A grande faceta da graça é o sacrifício de Jesus Cristo, por meio do qual o homem pode ser salvo. Todos nós somos igualmente indignos e não merecedores desse presente, mas Deus aceita o indivíduo como ele está e, através desse sacrifício, o perdoa de forma completa. O Deus dos cristãos não é um velho barbudo que aponta o dedo na cara dos pobres pecadores e os recrimina pelos seus pecados e nem um fiscal preocupado em fazer uma lista das coisas erradas que você tem feito para depois lhe lançar raios. Pelo contrário, é um Deus que constrange pelo amor e pela aceitação.

Podemos notar posturas diferentes diante da graça. Há quem use o seu conceito de forma utilitarista, como escudo protetor dos próprios pecados. No primeiro sinal de uma possível confrontação, prontamente ergue sua defesa teológica ensaiada, caricaturando os "fariseus modernos" e falando sobre como Deus ama e aceita o pecador. Seu discurso é perfeito, porém, seu coração não expressa nada daquilo que ele acabou de dizer. Se adentrarmos lá no fundo, não veremos vontade alguma de lutar contra o pecado. E o pior: encontraremos indiferença. Ele já se conformou com esse estilo de vida. Então prefere prosseguir enganando a si mesmo, pois admitir essa realidade seria muito desconfortável. Ele pode até ter uma boa formação religiosa, mas se o verdadeiro arrependimento não se operou em sua vida, a graça seria apenas um conceito usado para reforçar a ilusão que ele criou para ele mesmo para se sentir bem. Ele estaria se valendo de algo que não tem para justificar o que faz.

Aquele que realmente entendeu a graça em sua profundidade toma uma postura diversa. Ele sabe que a graça custou caro. Um preço tão alto que a humanidade jamais sonharia em poder pagar. Quando se depara com o presente de valor infinito e eterno que pode ser simplesmente dado a despeito de sua situação miserável, se sente constrangido. Ele reconhece o quão sujo, pecador, pequeno e não merecedor disso tudo ele é. Dentro dele brota um sincero arrependimento, que é a chave para a manifestação da graça real em sua vida. Ele sabe que continuará pecando, mas para ele a graça nunca será uma desculpa para alimentar uma ilusão tola, mas aquilo que até o último dia de sua existência terrena irá inspirar um sincero e profundo arrependimento após cada tropeço.

SORRIA VOCÊ ESTA SENDO FILMADO

"A maneira pela qual nos comportamos como cristãos, como nossas atitudes e motivações nos impelem a andar de modo diferenciado, estão sendo registradas nos anais da eternidade" (Itamir Neves de Souza - Devocionário Pão Diário - Rádio Transmundial).

"Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons" (Provérbios 15. 3).

Em 1973, pouco tempo depois que chegamos em São Paulo, um primo [médico], de Juiz de Fora, nos visitou, e solicitou que o levássemos à Loja Sears (onde fica, hoje, o Shopping Paulista, no bairro do Paraíso).

Ficava a uns 300 metros de nossa residência.

Na hora de sair, ele apontou para cima e disse, em relação aos "sprink" [equipamento que faz jorrar água sobre um ambiente, quando a temperatura sobe acima do normal, o que é sinal de um provável incêndio]:

"Cuidado, não ponham a mão em nada, pois estamos sendo observados". E saiu dando risadas.

Naquela época, ainda não havia, por todo o lado, as micro-câmeras que filmam os lugares e pessoas, em função de um aspecto bastante preocupante atualmente: a segurança!

Ainda assim, ocorrem assaltos e os assaltantes são pegos "com a boca na botija" quando as autoridades recorrem aos filmes.

Alguns deles, mais espertos, tratam de cortar o fio do circuito das micro-câmeras antes de adentrarem, ou jogam sobre elas algum tecido; outros apenas retiram a fita, quando se trata de vídeocassete.

Mas, não vamos tratar de incêndios e nem de assaltos, mas da onisciência de Deus, bem como de sua onipresença e onipotência.

Há pessoas que, antes de tomar certas atitudes, não muito recomendáveis, olham para um lado e para o outro para evitar que algum conhecido as vejam "com a mão na massa".

Aqui perto de casa, mesmo, existe um "estabelecimento" de má reputação, onde entra e sai gente dia e noite, e já vimos muitas dessas pessoas "olhando para um lado, e para o outro" antes de adentrarem.

Mas, não adianta apenas ficar “bem na foto” diante da família, dos vizinhos, ou até da sociedade!

Temos que ter sempre em mente que a Palavra de Deus, a Bíblia, nos mostra que os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando-nos, quer sejamos bons, quer sejamos maus.

O Salmo 139 talvez seja o trecho da Palavra de Deus mais claro sobre isso.

Ele diz que Deus nos sonda e nos conhece, sabe quando nos assentamos e quando levantamos, e que, de longe, penetra em nossos pensamentos.

Ele esquadrinha o nosso andar e o nosso deitar, e conhece todos os nossos caminhos.

O texto não é longo, e vale a pena ser lido por nós todos, para que cientes fiquemos que não adianta "olhar para um lado e para o outro", pois Deus não está visível, mas também não está escondido.

Ele é onipotente, onisciente e onipresente, e sabe de todas as coisas, Ele as vê, Ele as escuta, Ele as sente por mais oculto que as pratiquemos.

Há um trecho que afirma o seguinte:

"Se eu digo: As trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa" (v. 11 e 12).

O versículo 16 assim se expressa:

"Os teus olhos me viram a substância ainda informe [mórula, nome científico para "feto sem forma"] e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda".

Deus sabe de tudo! queiramos ou não, confessemos-Lhe ou não, escondamos-nos ou não, amoitemos-nos ou não, homiziemo-nos ou não.

Ele é onisciente, onipresente e onipotente.
Isso é sério, é veraz. Não precisamos “produzir” provas: é só ver, é só ouvir, é só sentir:

“Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Salmo 19. 1).

Assim, Ele vê tudo, e não é visão física; é presença em amor. Assim, Ele ouve tudo, e não é o “sistema” de audição, é envolvimento amoroso. Assim, Ele sente tudo, e não é questão de tato, é aconchego amoroso.

Ele disse ao profeta Jeremias, e não é diferente para conosco: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei e te constitui profeta às nações” (Jeremias 1. 5).

Assim se, de fato, nos tornamos família de Deus ao recebermos o Senhor Jesus no coração (João 1. 12), devemos ser transparentes, nada em oculto, pois "de Deus não se zomba" (Gálatas 6. 7).

Finalizando, transcrevemos Palavra proferida por Jesus à multidão que o seguia:

"Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido" (Lucas 12. 2).

Assim, sejam os nossos passos, procedimentos, atitudes, palavras, e até pensamentos, sempre um testemunho bom e vivo do Senhor Jesus, que disse: “...E sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1. 8b).

É o mínimo que Ele espera de nós, um bom testemunho, se não nos dispomos para algo mais que Ele nos deixou como Missão: “fazer discípulos/ensinar” (Mateus 28. 19), e “pregar a toda criatura” (Marcos 16. 15).

UMA RESPOSTA AO PROBLEMA DO MAL

Esta é uma explanação sobre o problema do mal. O conjunto das asseverações é um pequeno compêndio de algumas idéias de pessoas que se preocuparam com tal questão. Algumas ideias são próprias, e a conclusão também. A questão é fundamentalmente filosófica e sujeita à análises. O ponto de partida fundamental é: Como pode haver o 'mal' se Deus existe, sendo Todo-Poderoso e Todo-Bondoso? Ou, conforme Hume citando Epicuro: "Estaria Deus querendo impedir o mal sem ser capaz de fazê-lo? Então ele é impotente. Ele é capaz, mas não está disposto? Então ele é malévolo. Ele é tanto capaz quanto está disposto? Então de onde vem o mal?" (Dialogues concerning natural religion, parte 10).

A questão é, por si só, evasiva e extremamente complexa. Um desafio histórico à metafísica cristã. Contudo, antes de nossa explanação é importante lembrar-mos de que esta esfera de existência tem como propósito um ensino, um aperfeiçoamento à outra esfera, infinita e imutável, na qual não necessitaremos do mesmo que necessitamos aqui, nesta vida (eis o contexto escatológico do NT). O plano de Deus envolve o início, nesta existência, com o conhecimento do mal. Deus sabia que o homem iria querer conhecer o bem e o mal através da árvore que ele tinha plantado. O plano de Deus, portanto, precisa ser compreendido para que possamos versar qualquer coisa sobre o problema do mal no cosmos. Neste plano, observe, nem todos poderiam ser determinados à salvação, pois Deus teria determinado um mundo completamente isento da possibilidade de escolhas, o que faria de tal mundo algo MENOR do que o melhor mundo possível, que é este, com arbítrio. Sem arbítrio é impossível "amarmos", o que é o bem maior. Tudo que não permite o bem maior é o mal maior. Tendo isto em mente, vejamos:

* Somos seres 'contingentes', isto é, 'não necessários'.
* Se somos seres contingentes, somos reais, existimo s e necessariamente carecemos de alguém ou alguma coisa que nos tenha criado.
* ´Nada´não pode causar algo.
* Um Ser Necessário não pode criar outro Ser Necessário pois, se criasse, tal ser seria "contingente" e não "necessário".
* O Ser Necessário (Deus) revelou-se Todo-Poderoso (Ml. 4:8) portanto, perfeito. (*)
* Se Deus é Todo-Poderoso (perfeito) e Todo-Bondoso (amor) pôde criar o Cosmos no qual prevalecesse o bem maior. Este mundo é o nosso, e foi dado ao homem. Requeria arbítrio.
* Adão (e a raça humana) preferiu o mal (possível, e posteriromente ´real´, com a Queda).
* Deus relaciona-se diretamente com o bem maior, e impedir o mal seria impedir escolhas (arbítrio), que por sua vez implicaria em impedir o amor, sendo assim o "mal maior".
* Deus quer que recebamos e sintamos plenamente o seu amor (Jd. 21; 1 Jo. 5:20).
* Para sentirmos o amor (bem maior) plenamente este mundo precisará ser aniquilado e criada outra realidade, na qual o arbítrio seja possível mas não necessário.
* E isto é exatamente o que nos dizem as Escrituras acerca do fim, do tempo da remissão: Ap. 21:1-2, 23:3. Aqui, como o bem maior é pleno, o arbítrio não será necessário, e o mal ´impossível´. Isto explica o termo: "Ali jamais haverá maldição" (Ap. 22:3).

Este é o fundamento da Teodicéia (justiça de Deus) na filosofia cristã. Como disse, sujeita a análises.

(*) NOTA: Os hebreus falavam sobre um Deus único antes do que qualquer outro povo no mundo. A cronologia para os primeiros escritos monoteístas hebraicos provém do século XV a.C. A revolução monoteísta de Akhenaton, faraó que impôs a adoração a Aton (deus sol) acontece cerca de 100 anos depois de Moisés. O monoteísmo é fundamental para a filosofia cristã bíblica que preocupa-se com Teodicéia

quarta-feira, 20 de maio de 2009

COMO CONQUISTAR O RESPEITO


"Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão... na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza". I Tim. 4:12.
Muitos adultos acham difícil suportar o desprezo e o desdém de outros adultos, mas para um adolescente é duas vezes mais difícil suportar o desprezo e o desdém de seus companheiros da mesma idade.

Um dia, quando Leo Buscaglia estava saindo da escola, uma gangue de arruaceiros o cercou e começou a crivá-lo de apelidos por causa de sua ascendência italiana. Humilhado e aos prantos, rompeu o círculo de seus atormentadores e correu para casa. Lá, trancou-se no banheiro e chorou amargamente.

Seu pai o ouviu chorando e perguntou qual era o problema. Quando Leo contou o que havia acontecido, esperou que seu pai tomasse imediatas providências - ou que batesse nos desordeiros ou pelo menos reclamasse com os pais deles, exigindo que fossem castigados. Seu pai não fez nem uma coisa, nem outra. Em vez disso, começou a mencionar algumas coisas acerca dos italianos, das quais Leo podia orgulhar-se.

Mas isso não acalmou o garoto.

- Eu não gosto de ser diferente! - protestou ele. - Quero ser como todos os outros.

- Como todos os outros? Você quer dizer que gostaria de ser como aqueles garotos que o insultaram? - perguntou o pai, articulando bem as palavras.

- Não! - rosnou Leo em resposta.

- Então tenha orgulho daquilo que você é - aconselhou o pai. - Afinal de contas, todo o mundo é diferente de todas as demais pessoas.

Mas o conselho de Paulo ao jovem Timóteo foi além do conselho que o pai de Leo deu a seu filho. Sendo um modelo de cristão, podemos conquistar o respeito alheio.

COMO O AMOR ATUA


Quando você der alguma coisa a um necessitado, não fique contando o que fez, como os hipócritas fazem nas casas de oração e nas ruas. ... Mas... faça isso de tal modo que nem mesmo o seu amigo mais íntimo saiba o que você fez. S. Mat. 6:2 e 3 (BLH).

Perguntaram certa vez a Ernest Shackelton, famoso explorador britânico da Antártica, qual tinha sido o momento mais terrível que ele passara no continente gelado. Alguém poderia pensar que ele contaria a história de alguma terrível nevasca polar, mas não foi isso. Contou que seu mais terrível momento veio certa noite quando ele e seus homens estavam amontoados numa cabana de emergência, tendo sido distribuídas as últimas porções de alimento.
Enquanto seus homens dormiam profundamente, Shackelton permanecia acordado, com os olhos semicerrados. De repente, viu um movimento sorrateiro de um de seus homens. Espiando naquela direção, ele viu que o homem furtivamente ia na direção de outro e retirava um pacote de biscoitos da mochila de seu companheiro. Shackelton ficou chocado! Até aquele momento, ele teria confiado a própria vida àquele homem. Agora tinha suas dúvidas.
Mas então, enquanto observava, percebeu que o homem abria seu próprio pacote de biscoitos, tirava de lá o último bocado de alimento, colocava-o no pacote do outro homem e o recolocava na mochila do companheiro.
Ao narrar a história, Shackelton disse: "Não ouso dizer o nome daquele homem. Acho que seu gesto foi um segredo entre ele e Deus."
É assim que acontece com o tipo de amor de que a Bíblia fala. Ele não realiza boas obras para ser visto pelos homens. Henry Drummond, grande pregador inglês, disse: "Depois de ter andado pelo mundo inteiro fazendo suas belas obras, o amor se esconde, até de si mesmo."
O coração humano anseia por reconhecimento. Não deseja que permaneçam ocultas as suas boas ações - e é aí que muitos caem na armadilha de Satanás! Depois que Deus efetua em nós "o realizar, segundo a Sua boa vontade" (Filip. 2:13), o tentador aparece e nos leva a vangloriar-nos das maravilhosas coisas que fizemos.
Qual é a solução? Nunca pare para vangloriar-se. Fixe a mente em Jesus e continue a permitir que Deus efetue Sua boa vontade através de você.
Prova Convincente
Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros. S. João 13:35.

Quando eu era adolescente, resolvi deixar minha marca no mundo como artista. Meu pai havia recentemente adquirido uma Bíblia em três volumes, ilustrada por Paul Gustave Doré, e aquelas ilustrações tiveram peso importante na minha decisão.
Doré obteve fama com as suas gravuras de personagens religiosos e históricos. Passei horas estudando as técnicas dele e, embora meu interesse pela arte se desvanecesse com o tempo, ainda guardo vívidas imagens mentais daqueles desenhos.
Certa ocasião, viajando pela Europa, Doré perdeu seu passaporte. Quando ele chegou à alfândega seguinte, o guarda lhe pediu os documentos de viagem. Doré tentou explicar o que tinha acontecido.
- Eu sou Paul Gustave Doré - disse ele - e perdi meu passaporte. Apreciaria que fizesse a gentileza de deixar-me passar. Tenho de atender a compromissos importantes.
- Não tente fazer-nos de bobos - disparou o guarda. - Você não é a primeira pessoa que perde o passaporte e tenta fazer-se passar por alguém importante.
Doré suplicou a compreensão do guarda, mas em vão. Finalmente, um oficial aproximou-se e disse:
- Se o senhor é realmente Doré, tome este lápis e papel e desenhe aquele grupo de camponeses ali.
Dentro de alguns minutos, o grande artista produziu uma figura de semelhança impressionante com o grupo. Mesmo antes de concluído o desenho, o oficial, convencido de que aquele era realmente o famoso artista, permitiu-lhe a entrada no país.
Algumas pessoas, hoje, tentam fazer-se passar por cristãs, mas falta-lhes o amor fraternal que, segundo Jesus, caracterizaria Seus seguidores. Os cristãos primitivos viveram numa época em que a prática do cristianismo podia significar o martírio, mas ainda assim demonstravam o seu amor fraternal, arriscando a vida para ajudar seus irmãos perseguidos; em alguns casos, obtinham inclusive a relutante admiração dos perseguidores. Tertuliano, um escritor cristão do segundo e terceiro séculos, citou a declaração de um oficial pagão desta maneira: "Veja como esses cristãos se amam uns aos outros."
O amor fraternal não é um manto que se "veste" para convencer os incrédulos, mas uma qualidade que brota naturalmente de um coração amorável.

Sincero Interesse Pelas Almas
Só Deus sabe como é profundo o meu amor e a saudade que tenho de vocês - com a ternura de Jesus Cristo. Filip. 1:8 (A Bíblia Viva).

Em nosso versículo, Paulo declara que ele nutria tanto amor pelas almas dos crentes filipenses como Jesus. Você e eu precisamos de mais desse tipo de amor pelas almas.
Certa ocasião, no tempo da Sociedade de Amigos, um membro da seita dos quacres cavalgava por um urzal quando ouviu o som de cascos de cavalo atrás de si. Num momento, um salteador o alcançou e, apontando-lhe a pistola, exigiu:
- O dinheiro ou a vida!
Sem hesitar, o quacre puxou sua carteira e entregou-a ao homem.
- O senhor tem um belo cavalo - observou o ladrão. A seguir ordenou: - Desça! Vou levá-lo.
Calmamente, sem uma palavra de protesto, o quacre desmontou e o ladrão trocou de cavalo. Enquanto o salteador se virava para ir embora, o quacre se colocou na frente dele e, segurando as rédeas, começou a falar.
- Como é que pode - observou ele com terna sinceridade - um homem criado à imagem de Deus, ser feliz vivendo uma vida de crime e violência? Arrependa-se, meu amigo, antes que seja tarde demais!
O assaltante tirou a pistola e, apontando-a para a cabeça do quacre, rosnou:
- Como se atreve a me pregar um sermão, seu... Mais uma palavra, e vou abatê-lo aí mesmo.
O quacre nem piscou.
- Amigo - disse ele sorrindo - eu sei muito bem que poderia matar-me. Eu não arriscaria a vida para salvar minha carteira ou meu cavalo, mas alegremente a entregaria se pudesse salvar a sua da condenação eterna!
Sem uma palavra, o assaltante colocou novamente a pistola no coldre, saltou do cavalo do quacre e o devolveu, juntamente com a carteira. Depois, montando em seu próprio cavalo, foi embora dizendo:
- Se a sua preocupação por minha alma é tanta, não vou levar nada.
Embora sem ter certeza, podemos esperar que a mudança de idéia do assaltante tenha produzido também uma mudança de coração. Mas uma certeza podemos ter: se demonstrássemos tanto interesse por uma alma como aquele quacre, veríamos muito mais milagres da graça hoje em dia.

A LOJA DE DEUS


Entrei numa loja e ví um anjo no balcão.
-Santo anjo do Senhor, o que vendes?
Respondeu-me:
-Todos os dons de Deus.
-Custa muito caro?
-Não, tudo é de graça.
Contemplei a loja e vi vasos de vidro de fé, pacotes de esperança, caixinhas de felicidade e sabedoria.
Tomei coragem e pedi:
-Por favor, quero muito amor de Deus,
todo o perdão dEle, vidros de fé, bastante alegria e felicidade eterna para mim e para minha família.
Então, o anjo do senhor preparou um pequeno embrulho que cabia na minha mão.
-É possível, tudo aqui?
O anjo respondeu sorrindo:
-Meu querido irmão, na loja de Deus não vendemos frutos, apenas sementes.
Plante a sua e seja feliz.

O NÁUFRAGO


Um certo homem saiu em uma viagem de avião. Era um homem temente a Deus, e sabia que o Senhor o protegia.
Durante a viagem, quando sobrevoavam o mar, um dos motores falhou e o piloto teve de fazer um pouso forçado no oceano. Quase todos morreram, mas o homem conseguiu agarrar-se a alguma coisa que o conservasse em cima da água. Ficou boiando à deriva durante muito tempo até que chegou a uma ilha não habitada.

Ao chegar à praia, cansado, porém vivo, agradeceu ao Senhor por este livramento maravilhoso da morte. Ele conseguiu se alimentar de peixes e ervas. Conseguiu derrubar algumas árvores e com muito esforço construiu uma casinha para ele. Não era bem uma casa, mas um abrigo tosco, com paus e folhas. Porém significava proteção. Ele ficou todo satisfeito e mais uma vez agradeceu ao Senhor, porque agora podia dormir sem medo dos animais selvagens que talvez pudessem existir na ilha.

Um dia, ele estava pescando e quando terminou, havia apanhado muitos peixes. Assim, com comida abundante, estava satisfeito com o resultado da pesca. Porém, ao voltar-se na direção de sua casa, qual não foi sua decepção,ao ver sua casa toda incendiada.
Ele se sentou em uma pedra chorando e dizendo em prantos:
-Senhor! Como é que foi deixar acontecer isto comigo? O Senhor sabe que eu preciso muito desta casa e o Senhor deixou queimar todinha. O Senhor não tem compaixão de mim? Eu sempre faço minhas orações diárias.
E assim permaneceu o homem durante algumas horas, envolvido em sua revolta e dor.

Passado algum tempo, uma mão pousou no seu ombro e ele ouviu uma voz dizendo:

-Que bom encontrá-lo... você está bem?
Ele se virou para ver quem estava falando com ele, e qual não foi sua surpresa quando viu em sua frente um marinheiro acompanhado de uma equipe: -Vamos rapaz, nós viemos te buscar...

-Mas como é possível? Como souberam que eu estava aqui?

-Ora, amigo! Vimos os seus sinais de fumaça pedindo socorro.
O capitão ordenou que o navio parasse e nos mandou vir lhe buscar naquele barco ali adiante. O grupo entrou no barco e o homem foi para o navio que o levaria em segurança de volta para os seus familiares tão queridos.

A propósito, como anda a sua fé?

terça-feira, 19 de maio de 2009

GRIPE SUÍNA ESPIRITUAL


"Com anda a vida...?" Se você responder sinceramente, pode dizer: "Mais ou menos...", com voz e coração fracos. Mas fracos de quê?

Como não professo qualquer religião que cultue ou repudie animais, seja para o convívio, seja para alimentação, aparentemente não haveria como dar forma ao título acima.

Curiosamente, porém, é possível estabelecer um elo entre esta epidemia assustadora e a nossa realidade interior – motivo de maior preocupação ainda.

A gripe que está atacando muitos países possui sintomas, debilita as pessoas e causa - em várias ocasiões - a morte, pois deriva de um vírus contagioso provavelmente advindo de mutações diante das quais nossas defesas naturais não são eficientes, nem suficientes.

Seus efeitos estão sendo analisados, bem como as causas e, estou certo, os cuidados médicos e as pesquisas farmacêuticas farão dela uma simples lembrança, dentro de pouco tempo.

Infelizmente existe uma outra enfermidade - bem mais antiga, que parece estar se tornando mais sutil e letal com o passar dos séculos. Refiro-me à doença da alma, uma febre que pode resultar até em morte eterna.

Se você acha que tal consideração é um exagero, uma abstração, mera fantasia religiosa, atente para a forma na qual Deus dá início ao livro do profeta Isaías:

Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma, e todo o coração fraco.

Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, contusões e chagas podres, não espremidas, nem atadas, nem amolecidas com óleo.(Isa 1: 5-6).

O vírus que causa essa doença se chama pecado, e seus sintomas são o ódio, a amargura, a violência, desonestidade, falta de perdão, insensibilidade para com milhares que padecem necessidade enquanto outros esbanjam e vivem como reis.

Ela é contagiosa, afeta cada vez mais as pessoas, destrói famílias, amizades, relacionamentos, esperanças, sonhos, fé, amor, respeito.

Para nossa felicidade, o Senhor, logo após identificar o mal, oferece a receita de CURA, que, em resumo, surge da sua mão e está à disposição de todos que desejarem respeitar sua orientação, quando diz:

Praticai o que é reto, ajudai o oprimido. Fazei justiça ao órfão, tratai da causa das viúvas.
Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve (Isa 1: 17-18).

BONS SENTIMENTOS


Cultive bons sentimentos em seu coração porque bons sentimentos nos aproximam de Deus.

A ninguém julguemos. Passos errados, momentos equivocados e tropeços não refletem necessariamente maus sentimentos. Da mesma forma, boas atitudes não refletem necessariamente bons sentimentos e boas intenções, muitas vezes escondem motivações inconfessáveis.

Louvado seja Deus, que não se influencia por aparências, antes examina a face oculta de cada coração, o mais recôndito da alma.

Bons sentimentos são as sementes do arrependimento. Perto está o Senhor dos que tem o coração quebrantado... (salmos 34: 18)

Amai o bem, detestai o mal... (Amós 5: 15)

O MOVIMENTO ANTICRISTÃO CHAMADO " NOVA ERA "


Enquanto a Igreja de Cristo se prepara para o glorioso encontro com Ele nos ares, através do arrebatamento, o movimento denominado "Nova Era" (ou New Age, em inglês) está preparando o mundo para a chegada e o reinado do Anticristo que se dará durante a Grande Tribulação.

Trata-se de um movimento de abrangência mundial que tem se caracterizado pelo uso dos meios de comunicação para divulgar as suas idéias malignas e anticristãs. O conhecimento sobre o referido movimento evita sermos envolvidos ou influenciados pelas idéias e conceitos que são ensinados por ele.

O que é "Nova Era?" É um movimento religioso que traz no seu bojo uma fusão de religiões orientais e ocidentais como: Gnose, Espiritismo, Esoterismo, Astrologia, Ufologia, Parapsicologia, Misticismo, Bahaismo, Hinduismo, Maçonaria, Rosa Cruz, Hare Krishna, Mormonismo, Budismo, Seicho-No-Ie, Perfect Liberty, Ciência Cristã, Testemunhas de Jeová, Adventismo, Cultura Racional e tantas outras. É um movimento basicamente espírita onde se dá muita ênfase à reencarnação e às falsas doutrinas. A Bíblia denuncia e alerta sobre esse desvio da verdade conforme se lê em II Timóteo 4: 3 e 4.

Qual é o plano da "Nova Era" e o que na verdade pretende? Preparar o caminho para a chegada iminente do Anticristo (I João 2: 18). Precisamos ficar atentos! Estabelecer uma nova religião mundial. Ensinam que todo os caminhos levam a Deus. A Bíblia refuta esse ensinamento: João 14: 6. São contrários ao cristianismo e ensinam que a "era de peixes" terminou com a vinda de Jesus, e agora estão aguardando a "era de aquários".

É basicamente espírita. Dão muita ênfase à reencarnação. Praticam a "possessão demoníaca". O engano é aceito como sendo verdade. O Ecumenismo (união de todas as religiões) é o coração da religião "Nova Era". Com a frase "todas as religiões levam a Deus" os adeptos desse movimento avançam preparando as bases, o terreno para o "Mistério Babilônico" (Apocalipse 17: 5). Em I Timóteo 4: 1, lemos a respeito, onde o apóstolo Paulo afirma que essa religião é doutrina de demônios que nasce de mentes cauterizadas. Leia também II Tessalonicenses 2: 11 e 12. Ensinam que não há pecado e que o homem é um "pequeno deus". Procuram, de forma sutil e bem engendrada, infiltrar idéias heréticas nas igrejas evangélicas usando para isto os meios de comunicação, principalmente a televisão e a internet. Agem através de livros, revistas, jornais, rádios, televisão, internet, roupas e até perfumes. Usam também a música para atrair e enganar. Cuidado!

Esse movimento está preparando o mundo para receber o Maitréia (avatar, líder, messias, anticristo). Falam de paz e segurança. Falam de alegria, saúde e riqueza. São espíritos enganadores. Fiquemos com Jesus e com a Bíblia! O Movimento "Nova Era" nada mais é do que um dos sinais da proximidade da vinda de Jeus. É um alerta a todos nós. Devemos ficar atentos e sempre nos lembrar das palavras de Jeus: "Porque surgirão muitos falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos" (Mateus 24: 24). Tenhamos cuidado com esse movimento diabólico. Que Deus guarde a Sua Igreja de mais esse terrível engano.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

SAIA DA CAIXA DA RELIGIOSIDADE


Diz a Bíblia que logo após ser batizado, Jesus vai para o deserto onde é tentado pelo que todos nós somos tentados na nossa vida. Somos tentados a ser deus.

Voltando da temporada no deserto, Jesus começa seu ministério público nas praias da Galiléia. Começa a buscar seus primeiros discípulos.

Certa vez, quando estava ensinando a seus discípulos, começou a juntar uma multidão e Jesus se dirige a um monte para ensinar.

Lá ele começa a ensinar como deveria ser o coração do homem que desejava caminhar com o Criador. Ensina cada detalhe do coração do homem que deseja ser feliz, ser bem aventurado.

Depois desafia a todos, discípulos e multidão a fazer a diferença nos seus grupos, nos seus contextos de vida. Ele convida a todos a serem sal na terra e luz do mundo, levar luz onde há sombras.

Logo após começa a dizer para todos que não veio acabar com a Lei, que o que ele estava ensinado não tinha como propósito abolir a lei mas trazer um sentido completo, trazer vida para ela.

Interessante é que Jesus era um rabino e os rabinos são caras que interpretam as leis. Um rabino diz o que pode e o que não pode ser feito para que uma lei seja cumprida. Um rabino diz o que pode e não pode para que uma lei seja abolida. O conjunto de permissões e proibições denomina-se jugo do rabino.
Um rabino prega para os seus discípulos sobre o jugo de um rabino que tem autorização para pregar o seu jugo. Essa autorização para pregar seu próprio jugo e ganhada quando o rabino é reconhecido por dois rabinos de autoridade reconhecida entre a comunidade rabínica.

Jesus teve seu reconhecimento quando foi batizado. As duas autoridades que reconheceram Jesus foram o Espírito Santo que desceu em forma de pomba e a voz de Deus que disse “Esse é o meu filho amado de quem me agrado”.
Essas são as duas autoridades que reconhecem o jugo de Jesus, os ensinos de Jesus.

E ai Jesus começa a ensinar no estilo "Vocês ouviram o que foi dito, eu porém vos digo", ou seja, Vocês ouviram o que os rabinos disseram, eu porém digo a vocês que...

Queria convidar você a refletir comigo sobre um desses "Vocês ouviram o que foi dito" de Jesus. Ele fala da necessidade de amarmos nossos inimigos:

"Vocês ouviram o que foi dito: Amem o seu próximo e odeie o seu inimigo. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.

Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso!

E se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais?
Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.”

Esse versículos estão lá em Mateus 5: 43-48

Todo ser humano é criação de Deus e todo ser humano, mesmo que não saiba, tem a luz de Deus dentro dele porque foi criado a imagem e semelhança do Criador.

Temos a tendência de achar que Deus “joga” só no nosso time e que ele vai nos dar aquela vaga no vestibular no lugar de dar pro outro cara que não é cristão. Temos a tendência de achar que somos filhos privilegiados do Criador porque “fazemos o dever de casa” bem direitinho. Ficamos indignados quando vemos um cara que não é cristão se dar bem na vida enquanto ralamos para viver.

As ondas parecem que sobem somente perto do cara que é todo erradão enquanto eu que sou cristão estou aqui e não estou pegando as boas. Mesmo que a gente não se dê conta achamos que as melhores ondas e os melhores tubos têm que ser da gente porque somos os mocinhos do filme.

Dizemos: Eu sirvo na minha igreja, dou o dízimo e não falto a nenhum culto, logo, nada de mal vai acontecer comigo e tudo vai dar certo na minha vida. Sem perceber lidamos com Deus na forma de barganha, de investimento a longo e curto prazo.

Jesus diz nos versículos que lemos: “Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.”

Cara, não sou eu que estou dizendo, é Jesus.

Temos uma tendência a achar que Deus olha para os seres humanos e classifica em bons e maus.

O religioso diz que tem dois tipos de gente: gente boa e gente má.

(continua...)

O PROXIMO


Ame-o como a si mesmo (Mt 19: 19).

Mas afinal, o que é o próximo? - É uma pessoa, ser humano, considerado como nosso semelhante. É aquele por quem sentimos certa amabilidade (Lc 10: 36-37). Aquele por quem o nosso amor fraternal é constante (Hb 13: 1). Mas, acima de tudo, aquele que está ao seu alcance carente de apoio, ainda que se apresente como problema para mim.

Da atitude de amá-lo, depende toda a lei e os profetas (Mt 22: 40). Jesus consciente da importância deste amor, o reforçou sugerindo que amassemos nosso próximo não mais como amávamos a nós mesmo, segundo a ordem dos Dez Mandamentos; mas da forma como Ele, Jesus nos amou (Jo 13: 34). Porque segundo Jesus, não existe mandamento maior que este (Mc 12: 31). Amar o próximo é o resumo de toda a lei (Rm 13: 10).

Portanto contra o próximo, não se deve levantar falso testemunho; cobiçar sua casa, seu cônjuge, suas finanças; seus bens de família, nem coisa alguma (Ex 20: 1-17). Quem ama o próximo tem seus muitíssimos pecados perdoados (1Pe 4: 8).
Mas o que dizer do próximo não muito próximo que gira ao nosso arredor, mas afastado do que beirado e dele suportamos abocanhadas delatoras como de um dedo-duro que acha motivo para trair. E, de outro mais achegado, confinante no apego, porém cheio de destroçadas adulações acometidas de um baba-ovo que sabendo às vezes do perigo em que estamos, prefere festejar do que corrigir? Já dizia Diógenes Laércio, "Entre os animais ferozes, o de mais perigosa mordedura é a do delator; e entre os animais domésticos, a do adulador".

A recomendação portanto é que tomemos cuidado, pois esses não estão servindo a Cristo, mas a seu próprio apetite (Rm 16: 17-18). Ao mesmo tempo somos aconselhados a concordar no que for possível uns com os outros para que não haja divisão ou violação da lei do afeto (ICo 1:10). Embora o relacionamento desprotegido possa ser perigoso, contudo, tal conselho elimina pela raiz o círculo infernal da discórdia (Mt 5: 38-42).

Mas é aqui que o ato de amar a Deus sobre todas as coisas é infalível; e, o obedecer Jesus, favorável, em transformar serpentes e escorpiões venenosos em homens, cabeça de família ate morrer em boa velhice. Porque justiça em excesso é excesso de justiça.

Quanto ao mais, tenhamos todos os mesmos modos de pensar, sejamos compassivos, amemos fraternalmente, sejamos misericordiosos e humildes (1Pe. 3:8).
Quem ama, teme e obedece.

FALTA ALGUEM


"O choque que Jesus acusou quando se apresentou como Filho de Deus foi exatamente por se identificar com os mais simples, com os pecadores e as pessoas consideradas perdidas" (Mário Lúcio do Nascimento – Devocionário Pão Diário – Rádio Transmundial).

"Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Saí depressa para as ruas e becos da cidade e trazei para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos" (Lucas 14. 21).

Diante da afirmativa, no artigo anterior (*),"Tá demorando!", de que "falta alguém" para que se cumpra a vontade de Deus de que todos cheguem ao arrependimento, pois Ele deseja que ninguém se perca, é comum algumas pessoas se acomodarem, pensando "não há pressa, eu posso aproveitar a vida por mais algum tempo".

A Palavra de Deus, a Bíblia, nos mostra um "outro lado da moeda", numa parábola profética contada pelo Senhor Jesus.

Um dos que estavam com Ele exclamou: "Bem-aventurado aquele que comer pão no Reino de Deus" (Lucas 14. 15).

Jesus, então, passou a contar-lhes uma parábola em que um certo homem deu uma grande ceia e convidou a muitos, mandando seus servos a avisar aos convidados:

"Vinde porque tudo já está preparado". (Lucas 14. 17).

É isso que nós, os servos de Deus, estamos fazendo ao
ensinar, pregar e testemunhar a Palavra de Deus; estamos alertando que já vivemos o tempo do fim, e convidando as pessoas a aceitarem Jesus como seu único e suficiente Salvador.

Num dos artigos anteriores (*), chegamos a afirmar "que a hora é agora, e que o dia é hoje".

Mas, voltando à parábola profética, os convidados começaram a escusar-se, dizendo o primeiro:

- "comprei um campo, e preciso ir vê-lo" (...)

- outro disse: "comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las";

- e um terceiro alegou: "casei-me, e por isso não posso ir" (Lucas 14. 18 a 20).

É exatamente isso que acontece na realidade, uns dizem que têm um compromisso inadiável, outros alegam que ainda são muito novos e que deixarão para o futuro, e o tempo vai passando.

Mediante a recusa dos convidados, aquele senhor, "disse ao seu servo: sai depressa para as ruas e becos da cidade e trazei para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos" (Lucas 14. 21).

Procedendo o serviçal conforme fora orientado, disse: ”Senhor, feito como mandaste, e ainda há lugar. Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa" (Lucas 14. 22-23),
e terminou dizendo: "Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia" (Lucas 14. 24).

Em um outro momento Jesus disse: "Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos" (Mateus 22. 14).

Duas coisas podem acontecer, e pegar-nos de surpresa:

- A vinda do Senhor se dar a qualquer momento, como aliás está profetizado;

- Por razões "naturais" e/ou “acidentais” o nosso falecimento ocorrer sem que tenha chegado o dia da segunda vinda de Jesus.

É por isso que, a Palavra de Deus nos alerta em todo o seu contexto de que "devemos vigiar e orar", ou seja, temos que estar atentos, orando.

Jesus revelou a João, na Ilha de Patmos, a seguinte Palavra, também várias vezes repetidas por nós aqui (*):

"Eis que estou à porta, e bato; se alguém OUVIR a minha voz, e ABRIR a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo" (Apocalipse 3. 20 - o destaque é nosso).

Esta afirmativa deixa claro que temos que:

- primeiro ouvir a voz de Jesus;

- segundo abrir a porta de nossos corações para Ele.

Temos o privilégio de aceitar o convite do Senhor, mediante a Graça e pela fé em Jesus, e, assim, teremos entrada garantida no Reino de Deus, ficaremos livres de julgamento, tendo em vista que:

- "nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos 8. 1).

DEUS LHE PAGUE


Olhe detidamente para um mendigo; observe-lhe os traços, as feições, procure pelos olhos, insista nos olhos, é importante olhar dentro das pessoas. Agora responda: o que viu?

Se disser que nada viu, então viu tudo, ou nada; pois nada há pra se ver naqueles olhos sem vida nem viço; falta-lhes aquela ansiosa expectativa, própria dos viventes, comum aos humanos.

Mesmo após minuciosa busca nada haverá que estimule ou encoraje uma aproximação, puxar uma conversa então, nem pensar.

Certa vez Thomas Kelly orou: "Senhor, conceda-me ver as coisas da Terra, com os olhos do Céu." Eu penso que seria interessante, e embaraçoso, se o Senhor permitisse a cada humano, por um momento, enxergar o mundo à sua volta com os olhos de um mendigo; muitos pés apressados saltando os seus, e o chão, a visão de um mendigo se resume a pés apressados que saltam os seus, e ao chão.

De igual modo ler-lhe os sentimentos, os pensamentos que povoam a mente desse estranho sujeito; veria a dor da alegria perdida, da vida que escapou por entre os dedos, num átimo; veria a saudade duma época em que as coisas eram diferentes, faziam sentido, uma época na qual acordar cedo, escovar os dentes, tomar café e ganhar um beijo de bom dia eram comuns, quase corriqueiras. (Um beijo de bom dia nunca se tornará corriqueiro!).

Aos olhos do "pedinte" ( Êita, nomezinho infeliz!) quase nada faz sentido, nem mesmo as ofensas, os insultos, e os chutes e os "NÃO";

Ninguém ouve ou vê tantos nãos como aquele pobre diabo que transferiu para os "passantes" a responsabilidade pelo seu sustento e segurança. ( Ao falar em segurança me transporto para um tempo em que perambulava pelas ruas escuras de Belo Horizonte à caça de mendigos bêbados demais, fracos demais e velhos e doentes demais para esboçarem qualquer reação enquanto eu tirava-lhes a "féria" do dia, e seus pertences, cigarros, bebidas. Ladrão de mendigos; foi nisso que a falta de DEUS me transformou.) Pra que ser mendigo e pedir, se podia ser ladrão e tomar à força? "A lógica do inferno; ser ruim ou pior."

Na mente do que pede só tem espaço para o rancor e as lembranças, que de tão distantes parecem delírio. Alguém é culpado; os passantes são culpados, o governo é culpado, a ex-mulher é culpada, "quase sempre" e DEUS, escapa por pouco. Se desentender com DEUS não é inteligente, na sua desgraçada sina, crê o "pedinte" ( nomezinho infeliz!), algo um dia vai mudar; quem sabe uma hora dessas DEUS, nem que seja por distração, passeie pelo chão com os olhos e o enxergue.
Essa é a (des)esperança do homem, e da mulher que perderam a gana, a honradez, e desaprenderam a nobre arte de amarem-se; o homem da roça que veio atrás de dias bons na grande cidade, acreditou na TV e arrumou a mala, se hospedou numa pensãozinha à beira da rodoviária, e saiu religiosamente todas as manhãs à procura de "colocação" e deu com os burros n’água, ouviu tantos nãos que se acostumou com eles.
E o dinheiro da diária, minguado, acabou como se acabaram as roupas limpas e a chance de procurar a tal vaga. Dia ruim.

Dá voltas em volta da rodoviária, descobre companheiros de igual e triste sorte, aceita um gole, pra aquecer o peito, e aceita outro, e mais outro até se alegrar e que se dane a pensão, e a vaga!

Acorda atormentado, sem mala nem bobo, descobre-se miserável e derrotado; resta voltar pra casa, mas como? Saiu pra vencer, perdeu, saiu pra melhorar de vida, e nem teto tem mais. Voltar como?

Envergonhado olha pra baixo e estica a mão e ao sentir o peso da moeda, sussurra triste e grato: "DEUS lhe pague..."

Da próxima vez que saltar os pés de um mendigo, resista à tentação de acreditar que ele nasceu ali, como as ervas daninhas nascem; ali.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O ALTAR DO CRISTÃO


"A minha casa será chamada casa de oração; mas vocês estão fazendo dela um covil de ladrões" (Mt 21: 13).

Uma coisa, é servir a Cristo com a força do seu corpo, outra coisa, é se deixar ser usado na orientação do Espírito Santo para Cristo em oração (Ex 15: 24-25).

Fomos feitos para orar, orar sem cessar (Ts. 5: 17-18). Jesus disse, "a minha casa será chamada casa de oração." (Mt 21: 13). Porque não oramos. Somos como uma águia, que, por ser criado num poleiro, imagina ser uma galinha.

Vivemos das migalhas da nossa pobre fé, por falta de oração (Ec 5:2); enquanto estamos cheio desta gigantesca força sobrenatural inesgotável a nossa disposição, pronta a ser descoberta, a se jorrar para fora, como um poço de petróleo, e ser usufruído.

Ser crente não é algo que se é, mas que se vive em contínua oração – o interruptor que acende a luz da fé (Sl 65: 2).

O entendimento do crente na oração, é como uma corrida de maratona. Não importa como começa o importante é como vai terminar! (Is 56: 7).

A oração é para o crente como o mar para o marinheiro.

À oração é a perfeita adoração a Deus. (Fp. 4: 6-7), que não conforma, mas transforma o crente (Rm 12). E, fortalece a igreja.

"Se nenhum pardal pode cair no chão sem o conhecimento de Deus, tampouco uma nação pode se levantar sem a bênção de Deus. Eu proponho que façamos um intervalo para orar" (Benjamim Franklin). Parafraseando-o digo, que - sem uma oração respondida, nenhum crente poderá levantar-se. E, para se ter uma resposta é preciso que se tenha feito uma pergunta; para receber algo, é preciso que se tenha feito algum pedido. É disso que Jesus estava falando em Mateus 7: 7.

Aquele que não crer na oração, não crer também que é salvo (Ap. 5: 8).

Para se viver uma vida de oração, é necessário equilíbrio e direção (Tg 4: 8). Para quem não tem experiência, é como aprender andar de bicicleta, isto é, fazer duas coisas ao mesmo tempo (Ef 3). Enquanto ora, tome um tempo para ouvir aquilo que Deus está falando, lembre-se orar é como telefonar. Orar é um momento especial de comunicação com Deus. Na continuação, o Senhor aprofundará e fortalecerá esses momentos de oração (At. 4: 31).

"Quem ora, vive em comunhão com o Espírito Santo, não tem magoa de ninguém, é honesto com Deus e consigo mesmo (Marcos 9: 24). Não tenta justificar seus pecados, apenas admite que eles existem e se arrepende porque crê no perdão de Deus (I João 1: 9); é livre em libertar outras pessoas de suas culpas; convive com suas faltas, e, seus fracassos tanto quanto com os sucessos. Tem sentimento de valia pessoal, embora não seja digno perante Deus, somente com Cristo (Cl 1: 10) que o exorta. Exercita o perdão na ofensa e não retém o pecado (era nisto que Davi era um homem segundo o coração de Deus - At 13: 22). É livre de si mesmo e dos outros; não tem sentimento de vergonha, humilhação nem recorda às ofensas; suas feridas são curadas por Jesus (Tiago 5: 15), enquanto ele ora pelos que ainda não são capazes de liberar perdão." (Luiz Clédio Monteiro, Uma Janela Para o Céu. Cap. 85. Nov. 2003).

Como é bom receber de Deus encargos para orar em oração apostólica (Is 55: 11).

O DRAMA DA PERDA


Como enfrentar o drama de mergulhar em uma experiência de Perda e superar seus traumas? Porque a perda nos ameaça tanto se ela está presente em toda instância da vida? Perdemos o sono, perdemos a hora de acordar, perdemos a paciência, perdemos dinheiro, perdemos parentes e amigos, perdemos o ônibus, perdemos a Fé, enfim perder está coeso ao nosso cotidiano social. Ref Ec 3: 2-8. Nesse texto a Bíblia revela que a vida é composta de Tempo e Tempos, e a Perda é um tempo relevante na formação da vida "... há tempo de Perder..." Embora a vida plena seja sublime e de valor excelente temos vivido de forma superficial e subjetiva, pois, não obstante, que em sua essência, o atributo da perda é de fundamental significância para o processo de sobrevivência. Ninguém que vive está livre do tempo das perdas. A Perda não significa necessariamente um prejuízo, na verdade é que existem situações em que mesmo Perdendo meu Direito, minha Razão, eu posso Ganhar um Amigo ou um Irmão.

Outrossim, já que a perda é um fato e contra fatos não existe argumentos porque não aceitamos a Perda de um modo familiar e equilibrado? Um fato contraditório existencial é que naturalmente aceitamos a vida, porém decididamente negamos a morte mesmo sendo um o outro lado de uma mesma moeda, isto é, a negação da perda não elimina a evidencia dos danos, Porque não nos ensinaram a Perder? Haja vista, que, Qualidade de Vida não se adquire apenas tirando vantagem em tudo. Temos como exemplo de vida o sábio Salomão. Ref Ec 2: 4-12 e 17 "Pelo que aborreci esta vida...". Pensamento; "A vida de qualquer não se versa no que ela possua".

Então; A Perda revela o lado sombrio, obscuro das limitações humanas, sua fragilidade, insegurança, impotência, indecisão, incompetência, incapacidade, dependência, insignificância, crises, medos, traumas, complexos, frustrações, decepções. E porque negamos essas características congênitas humanas? É que a Perda evidencia nosso lado hostil, fútil, débil, frívolo, inseguro, imaturo, ingênuo, por isso ninguém admite PERDER. E todo ser humano leva em sua carga genética a natureza Autosuficiente, pela necessidade de Autosobrevivencia, nessa guerra natural um Perde outro Ganha. Um sábio Poeta certa vez escreveu um Poema que dizia; "A vida é uma gangorra, sempre um vai estar em cima e outro embaixo, dizia o poeta; você que está em cima não deve de eu sorrir, um dia você vai ter que descer para que eu possa subir." É o que revela Salomão em; Ec 9.11,12 "...o tempo e a sorte pertencem a todos." Porem o mesmo sábio Salomão afirma que; "...o homem não conhece o seu Tempo...". Como Reconhecer, Aceitar, Compreender e Conceber a idéia da Perda em nossa vida? Expressão popular; "A vida explica a própria vida” Isto é, a vida é uma Autoescola, e a Perda é uma das matérias paradidáticas da grade curricular existencial sendo aplicado diariamente como Exercício pedagógico e terapêutico. Ref Sl 119:67 e 71"... antes de ser afligido andava errado. "Ref Pv 18.12 "...antes de ser quebrantado, eleva-se o coração do homem..."A perda não é uma matéria teórica conquanto uma simples leitura não leva necessariamente a um aprendizado, aliás a afirmação da teoria está na prática, o método pedagógico de Jesus baseado na materialização da aprendizagem, isto é; "...aprendeu pelo que padeceu." Ref Hb 5.8. Tendo em vista que, a Perda leva a adaptações necessárias, gerando mudanças efetivas, que são desafios motivacionais para concretização de um crescimento significativo pessoal, pois a perda estimula a autoconfiança. Ref Rm 5: 3 "... tribulação produz paciência...". O Apostolo Paulo passou por uma experiência dolorosa de perdas, Ref I Co 4: 11-13"... ser como lixo...”, dentro do processo de aprendizado, Ref Fl 4: 11-13 "... estou instruído..."e"... já aprendi...” Deus usa o fracasso e fragilidade humana como fator desencadeante de aperfeiçoamento do Temor, Ref II Co 12: 9,10. "Os vergões das feridas são a purificação dos maus..."Ref Pv 20: 30 Deus tem um centro de treinamento intensivo Ref Jó 33: 14-30. "... para apartar o homem do seu desígnio..."e "... para desviar a sua alma da perdição...". A Perda se constitui como elemento terapêutico de avaliação da integridade de caráter. Abraão consolidou seu temor a Deus mediante a provocação da Perda de seu Filho, em; Gn 22: 1,2 Deus anuncia a Perda de seu filho, em; Gn 22: 12 Deus reconhece o temor (obediência mesmo em situação de Perda) do patriarca Abraão. Outro caso relevante de comprovação de integridade fidedigna é o exemplo de Jó, que mesmo em situação de extrema Perda; Ref Jó 19: 13-20, "...afastou os irmãos, os parentes, meus domésticos...". Perdeu os Bens, Perdeu os Filhos, Perdeu a Saúde e até o amor da Esposa, mas não Perdeu a Fé e a Esperança em Deus. Ref Jó 1: 20-22. "Então, Jó se levantou... e se lançou em terra e adorou". Com a expressão; "Ainda que Ele me mate nele esperarei..." e "Depois de consumida a minha pele ainda em minha carne verei a Deus" Jó 13: 15 e Jó 19: 26.

DEUS EU PRECISO DE UM MILAGRE


Nem sempre o fim de linha é a linha de chegada. Às vezes são obstáculos que tentam paralisar uma caminhada. Pode ser uma queda, como o envolvimento de Davi, o marido de Mical, com Batseba, a esposa de Urias (II Sm 12: 24); ou pode ser o mar, o grande mar Vermelho, que se apresentou no caminho durante a peregrinação israelita em direção à terra prometida (Êx 14).

O povo de Israel não podia voltar porque avistaram atrás o exército de Faraó, mas também não podia seguir em frente porque não havia mais caminho. O que fazer agora? Esse é o momento da total dependência de Deus, quando todos os nossos recursos acabam, quando chegamos no limite de nossas forças e possibilidades. Milagre é isso: uma intervenção divina onde só Deus pode fazer alguma coisa. Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo e faz do Onipotente o seu protetor, pode dizer ao Senhor: Tu és o meu Deus, em quem confio (Sl 91, NTLH). O povo que confia em Deus pode dizer: Quando estamos fracos, aí é que estamos fortes. Isso é místério, porque mistério na religião cristã quer dizer verdade inacessível à razão. E a nossa crença é essa: que só Deus faz milagre, porque milagre é coisa que só Deus pode fazer.

A atitude dos israelitas é a única arma eficaz em situações como estas: "Os filhos de Israel clamaram ao Senhor" (Êx 14: 10). Somente Ele poderia impedir a destruição e o fracasso do seu povo. Como disse Judas, servo de Jesus Cristo: Deus pode impedir que vocês caiam! (Jd 1: 24, NTLH). Foi sábia a atitude de Maria durante um casamento em Caná da Galiléia. O vinho terminou, a festa também terminaria. A sua oração, direcionada a Cristo, era a única oração possível: "Jesus, o vinho acabou!" (Jo 2: 3). Na verdade, uma confissão. Precisamos aprender a ser assim - corajosos, sinceros e diretos, sem rodeios, como foi Maria. Em nosso caso, outras orações devem ser igualmente claras e objetivas: "Jesus, o limite chegou!", "Senhor, eu preciso de um milagre!"

No caso israelita, Deus deu ordens ao povo pra marchar. Ele manda seguir em frente, quando aparentemente não há motivos para seguir em frente. Mas na verdade há: a certeza de que o Senhor está à nossa frente. Como ele disse a Josué: "Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes: porque o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares" (Js 1: 9). E quando o povo fez isso, o mar saiu da frente, abrindo o caminho para a vitória de Israel e derrota dos seus inimigos.

Nas bodas de Caná, Jesus até questionou sua mãe por não ser o momento para dar início ao ministério de milagres e maravilhas. Só que ela não tinha dúvidas: por compaixão, para impedir que a alegria daquele momento festivo terminasse prematuramente, Jesus iria fazer alguma coisa. Ficou registrado, então, o único mandamento de Maria aos discípulos de Jesus: "Façam tudo o que ele disser" (Jo 2: 5). Apesar da sua hora não ter chegado, Jesus adiantou-se para fazer o milagre. Outra oração é válida: "Jesus, apressa-te em me livrar. Eu preciso de um milagre, por favor, por amor, apressa-te!".

terça-feira, 12 de maio de 2009

ESPIRITUALIDADE - PILOTO AUTOMATICO


Nós somos pilotos automáticos em muitas situações da vida. Agimos movidos não tanto pela inteligência, e nem sempre pela consciência clara do que fazemos, mas por hábito adquirimos determinadas atitudes que fazem parte da nossa vida. Assim, nós as incorporamos e agimos com alegria, como aviões controlados pelo piloto automático que o comandante liga quando chega a uma certa altura. Isto lhe permite descansar, conversar, levantar-se, dar uma voltinha, mas sempre com os olhos fixos na parafernália de botõezinhos do painel de comando.




Assim acontece também com a nossa vida. Quando se chega a uma certa “altura” de atitudes, de convicções, podemos nos permitir o luxo de uma liberdade que nos ajuda a crescer e nos faz sentir bem. Deus quer que nós sejamos orientados por ele. A vida é um avião que é dirigido por Deus e pilotado por nós, mas é ele que se encarrega de conduzir-nos onde devemos chegar. O piloto automático não anula a responsabilidade do piloto verdadeiro, ele deve sempre viver numa constante vigilância, sentindo-se co-responsável de tudo o que acontece, verificando antes de mais nada se o piloto automático funciona direitinho.



Pode acontecer que o nosso piloto automático não seja bem direcionado e aí achamos que tudo está certo quando, na verdade, a rota está errada, a bússola não funciona e nós vamos para uma direção que não é a melhor e podemos causar um grande acidente tanto para nós como para os outros. Creio eu que muitas das minhas ações são dirigidas pelo piloto automático, que é minha fé, meu amor apaixonado a Deus, ao Carmelo, o desejo de anunciar o Evangelho e tantas vezes me encontro a rezar o terço ou a pensar em Deus sem tê-lo bem claro em mim... Deve ser o piloto automático do meu amor a Maria que me faz sentir a sua presença na minha vida.



O piloto automático são as grandes opções de vida que se fazem uma vez para sempre e se renovam constantemente, mas que não mudam a direção que assumimos. Há um meu irmão no Carmelo que diz que eu ando com piloto automático. No início, esta frase no me intrigava mas, depois, conversando com ele e pensando na minha oração, vi que de verdade em muitas coisas eu coloco o meu piloto automático, que é Deus, o Espírito Santo, e ando seguro pelos mares da vida. Não é por acaso também a vida de Jesus dirigida por este piloto que é fazer a vontade do Pai em todas as circunstâncias – “meu alimento é fazer a vontade do Pai? Não é por acaso um certo piloto automático aquilo que diz o apóstolo Paulo: “Quer você coma, durma, beba ou faça qualquer outra coisa, tudo faça com alegria e para agradar a Deus e aos outros”?



Entendi como devemos descobrir e assumir com alegria a espiritualidade do piloto automático: é necessário fazer na nossa vida opções fundamentais, tomar determinadas determinações e ser fiéis custe o que custar. A vida, é mais fácil vivê-la com Deus do que sem Deus, sabendo que ele é nosso pastor e que nos conduz, mesmo quando não sabemos aonde e como ele nos vai conduzir. É ter a certeza de que nunca estaremos sozinhos e, embora sejamos mergulhados nos desertos mais áridos, ele está ao nosso lado, e que nunca estaremos sem apoio, mesmo quando nos acontecer de caminhar sem ter um rumo certo.



A espiritualidade do piloto automático não é determinismo nem inconsciência, e nem consiste em empurrar a vida com a barriga, como provavelmente queria insinuar o meu irmão, mas é uma vida consistente, e vida com responsabilidade. A espiritualidade do “piloto automático” é deixar de nos preocupar demasiadamente e ir deixando que Deus se preocupe conosco, o que não dispensa a nossa co-responsabilidade na vivência do nosso dia-a-dia. Não somos meros espectadores mas, sim, observadores atentos e prontos a entrar em ação quando o momento o exige. Assim como o piloto do avião não pode perder de vista o painel dos botões dos comandos, assim também nós não podemos perder de vista a nossa responsabilidade e vigilância.



Gostei do exemplo e de ter ao meu serviço o “piloto automático”, que me orienta e guia nos momentos difíceis, mas quero estar sempre atento à presença viva do Deus vivo.

COISAS VELHAS E NOVAS


Nenhum grupo humano pode considerar a geração nova como conhecedora das tradições e dos sadios ensinamentos. Tudo precisa novamente ser ensinado, insistido, mostrado pela geração adulta. Nós não carregamos conosco - ao contrário dos animais - os instintos da nossa espécie. Também em assuntos de fé, e de convivência comunitária acontece isso. Precisamos aprender tudo, seja dos nossos pais, seja dos irmãos de vida comum. O fracasso do crescimento na fé não é difícil de detectar nos dias atuais. Os princípios religiosos consistentes, com firme espinha dorsal, são exceção. Vemos muitos serem frios nas suas convicções, desligados dos ensinamentos insuperáveis de Jesus, seguidores fáceis de ventos de doutrina, fugitivos repentinos diante de grandes dificuldades. Muitos gravitam na mediocridade da fé. Não é fácil de encontrar mártires, ou pessoas capazes de enfrentar os ventos da adversidade, e apesar disso serem fiéis a Cristo.



Na Igreja Primitiva encontramos um método insuperável de modelagem na fé. É a chamada “Iniciação à Vida Cristã”, que forjou muitos Santos e Mártires. Não se sabe qual foi o motivo de se abandonar tamanha riqueza pedagógica. Hoje fazemos um esforço hercúleo, para colocar a Catequese em condições, de se tornar uma resposta convincente aos anseios de vivência cristã. Quais foram algumas das características da antiga pedagogia cristã? Antes de tudo, ela sabia que o mistério (a pessoa de Cristo), não se aprendia pelo estudo, mas pela experiência. “Vinde e vede” (Jo 1, 39). Ademais, por ter vínculos antropológicos, a Catequese primitiva nunca terminava; envolvia pais e padrinhos; e reconhecia que a riqueza de Cristo é impossível aprender em pouco tempo. Nestas circunstâncias, o catequista não era um professor, mas um mistagogo (aquele que introduz no mistério). O Brasil todo vai entrar nesta “Iniciação à vida cristã”, observando as diversas etapas, seguidas pelos antigos. Mas ninguém se espante. Todas as modernas conquistas catequéticas, sem excetuar o Diretório Nacional de Catequese serão incorporadas. Procuraremos seguir as orientações do Mestre: “Todo o discípulo do Reino é como um pai de família que tira do seu baú coisas novas e velhas” (Mt 13, 52).

PASTOR INCOMPREENDIDO


Ser pobre e despojado é procurar ser como Nosso Senhor Jesus Cristo, que nada teve, a não ser uma única túnica, que foi objeto de escárnio da parte dos que o assassinaram. As raposas têm tocas, as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde inclinar sua cabeça (Mt 8, 22). Francisco de Assis e o Irmão Universal Charles de Foucauld amaram em profundidade a Senhora Pobreza, que Cristo a inaugurou, ao nascer numa estribaria e, ao morrer, semelhante a um malfeitor, despido e sedento.
O Papa João XXIII, “Il Papa buono”, como era conhecido pelo povo Italiano, teve a bela inspiração de iniciar uma nova era na Igreja, era de uma Igreja mais povo de Deus, mais servidora e pobre. Isso teve seu início com convocação do Concílio Vaticano II.
No Ceará tivemos a sorte de contar com Dom José de Medeiros Delgado, um paraibano sábio e de uma cultura invejável, que compreendeu e assimilou o Concílio Vaticano II, desejando uma Igreja rejuvenescida, renovada. O mais exigente para ele foi viver essa transição, fazer acontecer e levar o clero e povo a uma compreensão do mundo, com suas exigências e que todos tinham a missão de construir a sua própria história. Neste sentido, Dom Delgado, foi grandioso e extraordinário.
Prestes a encerrar o Concílio Vaticano II, maior acontecimento eclesial do Século XX, 40 padres conciliares redigiram e assinaram um documento, dentre os quais uma boa parte de bispos da América Latina, no dia 16 de novembro de 1965, firmando no final da Celebração Eucarística na Catacumba de Santa Domitila um Pacto – foi o “Pacto das Catacumbas”.
Dom Helder Câmara, Dom José Mota Albuquerque, Dom Antônio Batista Fragoso, Dom Fernando Gomes e Dom José de Medeiros Delgado estavam à frente desse pacto, que foi conseqüente, influenciando e fazendo florescer tantas coisas belas e maravilhosas na nossa Igreja, na América Latina e no Brasil.
Comprometeram-se os nossos queridos pastores em levar uma vida de pobreza, de rejeitar todos os símbolos ou privilégios do poder, de colocar os pobres no centro da sua ação e ministério pastoral. Outra coisa presente no pacto foi a colegialidade e a coresponsabilidade da Igreja como povo de Deus, a abertura ao mundo e a colhida fraterna.
Dom Helder procurou viver rigorosamente a mística do pacto das catacumbas, despojando-se de tudo que pudesse transparecer uma Igreja com estrutura pesada e burguesa, abraçando a simplicidade e a pobreza, indo ao encontro da profecia, sendo a voz dos pobres e dos que não podiam falar, nos duros anos do arbítrio. O compromisso do pastor dos empobrecidos foi um insulto para muitos, mesmo dentro da própria hierarquia da Igreja, não para aquele que tinha na mente e no coração a colegialidade e a coresponsabilidade, Dom José Delgado.
Esse grande pastor soube ser fiel ao pacto firmado, solidarizando-se com Dom Helder e outros irmãos perseguidos. Dom Delgado foi um bispo extremamente aberto, fiel as decisões conciliares e assim se pronunciou: ‘A Imprensa brasileira vem desencadeando uma intensa campanha contra a pessoa de D. Helder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife’ (cf. Artigo de Márcio de Sousa Porto, Livro o Peregrino da Paz, Pg. 73).
Dom Delgado foi o terceiro Arcebispo de Fortaleza, ficou à frente de nossa Igreja por 10 anos, de 1963 a 1973. Não foi fácil para ele assumir o período da transição, mas como um homem sensível, aberto as novidades do seu tempo e, ao mesmo tempo, com sua vasta cultura, sonhava e desejava obstinadamente ver implantada as resoluções de uma Igreja que se abria para o mundo, Igreja comunhão e participação.
Construiu o Seminário Regional Noroeste I – Para os Estados do Ceará, o Piauí e o Maranhão; fundou o Centro de Treinamento da Pacatuba; revitalizou o Banco Popular de Fortaleza; adquiriu a Casa de Lazer do Clero na Praia do Pacheco; retomou a construção da Catedral e a construção da nova residência episcopal [...] e desmembrou a Arquidiocese de Fortaleza, com a criação das Dioceses de Itapipoca e Quixadá.
Dentro da visão de uma Igreja do Vaticano II, a partir do pacto das catacumbas, pobre e servidora, longe dos símbolos e dos privilégios do poder, foi corajosamente levado a desfazer-se do patrimônio mais histórico e expressivo da cidade de Fortaleza - “Palácio do Bispo”.
Dom Delgado ao despedir da Arquidiocese de Fortaleza, com o coração compungido, disse: “Agora, Senhor, podes deixar teu servo partir em paz, segundo a tua palavra; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos, luz para iluminar as nações e glória de teu povo, Israel” (Lc 2, 29-32), citando o velho Simeão, sumamente alegre e feliz. Diante do acima exposto e das críticas que sempre escutei a seu respeito, quero afirmar, sem nenhuma dúvida, que esse homem de Deus fez que o que tinha que ser feito e foi um grande bispo, um pastor incompreendido.



pegeovane@paroquiasantoafonso.org.br


Última Alteração: 09:10:00

Fonte: Pe. Geovane Saraiva
Local:Fortaleza (CE)

PALAVRAS DE SABEDORIA


"Todas as nossas palavras serão inúteis se não
brotarem do fundo do coração. As palavras que não
dão luz aumentam a escuridão".
(Madre Tereza de Calcutá)

NAS MÃOS DE DEZ FAMILIAS


O quadro pode mudar, mas no momento em que este livro sai da gráfica, o Brasil está sendo evangelizado PRINCIPALMENTE pelas mensagens de cerca de dez famílias católicas, pentecostais ou evangélicas. A mídia religiosa que mais repercute está nas mãos ou sob a direção delas.



Fundadores, familiares, cunhados, ou primos e casais há mais de vinte anos na direção desses grupos de fé, respondem seja como dirigentes da programação, seja pela direção de cadeias de emissoras religiosas, ou conduzem programas que chegam a cerca de 80 milhões de brasileiros.



O leitor saberá, se quiser pesquisar, quem dirige, prega, faz a pauta e decide o que vai ao ar. Verá a forte influência de famílias na evangelização do Brasil de agora. Não deixa de ser admirável. Não deixa, também, de ser preocupante. Dez a quinze casais, por mais de vinte anos a influenciar com os seus programas a sua visão de Cristo e de Igreja a mais da metade dos cristãos do país podem formar um país mais cristão, ou mais do jeito deles.



É de se perguntar se tais famílias realmente interpretam e representam o pensar dos cristãos do mundo, ou se o que ensinam leva um povo inteiro a pensar mais como eles do que como as igrejas às quais dizem pertencer... Vale o que estas famílias, seus filhos e parentes pensam ou vale o que séculos de busca de teólogos, filósofos, mártires e catequistas cristãos nos ensinaram?



Não é influência excessiva de apenas dez a quinze famílias, muitas das quais demonstram pouquíssima familiaridade com os teólogos e pensadores cujos livros marcaram a história do cristianismo? Não teria o púlpito cristão abandonado a história de suas igrejas em troca das histórias dessas famílias e dos seus seguidores? Não teria o púlpito mudado de mãos e, com o advento da mídia, ido parar nas mãos de quem não leu nem a décima parte dos documentos da fé cristã?



A catequese cristã e familiar na mídia no Brasil diversamente do que sucede na maioria dos outros povos, está excessivamente influenciada por cerca de dez a quinze famílias. Não tem havido sucessão, como acontece com paróquias, dioceses e igrejas. Refletir é preciso. Os primeiros a fazer tal reflexão deveriam ser tais famílias. Foram eleitas? Criraam tais mídias e não pretendem passá-las a outras mãos? Quem determina a catequese naquela mídia poderosa? Eles ou um conselho?


Última Alteração: 13:47:00

Fonte: Pe. Zezinho, scj
Local:São Paulo (SP)